sábado, 4 de janeiro de 2014

OPINIÃO: Blufo N'dam (acto I)


«Kumba Yala (KY) volta a agitar a vida politica guineense com mais um anuncio aparentemente imprevisível, ao dar a conhecer ao mundo a sua "retirada da cena politica ativa" e consequentemente a sua renuncia à candidatar-se as próximas eleições presidenciais previstas para o 1° trimestre do ano que se inicia.

Resta a questão de saber se, KY fê-lo de vontade própria como afirmou no seu atabalhoado comunicado, ou se foi "forçado" a sair da cena politica por outros imperativos, sendo as mais plausíveis, pressões vindas das chefias militares, entenda-se Antônio Indjai (AI) e também da sua comunidade étnica-politica.

Não é segredo para ninguém, de que, a imagem de KY tocou no fundo há muito tempo. E, também, ao que parece mesmo os seus incondicionais seguidores, incluindo os da sua etnia já se aperceberam de que, KY já não é o que fora em tempos, e mais do que isso, hoje na Guiné-Bissau, é mais um problema de sobrevivência e de convivência pacifica, do que esperanças para o seu grupo étnico-politico, o PRS.

Foram vários os atos de desaprovação e de afastamento de alguns dos seus incondicionais apoiantes relativamente as suas posições de ruptura democrática e de violências recorrentes. Sinais claros de desgaste e de desaprovação por parte de "notáveis" do seu partido e da sua comunidade étnica foram demostrados com relação aos seus comportamentos incoerentes, imprevisíveis, geralmente acompanhados de violência e anarquismo.

O seu afastamento da corrida à liderança do PRS foi um dos atos mais marcantes e a nova postura de liderança virada para conciliação e o dialogo encetada por Nambeia, mostram os fundados receios dos seu grupo étnico-politico quanto a uma inevitável e previsível reviravolta politica e perda das rédeas do poder (politico e militar), facto que colocaria o respetivo grupo étnico-social numa desconfortável posição sociopolítico face a larga maioria da população guineense que vê nestes desmandos e arruaça politica como uma manifestação de força de uma etnia politicamente em armas contra uma população indefesa e amorfa dos seus direitos e liberdades.

Em suma, KY foi forçado a sair da cena politica, por variadíssimas razões e, entre elas as acima citadas. Mas também, KY saiu da cena politica porquanto, à parte a força da violência e as mortes subjacentes as suas ações antidemocráticas, hoje em si, já não representa nada para o futuro da sua comunidade tribal e tão pouco para a Guiné-Bissau, onde larga maioria da população, tem para com ele uma apreciação pejorativa e de ódio indisfarçável.

KY estava politica acabado e, a humilhação politica que lhe foi infligida por Carlos Gomes Júnior nas ultimas eleições presidenciais representou o canto do cisne politico do ícone balanta, facto que o levou em desespero de causa, a apelar ao recurso da força das suas milícias e facões étnicas das Forças Armadas (FA) para levar a cabo o golpe de estado de 12 de abril arcando o pais com as graves consequências que hoje se vive.

Igualmente, KY não oferece condições de sanidade mental, nem físicas para representar a Guiné-Bissau a qualquer nível que seja. O seu estado físico, apesar da aparência, é deplorável e com sequelas incontroláveis. O recurso ao enigmático indumentária da gabardina em clima tropical húmido, não é mais do que um meio de dissimular os efeitos das suas incontinências urinarias que lhe deixam as partes baixas das calças em mau estado. Idem para o seu quadro mental que, cada dia que passa, torna-se num autentico desastre clinico, sendo-lhe frequente amnésias psico-cognitivas cada vez mais bloqueantes.

A seguir : BLUFU N'DAM - ACTO II

C. de M. C.
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