sábado, 4 de agosto de 2012

Carlos Gomes Jr., fala sobre o golpe de Estado de 12 de abril


O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau conta como viveu o golpe de Estado que lhe tirou o poder e lhe destruiu a casa. Exige que seja feita justiça e acredita no retorno à ordem constitucional. Após o golpe de Estado de 12 de abril, Carlos Gomes Júnior concedeu uma entrevista exclusiva à DW África. O primeiro-ministro guineense deposto partilhou os momentos de bombardeamento à sua residência, durante o golpe, e as ameaças que sofreu durante a sua detenção.

Sem entrar em detalhes, Gomes Júnior responsabiliza alguns países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pela instabilidade no país. Exige que os responsáveis pelo golpe de Estado sejam chamados à justiça e afirma que está pronto para voltar, assim que estejam reunidas as condições necessárias.

Carlos Gomes Júnior vincou a sua posição em entrevista, realizada em Cabo Verde, no domingo, 29 de julho, dia em que se encontrou com cerca de 500 membros da comunidade guineense na Cidade da Praia. Já na segunda e terça-feira (30 e 31.07.2012), o chefe de executivo deposto marcou presença no Comité África da Internacional Socialista, na qualidade de presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

DW África: Como é que viveu aqueles momentos do dia do golpe de Estado, 12 de abril?

Carlos Gomes Júnior (CGJ): Falando com sinceridade, devo dizer que foram momentos muito dramáticos. Felizmente, consegui ultrapassar. A grande onda de solidariedade de pessoas amigas, familiares, do estrangeiro, da juventude, militantes e da direção do PAIGC, fez-me voltar a ganhar confiança para prosseguir a luta. A quem é que serve esta instabilidade para o país voltar à estaca zero? Falo com toda a sinceridade, se nós não voltarmos a pôr cobro a este tipo de comportamento, quiçá penalizar os autores, como a comunidade internacional está a começar a fazer agora, a Guiné-Bissau nunca mais sairá deste marasmo.

DW África: Aquando do bombardeamento estava em sua casa?

CGJ: Sim. Quando me alertaram [para o golpe] estava no partido. Viram-se carros com militares e carros civis. Estavam à minha espera. Ainda saí do partido, fui a casa do comandante Manuel Saturnino Costa, depois fui para casa. Mal entrei em casa, começou o bombardeamento com rajadas. Depois de dominarem a minha segurança, começaram os bombardeamentos com morteiros, com bazucas. Para prender um primeiro-ministro é preciso todo esse aparato? Então, já havia planos bem delineados da eliminação física do primeiro-ministro.

Mesmo assim, eu podia ir para uma embaixada. Imagine que eu ia para a embaixada de Angola. Eles iam, certamente, tentar tirar-me da embaixada. Iria haver reação, mortes, amanhã iriam dizer, como tentaram dizer, que Carlos Gomes trouxe tropas de Angola para o proteger. Não, eu sou um cidadão comum. Sou pessoa de bem, todas as pessoas me conhecem pelo meu trabalho, tanto ao nível empresarial como político. Eu não sou violento, ninguém me conhece por ser violento, embora haja toda uma campanha para me porem o rótulo de matador.

DW África: Circulam também informações contraditórias de que terão sido elementos do general António Indjai, Chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, que o levaram para sua segurança ou então de que o levaram para o prender.

CGJ: O que eu sei é que eles me prenderam e me disseram para os acompanhar. Puseram-me sentado no chão, depois levaram-me para S. Vicente. A minha mulher foi levada para o quartel d’Amura. A minha casa ficou totalmente danificada. Saquearam completamente a minha casa. O mobiliário que não conseguiram abrir foi aberto a tiro. Está filmado e fotografado. Em todo o país democrático tem de haver justiça e todos esses atos eu vou trazê-los à justiça. Eu vou exigir que essa gente seja trazida à justiça.
Nós não podemos ter uma força de segurança, umas Forças Armadas, para proteger o Presidente da República, proteger o primeiro-ministro com todo o aparato e, de um dia para o outro, resolvem bombardear e saquear tudo. Em nome de quê? Em nome da lei? Que lei? Não é possível continuarmos nesta onda de violência.

DW África: A sua esposa foi depois levada para casa novamente? No dia seguinte ao golpe de Estado foi vista de manhã cedo em casa.

CGJ: Ela foi levada para casa naquela noite [de 12 de abril]. Mesmo em frente dela roubaram-lhe coisas, a carteira com dinheiro e documentos. Puseram-na sentada numa cadeira a ver a sua casa ser delapidada. E, como sabe, a minha mulher é cônsul honorária de Cabo Verde. Nem aí as pessoas perceberam a irresponsabilidade do seu ato. Foram ao escritório, com a bandeira de Cabo Verde, onde ela trabalha, e saquearam o cofre, saquearam tudo.

DW África: Porque é que não se preveniu sabendo que um golpe poderia acontecer a qualquer momento na Guiné-Bissau? Creio até que a segurança do Estado já lhe tinha dado o alerta.

CGJ: Sim. Mas eu decidi, de uma vez por todas, mesmo que me custasse a vida, que eu não iria para embaixada nenhuma. Portanto, eu preferi ficar para que o mundo testemunhasse, de facto, que aquilo a que nós apelamos, ou seja, a reforma no sector de Defesa e Segurança, é uma necessidade urgente da Guiné-Bissau. Caso contrário, os investidores estão a deitar dinheiro à rua, porque estão a fazer investimentos que amanhã não terão retorno, pois vão entrar num país instável. E nós queremos provar aos investidores que a Guiné-Bissau tem potencialidades. Isso é que fez com que Angola concedesse a  linha de crédito para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Não é só para a reforma do sector de Defesa e Segurança, havia linhas de crédito para o setor privado. Infelizmente foi tudo deitado por água abaixo.

DW África: Como é que vê a atual situação na Guiné-Bissau? Que informações tem da Guiné neste momento?

CGJ: Eu quase todos os dias falo com a direção do partido (PAIGC). Quero aproveitar para os felicitar, encorajar a nossa juventude pela resistência que tem feito para o retorno à ordem constitucional. Não vale a pena fazer-se uma campanha, correndo todo o país, mobilizando a população, militantes, garantindo dias melhores, a execução de um programa de governação que vá trazer mudanças na vida dos seus familiares. Valerá a pena para, daí a dois ou três dias, se tirar o partido que ganhou as eleições para se pôr um partido da oposição, com a conivência das próprias Forças Armadas. Porquê?

DW África: A partir do golpe de Estado começaram as divergências com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO. A que se devem essas divergências?

CGJ: Não é só a CEDEAO. É meia dúzia de países da organização regional que, usando abusivamente o nome da CEDEAO, fizeram este golpe de Estado, com a conivência dos nossos militares. Há países que não se sentem à vontade de ver a Guiné-Bissau a desenvolver-se. Porque nós conseguimos, com a nossa governação, provar à comunidade internacional que a Guiné é viável. O porto de Buba já era uma realidade. O Presidente [angolano] José Eduardo dos Santos e o governo empenharam-se, diretamente, para a viabilização do projeto ainda este ano. O porto de Buba iria representar emprego para mais de três mil jovens, ia garantir escoamento de produtos porque iria ter capacidade de receção de navios até 240 mil toneladas. Seria um porto que seria concorrente direto do porto de Dacar [Senegal]. Iria ter linhas de caminho de ferro que faria Buba, Guiné-Conacri e Mali.

Já recebemos a visita do primeiro-ministro [cabo-verdiano] José Maria Neves, em que mostramos as potencialidades em nos podermos ligar a empresários de Cabo Verde, de se criar um parque industrial em Buba, com parcerias com o Brasil, Portugal, e também com empresários angolanos que estavam interessados, para importar produtos, exportar para os países limítrofes. E tentar também exportar produtos da Guiné-Bissau. Havia já empresas brasileiras que já estavam interessadas em transformar as nossas frutas em calda para exportação. Havia toda uma perpetiva de emprego, sobretudo de emprego jovem. Portanto, nós pensamos que os dirigentes da Guiné-Bissau têm que parar com esta política de baixo nível. Brincam com o sentimento das pessoas, dos familiares. Veja o caso de Roberto Cacheu [deputado do PAIGC que está desaparecido], de quem não se sabe o paradeiro desde o dia 26 de abril. Inventaram histórias de que o Carlos Gomes é que ordenou. Dois dias depois, apareceu no "Expresso Bissau" um relato, talvez da parte verídica da história. E, há dias, houve uma cena rocambolesca em que disseram que foram cavar uma sepultura que diziam ser de Roberto Cacheu, para não encontrarem nada.

DW África: E qual a sua versão sobre o que aconteceu ao deputado desaparecido do PAIGC Roberto Cacheu?

CGJ: Ninguém sabe. Porque se mataram tem que se ver o corpo. Nós ouvimos as declarações dos responsáveis militares de que era um golpe de Estado. Estavam militares presos. E porque é que não falaram desse caso? Só depois de dois, três meses do golpe de Estado, agora é que vão ter a versão definitiva para explicar, quando garantiam a todos que estava no seminário de padres? Agora esses políticos, que não têm nem sequer um deputado no Parlamento, é que são os detentores da verdade? Estamos à espera. Pensamos que o povo da Guiné é um povo maduro, não se vai deixar enganar facilmente. Vamos aguardar, pois a justiça tem o seu fórum próprio.

DW África: No encontro com a comunidade guineense em Cabo Verde, no dia 29 de julho, disse que não mandou bombardear a casa de Roberto Cacheu. Pode-se entender que é uma crítica ao general António Indjai, Chefe das Forças Armadas guineenses?

CGJ: Eu não chamo o nome de ninguém. Como disse, o povo da Guiné é um povo maduro. Penso que a justiça e a investigação têm os seus fóruns próprios. Deixemos a justiça trabalhar. Um dia há-de saber-se a verdade. Um dia, os familiares, os amigos hão-de saber quem é que está a fazer barbaridade na Guiné-Bissau. Por isso é que enviamos uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, solicitando a instalação de um tribunal ad hoc para julgar todos os crimes de sangue cometidos na Guiné-Bissau.

DW África: Após o golpe de Estado, seguiu de Bissau, juntamente com o Presidente Raimundo Pereira para Abidjan, na Costa do Marfim. As informações que circularam é de que estaria numa espécie de prisão domiciliária. Confirma?

CGJ: Não é o momento de a gente, talvez, relatar isso. Há-de chegar um dia em que vamos contar a nossa história.

DW África: Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU anunciou que o narcotráfico aumentou, na Guiné-Bissau, depois de 12 de abril. Acha que o golpe de Estado teve ligações ao mundo da droga?

CGJ: Quando fomos afastados do poder pelos militares, a 12 de abril, pensamos que a Guiné-Bissau era já vista com um certo respeito pelos seus parceiros. Agora se há aumento de criminalidade, a CEDEAO, que declarou tolerância zero, que assuma a responsabilidade.

DW África: Até 12 de abril, data do golpe de Estado, como eram a suas relações com o general António Indjai, Chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau?

CGJ: Sempre tivemos um bom relacionamento. É alguém que sempre declarou que nunca daria mais um golpe de Estado, que seria fiel ao governo legitimamente eleito. Portanto, quando chamaram o nome dele, de que estaria a chefiar o golpe de Estado, para mim foi uma surpresa.

DW África: Soube do nome de António Indjai ainda na prisão ou já depois de ter saído?

CGJ: Ainda na prisão já se ouvia falar do nome dele. Porque, de facto, não é normal que toda a chefia do Estado Maior das Forças Armadas se tivesse mantido. Portanto, isso foi um plano muito bem orquestrado.

DW África: Na prisão não foi mal tratado?

CGJ: Penso que não é um lugar condigno para um primeiro-ministro nem para um Presidente da República, mas não podemos dizer que fomos mal tratados. Mas houve situações um bocado preocupantes durante a nossa detenção, com sérias ameaças à nossa integridade física.

DW África: Ameaças do tipo de que teria de assinar a renúncia?

CGJ: Do género de assinar a renúncia, de o Presidente da República dar autorização para as Forças Armadas entrarem na Guiné-Bissau, o que nunca aceitamos e não assinamos documento nenhum.

DW África: E a suas relações com o anterior Presidente guineense Malam Bacai Sanhá?

CGJ: Nós somos pessoas de bem, nós respeitamos sempre os mais velhos. Apesar das nossas contradições políticas, houve sempre um relacionamento de respeito. Até à sua morte [em dezembro de 2011], toda a assistência que pude dar, enquanto chefe de governo, dei-lhe assim como à sua família. É uma profunda dor o seu desaparecimento físico, porque penso que, apesar das contrariedades, discutia-se e tomava-se decisão.

DW África: E como é que compreende que os principais colaboradores do anterior Presidente Malam Bacai Sanhá tenham apoiado, durante as eleições presidencias, o candidato Serifo Nhamadjo? Até mesmo familiares de Malam Bacai Sanhá estão agora com Serifo Nhamadjo.

CGJ: Eu penso que isso são ainda reflexos do Congresso de Gabu. Penso que um político deve saber ganhar e perder. É caricato que o próprio Serifo Nhamadjo, que era o presidente da comissão da verdade e reconciliação a nível do parlamento da Guiné-Bissau, pensávamos que, de facto, era uma pessoa que estava a trabalhar pela reconciliação da família guineense. Estranhamente vêmo-lo hoje numa outra barricada.

DW África: E quanto ao seu regresso à Guiné-Bissau?

CGJ: Nem que seja amanhã. Eu estou a trabalhar para que a comunidade internacional assuma a sua responsabilidade perante o povo da Guiné-Bissau.

DW África: Está à espera então que as condições sejam criadas para poder regressar?

CGJ: Sou homem, não tenho medo seja de quem for. Quando jurei servir o país, servir a memória de Amílcar Cabral [político guineense que esteve envolvido na fundação do PAIGC], jurei do fundo do coração. E não há nenhum homem que me possa fazer frente. Eu estou pronto a ir à segunda volta [das eleições presidenciais] para que, de facto, (...) se possa concluir o ciclo eleitoral [interrompido com o golpe de Estado].

DW África: Regressa ainda este ano de 2012 à Guiné-Bissau?

CGJ: Assim que forem criadas condições pela CNE (Comissão Nacional de Eleições), assim que as Nações Unidas conseguirem criar condições para uma força multinacional com a participação de todos os parceiros da Guiné-Bissau. Eu, Carlos Gomes Júnior, jurei servir o meu país. Nem que isso me leve à morte, eu vou servir o meu país.

DW África: Isso quer dizer então um regresso à situação constitucional na Guiné-Bissau entes de 12 de abril?

CGJ: A CEDEAO garantiu que transição é por um ano, esperemos que assim seja. Já se passaram mais de três meses e eu não estou a ver nada a evoluir nesse sentido. Mas, pelas decisões que têm sido tomadas no Conselho de Segurança, estamos convencidos de que as coisas vão mudar.

Fonte: Deutsche Welle

Autor: Nélio dos Santos (Cidade da Praia)
Edição: Glória Sousa/Madalena Sampaio

Resposta a Eduardo Jaló – Uma Reflexão Patriótica


 
"Após a primeira reflexão política e de análise das contas públicas, e de uma segunda reflexão sobre a administração pública, escreve agora Eduardo Jaló sobre uma análise económica comparando a CPLP e a CEDEAO.

Para o efeito Eduardo Jaló teve a preocupação de fazer o trabalho de casa através da compilação de informação de diversos organismos internacionais e coligir dados económicos dos vários países que compõem estas organizações a CEDEAO e a CPLP. Pela sua exposição depreende-se que a CPLP, através dos países que a integram obtêm melhores resultados, tendo apenas em consideração os países africanos, excluindo Cabo Verde e a Guiné Bissau que pertencem às duas organizações.

Estas minhas palavras dirigidas a Eduardo Jaló são para na sua quarta reflexão ele analisar a parte social do relacionamento destas duas organizações, permitindo-me recordar umas palavras recentes do actual primeiro ministro de São Tomé Patrice Trovoada que numa entrevista afirmou e passo a citar: “Estávamos em Conacri e, na altura, os movimentos nacionalistas das ex-colónias portuguesas eram uma única família. Dizia que o meu pai é o meu pai e que os meus tios eram Lúcio Lara, Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Marcelino dos Santos.” Bonitas palavras, pois se eram todos tios, na realidade eram irmãos.

O que eu quero acrescentar a todas as opiniões sobre a problemática da Guiné Bissau é que para haver uma solução definitiva e duradoura para a Guiné Bissau, ela passa pela resolução do conflito da Casamansa, que é um dos muitos problemas africanos, devido às fronteiras criadas pelos antigos países colonizadores. O estado do Sudão do Sul foi só o início desta problemática.

Recordo que na costa atlântica de África apenas quatro países têm como fronteiras o seu espaço linguístico colonial, no fundo um bem que permite criar uma unidade nação, são eles, de norte para sul, a Gâmbia, a Guiné Bissau, a Guiné Equatorial e Angola.
Por fim só quero acrescentar que a CPLP só será aquilo que os países do Hemisfério Sul pretendam o que ela seja. Melhores cumprimentos.

Baiadalusofonia.blogspot.com"

Guiné-Bissau: uma reflexão patriótica – Parte 3


CEDEAO vs CPLP? Eis a questão! Será?
 
A crise politica que se vive neste momento no país levantou discussão sobre o papel/importância da CPLP (Comunidade dos Países de Língua oficial Portuguesa) e da CEDEAO (Comunidade dos Estados de Africa Ocidental) no passado e sobretudo no presente e futuro da Guiné Bissau.
 
O tema tem levado a vários debates, discussões, perplexidades e comentários que foram e teem sido expostos em todos os quadrantes no país e na diaspora entre outros. Até houve da parte de quem neste momento dirige os destinos do país comentários do tipo " CPLP está num beco sem saída ", houve ainda quem pusesse em causa a continuidade da GB nesta organização, entre outros. Mas também houve quem tivesse a humildade de pedir diálogo, cooperação e compreensão à CPLP.
 
Perante todos cenários, dei me ao trabalho de fazer uma reflexão com o objectivo de comparar estes 2 blocos (CPLP e CEDEAO) em relação a 2 indicadores a saber: Crescimento económico e PIB per capita (total da riqueza produzida a dividir pelo nº de habitantes). Esta comparação poderá, por um lado esclarecer a opinião pública e não só, sobre a realidade nos 2 blocos e por outro lado, ajudar a quem de direito (sei que sabem, percebem e veem o que todos sabemos, percebemos e vemos) na elaboração dos planos de orientação estratégica do desenvolvimento económico da Guiné Bissau.
 
Em termos de crescimento economico e PIB per capita, a comparação é feita tendo em conta quatro (4) aspectos: 1 - Cabo verde faz parte dos 2 blocos e por isso entra no cálculo da média dos 2 blocos garantindo por isso um efeito neutral; 2 - A Guiné Bissau não entra no cálculo da média dos 2 blocos; 3 – houve o cuidado de expurgar o efeito dos não PALOPs (Brasil, Portugal e Timor Leste), centrando a análise nos PALOPs (Países Africanos de Lingua oficial Portuguesa), permitindo uma comparação mais objectiva. 4 – O periodo de análise é o compreendido entre os anos 2003 /2011 (últimos 9 anos).
 
A)- Em termos de crescimento económico, de acordo com dados oficiais, a zona CEDEAO, teve uma média de crescimento real do PIB no periodo em causa de 4,48%, enquanto a zona CPLP teve uma média de 5,51%. Expurgando o efeito dos não PALOPs temos uma média de 6,67%. No mesmo periodo a média de crescimento do continente Africano foi de 5,2%, inferior em 1,47% da média dos PALOPs mas superior em 0,72% à média da Zona CEDEAO.
B) – O PIB per capita na Zona CEDEAO é de 2.754 $ (USD), enquanto na Zona CPLP é de 6.364 $, portanto mais do dobro. Limitando os calculos aos PALOPs, podemos constatar que o valor atinge os 3.437 $. Em África, o PIB per capita é de 3.025 $. Aí podemos constatar que o PIB per capita nos PALOPs supera o do continente em 411,55$ e da zona CEDEAO em 682,57$, sendo que há uma diferença brutal se compararmos o indicador nos dois blocos CPLP/CEDEAO (3.610$).
 
Ademais, em termos de cooperação Sul-Sul, os principais doadores da Guiné- Bissau nos ultimos anos tem sido a Angola, Brasil e China sendo que essa traduz se no financiamento de projectos de infra-estrutura, e assistência técnica de diversa ordem totalizando mais de 20% do PIB do país.
 
Com tudo isso podemos concluir que estratégicamente, o nosso desenvolvimento tem que passar pela aposta e reforço da cooperação no seio da CPLP, sem pôr de parte a cooperação com os vizinhos da CEDEAO, porquanto pertencemos a mesma união monetária (UEMOA). O paradigma tem que mudar focalizando-o em países como Angola, Portugal, Brasil e Moçambique, sem negligenciar o exemplo de boa governação de Cabo verde.
 
Angola, sendo o segundo maior exportador de petróleo em África a seguir á Nigeria, tem tido crescimento na ordem dos 2 digitos nos ultinos 10 anos e tem alargado a sua àrea de influência a todo o continente. Segundo um relatório recente do "Economist Inteligence Unit", a Angola deverá ultrapassar até 2016, a África do Sul, actualmente a maior economia do continente.
 
Quanto ao Brasil, temos o privilégio de pertencer a uma comunidade que tem um dos paises que faz parte do G20, e dos países que faz parte dos chamados emergentes ou seja BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul) com os beneficios daí subjacentes sem esquecer a afinidade linguistica que há.
 
Portugal, além dos laços históricos, culturais e linguísticos, é um interlocutor privilegiado junto da União Europeia, um dos maiores parceiros económicos da Guiné Bissau. Apesar da crise e de estar debaixo de assistência económica e financeira, tem dado provas de apoio total a todos os esforços de consolidação da paz e desenvolvimento do País.
 
No seio da CEDEAO, podemos destacar 2 paises (as 2 economias mais poderosas) a saber: a Nigéria e a Costa de Marfim. O 1º, apesar de ser o maior produtor de petróleo de África e ser uma grande economia, está megulhado numa profunda crise estrutural, politica e social por via dos problemas causados pelo fundamentalismo islamico/guerra entre religiões do BOKO HARAM e não só, com reflexo na coesão social do país. Por isso, a Guiné Bissau nunca seria uma prioridade para a Nigéria. A Costa de Marfim também se depara com guerras tribais, resquícios da luta entre facções rivais (pró Ouatará e pro Gbabo), tendo causado milhares de mortes nos ultimos anos e que está a minar o desenvolvimento deste país. Resumindo e concluindo, instabilidade no seio da sub-região com efeitos na Guiné Bissau.
 
Pelo atrás exposto, julgo ser razoável apelar ao bom senso de quem de direito para que seja estabelecido um plano a longo médio/prazo inclusivo (CPLP- CEDEAO), mas direccionado para a consolidação da nossa presença na CPLP, bem como ao reforço da cooperação com os países que fazem parte dela.
 
PS: eu, lusófono me confesso…
 
Fonte dos dados: FMI, Banco Mundial, OCDE, EUROSTAT, Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), PORDATA, African economic Outlook, Economist Inteligence Unit etc

Eduardo Jaló
Licenciado em Gestão e Administração Pública
Técnico Superior na AT

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Movimentações diplomáticas


NOMEADOS: Dakar (Senegal), Idrissa Embaló; Lisboa (Portugal), Noni Vieira; Encarregado de Negócios Paris (França), Dino Seidi; Encarregado de Negócios Banjul (Gâmbia), Bailo Cassamá; Encarregado de Negócios Conacry (Guiné-Conacry), Seco Seidi.

Como se pode reparar, não foram nomeados novos embaixadores para os postos de Lisboa e Paris, fruto do não reconhecimento por parte da União Europeia, das autoridades de Bissau. AAS

PAIGC: Reunião com Carlos Gomes Jr., em Lisboa


Três dirigentes do PAIGC, Oscar Barbosa (Cancan) responsável para as relações internacionais, Rui Diã de Sousa (lider parlamentar do PAIGC) e Augusto Olivais (secretário permanente dos 'libertadores') estão desde ontem em lisboa para encontros com o presidente do PAIGC e primeiro-ministro eleito da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Jr. O encontro de Lisboa afigura-se de capital importância, pois o PAIGC tem o seu congresso marcado para Janeiro, e o seu presidente - que já se manifestou pronto para regressar a Bissau - continua exilado em Lisboa. AAS

Guiné-Bissau: ONU incentiva mulheres a interessarem-se pela política


O Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) está a promover uma acção de sensibilização e capacitação destinada às mulheres guineenses para que se interessem mais pela política, noticiou a Lusa. 
A acção de formação junta 35 mulheres provenientes de partidos políticos mas com pouca visibilidade, sindicalistas, activistas dos direitos humanos, promotores de organizações não-governamentais (ONG) e jornalistas e decorre até meados deste mês. A escritora e antiga ministra da Educação guineense, Odete Semedo, uma das responsáveis da formação, disse à Agência Lusa que a ideia é "dar instrumentos e incentivos" às mulheres para que possam "um dia apresentarem-se aos cargos electivos".

"Há potencialidades naquele grupo. São mulheres com formação, mas escondidas nas suas instituições ou nos seus partidos. Com ajuda da UNIOGBIS chamamos essas mulheres a entenderem que são potenciais governantes deste país", notou Odete Semedo. 
Para a antiga ministra e directora de gabinete do Presidente interino deposto no golpe de Estado de 12 de Abril último, Raimundo Pereira, as próprias leis da Guiné-Bissau "colocam a mulher em quinto ou sexto plano".

"Na mente dos homens que têm estado a dirigir este país a mulher não é prioridade. A mulher só aparece nos comícios, quando é para se fazer bons discursos, mas quando é de facto para se pôr a mão na massa a mulher é esquecida", defendeu a escritora, dando o exemplo da composição de listas eleitorais dos partidos. "Quando é para se fazer as listas eleitorais a mulher nunca aparece como cabeça de lista. Aparece sempre como suplente ou então se aparece é nos círculos onde tenha pouca probabilidade de ser eleita", disse Odete Semedo.

A portuguesa Sara Negrão, conselheira do Género na UNIOGBIS tem a mesma opinião: "Existem muito poucas mulheres que participam, de forma activa na vida política. Uma coisa é participar numa campanha, outra coisa é participar de forma activa nos partidos, na tomada de decisão nacional", notou a responsável da ONU. 
Tanto Odete Semedo como Sara Negrão, as duas animadoras da formação, entendem que fixando as quotas era possível inverter a tendência da exclusão da mulher guineense nos órgãos de decisão. AngolaPress

Embaixadores exonerados



O ministério guineense dos Negócios Estrangeiros decidiu-pela limpeza de embaixadores e algum pessoal "não colaborante" com a sublevação que foi o golpe de Estado de 12 de abril último. Assim, foram dadas como findas as missões dos embaixadores da Guiné-Bissau em Lisboa (Portugal), Paris (França) e Dakar (Senegal). Foram também feitas algumas nomeações.

Para já, ada indica que Lisboa e Paris aceitarão outras credenciações de embaixadores, mas o mesmo não se pode dizer do Senegal, país que, como se sabe, orquestrou e tem apoiado a perturbação da ordem constitucional na Guiné-Bissau. AAS

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

BOAD e UEMOA contribuem para a estrada Mansoa/Farim


Duas organizações sub-regionais africanas disponibilizaram ao Governo de transição da Guiné-Bissau cerca de 25 milhões de dólares para as obras de construção da estrada que liga as localidades guineenses de Mansoa e Farim, no norte.

O anúncio do financiamento foi feito pelos ministros das Finanças, Abubacar Demba Dahaba, e das Infraestruturas, Fernando Gomes, tendo este ultimo informado que as obras começarão no mês de setembro para durarem 14 meses. O BOAD (Banco Oeste Africano para o Desenvolvimento) disponibilizou 84 por cento do valor total do projeto, em forma de empréstimo, enquanto a UEMOA (União Económica Monetária Oeste Africano) entregou os restantes 16 por cento, mas em forma de donativo. LUSA

Comité africano da internacional socialista exige regresso à normalidade na Guiné Bissau



O Comitê Africano da Internacional Socialista exigiu a rápida volta à normalidade constitucional na Guiné Bissau, onde a cúpula militar protagonizou um golpe de estado em abril, se soube hoje. A demanda foi realizada na terça-feira nesta capital numa reunião do Comitê para a África, à qual assistiu meia centena de delegados, entre eles o deposto premiê guineano Carlos Gomes Junior. Durante o encontro foram condenadas as asonadas castrenses do 22 de março em Malí e o 12 de abril na Guiné Bissau, ao reafirmar-se "a tolerância zero para as aventuras golpistas" no continente.

O presidente da Internacional Socialista, o chileno Luis Ayala, destacou em conferência de imprensa a unanimidade atingida nas análises sobre a crise financeira, os conflitos, a construção dos Estados de direitos ou déficit democrático na África. Tanor Dieng, presidente do Comitê para o continente, mostrou-se a favor da posição assumida pela família socialista africana, ao defender também o regresso à constitucionalidade da Guiné Bissau dantes da data do golpe militar.

Os delegados expressaram seu apoio aos esforços das Nações Unidas na solução do conflito de Sahara Ocidental, apelaram a mais democracia para a Guiné Equatorial, Camerún e o Chade, além de lamentar a fome em Somalia. As conclusões apresentadas nos últimos dois dias de trabalho serão remetidas agora ao XXIV Congresso da Internacional Socialista, com sede pela primeira vez no continente (Suráfrica) entre o 31 de agosto e o 1 de setembro. A cita-a assistiram também delegações de Marrocos e a República Árabe Saharaui Democrática. Prensa Latina

Nhara Sikidu


 
 
 
Stockholm ,  2/08-2012
 
Hoje li um artigo/denúncia no blogg Ditadura do Consenso,  que me deixou particularmente chocada. É verdade que há sempre muitas noticias menos boas que  nos chegam da Guiné e portanto nada de anormal. Mas esta  talvez por ter a ver com CRIANÇAS tocou-me de forma particular e por isso mesmo gostaria de aqui deixar o meu ponto de vista. A denúncia diz assim:  
 
 
“ .... Agora, no notário da identificação civil de Bissau, os funcionários desta casa criaram uma rede para roubar dinheiro aos cidadãos, alegando que todas as CÉDULAS PESSOAIS feitas no ano 2000 não são VÁLIADAS. Nisto, refere-se a campanha de registo de crianças financiadas pela UNICEF neste mesmo ano. Dão como justificação o facto de os referidos livros estarem cheio de borões e por isso o DG do registo civil decidiu que todos as crianças registadas durante a campanha do ano 2000 devem pedir uma nova cédula. O mais caricato ainda é que todas as informações da antiga cédula deve ser copiada para a nova cédula.
 
TODOS OS LIVROS DE REGISTO DA CAMPANHA DE 2000 ESTÃO COM BORÕES.
 
TUDO ISTO É... A TRANSIÇÃO.
 
A luta continua.
Serifo Djalo  “
 
Caras/os amigas/os
 
Em  1990 a Guiné – Bissau ratificou a Convenção dos Direitos da Criança. Desde o inicio dos aos 90 que se vem falando e trabalhando sobre os direitos da criança através da intervenção de várias organizações não governamentais em colaboração com o Estado.

Pois ainda que haja muito por fazer a verdade porém é que estes anos de trabalho e de dedicação de várias organizações no país criou alguma sensibilidade á volta deste assunto e elevou muito a consciência das populações sobre os direitos das  crianças. Pois bem, deveria ser o Estado a criar condições propícias ao desenvolvimento e a maior promoção destes direitos  e  não ser este mesmo Estado  a pôr em causa todo um trabalho desenvolvido pelas Organizações parceiras (neste caso  concreto a UNICEf).

Aliás trabalho este que é da obrigação do Estado, entenda-se. Registar os seus cidadão é o mínimo que um Estado pode e deve fazer. Se não consegue fazê-lo pois acho bem que aceite o apoio de parceiros de desenvolvimento. O que não se compreende é como é que este mesmo Estado vem dizer que o trabalho anteriormente feito, com o seu próprio envolvimento,  estava errado e sem mais nem quê põe em causa os direitos mais elementares das crianças, como é o caso do direito a adquirir a sua cédula, ou seja a sua prova de identidade.

Afinal de contas em que se baseia esta decisão da administração pública?  Há algum diploma, decreto, resolução, o que quizermos chamar-lhe a sustentar esta decisão?  “Borrões nos livros” (?) dizem. Mas afinal estes borrões só apareceram agora? As cédulas emitidas anteriormente com base nas folhas dos livros com borrões ficam sem efeito ?  Ou será que calha bem em tempo de matriculas nas escolas sacar mais uns tostões aos pobres dos cidadãos ? Estratégias boas para fazer o  mal não falta nem nunca faltou ao Estado guineense. Pois é com muita amargura que constato este facto. Mas assim é e assim sempre foi !!!!

Cara/os compatriotas, caras mães/pais e encarregados/as de educação, abram os olhos !!!!.... É tempo dos cidadão começarem atacar de frente os actos descricionários da administração pública que lesam os vossos/nossos direitos . Pois a ser verdade este caso que aqui descreve o nosso amigo,  Serifo Djalo, aconselho/  desafio as ONGs e os/as  cidadãos em geral  a  impugnar judicialmente este acto dos serviços do notariado. Chega de banditismo e terrorismo de Estado. Chega de abusos contra cidadãos indefesos. Afinal até quando viveremos sob a opressão de um Estado sem sensibilidade para acções positivas em prol do seu povo mas que só tem servido para usar e abusar  de seus cidadãos onde mesmo as CRIANÇAS não escapam ?  Que tristeza ...
 
Assinado:
Nhara Sikidu"

Roberto Cacheu


Por estes dias, chegam-me vários textos sobre o que as pessoas pensam do 'caso' Roberto Ferreira Cacheu. Assim, o editor dste blog quer alertar para o seguinte:

Não voltarei a publicar - salvo uma comunicação oficial - nenhum texto pró, ou a favor, das várias teorias, algumas de conspiração, sobre este caso que eu considero tão sério, mas tão sério que alguns textos que recebo fazem-me crer que andamos a brincar com a vida humana e o sofrimento alheio.

Continuo a aguardar um explicação cabal e concreta da parte de quem tem de a dar. AAS

E as crianças, senhor?



"Bom dia, Aly,
 
Quer alguem queira, ou não, o senhor é um dos melhores filhos da Guiné-Bissau. Obrigado.
 
Agora, no notário da identificação civil de Bissau, os funcionários desta casa criaram uma rede para roubar dinheiro aos cidadãos, alegando que todas as CÉDULAS PESSOAIS feitas no ano 2000 não são VÁLIADS. Nisto, refere-se a campanha de registo de crianças financiadas pela UNICEF neste mesmo ano. Dão como justificação o facto de os referidos livros estarem cheio de borões e por isso o DG do registo civil decidiu que todos as crianças registadas durante a campanha do ano 2000 devem pedir uma nova cédula. O mais caricato ainda é que todas as informações da antiga cédula deve ser copiada para a nova cédula.
 
TODOS OS LIVROS DE REGISTO DA CAMPANHA DE 2000 ESTÃO COM BORÕES.
 
TUDO ISTO É... A TRANSIÇÃO.
 
A luta continua.

Serifo Djalo"

Adeus, florestas


Desde o golpe de estado de 12 de Abril, até à presente data, os nossos vizinhos da Guine Conakri, da Gâmbia e do Senegal, apropveitam-se do descontrolo total em que se encontra o nosso país, para delapidar as nossas riquesas florestais.

A guarda nacional descobriu, nas zonas no interior do país, individuos provenientes dos paises vizinhos, a derrubaram centenas de árvores. Eles entram para o nosso território com dezenas de motoserras, geradores para a iluminação nocturna e tractores para carregar os troncos em camiões. Eles têm homens e meios que lhes permite trabalhar vinte e quatro horas por dia, trabalhando durante o dia no abate das árvores, e à noite retiram os troncos em camiões, para fora do nosso território em direcção aos seus países. AAS

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Hillary Clinton: "Economia da Guiné-Bissau está a entrar em colapso e tráfico de droga aumentou"


A secretária de Estado dos EUA afirmou hoje (quarta-feira) que o Senegal prova que a democracia pode "florescer em África", enquanto a vizinha Guiné-Bissau permanece instável politicamente, com a economia "a colapsar" e o tráfico de droga a crescer.    

No início de uma viagem de onze dias ao continente africano, Hillary Clinton visitou um centro de saúde e discursou na universidade Cheikh Anta, em Dakar (capital senegalesa), após um encontro, à porta fechada, com o Presidente Macky Sall, que venceu as eleições de Março, afastando Abdoulaye Wade, no poder há doze anos e que procurava um terceiro mandato. "Os americanos admiram o Senegal como um dos poucos países de África do Oeste que nunca teve golpes militares", disse Clinton, num discurso proferido na universidade, citado pela agência AP.  

Mas a estabilidade do Senegal não tem florescido da mesma forma nos seus vizinhos mais próximos, Guiné-Bissau e Mali. Na Guiné-Bissau, onde nenhum presidente eleito levou o mandato até ao fim, a economia "está a colapsar" e o tráfico de droga a crescer, lamentou Clinton. Já o Mali, após uma era de estabilidade democrática, foi abalado por um golpe de Estado em Março, vivendo uma situação indefinida desde então, acrescentou.   

"As velhas formas de governar já não são aceitáveis. É tempo de os líderes aceitarem ser responsabilizados, tratarem os seus povos com dignidade, respeitarem os seus direitos e proporcionarem oportunidades económicas", defendeu a secretária de Estado, alertando: "Se não o fizerem, está na altura de saírem". Elogiando a reposição da ordem constitucional em países africanos como o Níger e a Guiné-Conakry, ambos afectados anteriormente por golpes de Estado, Clinton salientou, porém, que a democracia ainda está ameaçada em demasiados países.  

Hillary Clinton, que esteve de visita ao Senegal pela primeira vez em 1997, efectua um périplo em África no quadro da estratégia do Presidente Barack Obama para o continente: promover o desenvolvimento; apoiar o crescimento, o comércio e o investimento; patrocinar a paz e a segurança; e fortalecer as instituições democráticas. Hillary Clinton deixará Dakar na quinta-feira, em direcção à mais nova nação do mundo, o Sudão do Sul, que festejou no dia 09 de Julho o seu primeiro ano de independência. A seguir visitará o Uganda, apesar da presença do vírus Ébola na capital do país, Kampala. O Quénia, a Somália, o Malawi, África do Sul e o Ghana também constam desta digressão  de Clinton por África. AngolaPress

Apanhado com droga no aeroporto: Aqui, nem pó!



Um homem estrangeiro foi detido no aeroporto de Lisboa quando tentava embarcar, com destino à Guiné Bissau, com 1,2 quilos de cocaína dissimulada no corpo. De acordo com a PSP, o homem de 27 anos foi detido, na terça-feira, às 13.00 horas, através da Divisão de Segurança Aeroportuária. O suspeito foi intercetado e detido com 1,2 quilos de cocaína envolta nos tornozelos e pernas. O homem vai ser presente a tribunal, esta quarta-feira, para primeiro interrogatório judicial. JN

ALGUNS PERCUSOS E VERDADES SOBRE ROBERTO FERREIRA CACHEU


FONTE

Ilegal


 
O Povo da Guiné-Bissau tem assistido a uma teimosa corrente de intervenções a querer incutir na nossa mentalidade que o Presidente de Transição, Serifo Nhamadjo está no cargo pela Via Constitucional.
 
Ora bem, os observadores mais atentos deverão estar de acordo com as duas reflexões antagónicas que vou desenvolver a seguir:
 
Antes porém, vou transcrever o que o Art. 71º da nossa Constituição de República recomenda:

1 - Em caso de ausência para o estrangeiro ou impedimento temporário, o Presidente da República será substituído interinamente pelo Presidente da Assembleia Nacional Popular.
 
2 - Em caso de morte ou impedimento definitivo do Presidente da República, assumirá as funções o Presidente da Assembleia Nacional Popular ou, no impedimento deste, o seu substituto até tomada de posse do novo Presidente eleito.
 
3 - O novo Presidente será eleito no prazo de 60 dias.
 
4 - O Presidente da República Interino não pode, em caso algum, exercer as atribuições previstas nas alíneas g), i), m), n), o), s), v) e x) do artigo 68° e ainda nas alíneas a), b) e c) do nº 1 do artigo 69° da Constituição.
 
5 - A competência prevista na alínea J) do artigo 68° só poderá ser exercida pelo Presidente da República interino para cumprimento no nº 3 do presente artigo.
 
AS REFLEXÕES:
 
i) DO PONTO DE VISTA DE GOLPE DE ESTADO
Apesar do Acto (Golpe de Estado) tratar-se de um Crime Público e mesmo que quisermos considerar como facto consumado e tivermos a procura de uma solução constitucional para o problema, jamais o Serifo Nhamadjo deveria ser nomeado Presidente da República, pois na altura do Golpe de Estado quem exercia o cargo de Presidente da Assembleia era o SORI DJALÔ.
N.B.: SERIFO substituiu RAIMUNDO na Presidência da ANP e SORI substituiu SERIFO no mesmo cargo porque estava impedido de exercê-lo pelo facto de se apresentar como Candidato as Eleições Presidenciais.
 
ii) DO PONTO DE VISTA CONSTITUCIONAL
Em nenhum instante a nossa Constituição da República prevê na presidência da república a figura de PRESIDENTE DE TRANSIÇÃO.
Apenas são considerados DOIS PRESIDENTES (o ELEITO e o INTERINO).
 
Ora bem, sendo o SERIFO NHAMADJO Presidente de Transição, jamais a sua nomeação poderia ser sustentada pela Substância Constitucional, porque o espírito do Artigo 71º contempla apenas a Substituição INTERINA e nunca uma Situação TRANSITÓRIA, como forma de desencorajar qualquer tipo de tentativa de Golpes.
Pode e foi nomeado Presidente de Transição, como poderia ter sido EU ou qualquer outro Cidadão, mas que não venham inventar arranjos constitucionais proibidos pela lei, até porque os poderes que lhe é atribuído são peremptoriamente vetados pelo mesmo Artigo que invocam.
 
CONCLUSÃO

SERIFO NHAMADJO não está no Cargo pela inerência de função conforme tem badalado, está lá sim, mas como resultado de um ACTO GOLPISTA.
 
Por: RP

Guiné-Bissau no coração: Debate-se no domingo, em Lisboa


A comunidade guineense em Portugal promove no domingo, em Lisboa, um encontro para debater a situação na Guiné-Bissau após o golpe militar de 12 de Abril, iniciativa que, segundo a organização, contará com a presença dos governantes depostos, anunciou a Lusa.    

No encontro, que se realiza na Aula Magna, participam ainda elementos da Frenagolpe (coligação de partidos e organizações sociais que contestam o golpe de Estado), disse à agência Lusa José Alage Baldé, coordenador do recém-criado Fórum da Diáspora para o Diálogo e Desenvolvimento da Guiné-Bissau.  

"O nosso objectivo é congregar toda a comunidade na diáspora para, através do diálogo, sermos interlocutores na resolução dos diferentes e sucessivos problemas que vão assolando a nossa terra. Como elementos da Frenagolpe estão em Portugal, resolvemos promover um encontro com a comunidade guineense para falarmos com eles", explicou José Baldé.    

Considerando que por "estarem no terreno", os elementos da Frenagolpe são os "interlocutores por excelência" para responder às perguntas da comunidade, José Baldé defendeu a oportunidade da realização deste encontro, para o qual foram convidados elementos das comunidades guineenses de França, Espanha,Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Inglaterra e Cabo Verde.    

"Temos ideias comuns e queremos paz e democracia para a Guiné-Bissau, por isso o nosso objectivo fundamental é, através do diálogo, conseguir a paz para a Guiné-Bissau", sublinhou. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indica no seu relatório estatístico de 2010 que no país residem legalmente 19.817 cidadãos guineenses, mas fontes da comunidade estimam que vivam em Portugal entre 35 mil a 40 mil guineenses. LUSA

Carlos Gomes Jr., e Durão Barroso: Encontro em Lisboa


O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, reúne-se hoje em Lisboa com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse à agência Lusa o político guineense. Carlos Gomes Júnior, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), encontra-se desde domingo na Cidade da Praia, nada adiantou sobre o local, hora e conteúdo do encontro.

O dirigente guineense, participou na Cidade da Praia na reunião do Comité África da Internacional Socialista (IS), na qualidade de presidente do PAIGC. Carlos Gomes Júnior foi afastado do poder no golpe de Estado de 12 de abril, a meio do processo eleitoral das presidenciais, tendo sido o candidato mais votado na primeira volta. LUSA

terça-feira, 31 de julho de 2012

Filhos em tronos de ouro


 
Os filhos dos chefes estão sentados sobre tronos de ouro. François Mitterand dera o exemplo nomeando o seu filho Jean-Christophe como conselheiro no Elysée. Hoje, raros são os filhos de um chefe de estado africano que não aproveita do seu estatuto do seu pai para beneficiar de uma situação de ganhos ou de trampolim presidencial. Frequentemente chamados a exercer funções oficiais no coração do palacio, eles acumulam esses postos com negocios florescentes e altamente rentaveis, o tempo de um mandato de muitos anos, senão de toda uma vida. Inquérito.

Nepotismo Oeste Africano. Mesmo se ele vem de começar a travessia do deserto apos o falhanço da tentativa de conquista pelo seu pai Abdoulaye Wade, do terceiro mandato presidencial em março no Senegal, Karim Wade pôs, estes ultimos anos, a sua função de «super ministro» à proveito para ganhar influências. Ele ambiciona neste momento a liderança do Partido Democratico Senegales (PDS) na perspectiva das presidenciais de 2017. Por sua parte, o filho unico de Alpha Condé saboreia os frutos açucarados do poder depois da instalação de seu pai na Sékoutoureya no ano de 2010.

Apelidado de « Condé Junior », Alpha Mohamed Condé, pouco conhecido dos conakry-guineenses, viu-se nomeado em meados de abril conselheiro na presidência da republica. Uma função que ele acumula com os seus negocios. Proximo dos meios economicos sul africanos, ele recrutou Waymark para a preparação das proximas eleições legislativas. Uma operação muito criticada localmente. Raros são os dominios onde o filhinho do papa, que gere também a agenda e os deslocamentos do seu pai, não tem um direito à palavra, incluindo o sector estratégico das minas.

Dinastia da Africa Central. Sob a influência de sua esposa Constancia, Teodoro Obianga Nguema selou a transição na Guiné Equatorial, designando nos finais de maio ultimo, seu filho Teodorin como segundo Vice Presidente, posto nunca previsto pela constituição. O estatuto acordado pelo «émir » de Malabo a este seu filho imprevisivel explica-se pela sua capacidade de manter o pais sob a influência do «clan Mongomo».

No Congo Brazzaville, o filho mais novo de Denis Sasso Nguesso, Denis Christel, dito « Kiki », responsavel do trading no seio da SNPC, sai da casca para altos voos. Ele acaba de ganhar as legislativas de 15 de julho em Oyo, feudo familiar. Urna a aborratar : 100% dos votos expressos. A sua entrada na Assembleia nacional vai alimentar a sua ambiçéao de prosseguir os traços do seu pai ? Por seu lado, Idriss Deby Itno, inconsolavel apos a morte do herdeiro Brahim em 2007 em França, néao faz menos por Zacharia. A 9 de maio, este foi projectado director de gabinete civil adjunto da presidência, funçéoes que ocupava o seu defunto irmão.

Ele continua paralelamente a dirigir com punho de ferro «Toumai Air Tchad». No palacio de Ndjamena, o tenente-coronel, Nassour Idriss Deby é o chefe de estado maior particular adjunto do seu pai, Daoussa Idriss Deby ocupa-se dos projectos presidenciais, sendo que Adam Idriss Deby gere a intendência do palacio. Quanto a sua irmã Amira Idriss Deby, ela é encarregue do economato e aprovisionamento. Na Republica Centro-Africana, Jean-Françis Bozizé, ministro delegado da presidência encarregado da defesa, prepara-se para enfiar as botas de chefe de estado, porquanto a o coronel Sylvian Ndoutingai, sobrinho de François Bozizé, conhece a amargura da disgraça.

Os filhos nos negocios. Normalmente menos versados aos mitos do poder, certos filhos aproveitam no entanto do estatuto paternal para fazerem fructificar os seus negocios. Em Luanda, Isabel dos Santos, filha unica de Eduardo dos Santos fruto do primeiro casamento com a Azérie Tatiana Kukanova, multiplica as suas tomadas de participações em empresas do sector diamantifero, bancario e das telecomunicações (Unitel, Mstar SA, Banco Internacional de Crédito...) E, não somente em Angola ! Em Brazzaville, Claudia Sasso Ngueso, vulgo «Coco» responsavel da comunicação de seu pai, acaba de ser eleita deputada. Outra filha de Sassou, Ninelle Nguesso, esposa do presidente da camara de Brazzaville Hugues Ngouélondélé, esta à cabeça da sociedade de eventos. Patroa de CSN, Cendrine continua a «Sra Turista e Restauração » do palacio de Brazzaville. Outra filha de choque, Julien Johnson, vulgo « Joujou », dirige a sua empresa de aluguer de aviões onde o unico cliente... é a presidência congolaise!

(Fonte : a Lettre du Continent)

A ONU alerta...



O tráfico de droga na Guiné-Bissau aumentou depois do golpe de Estado de Abril, sendo o país uma das principais plataformas para a entrada de drogas na Europa, alertou nesta terça-feira o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Numa resolução, este órgão com sede em Nova Iorque (EUA) exigiu que a ordem constitucional seja reposta. “Os membros do Conselho de Segurança condenam a interferência contínua dos militares na política e expressam a sua preocupação com os relatórios sobre o aumento do tráfico de droga desde o golpe de 12 de Abril”. Nesse dia, véspera do início da campanha para a segunda volta das presidenciais, os militares atacaram com morteiros e granadas a residência do primeiro-ministro em fim de mandato, Carlos Gomes Júnior, e prenderam o Presidente interino, Raimundo Pereira. Uma junta militar assumiu o poder.

O CS anunciou que poderá marcar uma cimeira internacional para discutir formas de fazer regressar a democracia ao país onde aumentaram as actividades dos cartéis de droga da América Latina, havendo fortes suspeitas de que há altas patentes militares guineenses envolvidas no negócio de fazer chegar a droga, sobretudo cocaína, à Europa. Em 2010, os Estados Unidos tinham acusado alguns militares, entre eles o antigo contra-almirante que chefiava a Marinha, José Américo Bubbo Na Tchuto, de tráfico de droga.

Embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa reúne-se com a comunidade


embaixada encontro

N’KOSAZANA DLAMINI ZUMA: uma abordagem pragmatica da Unidade Africana


Os Africanos definitivamente não se enganaram ao designarem no dia 15 de julho 2012 a candidata Sul Africana, N’Kosazana Dlamini Zuma, à testa da Comissão da União Africana. Efectivamente, fiando-se na nova visão que a antiga esposa do Presidente Jacob Zuma expôs este fim de semana, pode-se dizer que ela tem uma abordagem que pode efectivamente conduzir a uma verdadeira unidade, à qual procura a UA ja la vão mais de meio seculo.

Segundo ela, a coesão do continente africano não se fara somente na base de discursos bonitos e voluntaristas. Ela propõem, uma abordagem que tem o mérito de ser realista e concrecta que, pode de passagem, ajudar na luta contra o fenomeno da pobreza que não é um factor a menosprezar na blocagem do processo de unificação do continente. Pragmatica, a antiga ministra sul-africana dos negocios estrangeiros mete o assento tônico das suas prioridades sobre as infraestructuras, a promoção da paz e a harmonização das legislações. Segundo ela, é mesmo paradoxal de almejar a Unidade Africana, quando praticamente, é impossivel de passar de um pais africano à outro através de uma estrada rodoviaria.

A verdade é que, mesmo ensinando às suas diplomacias respectivas o objectivo da Unidade Africana, os lideres do continente são na verdade estricta e enraizadamente nacionalistas.

Aquando dos grandes rencontros onde se reunem para falar dos desafios e objectivos do continente africano, as crises inter-estados, os egoismos desmedidos e os humores incontrolaveis dos diferentes chefes de estado africanos, invariavelmente têm impedido de debater projectos verdadeiramente integradores para o continente. Muitas vezes, senão sempre, põem de lado os temas mais interessantes e sedutoras, para abordar problemas ditos de « urgência ». A propôsito, gostam de dizer, em jeito de desculpa que, o problema principal foi «ultrapassado» ou que, tal ou qualquer outra crise «se impôs». Entretanto, o NEPAD pode ir dormindo nas prateleiras do esquecimento!

Porém, a verdade é que, aqueles que até agora se sucederam à frente da UA, até podem ter desejado ardentemente a possibilidade da promoção de um desenvolvimento integrador como meio de lutar contra as diferentes crises que desperdiçam tantas energias e recursos, mas eles nunca chegaram ao ponto de materializar esse sonho! Visivelmente, a situação pode mudar com ela que ainda é ministra do interior no seu pais.

Dlamini–Zuma diz querer se apoiar sobre a realização de infraestruturas nomeadamente rodoviarias para conectar os paises africanos, uns com os outros. As infraestructuras rodoviarias, não são mais do que indicadores, porquanto não podemos imaginar os resultados que estes poderão ter, se a mesma abordagem fôr aplicada no que concerne à energia e as telecomunicações, entre outras. No fim de contas, nos poderemos emerger, alcançando uma economia africana integrada e que forçara os africanos, por razões intrinsecas aos seus interesses, a se aproximarem e a se abraçarem.

A nova Presidente da Comissão da UA conta muito para além dessas variantes com um outro elemento da sua visão que é a harmonização das legislações. Ela quer, que as especificidades juridicas não sejam mais um elemento de entrave à Unidade Africana. Uma ideia que, a ser concrectizada faria a felicidade de enumeros homens de negocios africanos e outros, cujas pretensões expansionistas de negocios se esbarram infelizmente nas multiplicidades de codigos juridicos que se encontralm dispersos pelo continente africano.

No que concerne ao terceiro pilar da sua abordagem, a saber a promoção da paz, pode-se dizer que ele podera ser largamente coberta pelos dois primeiros. Parece que, mais uma vez, deve-se ter em conta que, a maior parte dos conflitos registados em Africa, têm uma origem socio-economica devido à pobreza e a precariedade reinante.

Pivi Bilivogui para GuineeConakry.info
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OS VELHOS “DEMÓNIOS” DA GUINÉ(*)


Excelências,

1. Presidente da República, Senhor Manuel Serifo Nhamadjo;
2. Ministro da Educação, Dr. Vicente Pungura;

Estimados finalistas, pais, amigos e convidados,
 
Momentos como estes são importantes e revestem particular importância para um país como a Guiné-Bissau e o momento em que acontecem, hoje, numa situação em que o país tem tido poucas boas notícias. Momentos de grandes carências, de desafios, mas também de esperanças para vocês. Esperanças de um emprego e uma profissão qualificada. Esperanças de uma vida melhor mas também esperanças para o país que passa a dispor de mais uns 250 quadros qualificados postos a sua disposição.
 
Esta promoção é mais uma contribuição inestimável da Universidade Lusófona para a Guiné-Bissau. No ano transacto foram diplomados 349 quadros a maioria dos quais estão dando a sua contribuição nos mais diversos sectores da administração pública, do sector privado, das organizações não-governamentais enquanto outros continuam os estudos de pós-graduação ou de segundo siclo em várias universidades particularmente portuguesas.
O projecto educativo da Lusófona na Guiné-Bissau já formou cerca de 600 quadros, sendo de longe a maior contribuição na qualificação dos recursos humanos formados localmente, quer em termos de diversidade de áreas de formação, quer em número de estudantes formados por promoção.

Pela sua implantação em quase todos os países de língua portuguesa e pelo número de estudantes africanos nas diferentes instituições do Grupo, a importância e o impacto do projecto educativo do Grupo Lusófona transcende de longe as fronteiras de Portugal. Os seus resultados em qualidade e quantidade assim como a variedade da sua oferta educativa falam por si, colocando o projecto fora de alcance de toda e qualquer tentativa de ataque à sua imagem.
 
Excelência Senhor Presidente, caros convidados,

A nossa determinação e engajamento na formação prende-se com a nossa íntima convicção de que a riqueza de uma nação não se resume aos seus poços petróleo, minas de ouro, diamante, fosfato ou bauxite, mas sim na sua gente. Mas esta gente deve ser educada e devidamente formada para estar a altura de dar toda a contribuição que dela se espera.
Por isso esperamos que o país saberá aproveitar melhor essas competências, transformando o que no início era um projecto individual e familiar para o benefício do país e da sociedade no seu todo. Estamos esperançados de que no futuro este país deixará de ser predador dos seus recursos humanos, de ser repelente dos seus quadros e que saberá valorizar esta sua preciosa riqueza.
 
Excelência Senhor Presidente, caros convidados,

Permitam-me nesta ocasião lembrar que o nosso país não se libertou ainda dos seus velhos demónios que são:

1/. A ignorância que continua mergulhar o país no atraso, na pobreza e por consequência no subdesenvolvimento;

2/. As ganâncias, as ambições desmedidas, os sentimentos de prepotência, a aposta no dinheiro fácil que induzem à corrupção e ao envolvimento em actividades ilícitas minando assim os alicerces do poder político e os fundamentos da nossa sociedade.
3/ As invejas, as intrigas, a intolerância e a violência que continuam destruir vidas de muitos dos nossos concidadãos.

São estes demónios é que continuam nos impedir até hoje (quase 38 anos após a conquista da nossa independência) de encontrarmos um consenso mínimo permitindo pôr de parte os nossos diferendos e diferenças para colocarmos os do país em cima de tudo e de todos.
 
Excelência Senhor Presidente e caros convidados,

Estas palavras são de um guineense profundamente magoado, como todos os guineenses, magoados por constatarem a nossa incapacidade até hoje, de nos entendermos sobre o essencial para organizarmos o nosso país, garantindo o mínimo a este maravilhoso povo, ou seja a segurança, o bem-estar e a tranquilidade.

Segurança no sistema educativo dando garantias a cada pai de que na escola o filho está a aprender um ensino de qualidade.

Segurança no sistema de saúde proporcionando a cada doente cuidados e tratamentos dignos. Bem-estar nos seus lares podendo beneficiar de energia regular e de saneamento básico.
 
Após 37 anos de independência, os guineenses estão em direito de esperar estas condições básicas, diria elementares para qualquer país.

Este fracasso é de todos nós, estejamos onde estivermos, façamos o que fizermos, nenhum guineense sai ileso da condição em que se encontra o nosso país. Este fracasso não deve ser órfão, contrariando assim o provérbio cubano segundo o qual “se o fracasso é órfão, sucesso tem muitos padrinhos”. Este fracasso do nosso país tem de ser assumido por cada, humildemente mas sem conformismo, a fim de mobilizarmos todas as forças e energias disponíveis para contrariar este rumo que, doutra maneira nos conduzirá inexoravelmente ao abismo.

Peço desculpas por qualquer incómodo que este discurso possa provocar porque podia-se esperar em circunstâncias como estas um discurso de carris mais académico. Mas infelizmente os problemas do país são reais, de natureza existencial e não de meras hipóteses e teorias académicas. Por essa razão a academia não pode ou não deve estar alheia aos desafios sociais e societais do seu meio e do seu tempo.

Mas tudo neste país não é assim tão negativo porque há algo de importante a não perder, é o facto de o guineense gostar profundamente da sua terra e que ninguém o obriga a fazer o que não quer fazer. Encontra-se enraizado no mais profundo do guineense o que José Reis dizia “só sei que por este não vou”. Este sentimento de resistência e de aversão à injustiça que simboliza a nossa alma deve ser preservado a todo o custo. Preservado e utilizado no sentido positivo e construtivo.

Temos valores, temos recursos humanos e naturais, temos determinação e vontade, falta-nos apenas o entendimento entre todos nós, o reconhecimento e valorização de cada um, uma atitude de inclusão para pormos este país a andar, para o transformarmos num oásis invejável. Este sonho é possível e está ao nosso alcance.

Às vezes dá-me vontade de gritar basta, basta, basta de desperdícios de preciosas vidas, o desperdício do precioso tempo e de preciosas energias. Basta, vamos ao essencial!
 
Caros finalistas, a partir de hoje jamais poderão dizer não posso, não sei, não estou preparado. A partir deste momento têm o dever e a obrigação de procurarem ser os melhores nas vossas actividades profissionais, serem exemplares na vossa família, comunidade e na sociedade. Procurarem dar o vosso melhor ao nosso país. Lembro vos que a licenciatura é o primeiro grau do ensino superior. Continuem sempre a alimentar a vossa inteligência, a cultivar o vosso jardim interno. Nunca parar porque tudo para onde pararmos, parafraseando assim a minha querida mãe.

Para terminar, resta-me desejar todos vocês, sucessos profissionais e académicos e felicidades pessoais e familiais.

Saudar um antigo Reitor aqui presente, o Professor Doutor Idrissa Embaló.
Uma palavra de apreço muito particular à direcção da Universidade, aos nossos valiosos professores, aos funcionários, sem a corajosa dedicação dos quais esta tarefa teria sido impossível.

Os nossos agradecimentos ao Governo, parceiro e primeiro interessado nesta colaboração por prepararmos um produto final que pertence ao país. Trata-se de cidadãos Guineenses formados para servir o seu país.

O nosso profundo reconhecimento à S.E. o Presidente de República por aceitar o nosso convite marcando a sua presença neste acto demostrando desta maneira a importância que acorda à educação apesar de todos os desafios que pesam sobre os seus ombros.
 
Que Deus ou Allah abençoe e proteja a Guiné e ilumine os Guineenses para encontrarem o caminho certo.

Muito obrigados e Bem haja.

(*) - DISCURSO, CERIMÓNIA DE ENTREGA DE DIPLOMAS
BISSAU, ULG, 28 DE JULHO DE 2012
Professor Doutor Tcherno Djaló
(tcherno.djalo@ulusofona.pt)
Coordenador Geral da Universidade Lusófona da Guiné

A INCAPACIDADE DA CEDAO NA RESOLUÇAO DA CRISE NA GUINE-BISSAU É PREOCUPANTE


Um dos fatores facilitadores na resolução de qualquer crise politica, quer ela interna ou internacional, é a qualidade do mediador. Os intervenientes em qualquer processo de conciliação devem gozar de certa isenção, coerência, capacidade de entendimento quanto a analise conjuntural da situação em questão. Estes atributos estão longe do perfil apresentado pela CEDEAO, na “resolução” da crise politico-militar na Guiné-Bissau, tendo em vista que foi precipitada ao empossar os órgãos de transição na sequencia do golpe de Estado de 12 Abril último.

Muito embora tenha sido indigitada pelas Nações Unidas para procurar uma solução para a crise politica do nosso país, a CEDEAO deveria tê-lo feito de forma mais consentânea, levando em consideração não só a realidade interna, mas, também a conjuntura internacional. Os outros exemplos a nível mundial no tocante à democratização dão tom do clima vivido hoje em todos os quadrantes do mundo. Desde a pressão internacional sobre a toda poderosa China, no capitulo do melhoramento na defesa dos direitos humanos até o apoio aos acontecimentos políticos e sociais denominados de primavera árabe, passando também pela pressão interna e externa sobre a Rússia, no concernente à transparência politica e na gestão da coisa pública. Esses acontecimentos dão conta que não seria fácil dar sustentação a qualquer governo oriundo de golpe de Estado, mormente na Guiné- Bissau, onde o histórico da violência politica é sobejamente conhecido pela comunidade interacional.

O desconhecimento ou desprezo por essas variáveis na “solução” da crise politica guineense, é extremamente grave e põe em cheque a credibilidade diplomática da CEDEAO. Este bloco politico econômico deveria ter articulado de forma mais adequada e menos arrogante, um acordo politico para por cobro a situação lastimável que o nosso país está a atravessar, mediante um envolvimento de todos os atores políticos e sociais, ainda que nos momentos seguintes ao golpe essa possibilidade parecesse impossível. Pois, nenhuma negociação para a crise do porte da nossa se revela fácil.

Não bastava só ter um presidente e um governo de transição, mas sim, um governo de consenso que causasse uma sensação de correção da injustiça acarretada pelo golpe de Estado. O dialogo com a comunidade internacional seria menos complicado se tivesse ocorrido uma articulação interna profícua, largamente envolvente, ainda que sob os auspícios de um mediador fraco como CEDEAO. Se esses cuidados tivessem sido tomados o clima em torno da crise não teria se deteriorado da forma como se apresenta hoje, com desdobramentos ainda imprevisíveis.

Nunca é demais ressaltarmos que, a participação de uma organização regional como a CEDAO, é sempre importante, no sentido de conferir maior legitimidade a qualquer solução politica para uma crise como essa que está a assolar a Guiné-Bissau, posto que, presume-se que seja mais conhecedora da realidade em torno da qual se deva negociar, circunstancia essa que a CEDEAO não tem sabido explorar. Não tem sido considerada uma mediadora fiável, pelo contrário, tem ajudado a piorar o que já estava mal. Não apresenta nenhuma solução coerente para a crise, e, sem contar as disputas internas em torno da proeminência na liderança politica econômica da sub-região.
   
A falta de credibilidade da nossa instituição sub-regional faz-se sentir, quando as próprias Nações Unidas, que a mandatou não reconhece a solução que encetou para a Guiné-Bissau. Ou seja, estamos perante o caso em que a mandante não reconhece os atos da mandatária. A divulgação de mais condenações às figuras que a organização entende estarem envolvidas com o golpe de Estado de 12 abril é corolário dessa falta de confiança.

Urge a necessidade de as Nações Unidas procurarem outros interlocutores, hábeis, fiáveis e imparciais, com algum grau de conhecimento da realidade guineense, de modo a corrigir quanto antes os rumos do país, com vista a minorar o sofrimento do povo que não aguenta mais arcar com as consequências do isolamento do país.

A CEDEAO trata a questão da Guiné-Bissau, pelo menos no tocante à posição da União Europeia, com o complexo de índole colonial. Na mente de muitos dirigentes sub-regionais, o bloco europeu não passa de um clube de antigas potências colônias, que ainda estariam alimentando interesses em manter suas influencias político-econômicas sobre o continente. Diante disso, ceder à pressão da Europa seria sucumbir às exigências neocoloniais.

Levando em consideração a essa visão, não resta dúvida que a CEDEAO não dispõe de condições de singularizar-se na busca de soluções para a crise na Guiné-Bissau. Em que pese o ímpeto das antigas potenciais coloniais europeias ainda exercerem alguma influencia sobre o continente, não devemos perder de vista que as exigências impostas pela União Europeia no capítulo da democratização são mais do que louvável. São pertinentes.

Como se pode perceber, a União Europeia não impõe nenhuma condição esdruxula, mas, a criação de ambientes de democráticos apenas. Não determina que forma de governo deva ser implantada, se é monarquia ou a republica. Não impõe a forma do Estado, se deva ser composto ( federação ou confederação) ou unitário, o que é o nosso. Muito menos define o sistema do governo, se deva ser presidencialismo, semi-presidencialismo ou parlamentarismo. Apenas exige que para que um país africano tenha o seu governo reconhecido, com direito à ajuda do bloco, a cláusula democrática é indispensável. Ou seja, a exigência é em relação ao regime, que deve ser democrático. Nada mais do que respeitar a vontade popular.

Em razão do acima exposto, as Nações Unidas devem procurar outros canais alternativos à CEDEAO, na busca da solução par aa crise do nosso país. É evidente que muitas autoridades sub-regionais se definem como democratas apenas de forma cosmética. Não se convencem da necessidade do poder vir da vontade popular. Com isso, logo não podem ser bons mediadores.
 
Alberto Indequi
Advogado e Empresário

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Greve no sector da saúde foi suspensa



Os enfermeiros e técnicos de saúde chegaram esta tarde a acordo com o Governo da Guiné-Bissau e decidiram suspender a greve que haviam iniciado esta segunda-feira. Na base da contestação social estão salários em atraso e as condições de trabalho. Depois de uma longa reunião com elementos do Governo guineense, os enfermeiros e técnicos de assistência hospitalar decidiram suspender a greve que havia começado esta manhã e estava agendada até quinta-feira.

De acordo com Gaspar Baticã, porta-voz da comissão de greve, os sindicatos (SINETSA - Sindicato Nacional de Enfermeiros, Técnicos e Afins - e STS - Sindicato de Técnicos da Saúde) e executivo chegaram a acordo nos seguintes pontos: subsídio de vela, subsídio de isolamento e subsídio de novo ingresso. Os três subsídios serão pagos em três tranches, a primeira a ser regularizada na próxima quarta-feira. De recordar, que enfermeiros e técnicos de saúde exigiam o pagamento de seis meses de subsídios de vela e de isolamento, o pagamento de 18 meses de salários aos enfermeiros recém-formados e a alteração de letras aos quadros da saúde. RFI

António José Seguro - "A reposição do Estado de Direito democrático na Guiné-Bissau é uma responsabilidade universal e uma obrigação da família socialista"

O secretário-geral do PS português, António José Seguro, defendeu hoje na Cidade da Praia que a reposição do Estado de Direito democrático na Guiné-Bissau é uma "obrigação da família socialista". Falando aos jornalistas no final da cerimónia de abertura da reunião do Comité África da Internacional Socialista (IS), que decorre durante dois dias na capital cabo-verdiana, Seguro afirmou estar convicto de que do encontro sairá uma posição firme de apoio às autoridades guineenses eleitas democraticamente.

"A minha posição é muito clara e muito firme: sou um defensor da democracia. O povo guineense deu o seu voto a um presidente e a um primeiro-ministro. É inaceitável que os dirigentes que foram eleitos democraticamente vivam fora do país e não tenham a possibilidade de desempenhar os cargos para que foram eleitos", disse.

"A reposição do Estado de Direito democrático na Guiné-Bissau é uma responsabilidade universal e uma obrigação da família socialista", acrescentou, negando que tal afirmação constitua uma "crítica implícita" ao presidente do Comité África da IS, o senegalês Ousmane Tanor Dieng. O líder socialista senegalês, ao intervir na sessão de abertura, aludiu às crises militares no Mali, Nigéria e Níger, mas não fez qualquer referência ao conflito na Guiné-Bissau, gerido por um Governo de Transição após o golpe de Estado de 12 de abril.

O golpe de Estado na Guiné-Bissau levou à destituição do executivo de Carlos Gomes Júnior, também presente na reunião da Cidade da Praia. "Houve três intervenções e duas delas referiram-se explicitamente à necessidade de se resolver o conflito na Guiné-Bissau", sublinhou Seguro, aludindo às intervenções do presidente da IS, o chileno Luis Ayala, e do líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), José Maria Neves.

Seguro disse "não compreender" que um Governo saído de eleições seja acusado de obstaculizar o país, aludindo não só a Carlos Gomes Júnior, também presidente do Partido Africano da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), mas também a Raimundo Pereira, chefe de Estado interino após a morte de Malam Bacai Sanhá. "Não consigo compreender que quem ganhou as eleições, que foi legitimamente eleito, seja acusado de obstaculizar a estabilidade. Tem de haver respeito pela democracia. Os guineenses escolheram os seus representantes e eles devem regressar para ocupar o lugar para que foram eleitos democraticamente", frisou.

Sobre a participação na reunião do Comité África da IS, que antecede a XXIV cimeira da organização a realizar na Cidade do Cabo em fins de agosto, Seguro indicou que, além da mensagem sobre a Guiné-Bissau, chamará a atenção para os problemas que existem em África decorrentes da crise financeira internacional. "O PS tem uma grande sensibilidade para as questões africanas, para os problemas que se colocam com a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (OMD) e tem a convicção de que a crise é global, afetando mais uns continentes que outros, e que é necessário haver uma resposta também global", explicou.

"Daí que a expressão solidariedade faz todo o sentido e obriga a respostas concretas em diferentes estados de desenvolvimento, sobretudo em África. A luta pela paz, direitos humanos, desenvolvimento, democracia social e por uma resposta à crise financeira e global exige uma resposta de todos", acrescentou. líder socialista declinou responder a questões não relacionadas com a IS, remetendo para terça-feira as ligadas à assinatura de memorandos de entendimento com PAICV e PAIGC e à visita a Cabo Verde. LUSA

Guiné-Bissau: Carlos Gomes Júnior nega envolvimento na morte de Cacheu


O Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, negou qualquer envolvimento e que tenha «mãos sujas» na alegada morte do deputado do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Roberto Ferreira Cacheu.

Falando domingo, 29 de Julho, para mais de 500 membros da comunidade guineense na Cidade da Praia (Cabo Verde), Carlos Gomes Júnior, em tom de comício, disse que não foi ele quem mandou «bombardear» a casa de Roberto Ferreira Cacheu, em Dezembro de 2011, na sequência de uma alegada tentativa abortada de golpe de Estado, em que o deputado do PAIGC era apontado como um dos cabecilhas.

Desde a alegada tentativa abortada de golpe de Estado de 26 de Dezembro último que Roberto Ferreira Cacheu nunca mais foi visto em público, circulando informações em Bissau que poderá ter sido morto ou estar fora do país.

Na semana passada, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros e porta-voz do Governo de transição da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, convocou jornalistas e o Corpo Diplomático acreditado em Bissau para mostrar a alegada vala comum onde jazem os restos mortais de Roberto Ferreira Cacheu e de mais duas pessoas, mas depois da escavação nada foi visto. Para esta semana, Fernando Vaz promete novos desenvolvimentos.

A declaração de Carlos Gomes Júnior na Cidade da Praia é claramente uma «indirecta» ao Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai, líder do golpe de Estado de 12 de Abril último, da chefia do Governo guineense.

«Por isso mesmo escrevi, na semana passada, uma carta ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na qual solicito o Conselho de Segurança para constituir um Tribunal Internacional para a Guiné-Bissau para o julgamento de todos os crimes de sangue cometidos nos últimos anos no país de 2000 a 2012», explicou o também Presidente do PAIGC.

O Primeiro-ministro deposto pelos militares guineenses disse que quer um esclarecimento cabal dos assassinatos ocorridos nos últimos 14 anos no seu país (desde 1998), nomeadamente os do Presidente Nino Vieira, do ex-deputado Hélder Proença, do antigo ministro e responsável da secreta guineense Baciro Dabó, dos antigos Chefes de Estado-Maior General das Forças Armadas, generais Ansumane Mané, Veríssimo Correia Seabra, Tagmé Na Waié, do coronel Domingos Barros, do comodoro Lamine Sanhá, o ex-Chefe dos Serviços de Informações do Estado, Samba Djaló e o recente caso do desaparecimento do deputado Roberto Ferreira Cacheu.

«Quero que todos os responsáveis sejam julgados e condenados. Se tiver mãos sujas que seja julgado e condenado», declarou Carlos Gomes Júnior «arrancando» estrondosos aplausos dos participantes.

Gomes Júnior reafirmou que é um «insulto» para os guineenses e para os democratas a forma como o Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, foi nomeado por um «meninozito» referindo-se ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria.

«Nós os guineenses e os democratas não devemos admitir mais este insulto», advogou.

Carlos Gomes Júnior terminou o seu discurso dizendo que não pretende continuar a fazer política a partir do exterior, mas sim dentro do território guineense, deixando a entender que regressará muito brevemente à Guiné-Bissau.

O Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau encontra-se na capital cabo-verdiana a participar na reunião do Comité África da Internacional Socialista juntamente com o Secretário-Geral da Internacional Socialista, Luis Ayala, e os Secretários-Gerais do PS de Portugal, António José Seguro, e do Senegal, Tanor Dieng.

(c) PNN Portuguese News Network

PÉS QUE NÃO CAMINHAM CRIAM RAÍZES...



"Aly,

Para além de colaborador, sou um leitor assíduo do teu, “nosso” blog. Arrisco a dizer que li todos os artigos editados no D.C. desde 12 de Abril. Não dá para disfarçar... Confesso que sou “ditaconsensodependente”. Isto porque sou apologista de um jornalismo interactivo, com espaço para a qualidade, que relata a verdade e, porque não, com duas costelas de patriotismo.
 
Sou um cidadão muito atento e leitor compulsivo de notícias da nossa querida Guiné, onde dia sim dia não, verdadeiras bombas de vergonha explodem sobre esta nação que deveria ser banhada de bênçãos divinas. São mais do que evidentes os episódios gritantes de irresponsabilidades, actos que vão desde abusos de poder até espasmos de extremo ódio e violência.
 
Ao longo destes meses de incertezas e angústias do povo guineense, constatei que o ditadura do consenso tem também uma componente sociocultural forte. Excelentes críticos, analistas políticos, escritores mostram os seus talentos e descontentamentos, poetas desconhecidos não escondem os sentimentos nos seus versos. Parabéns!
 
Parabéns a todos os “bloguistas”, sites, e cidadãos que fazem as notícia chegarem aos nossos aposentos, principalmente a nós que vivemos na diáspora, com atitude de coragem, profissionalismo e patriotismo! Parabéns aos jornalistas ou não, que disponibilizam os seus espaços virtuais para debates, comentários e até sondagens concernentes a esta conjuntura sociopolítico que a nossa Guiné-Bissau atravessa! São bem-vindas as “nobas di nô terra” críticas construtivas e sugestões, sejam elas da esquerda, da direitas ou do “centro”, desde que respeitem os princípios de ética profissional. Aliás, o exercício da liberdade de opinião, expressão e informação, é um direito humano e factor vital na conquista e fortalecimento da paz.
 
Caros compatriotas, o país só tem a ganhar com a intelectualidade dos seus filhos.
Independentemente das nossas, convicções politicas, divergências de opinião e preferências, temos os mesmos objectivos que é acima de tudo, o bem estar deste povo sofridor e o desenvolvimento do nosso país. É claro que devemos trabalhar para fazer valer o que acreditamos. Mas, isso exige respeito aos demais e o cuidado de observar se o momento é apropriado ou se é hora de se calar. No regime democrático o que se espera é mesmo o debate e a disputa. Mas, devemos tomar atenção e não deixar exaltar os ânimos... Pois, o exercicio da cidadania é coisa séria. Até porque, nós, “fidjus di é tchon sagrado” temos a responsabilidade social acrescida... Temos que admitir que somos os verdadeiros culpados de toda esta zaragata. Confesso que é doloroso assistir a nossa Pátria, a passos longos, caminhar, rumo a um hospício.
 
É hora de unir esforços, usar as nossas inteligências ao serviço do povo e ajudar a resgatar a nossa querida mãe Guiné do labirinto! Temos que reconhecer o papel importante que a informação e a comunicação desempenham no mundo contemporâneo, e sobretudo, na Guiné-Bissau neste período conturbado. Ninguém é merecedor de coronhadas violentas, ataques virtuais e nem tão pouco perseguições alucinantes, por opinar, defender os direitos dos mais humildes, baseando sempre na realidade dos factos.

“Há que encontrar algo que faça carburar o País. Qualquer coisa. O Ultra-nacionalismo, o anarquismo, a desobediência civil, eu sei lá que mais. Qualquer coisa, mas não - nem por sombras! - um cabide onde nos pendurarmos a comer o pó dos dias e à espera de dias piores...”AAS.

Antes de terminar, gostaria de comentar este “emocionado” parágrafo extraído do artigo “Maravilhoso 1973”(AAS). Caro Aly, a Guiné-Bissau, para poder carburar a todo o vapor, carece realmente de acções com muita firmeza. acções como “Desobediência Civil” que o fulano pediu, acções como “Marcha da Liberdade” que o beltrano exigiu... São estas e outras pequenas acções que geram conquistas e mudanças em nós e nos dão a certeza de que somos capazes.
 
Irmãos,” os pés que não caminham criam raízes” deixemos de dizer apenas que amamos o nosso país; Vamos amá-lo em verdade e demonstrar não só com palavras e promessas mas sim, pelas nossas posições e atitudes que revolucionem e que dêem resultados. “Um grande objectivo começa com pequenas acções mas, uma pequena acção, não sai do lugar apenas com grandes promessas”.

A questão é que os guineenses deixam de fazer a sua parte, porque acham que não fará diferença alguma para o país, já que ele se encontra atolado até ao pescoço.
Mas como dizia Madre Teresa de Calcutá: " Sua acção pode ser uma gota no oceano, mas o oceano fica menor sem uma gota”.
 
Que corra sangue de touro nas nossas veias...!!!

Bom dia a todos, com muita leitura e atitudes do bem!
 
Lisboa, 29/07/12
Vasco Barros."

domingo, 29 de julho de 2012

Doka: obrigado pelas tuas palavras mas continuo na mesma - não há nada oficial, sobre o Roberto Cacheu estar morto e menos ainda sobre quem ordenou o suposto assassinato. A ser verdade, acredita, vou lamentar e serei o primeiro a pedir justiça! Disso não tenhas dúvidas nenhumas. Quem me conhece em Bissau poderá dizer da minha relação com o Roberto Cacheu. Nunca fui cínico, nem hipócrita - coisa que, infelizmente, não falta naquele país. AAS

Todas as mentiras


Disseram-me há pouco que o Didinho postou no seu site que o Aly "retirou" o post onde, por carta, o Governo legítimo da Guiné-Bissau tendo à testa o seu primeiro-ministro, pede ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, a criação de um tribunal internacional ad hoc para a investigação dos crimes de sangue ocorridos durante os seus mandatos. Pois bem.

Caros leitores do ditadura do consenso, tem havido muita contra-informação, e outras tantas mentiras. O referido post - http://ditaduradoconsenso.blogspot.pt/2012/07/carlos-gomes-jr-pede-onu-que-crie-um.html - continua no blog. Não sei o que pretende o Didinho, passando essas contra-informações, o certo é que eu nunca vi esse sujeito tomar partido daquilo que ele próprio escreve. Que lhe pertence. Há dias, alguém escreveu isto no blog do Doka:

"06. Onde arranjou dinheiro para comprar tantas casas, cuja lista o seu agora amigo e apoiante Aly Silva publicou no seu blogue DITADURA DO CONSENSO?"

A verdade, meus caros, é que essa lista - ainda que esteja completamente desactualizada, pois tem vários anos - foi publicada aqui: http://didinho.org/LISTADEIMOVEISDOGRUCAR.htm - e não no meu blog. Eu assumo tudo o que escrevo. Nunca acusei CGJr de matar este ou aquele, mas de ser o responsável político. Era ele o chefe do Governo. Para quem sabe ler e percebe o que lê, o Aly nunca seria o sacrificado. Mas eu estou habituado a que se mate o mensageiro...

Também me foi dito que o Doka prometeu postar sei lá o quê, ainda hoje. E que se referiu ao meu blog como sendo do CONCENSO... Eu aguardo. Sereno...

Só peço isto: tenham colhões e assumam os vossos. Disparates, ou não. E fica desde já um convite a essa dupla: organizem um debate sobre a Guiné-Bissau, para que, juntos, possamos discutir educadamente o mal de que o nosso país padece. Organizem. Aqui, na terra, ou na lua. Ou onde quiserem. AAS

A inveja


"1. «A inveja é um mecanismo de defesa que pomos em actuação quando nos sentimos diminuídos no confronto com alguém, com aquilo que tem, com o que conseguiu fazer. É uma tentativa desajeitada de recuperar a confiança, a estima de nós próprios, minimizando o outro, escreveu FRANCESCO ALBERONI, no seu “Os Invejosos” .
 
2. Na inveja há um confronto, subsequente a uma necessidade interior de defesa e resposta,com deformação ética. Um confronto interior com terrível dispêndio de energias. É que, afinal, o terreno onde germina a inveja parece ser o mesmo onde germina a competitividade; mas, depois, tudo se tolda: o invejoso perde-se e perde dentro da sujidade da inveja, desviando a energia positiva da competição para o pântano confuso e trapalhão da cólera, do ódio, da tristeza ou da renúncia interiores, iluminado pela frustração e pela mesquinhez disfarçada de distância.No entanto, esta artificial distância do invejoso em relação ao invejado enfrenta um contradição insanável: a necessidade de julgar o outro. É que quando o invejoso julga, ele está a evitar a auto-humilhação ao inveja, pois nesse momento ela é um recuo estratégico para fugir à evidência que o corrói; e o invejado é, à vista do invejoso, melhor do que ele.Mas, uma vez mais, o invejoso falha: o seu próprio veneno, com que agride, sufoca e intoxica o outro (o invejado, o ambiente), esse veneno também o miserabiliza mais cedo ou mais tarde, porque o invejoso também vai respirar o ódio ou a troça com que agride os outro. É que, mais cedo ou mais tarde,a condenação social descobre o invejoso (aquele que involuntariamente se sente menos) e, por isso, se vicia num ódio intermitente, num zombar ou numa distância artificiais em relação às vítimas da sua inveja, com a consciência do mal que quer fazer ao outro quando a “paixão” da inveja o atinge; é isto o que, afinal, define o invejoso. A inveja é, assim, um mal que o invejoso sente que recebeu, mas que ninguém lhe fez, em que a experiência interna do invejoso não se coordena bem com o juízo moral da sociedade sobre as virtualidades das comparações, donde brota a inveja competitiva, ou depressiva, ou obsessiva, ou maldosa, ou avarenta ou iniciadora.
 
3. Na inveja, o invejoso revela a sua covardia interior. Ele foge às regras sociais da sã competição. Não quer “jogar” social e lealmente. Como se sente diminuído, convence-se de que naquela arena irá sofrer; então, cria uma arena artificial, a sua, para onde procura transportar outros, de forma a se sentir “social” e moralmente “normal”: aí odeia, zomba, “despreza”, finge que não vê ou que não ouve, tenta fugir ao invejado, àquele que ele pensa ser a causa da sua diminuição, que, afinal, é auto-infligida por uma mente primitiva.
 
4. Mas, a inveja também é parente da admiração pelo invejado? É na medida em que o invejoso luta contra a vitalidade, a força do invejado. Este, de que o invejoso não faz parte, representa um eu separado, distante, intangível para o invejoso. Este descobriu que também ele tem de conquistar; e é neste momento que algo no invejoso o impele à energia descendente da inveja e não à força ascendente do respeito ou da admiração pelos outros.E isto é assim por quê? Porque o invejoso não quer ser como o invejado. Ele quer os resultados e o poder deste, seja a realização pessoal ou profissional, a auto-satisfação, a força ascendente, próxima da noção de energia vital de que tantos filósofos do século XIX e XX falaram. Nada mais!Na inveja existe uma desarmonia entre a vida e a vontade nobre de poder. O invejoso não quer ser como o invejado, ele quer antes acabar com o seu sofrimento interior de diferença em relação ao outro que ele vê como diferente e bem sucedido; o outro, que o invejoso, no fundo, sabe que vale mais; mas que não pode compreender, porque não o vê bem, já que a cegueira do invejoso só lhe dá luz sobre si mesmo e não sobre a humanidade do objecto da sua inveja. O invejoso desconhece o ser do invejado. E é por isso que não suporta ouvir falar ou ver o ser invejado. Daí que: «A inveja não procura, afirma. Não escuta, murmura. Não vai para o objecto, diferencia-se dele, atira-o para longe como que ofuscada pelo esplendor que entreviu e pelo qual foi perturbada. É esta a transfiguração invejosa».A negação das coisas e dos actos do invejado pelo invejoso existe, como tal, quando não há ameaça à fé, mas sim ao valor pessoal que o invejoso dá a si próprio, de molde a que nada possa ou consiga aprender com o invejado. E este pobre quadro floresce se a sociedade não estiver bem organizada colectivamente, assente em valores ascendentes e fortes, porque nesse tipo de sociedade os seus valores são frágeis, discutíveis, podendo todo e qualquer ser humano querer ter o mesmo valor social do outro, abrindo assim caminho à triste paixão da inveja. Esta é, assim, tanto mais forte quanto mais fracas forem a sociedade e as raízes pessoais e intelectuais de cada um.
 
5. Um dos maiores segredos da vida é saber como reduzir a força da inveja. Tal redução passa sempre pela distância e pela força vital do movimento progressista do invejado. Este deve ter sempre presente a possibilidade de “viajar com saúde vital” ao longo da vida.

Por: Francesco Alberoni"

Conduto de Pina: 15 de agosto de 2009


Deputado ilibado de alegada tentativa de golpe de Estado diz ter sido "procurado" pelos militares © 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A., 15 Ago, 2009, 18:10

O deputado Conduto de Pina ilibado sexta-feira pelo Ministério Público guineense de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado, afirmou hoje ter sido "procurado" por um grupo de militares nas instalações da igreja católica onde se encontra refugiado. Segundo o deputado, só não foi levado ao Estado-Maior General das Forças por se ter escondido numa dependência da missão católica de Bissau até a chegada de um oficial dos Serviços de Segurança de Estado (SIE, a `secreta`) que ordenou a retirada dos soldados que se encontravam armados.

"Escondi-me num quarto e não me localizaram. Se me tivessem apanhado nem sei o que me podia ter acontecido", declarou Conduto de Pina, ilibado, juntamente com o deputado Roberto Cacheu, na sexta-feira pelo Ministério Público das acusações de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado em Junho. LUSA/RTP

sábado, 28 de julho de 2012

Roberto Cacheu - Uma opinião



"Caro Aly,

Permita-me o obséquio de, através do teu prestimoso blog tecer algumas considerações sobre a nova novela criada pelo governo de transição (GT), que é a «morte ou desaparecimento» do deputado Roberto Ferreira Cacheu.

Estes dias, ora o homem é dado como «morto», ora é dado como «desaparecido», conforme os humores e a inspiração do porta-mentiras do GT, o Sr Fernando Vaz. Na verdade, estes dias, temos assistido a cenas e saidas caricatas protagonizada por esse famigerado membro do governo da CEDEAO que, caso não fosse a seriedade e a gravidade da situação dava mesmo para rir às gargalhadas soltas e de pernas para o ar. Enfim, estamos a assistir na Guiné-Bissau, mais um cenário de montagem grosseira de assassinatos, igual a tantos outros, para fins meramente politicos. Porém, como a mentira tem pernas curtas, la chegaremos ao fundo da verdade.

No entanto, não quero com isso questionar ou pôr em causa de que o deputado Roberto Cacheu não possa estar morto ou estar desaparecido. Aliás, sendo um ser humano, até pode mesmo morrer de morte natural..., ou auto-constituir-se temporariamente sumido com propósitos de ganhos políticos. Enfim, na  conjuntura actual na Guiné-Bissau, tudo é possível e o inimaginário, pode ser o mais natural deste mundo.

Para mim, o que se vislumbra da mente desses assaltantes do poder é o de criar mais um «caso político». Existe subjacente a todo esse jogo de cambalachos e declarações incongruentemente descaradas do porta-mentiras do governo saqueador, um plano maquiavélicamente urdido tendente a tentar criar um cenário de aparente «assassinato politico» e querer imputá-lo ao destinatário de sempre, Carlos Gomes Junior, líder do PAIGC.

Ciente desse propósito, nós, cidadãos atentos e conhecedores dos meandros desse maquiavélico plano, não podemos aceitar pacificamente sem reagir a mais uma montagem primária e grosseira, claramente forjada para tentar incriminar alguém que não tem nada a ver com um eventual caso de morte ou desaparecimento de um político que se activava permanentemente em cenários de golpes de Estado e conluios com os militares. Por estes dias, à força de inventar e querer ser "convincente", o porta-mentiras do GT foi tão infeliz e apressado na sua missão de inquisidor, que se perdeu em mentiras e contradições infantis que só o ridicularizam e o expõem à inevitável chacota pública - pobre ovelha transmalhada da família Vaz.

Está-se a ver que o bem falante Sr. porta-mentiras do governo ususrpador, só por sua conta, já investigou, auditou, inquiriu, fez os laudos, julgou e deu a sentença: é o Primeiro-Ministro Carlos Gomes Junior o autor (material ou moral, sr speaker?) desse «crime» de laboratório. Uma semana depois, segundo o porta-mentiras, algures em Dingal "descobre-se" três corpos, sendo que um deles seria do morto/desaparecido deputado.

Porém, no dia seguinte, ja não havia corpo ou não era o corpo do "matado" que foi encontrado, aliás tinha-se que aguardar pois o «executor do deputado» não se dignou sequer a comparecer para mostrar o local onde sepultou o defunto deputado. Pelo surrealismo, estamos perante um assassino de luxo e disponibilidade muito cara. Não é verdade, pelos vistos, Sr. Porta-mentiras!. Contudo, vamos seguindo o enredo da novela que está a ser interessante, pois mais a história se alonga, mais as pernas do Sr. ministrinho se encurtam... e, estamos certos de que o ministro-pinóquio acabará por estatelar-se ingloriamente nas suas mentiras delirantes e não passará da figura que é: um Bobo na corte do Sr. Injai.

É mais do que evidente que estamos perante mais uma montagem vergonhosa com contornos obscuros e maquiavélicos que não tem outro objectivo senão criar falsos cenários na vã tentativa de colar mais um caso obscuro à figura de uma pessoa que, não o podendo combater politicamente, recorrem e usam contra ele os instrumentos mais insidiosos da calúnia e da mentira tentando forjar no seu espírito o cenário do medo e assim inibi-lo de querer regressar ao seu país e enfrentar o seu inevitável destino político e de cidadania que é assumir as rédeas da liderança desse país.

Porém, desenganem-se os fautores do medo e das montagens maquiavélicas político-militar, pois o Sr. Carlos Gomes Junior regressará de certeza ao seu país e então enfrentar-vos-á, olhos nos olhos, sem medo e sem complacências.

Ao seu lado, lá estarão a juventude, as mulheres e as forças do bem. Aliás, esse seu desejo é tanto mais consistente, tendo em conta a sua carta endereçada ao Secretário Geral das Nações Unidas, Sr Ban-Ki Moon, instando-o a instituir sob os auspícios das Nações Unidas e da Comunidade Internacional, um Tribunal Especial ad hoc à semelhança da do Libano, Serra-Leoa, entre outros, para julgar todos os crimes de sangue cometidos na Guiné-Bissau de 2000 a esta data (esta iniciativa, além de louvável, cauciona a sua boa fé e inverte os dados da suspeição, que passa a estar do lado dos militares).

Por fim, enunciarei alguns factos interessantes do enredo dessa nova novela para refrescar a memória do Sr porta-mentiras do governo de usurpação:

O Sr Robert Cacheu, depois da sua alegada participação no golpe de Estado de 26 de dezembro 2011, foi visto durante vários tempos na cidade de Bissau, nomeadamente a partir das zonas do aeroporto e da base aérea e estava sempre escoltado por militares (de quem não sei, mas deduz-se). Eu, pessoalmente, vi-o e até nos cumprimentamos no aeroporto no dia 13 de março 2012;

O Sr. deputado Roberto Ferreira Cacheu, se esteve ao alcance de alguém, foi dos militares, pois era com eles que ele lidava e até beneficiava da sua protecção pretoriana, fortemente armada;

Existem testemunhas oculares e factos probatórios de contactos de amigos e próximos de Roberto Ferreira Cacheu que provam que ele estava vivo até há bem pouco tempo, inclusivamente muito depois de o visado no seu assassinato não estava ha muito em Bissau... e, esses dados poderão dificultar e quiça desmascarar o papel de inquisitor-mor do comando militar que esta a assumir o Sr F. Vaz;

Hoje, existem pericias suficientemente evoluidas no campo da investigação criminológica que permitem determinar com precisão, a hora, a causa e o local da morte de qualquer pessoa.

Portanto, Sr Porta-mentiras, veja bem a 'koba di djanfa' que está a cavar para si.

O.P."

Encontro de alto nível para definir estratégias


No relatório apresentado no Conselho de Segurança, o Secretário-Geral insta a comunidade internacional a trabalhar em conjunto para restaurar a ordem constitucional na sequência golpe de Estado ocorrido há quase quatro meses. As Nações Unidas devem realizar um encontro de alto nível para definir uma estratégia comum para resolver a crise na Guiné-Bissau. A proposta foi lançada, quinta-feira, pela embaixadora do Brasil junto das Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Após uma reunião sobre o país, no Conselho de Segurança, a diplomata falou à Rádio ONU na qualidade de presidente da Estratégia de Paz para a Guiné-Bissau, no âmbito da Comissão de Consolidação da Paz da ONU.

"Este encontro seria uma oportunidade para que os parceiros internacionais da Guiné-Bissau pudessem participar e chegar a uma estratégia comum. A Cedeao, a Cplp, a União Africana e a União Europeia –  é preciso que todos estejam unidos em torno de uma plataforma para apoiar neste momento. Embora haja um consenso, de certa forma, que foi expressado nas resolução do Conselho de Segurança e nas determinações da União Africana, de que é preciso trabalhar para restauração da ordem constitucional, estabilidade e desenvolvimento do país, ainda não há uma estratégia comum", referiu.

No relatório apresentado no Conselho de Segurança, o Secretário-Geral insta a comunidade internacional a trabalhar em conjunto para restaurar a ordem constitucional na sequência golpe de Estado ocorrido há quase quatro meses. Ao ler o documento, o representante especial do Secretário-Geral, Joseph Mutaboba, disse que o país está politicamente dividido entre apoiantes do governo de transição e dos líderes depostos pela junta militar a 12 de Abril.

Em declarações à Rádio ONU,  o embaixador da Guiné-Bissau junto das Nações Unidas, João Soares da Gama, pediu "consenso real" de organizações internacionais quanto à questão da estabilização do país. "É uma crise muito complexa cuja solução não pode vir de apenas uma organização, não! Devemos estar todos de acordo. Há também uma outra questão, acho que os atores internos devem estar de acordo com o que está a ser feito. Portanto, o Paigc, que é o partido do país, com quase dois terços deputados não pode ser afastado da solução da Guiné-Bissau".

O período da realização da Assembleia-Geral, em Setembro, foi avançado para acolher o encontro internacional, a ser presidido pelo Secretário-Geral. O informe de Ban Ki-moon pede ações concretas para combater a impunidade e que seja garantido que os responsáveis por assassinatos politicamente motivados e de outros crimes graves sejam levados à justiça. Mutaboba referiu-se, igualmente, ao aumento do tráfico de drogas ilícitas e de atividades relacionadas com violações da ordem constitucional.

O que tem mesmo o Aly Silva a ver com essa merda? Com gente que nem sabe distinguir uma citação ("") de uma opinião? Foda-se! Aprendam ao menos a escrever direito, caralho pá! Escrevem dez palavras e dão dezasseis erros...AAS

Guiné-Bissau nas bocas do mundo...


O Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva, aproveitou a viagem a Londres, onde esteve presente na abertura dos Jogos Olímpicos, para discutir a situação da Guiné-Bissau e de Timor Leste com o secretário-geral da ONU, disse à Lusa uma fonte diplomática. O encontro com Ban Ki-moon aconteceu durante uma receção no palácio de Buckingham pela rainha Isabel II aos chefes de Estado estrangeiros na sexta-feira, logo após a chegada de Cavaco Silva à capital britânica e antes da cerimónia de abertura. De acordo com fonte diplomática, apesar de o Presidente ter conversado com outros líderes estrangeiros, foi com o sul-coreano que manteve uma "longa conversa" que incidiu sobre os dois países lusófonos.

A propósito da situação na Guiné-Bissau, os dois comentaram um relatório divulgado recentemente pelas Nações Unidas "onde está expressa a conclusão que desde o golpe de Estado que aumentou o tráfico de droga", referiu a fonte diplomática à agência Lusa. O relatório de Ban Ki-moon, divulgado a 21 de julho, refere que também a situação humanitária se degradou desde o golpe de Estado de 12 de abril.

Já sobre Timor Leste, o tom foi mais positivo e os dois saudaram "o sucesso do processo de consolidação das instituições democráticas" naquele país e a evolução bem-sucedida do país, além de terem evocado questões de desenvolvimento e educação. O Presidente visitou Timor Leste em maio, durante a comemoração dos dez anos de independência, enquanto o secretário-geral da ONU tem, segundo a mesma fonte, prevista uma "deslocação em breve" a Díli.

No último dia da estadia em Londres, Cavaco Silva teve outro encontro diplomático inesperado com o homólogo alemão, Joachim Gauck, quando se encontraram durante uma visita às respetivas delegações nacionais na aldeia olímpica dos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Acompanhados pelas respetivas mulheres, trocaram algumas de circunstância e marcaram encontro para a próxima reunião do grupo de Arraiolos, que junta informalmente nove chefes de Estado sem funções executivas, entre os quais o de Portugal e o da Alemanha. LUSA