sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ELEIÇÕES(?) 2014: Sory Djaló apresentou a candidatura, malhou no PRS e de seguida dá um passeio até ao Irão


O presidente do parlamento da Guiné-Bissau, Ibraima Sori Djaló, apresentou hoje a candidatura, como independente, à presidência do país com o propósito de "lutar contra o inconformismo".

Em conferência de imprensa, o dirigente do Partido da Renovação Social (PRS), que já chegou a liderar, disse que não gostou do facto de o seu partido ter escolhido o empresário Abel Incada como candidato às presidenciais, numa eleição interna a que ele também concorreu, e por isso decidiu avançar. Sori Djaló disse que não aceita a escolha do partido por julgar que foi baseada "em pressupostos tribais" e ainda por considerar que Abel Incada "é um dirigente pouco conhecido" entre as bases do PRS.

FMI prevê só... kansera


O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a Guiné-Bissau tenha dificuldades para pagar salários aos funcionários públicos pelo menos até Maio, afirmou Maurício Afuerte, chefe da missão para a Guiné-Bissau. Este técnico do FMI fez a declaração ao proceder a um balanço no quadro de uma missão de avaliação ao desempenho macroeconómico do governo de transição da Guiné-Bissau, cujos resultados foram apresentados no Ministério das Finanças. Segundo Maurício Afuerte, 2014 será marcada por dificuldades de tesouraria pelo menos até Maio, altura em que começarão a entrar nos cofres públicos as receitas da venda da castanha do caju, principal produto de exportação do país e dinamizador da economia.

Nha bardadi


Entre os Povos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, não metas a colher. Para começar, em Cabo Verde existe Estado desde a abertura democrática. Mas já havia um Estado antes disso. Em Cabo Verde existe Estado, ponto. Um Estado soberano, crescido e, sobretudo, respeitado no mundo. Um Governo bem dirigido, aliás, um apanágio do País desde a sua independência. Nova geração de políticos, deputados e deputadas, muitos deles jovens, convivem aprendendo com os mais 'velhos'. Mas todos eles comungam um único objectivo: estão determinados em batalhar, muito, mas muito mesmo. As armas que usam? O diálogo, e o debate político - os únicos caminhos para desenvolverem o seu País. A democracia é aguerrida mas saudável; o Estado é reconhecido internacionalmente - e apoiado. E até copiado em certas coisas.

Até 2015, Cabo verde atingirá - nas palavras do seu próprio Primeiro-Ministro, José Maria Neves e ditas na passada 2ª feira - «TODOS OS OBJECTIVOS DO MILÉNIO.» Brilhante.

De facto, o crescimento que Cabo Verde alcançou desde a sua independência, há quase 40 anos e apesar de todas as dificuldades e problemas que este País insular com 10 ilhas enfrenta - é simplesmente notável. Os cabo-verdianos só podem sentir-se orgulhosos com este e com todos os seus ex-Presidentes e Governantes. Diz-se que Roma e Pavia não se fizeram num dia - eu não sei, não conheço Pavia mas já estive pelo menos 7 vezes em Roma...e aquilo é trabalho para 100 séculos, caramba!

Mas que sei aquela que diz que um Estado constrói-se todos os dias, ah, lá isso sei - e concordo.

Exemplos? Só na ilha de Santiago (a capital política e financeira do País) existe perto de 10 fábricas - todas funcionais -, grandes empresas, muitas delas multinacionais, centenas de quilómetros de estradas atravessando as suas altas e portentosas montanhas. No alcatrão, não há buracos não. O desenvolvimento de Cabo Verde está garantido: o Povo de Cabo Verde escolhe, os políticos agradecem e trabalham para o Povo. Cabo Verde, tal como Roma e Pavia, são para ir construindo. O Povo está lá para os ajudar e dar força.

Nas forças armadas de Cabo Verde não existe combatente da liberdade da Pátria no activo - foram todos para a reforma. E são gente com dignidade, respeitada no seu País. Gente que não pegou em armas para exigir 'reforma condigna'.

Cabo Verde tem pouca água doce. Então, dessaliniza quase toda a água que é consumida no país. Outra coisa notável. Nós, que temos mais água que terra...andamos aos papéis. Não me doeu nem um pouco ver o desenvolvimento espetacular conseguido por este País. Muito pelo contrário, sinto um orgulho desmedido, e - bem, devo confessar - alguma inveja, mas no bom sentido. Inveja por não termos, na Guiné-Bissau, essa visão de futuro. Inveja por não termos um só exemplo que nos empolgue. E raiva por nós, os guineenses, termos escolhido o caminho mais fácil - o das guerras intestinais, da calúnia, do ódio, da destruição, da matança gratuitas.

Para dar um exemplo, só na ilha de Santiago foram construídas 3 barragens, que, hoje mesmo, uma está a transbordar e as outras quase cheias - aliás, pode nem chover durante dois longos anos que haverá água doce para irrigar todos os campos e respectivas plantações!!! A isto chama-se trabalho. Arrisco mesmo dizer que as obras das barragens foram as mais importantes levadas a cabo no País desde a sua independência. Em quase todas as outras ilhas, rasgam-se montanhas para erguer mais barragens. O trabalho leva ao desenvolvimento. Até parece fácil. Os cabo-verdianos uniram-se, as suas forças armadas são republicanas, obedientes ao poder político, e não andam aos tiros, sobressaltando a população, para tirar este ou aquele Governo ou impor este ou aquele Presidente. Não, caramba! É o Povo de Cabo Verde que escolhe quem quer para governar e quem quer para Presidente. Ponto.

Cabo Verde tem problemas graves como os crimes transnacionais - oh, se tem! - mas tem-nos combatido, apesar das dificuldades. O tráfico de droga, apesar de alguma falta de meios, tem sido severamente combatido e foi por várias vezes duramente atingido - dezenas de edifícios foram confiscados pelos tribunais em julgamentos mediáticos e reverteram todos a favor do Estado. Residências e viaturas de luxo e outros bens, também. Aliás, o moderníssimo edifício onde funciona o Estado Maior General das Forças Armadas é disso exemplo.

Em Cabo Verde, trabalha-se. Apesar das dificuldades, existe um bom sistema de ensino e a taxa de analfabetismo está a ser combatida; a saúde funciona. Existe uma classe média esclarecida e exigente e um povo que sabe o que é Estado e respeita-o como tal. As mulheres ocupam cada vez mais altos cargos na vida do País - da Assembleia Nacional aos municípios, do ensino à saúde, das empresas às áreas técnico-profissionais. As mulheres são, orgulhosamente, uma força bastante considerável no desenvolvimento de Cabo Verde.

Na Guiné-Bissau, pura e simplesmente não existe Estado digno desse nome. Isto pode doer - e dói. A mim dói muito, imenso. Mas é a dura e triste realidade.
AAS

São quê?: Nunca percebi a pirosice à volta do dia dos namorados - para além do ridículo, claro! Cada um tem duas, cada uma tem três...haverá coisa mais ridícula? Comemorar o quê? Já dizia o meu bom amigo: se barba fosse respeito, o bode não teria cornos!!! AAS

ELEIÇÕES(?) 2014: Carlos Gomes Jr., em nova carta, volta a pedir o apoio do PAIGC para concorrer às presidenciais




ELEIÇÕES(?) 2014: CPLP quer adiamento 'por algumas semanas'


O representante especial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a Guiné-Bissau admite um adiamento de algumas semanas das eleições gerais, marcadas para 16 de março, e garantiu que o país vive um clima de tranquilidade.

De passagem por Lisboa, o brasileiro Carlos Moura, designado pela CPLP para acompanhar o processo eleitoral na Guiné-Bissau, afirmou à Lusa que "as perspetivas eleitorais são positivas". Quer as autoridades guineenses quer a população "manifestam o desejo de que as eleições possam ser realizadas o mais brevemente possível", garantiu o responsável. LUSA

ELEIÇÕES(?) 2014 - PAIGC quer em maio...Lá está, o efeito dominó


Agora, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) quer eleições gerais a 4 de Maio. A decisão do partido maioritário no parlamento guineense foi transmitida pelo novo presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, à saída de uma audiência com Serifo Nhamadjo.

Serifo está a auscultar os diferentes partidos antes de decidir a nova data para as eleições. Ouvido pela agência Lusa, Domingos Simões Pereira sustenta que só com eleições a 4 de Maio é que se respeitarão os prazos previstos na lei eleitoral. LUSA

CEDEAO reúne-se para debater reforma no sector da Defesa


Os chefes militares dos países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) vão debater as reformas no setor da defesa e segurança da Guiné-Bissau num encontro na próxima semana em Bissau, anunciou hoje (ontem) a organização.

O estudo do programa de reformas faz parte da agenda da 33.ª reunião ordinária do Comité de chefes de estado-maior da CEDEAO a realizar de 17 a 19 de fevereiro em Bissau. Segundo um comunicado divulgado hoje (ontem), no encontro será feito um ponto de situação sobre "o reforço e o alojamento das tropas da missão da CEDEAO na Guiné-Bissau (ECOMIB)" e haverá visitas a espaços militares guineenses ja reabilitados.

Para além da Guiné-Bissau, os chefes militares vão debruçar-se sobre as condições de segurança na Costa do Marfim, Mali e Libéria e no espaço marítimo da comunidade. No final de 2013, o Conselho de Segurança da ONU apelou "à CEDEAO e aos estados membros, bem como aos parceiros internacionais, para darem mais suporte à ECOMIB", o contingente militar estacionado na Guiné-Bissau após o golpe de estado de abril de 2012.

O apelo surgiu devido ao registo de casos de violação de direitos humanos, espancamentos e intimidação, "por agentes armados do Estado e de fora da esfera estatal", sem que ninguém tenha sido levado perante a justiça.
O Conselho de Segurança lamentou ainda "severamente as repetidas interferências dos militares nos assuntos civis" na Guiné-Bissau e pediu "respeito" pela ordem constitucional e processo eleitoral, sem mais adiamentos. A Guiné-Bissau vive um período de transição política, tem eleições marcadas para 16 de março de 2013, mas em vias de ser adiadas devido ao prolongamento no recenseamento eleitoral. LUSA

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

PAIGC/VITÓRIA: discurso integral proferido por Domingos Simões Pereira, recém-eleito presidente do PAIGC, no VIII Congresso de Cacheu


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ELEIÇÕES(?) 2014: Iaiá Djaló espera tirar vantagens com a divisão de votos no PRS e no PAIGC



IAIA DJALÓ só espera vantagens

O presidente do Partido Nova Democracia (PND) e candidato do mesmo à Presidência da República comentou a proliferação dos candidatos no Partido da Renovação Social e possível ruptura no PAIGC por causa dos resultados do VIIIº Congresso recentemente realizado. Em declarações ao Jornal Última Hora, Iaia Djaló disse que a sua preocupação de momento é o PND e o programa que tem para o país. Contudo, o facto de o partido ter “quase quatro candidatos” leva qualquer um a fazer comentários. Instado para pronunciar como ex-vice presidente do PRS, o líder do PND qualificou de estranha – e invocando a sua experiência política, disse não ter dúvidas que o partido saíra prejudicado.

É verdade que não devemos intrometer nos assuntos internos de um partido, como são os casos do PRS, mas essas duas situações de facto preocupam. Não a mim, mas os dirigentes do PRS e do PAIGC. Certamente que o partido chegará ao Supremo Tribunal de Justiça com nome de um candidato. E será certamente Abel Incada. Mas a realidade é esta: Jorge Malú, Ibraima Sori Djaló e Nuno Nabiam, é no PRS que vão buscar votos. E isso, será mau para o partido”, comentou.

Em relação ao PAIGC, a situação segundo Djaló não é menos grave. Afirmou que a beira dos Congressos é sempre perigoso fazer congressos e esses perigos aumentam mais quando, as coisas não correrem bem. “Não sei dizer se as eleições não correram bem. Aliás, correram bem, porque ninguém contestou os resultados. Mas aconteceram situações no preenchimento dos órgãos que podem prejudicar. Como adversários dessas formações políticas estaremos atentos não só aos seus militantes, mas para alertar ao povo. O povo tem de perceber que, um partido que não consegue conciliar os seus militantes, não o fará com o Povo”, alertou.

Sendo o único sobrevivente das últimas eleições presidenciais e na qualidade do quarto candidato mais votado, leva muitos a considerar Iaia Djaló como sendo um dos favoritos. O político com alguma humilde deixou escapar o seguinte: “O povo é que vai decidir quem deve ser presidente da República. Nas concorrências anteriores demostraram uma certa confiança em mim. Há muito que estou no terreno a trabalhar com os militantes do PND e com guineenses para em conjunto definirmos aquilo que deve ser a Guiné-Bissau depois das eleições. Não falo em vitória, mas estou seguro que se ganhar, já sei pelo menos aquilo que o povo quer. O que tenho mostrado sempre aos guineenses é que o PND tem uma orientação e uma liderança coesa. Os militantes estão unidos em torno do partido”.

Na corrida para as próximas eleições, os candidatos são tantos, mas Iaia Djaló prefere não falar em nomes. Mas acha que está em vantagem não por ser mais conhecido em relação a quase todos os restantes, mas sobretudo pelo passado. Nos Negócios Estrangeiros, na ANP e noutras estruturas do Estado em que passou. “A personalidade e o passado de cada um vai contar nessas eleições. E o povo por ser soberano, vai decidir”, concluiu.

Comunicado da LGDH


«COMUNICADO DE IMPRENSA

A Liga Guineense dos Direitos Humanos registou com muita preocupação a carta do Partido Manifesto do Povo dirigida ao Presidente de Transição que foi tornada pública no dia 11 de Fevereiro 2014, denunciando supostos atos de ameaças de morte, alegadamente oriundas dos serviços secretos, contra o presidente e um dos dirigentes desta formação politica, Dr. Faustino Fudut Imbali e Usna Quadé respectivamente.

A confirmar tais factos, representam não só uma ameaça séria aos princípios subjacentes ao estado direito, mas também, traduzem numa tentativa de coarctar os direitos civis e políticos constitucionalmente assegurados a todos os cidadãos.

Por outro lado, estas denúncias graves acontecem numa altura em que o país se prepara para a realização das eleições gerais previstas para inicio do ano em curso, as quais só podem ser consideradas livres e justas, quando forem realizadas em conformidade com os padrões internacionais nomeadamente, o exercício pleno das liberdades de expressão, de manifestação, de reunião, de imprensa, entre outras.

A LGDH, condena sem reservas estas ameaças contra os dirigentes do Partido Manifesto do Povo, exortando as autoridades competentes à abertura de um competente inquérito junto dos serviços secretos da Guiné-Bissau por forma a apurar eventuais responsabilidades criminais e disciplinares.

Por fim, a Liga apela às autoridades competentes no sentido de criar as condições de segurança a todos os intervenientes no processo eleitoral, partidos políticos, candidatos e instâncias de administração eleitoral, por forma a garantir que o retorno à normalidade constitucional seja pacifico, livre, justo e transparente.

Feito em Bissau aos 13 dias do mês de Fevereiro 2014
Pela Paz, Justiça e Direitos Humanos

A Direção Nacional
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MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA: Quando a tradição é um crime


Fonte: VISÃO
Por: Teresa Campos
Foto: José Carlos Carvalho

A viverem na Grande Lisboa, as guineenses Aissatu, Cadidja, Filó e Yasmin contam como a luta contra a mutilação genital feminina está longe do fim. Uma questão de direitos humanos. De igualdade. E de saúde.


Filomena Djassi: «Não podemos ficar indiferentes a este holocausto silencioso»

'Eu me ergo!'

Pela menina que fui um dia,

Pela infância interrompida (.) por um amanhã em que o Fanado deixe de ser o nosso fado'

Poema de Rita Ié, lido na cerimónia do Dia da Mulher Guineense,

na Casa da Achada, Mouraria, a 30 de janeiro


A voz a estas mulheres. Oiça-se Aissatu Camará, a lembrar-se do dia em que a tia pedira, e a mãe deixara, que a levassem para a barraca, na mata, onde enfiam as meninas que vão ao sacrifício, ao fanado. "Só me disse para não fugir e que, se tentasse, podia morrer." Tinha uns seis ou sete anos. Ficou naquela mata durante três meses, a dormir no chão e à chuva. Era tempo de férias, no verão tropical sempre cheio de intempéries. Quando chegou a sua hora, obrigaram-na a ir para a barraca. Aissatu conta que chorava com todas as suas forças. "Fiquei sem voz." Não lhe valeu de muito. Pouco tempo depois, a mãe imigrava, deixando-a ao cuidado dessa tia, em Bissau, até ao início da adolescência.

Com as mãos trémulas, e a garganta embargada, não esconde que a invade uma série de sentimentos contraditórios. "A minha tia só me mandou para aquilo por causa da festa." Ainda tentou desculpar a mãe. Mas, na verdade, nem o tempo que passou Aissatu tem hoje 27 anos, a mãe 47, a tia 54 apaziguou a mágoa entre as mulheres da família.

"Continuam a defender que é bom, para se ficar pura", desespera a jovem, que só há pouco tempo confessou o seu drama às melhores amigas. "Porque se não se fala, nunca mais acaba." É uma realidade profundamente enraizada no mundo africano, que ultrapassou fronteiras, galgou continentes e hoje se cruza connosco, na rua apesar de, desde 1979, a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Tortura contra as Mulheres ter sido ratificada por 185 países. No globo, o drama atinge proporções gigantescas: em 2010, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimava que já tivesse vitimado mais de 100 milhões de meninas, em 28 países (entre estes, a Guiné-Bissau). Mas, segundo a mesma OMS, Portugal e o resto da Europa são atualmente países de risco, com a prática a reinstalar-se devagarinho, devido aos fluxos migratórios.

Sabemos que a sexta maior comunidade de estrangeiros em Portugal é a da Guiné. Segundo o Censo de 2011, há 7,2 mil milhões de mulheres guineenses. Não se sabe quantas sofrem escondidas: decorre, até ao final do ano, um estudo para conhecer a prevalência do fenómeno, coordenado pela Comissão pela Igualdade de Género. Mas, segundo o retrato que se segue, entre a comunidade feminina que veio da Guiné, uma grande maioria será vítima de uma prática cercada de silêncios e vivida em segredo. Fanado, s.m., apertado, muito justo. Mas também amputado, mutilado. Ritual de iniciação na Guiné Bissau, frequente tanto nos bairros da periferia dos centros urbanos como nas aldeias. É executado sempre em terreno sagrado, com a aceitação da divindade.

Ali, uma mãe africana não é uma malfeitora, manda as filhas para a festa porque é um costume. Na comunidade, todas as mulheres são excisadas.

Em questão, diz a definição da OMS, estão todas as intervenções que envolvem a remoção, parcial ou total, dos órgãos genitais femininos externos ou neles provoquem lesões, por razões não médicas. Procede-se ao corte total ou parcial do clítoris e do seu capuz, a raspagens, perfurações, cortes. É realizada por fanatecas, as excisadoras, de alto estatuto na comunidade. Os alvos são raparigas entre os 4 e os 12 anos mas podem ser meninas mais novas. Sejam pedaços de vidro, sejam canivetes, lâminas de barbear, tesouras ou navalhas, tudo serve para cortar. A esterilização dos materiais não faz parte da intervenção, a anestesia não é uma prática corrente. A excisão é socialmente compreendida como um ritual de passagem à idade adulta, que permite a integração social da menina e fortalece a coesão do grupo a que pertence.

Isso vê-se na festa, a celebração que se segue, e nas oferendas, em bens ou dinheiro.

A excisão tem também, como objetivo, o controlo da sexualidade da mulher. Em sociedades onde o prazer feminino não é permitido e a virgindade é valorizada, a cicatrização pós-excisão, fechando o acesso ao canal vaginal, acaba por funcionar como um "selo de garantia" extra para os homens. É também o único tipo de violência de género feita pelos familiares, convictos de que assim, mais tarde, as meninas não serão ostracizadas. Estão convictos de que é um ato de amor. Independentemente das hemorragias, das infeções e, tantas vezes, da morte...

Autoconsciência

Apostado em mudar este mundo, um grupo de jovens ganha força em vários países europeus: Reino Unido, Irlanda, Holanda e Portugual.

"Queremos ser agentes da mudança", assume Diana Lopes, 28 anos, coordenadora, na Associação para o Planeamento da Família, de projetos para esta área. "Queremos dar ferramentas às mulheres para que o fanado não se torne uma desculpa para conquistar poder na comunidade ou para sobreviver." A história de Cadidjatu Baldé, 28 anos, já reflete uma mudança. Há três anos em Portugal, não esquece o grande marco da sua infância.

Foi uma avó que a excisou. Quando o assunto se tornou tema nacional, há pouco mais de uma década, o pai chamou-a a ela e às irmãs e pediu-lhes desculpa. "Disse que não sabia bem como era, que, se soubesse, nunca teria aceitado." Agora, na sua família, mais ninguém será excisado as sobrinhas, pequeninas, já foram poupadas. "Mas a mentalidade de muita gente ainda não mudou..." Neste ativismo crescente, uma das vozes mais destacadas é a de Filomena Djassi, que já cresceu em Portugal mas nem por isso escapou à tradição: vem de uma família em que corre o sangue dos fulas e dos mandingas, etnias adeptas do fanado, com a ideia de proteger os filhos e garantir a sua sobrevivência.

A fazer um doutoramento, Filomena não quer falar de dramas, mas do caminho de saída, do apoio às mulheres encaminhandoas para a escola. Para isso, criou a Musqueba, movimento que visa a educação e valorização de mulheres africanas nos contextos onde se inserem. "Temos de lhes dar o poder de comandarem a sua vida, de assumirem a responsabilidade do seu sustento." Esse é um ponto muitas vezes esquecido: "Passar por uma excisão tem consequências físicas e psicológicas mas também sociais." É por isso, defende, que há mulheres a trabalhar nas Nações Unidas que são oficialmente contra a prática mas cujas filhas são mutiladas. Filomena não desarma: "Não podemos ficar indiferentes a este holocausto silencioso." O primeiro programa português contra a mutilação genital foi lançado há cinco anos.

Em fevereiro passado, um outro rosto entrou na campanha. É o de uma rapariga que segura um cartão em que se lê: "Muda®". Chama-se Yasmin Sissé e tem 20 anos. Há 12 que não vai à Guiné. Na família, o fanado era normal. Ela prefere falar do assunto na terceira pessoa.

Mas não hesitou em dar a cara: "Sou contra, como sou contra cortar o dedo a uma pessoa. É algo que faz parte do nosso corpo." Tal como Filó, Yasmin sabe que a tradição não tem nada de religioso: "Há pessoas que inventam muitas coisas, são como os terroristas dizem que é tudo em nome de Deus, mas não está no Corão." Ambas também sabem que, para muitas mulheres, ir contra a tradição significa rejeição.

Peças-chave

"E como vivemos, se formos rejeitadas?" O repto é lançado por Anabela Rodrigues, do grupo do Teatro do Oprimido, na festa da Casa da Achada, no Dia da Mulher Guineense.

A peça chama-se Assim, quem vos vai querer? Da plateia, Adiato responde prontamente: "Fazemos uma sociedade de rejeitadas" e é chamada ao palco. Primeiro, veste a camisola, uma t-shirt branca com a frase Muda® a Realidade da Excisão. Depois, atira: "Sou uma mulher livre, faço o que quiser com o meu corpo." Adiato Baldé, 24 anos, vice-presidente da Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa, é filha da presidente do Comité para o Abandono de Práticas Tradicionais Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança, na Guiné-Bissau. Está muito atenta à comunidade residente em Portugal: "Muitas meninas vão de férias e, no regresso, acabam no médico, porque estão com infeções." Em 2009, Portugal assumiu, formalmente, um compromisso relativamente à eliminação da excisão, inscrito no Plano Nacional para a Igualdade Cidadania e Género. Esses votos são renovados hoje, 6, Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Tanto na ação de prevenção prevista para a Escola Secundária da Baixa da Banheira, na área do projeto Informar para a Sensibilização e Intervenção (ISI) contra a Violência de Género, promovido pela associação Uma, como na cerimónia no Hospital Amadora-Sintra para alertar os profissionais de saúde.

A estas iniciativas, junta-se a campanha Pelo fim da Mutilação Genital Feminina, conduzida pela Amnistia Internacional a partir de Bruxelas, como pressão sobre as instituições europeias para providenciarem proteção às mulheres e crianças que fogem dos seus países, com medo de serem mutiladas.

Para já, sabemos que os homens são peça-chave: se o fanado deixar de ser pré-requisito para o casamento, tende a desaparecer.

Ussumane Mandjam, 33 anos, já decidiu: "As minhas filhas não serão excisadas." Foi essa postura que fez a diferença, em casa de Fatumata Djaló, 54 anos, há 23 a viver na linha de Sintra, em tempos uma defensora da prática.

Quis excisar a filha, o marido não deixou.

Hoje sabe que "não há razão para cortar".

É verdade que tanto cá como na Guiné, onde o Parlamento assinou uma lei específica em 2011, a prática é crime. É punida com penas dos oito aos dez anos de prisão. Mas quem está na luta insiste que só a lei é insuficiente: 80% da população guineense é analfabeta e sente as campanhas como um ataque às suas convicções mais profundas. Fica o alerta de Miguel Areosa Feio, da Associação para o Planeamento da Família: "Passou a ser feito com crianças muito pequeninas, bebés, e de uma forma ainda mais escondida."

MÚSICA: Narrativas do narcotráfico preenchem música rap da Guiné-Bissau


Leia: AQUI

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

DSP/PAIGC: Festa na praça




Carta ao Engº Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC


Ex.mo Senhor
Domingos Simões Pereira
Presidente do PAIGC

Os guineenses, em Bissau e na diáspora, manifestaram através das televisões, das rádios, das redes sociais e por outros meios ao seu alcance o seu contentamento, regozijo e, porque não?, esperança pela sua eleição para presidente do PAIGC. Acho justo. Porém, ainda que soprem novos ventos, urge aqui fazer algumas propostas (elas valem o que valem) a Vexa., ao mais que previsível futuro primeiro-ministro da Guiné-Bissau. Toda a firmeza será pouca para a resolução dos vários problemas que o país enfrenta.

Do presidente do PAIGC:

Espera-se que arrume a casa, que dê o lugar de destaque a quem o merece e que não embarque em compadrios eleitoralistas - a eleição foi chão que deu uvas. Já lá vai. Hoje, Vexa. é o presidente do PAIGC.

Do Engº Domingos Simões Pereira, futuro Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau:

O mundo estará de olho em si, e os parceiros bi e multilaterais da Guiné-Bissau esperam sobretudo pragmatismo, audácia, ordem.

A meu ver (lá está, tenho sempre uma palavrinha a dizer), as primeiras medidas que o Engº deve tomar são as seguintes (e não, não se trata de 'caça às bruxas'):

1º - Exonerar imediatamente o CEMGFA António Indjai e, por arrasto, todas as chefias dos três ramos das forças armadas da Guiné-Bissau, incluindo os comandantes dos vários batalhões espalhados como cogumelos por toda a Guiné-Bissau.

2º - Mandar fazer uma minuciosa auditoria ao 'governo de transição'. Auditorias deverão também ser feitas nas Alfândegas, na APGB e em todos os organismos geradores de receitas para o Estado. Tudo para se saber o que o Estado tinha antes de 12 de abril, e o que lhe foi sonegado depois do golpe de Estado, até aos nossos dias.

3º - Mandar suspender todos os acordos/contratos assinados em nome do Estado da Guiné-Bissau por este governo ilegítimo (a favor de empresas e/ou empresários de duvidosa idoneidade). As obras públicas (principalmente a estrada Mansoa/Farim, pois consta que à custa do metro e 20 roubado ao projecto na sua totalidade, várias centenas de milhões de FCFA foram desviados para fins que se desconhece).

4º - De seguida, verificar à lupa onde o Estado foi lesado, e quem ganhou com isso. Depois, enviar tudo para o Ministério Público para as devidas responsabilizações criminais.

Sou, com consideração

António Aly Silva


ELEIÇÕES(?) 2014: Parlamento Britânico mobiliza missão de observação eleitoral na Guiné-Bissau


O Reino Unido tornou-se no primeiro país a ter uma missão de observação eleitoral para a Guiné-Bissau, um desafio faciltado pelo seu grupo parlamentar especializado, para as próximas eleições legislativas e presidenciais. A missão será desenvolvida pelo Grupo Parlamentar Britânico para a Guiné-Bissau (APPG-GB), tendo o convite por parte do Presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau sido já recebido.

Peter Thompson, coordenador desta comissão parlamentar multipartidária, já foi nomeado pelo grupo Parlamentar como Chefe de Missão. Thompson tem qualificações como observador eleitoral pela OSCE e a União Europeia e é reconhecido na Guiné-Bisau como um mediador internacional para a processo de reconciliação nacional no país. Thompson será assistido por um membro sénior da Comissão Eleitoral do Reino Unido e diversos parlamentares britânicos. Thompson foi Chefe de Missão numa missão de observação semelhante, em 2012 na Guiné-Bissau. 

O Presidente do grupo parlamentar, O Lorde Teverson de Tregony (Robin Teverson), ex-membro do Parlamento Europeu e líder do Sob Comité de Negócios Estrangeiros e da Defesa na Câmara dos Lordes (Senado Britânico), falou aos jornalistas após a confirmação desta missão de observação eleitoral: 

"A Guiné-Bissau tem uma oportunidade real de mostrar que eleições, política e democracia podem funcionar – apesar da história recente. O nosso grupo parlamentar foi criado para ajudar o povo da Guiné-Bissau a compreender estes desejos e estamos orgulhosos por ser uma das partes que irá escrutinar as próximas eleições”.

"Os membros do nosso grupo parlamentar conhecem bem a Guiné-Bissau e  além das eleições nós queremos trabalhar com os nossos colegas em Bissau para moldar um sistema político que seja estável no longo prazo. É por isso que energicamente enfatizámos o nosso apoio na reconciliação nacional do país através do Parlamento Guineense, e no conceito de poder partilhado no Governo, em vez de uma solução política em que ‘o vencedor conquista tudo’”.

A missão já começou a trabalhar no terreno, tendo observado o processo de recensamento dos eleitores e o Chefe da Missão está presentemente em Bissau. O Lorde Teverson de Tregony é esperado em Bissau ainda esta semana para uma visita oficial, para manter vários encontros de alto nível no país.

E o que tem a tropa a ver com o adiamento - ou não - das eleições? A Lusa não terá mais nada para fazer???


As Forças Armadas da Guiné-Bissau concordam com a possibilidade de as eleições gerais marcadas para 16 de março serem adiadas para uma nova data, disse hoje o porta-voz dos militares, Daba Nawalna. Falando aos jornalistas à saída de um encontro entre o Presidente de transição guineense, Serifo Nhamadjo, e chefias militares, o porta-voz das Forças Armadas referiu que a possibilidade de adiamento das eleições foi tema da conversa.

Questionado sobre o facto de o chefe das Forças Armadas, o general António Indjai, ter dito a 28 de janeiro que quem ousasse adiar as eleições seria responsabilizado, Daba Nawalna afirmou que tal posicionamento é pessoal, pelo que não vincula os militares. LUSA

NOTA: Depois queixam-se por a tropa meter o bedelho... AAS

(actualizado) PAULO GORJÃO: A vitória de DSP, o regresso de Cadogo Jr., o tráfico de drogas, os militares, a comunidade internacional


Para ouvir AQUI

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

UE/PAIGC: "Nova liderança no PAIGC é positiva, mas prioridade são eleições"


O representante da União Europeia (UE) em Cabo Verde considerou na segunda-feira que a escolha de um novo presidente do principal partido político na Guiné-Bissau é positiva, mas defendeu que a prioridade continua a ser a realização das eleições.

Em declarações aos jornalistas após um encontro com o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, o diplomata português José Manuel Pinto Teixeira notou que a UE continua "obviamente preocupada" com o processo político e eleitoral guineense e que a eleição de um novo líder no Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) é positiva.

O PAIGC elegeu no domingo o ex-secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) Domingos Simões Pereira como novo presidente do partido que, nos últimos 12 anos, foi liderado por Carlos Gomes Júnior, o primeiro-ministro deposto num golpe de Estado a 12 de Abril de 2012.

Para Pinto Teixeira, a reforma dos sectores da Defesa e Segurança na Guiné-Bissau é "essencial" para a estabilização futura do país, uma vez que, considerou, não tem sido por falta de eleições que os problemas deixaram de existir.

Orange testa tecnologia 3G em Bissau


A operadora de telecomunicações móveis Orange começou hoje a testar a tecnologia 3G em Bissau, disse fonte da empresa à Lusa. Entre outras características, as redes com tecnologia 3G (já ultrapassada pelo padrão 4G nos mercados mais avançados) garantem maior velocidade de acesso à Internet do que as baseadas nos padrões GPRS/EDGE - os únicos disponíveis nas redes móveis da Guiné-Bissau.

A Autoridade Reguladora de Telecomunicações do país autorizou no final do ano a fase experimental de 3G que a Orange começa a testar na zona da Praça, em Bissau, explicou Maurício Mané, diretor comercial da Orange em Bissau. LUSA

ELEIÇÕES(?) 2014: Jorge Malú, e Ibraima Sory Djalo (presidente da ANP) ambos do PRS, vão apresentar as suas candidaturas à Presidência da República nas eleições gerais de abril próximo. São independentes. AAS


O Faustino Imbali, a queixar-se ao 'presidentezeco' (como se este pudesse fazer alguma coisa) acerca das perseguições e ameaças feitas pelos militares?! A isso, meus caros, chama-se provar do próprio veneno! Vocês sabem... AAS


PAIGC: Preparativos na sede ncional, em Bissau, para receber ainda hoje o recém-eleito presidente do partido, Domingos Simões Pereira. AAS



FOTO:DR/DC/AAS 2014

OPINIÃO: Tempos de mudança


«Ao escutar o discurso do novo líder dos libertadores, Domingos Simões Pereira, queira-se ou não, sente-se uma lufada de ar fresco, sinais inequívocos de mudanças para o futuro do partido de Cabral e para o pais. Sinais de mudança, tanto na forma de pensar , assim como na forma de abordar e interagir na abordagem dos assuntos mais candentes da politica actual guineense.

Embora possa parecer muito cedo para tais apreciações, o Eng. Domingos Simões Pereira (DSP), demostrou no seu discurso de tomada de posse, a sobriedade de pensamento que se requer a um estadista e, sem alaridos revanchistas, que podem marcar a diferença no actual cenário politico guineense deixou a sua marca de diferença. No seu discurso, DSP soube passar, quer para dentro do partido, quer para as forças vivas da Nação, quer também, para os actuais detentores do poder, mensagens fortes, claras, corajosas e coerentes que espelham uma visão de liderança esclarecedora e equilibrada para o momento actual de constrangimentos que o pais vive.

Ciente igualmente, dos aportes que outras valências do partido, outrora dirigentes destacados, poderão contribuir para o alicerçar da sua liderança, DSP, não deixou de endereçar palavras de reconhecimento e louvor, para esses seus Camaradas desterrados, os quais em nome da inclusão e do direito à Patria, teve a coragem de reclamar, respectivos regressos, para com legitimidade, contribuírem no processo de desenvolvimento da Guiné-Bissau. Um sinal oportuno de alto senso politico, que permitiu corrigir um recente mal entendido de circunstância, quando questionado sobre declarado apoio manifestado pelos seus Camaradas forçados ao exilio.

Em suma, ao escolherem DSP para a liderança do Partido, os Delegados ao VIII Congresso dos Libertadores, não poderiam ter feito melhor escolha no contexto actual do Partido e do Pais, quer quanto ao seu perfil, quer quanto ao substracto de uma liderança geracional bem qualificada e preparada para os novos desafios que se impõem aos guineenses. Decerto também, que a sua impoluta consciência cívica e moral foram argumentos tidos em conta no momento da sua escolha.

Quanto ao resto, faço votos, de que, desta vez os barões do Partido e as forças internas de bloqueio que vegetam no Partido não vejam os seus intentos divisionistas voltar a submergir e torpedear as suas acções no Partido. Viu-se no recente Congresso, que essas forças de oposição interna ainda existem, se movimentam e estão activas no interior do Partido..., são eles, que desde o VI Congresso do Partido realizado na UDIB em 2002, que apesar das vitorias conquistadas pelo Partido, têm tolhido e sabotado toda a dinâmica do Partido ao longo da presidência de Carlos Gomes Junior..., e hoje, como ontem, podem voltar a constituir-se em forças de bloqueio à promissora liderança que auguramos a DSP.

Saudações Fraternais,

Um militante de base
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PAIGC: VIII Congresso de Cacheu termina hoje. AAS

ELEIÇÕES(?) 2014: Conferência de imprensa de Paulo Gomes


Ver AQUI

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Guiné-Bissau é um país estranho: para sair, só evacuado ou em fuga; para regressar, tem de se pedir autorização...AAS

Domingos Simões Pereira: Um retrato feito pelo 'Público'


FONTE: Público
Por: João Manuel Rocha

Domingos Simões Pereira será candidato à chefia do Governo da Guiné-Bissau nas eleições previstas para Março. O partido escolherá agora nome para concorrer à Presidência da República. Simões Pereira, 50 anos, será candidato a primeiro-ministro nas eleições previstas para 16 de Março, as primeiras após o golpe de 2012, em que será igualmente eleito o Presidente da República. A consulta eleitoral já esteve marcada para 24 de Novembro de 2013 e poderá ser novamente adiada, devido a atrasos no recenseamento. As próximas eleições deverão pôr fim a quase dois anos de interregno provocado pelo golpe que derrubou o Governo do PAIGC liderado por Carlos Gomes Júnior, actualmente exilado em Cabo Verde.

No discurso de vitória, o novo presidente do PAIGC (Partido Africano da Independência de Guiné e Cabo Verde) disse que o exílio de Gomes Júnior e do Presidente interino Raimundo Pereira, também afastado pelo golpe de 12 de Abril de 2012, são “a real imagem da ruptura ainda prevalecente” na sociedade guineense.

Simões Pereira afirmou também, segundo a RDP África, que as eleições estão a ser preparadas “sob o signo de muita desconfiança entre os variadíssimos actores, cada um movido por motivações próprias”. Mas declarou-se disposto a trabalhar para que venham a ser uma “verdadeira festa da democracia”.

O novo líder recebeu o voto favorável de 707 delegados, o que corresponde a 60,58%, segundo os dados divulgados na noite de domingo pelo site de notícias GBissau.com. Braima Camará conseguiu 436 votos que representam 37,34%. O terceiro foi Aristides Ocante da Silva, que obteve 15 votos, 1,29%. O congresso, em que participam cerca de 1200 delegados, decorre há mais de uma semana em Cacheu, no Norte.

Próxima escolha: candidato a Presidente

Já neste congresso, o antigo secretário executivo da CPLP viu derrotada uma proposta de alteração de estatutos que apoiava, a qual previa a separação entre o cargo de presidente do partido e o de secretário-geral. Essa proposta precisava de dois terços de votos, que não obteve. O objectivo da frustrada alteração era que o presidente do PAIGC passasse a dedicar-se apenas ao partido e o secretário-geral fosse o cabeça de lista nas legislativas. Nesse cenário teria sido eleito presidente outro militante e Simões Pereira teria concorrido a secretário-geral.

A nova direcção terá de tomar posição sobre o candidato às eleições para a Presidência da República. Gomes Júnior, que não pode participar no congresso de Cacheu, manifestou-se na disputa interna do PAIGC favorável a Simões Pereira. O antigo primeiro-ministro – vencedor da primeira volta das presidenciais em 2012 e favorito à eleição na segunda, que não chegou a realizar-se devido ao golpe – anunciou há meses o desejo de voltar a candidatar-se. Numa carta que escreveu à direcção do PAIGC em final de Janeiro pediu "anuência" para voltar a concorrer.

Domingos Simões Pereira nasceu em Farim em 1963, ano em que começou a guerra na então colónia portuguesa. Foi ministro do Equipamento Social e das Obras Públicas e, entre 2008 e 2012, secretário executivo da CPLP.

Formado em engenharia civil e industrial em Odessa, Ucrânia, então integrada na União Soviética, é mestre em Ciências de Engenharia Civil pela universidade estatal da Califórnia, em Fresno, Estados Unidos. Fez estudos de doutoramento em Ciência Política na Universidade Católica, em Lisboa.

Numa entrevista ao PÚBLICO, em Julho de 2012, Simões Pereira disse que, com o golpe, a Guiné voltou a uma situação em que "se mistura problema militar com político" e que a solução de um governo de transição aceite pela CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) era um caminho "muito escorregadio” que podia trazer “surpresas bem desagradáveis". (LER ENTREVISTA)

O PAIGC é o partido maioritário no actual Parlamento. Com Gomes Júnior no exílio, depois de, inicialmente, ter rejeitado participar no Governo de transição acabou por aceitar fazer parte dele.

CABO VERDE - IMIGRAÇÃO: «Cabo Verde vai abrir um período para regularização de imigrantes ilegais assim que a Lei de Estrangeiros for aprovada no Parlamento. O Governo tem estado a desenvolver políticas para garantir a integração das comunidades africanas imigradas em Cabo Verde, tendo já criado uma estratégia nacional para este sector. Neste momento precisamos ainda de desenvolver políticas activas para garantir a melhor inserção das comunidades imigradas no arquipélago.» José Maria Neves, Primeiro-Ministro de Cabo Verde. AAS



ELEIÇÕES(?) 2014: Nuno Nabiam, acompanhado de Kumba Yalá, formalizou hoje a entrega do seu dossier de candidatura no Supremo Tribunal de Justiça. AAS



FOTO:DR/DC/AAS 2014

TAP/SÍRIOS: Ministro dos Negócios Estrangeiros português ouvido na Assembleia da República


O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, vai ser ouvido na terça-feira no parlamento, a pedido do PS, sobre as diligências realizadas pelo Governo português após o embarque forçado de 74 passageiros ilegais num avião da TAP na Guiné-Bissau. O incidente, ocorrido há dois meses em Bissau, levou à suspensão das ligações aéreas entre Lisboa e Bissau pela TAP e foi fortemente criticado pelas autoridades portuguesas, desde logo pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, que o classificou como «muito próximo dos atos de terrorismo».

A audição do governante, que decorre na comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas à porta fechada, foi pedida pelos deputados socialistas, que pedem esclarecimentos sobre «as diligências feitas e eventuais posteriores iniciativas que venham a ser tomadas». «A permeabilidade da fronteira guineense é claramente um motivo de preocupação para Portugal e para a União Europeia. A suspensão dos únicos voos que ligavam a Guiné-Bissau ao continente europeu é por si só também motivo de preocupação», afirma o requerimento, subscrito pelo deputado do PS Paulo Pisco.

Rui Machete afirmou recentemente que o Governo português fará «alguns esforços» para que sejam retomadas as ligações aéreas com a Guiné-Bissau, interrompidas em dezembro, «em prol» dos guineenses e dos portugueses. «Não esqueço que os recentes incidentes que aconteceram em Bissau têm também de ser superados e faremos alguns esforços (...) para encontrar as vias para que se restabeleça também aí a normalidade, que é muito desejada», disse o ministro, durante uma visita à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa.

No entanto, é necessário ultrapassar «algumas situações jurídicas - derivadas da situação de o governo [da Guiné-Bissau] ser um governo ¿de facto¿ - em prol sobretudo dos guineenses e do povo português, se possível», disse o ministro, aludindo ao embarque forçado de 74 passageiros, alegadamente de nacionalidade síria, com passaportes falsos, em Bissau, num voo da TAP com destino a Lisboa, no dia 10 de dezembro do ano passado.

Dois meses após o incidente, ainda ninguém foi responsabilizado na Guiné-Bissau, apesar de um inquérito ter concluído que o ministro do Interior, Suka Ntchama, deu a ordem de embarque forçado. Apesar de Suka Ntchama ter colocado o lugar à disposição, continua em funções, com o primeiro-ministro de transição, Rui de Barros, a referir que cabe ao Ministério Público apurar todas as responsabilidades criminais.

Após esta sessão à porta fechada, Rui Machete será ouvido também na terça-feira à tarde pela comissão de Negócios Estrangeiros, «para debater a política geral do ministério e outros assuntos de atualidade», segundo informação disponibilizada na página da internet do parlamento.

FACTO: "Nos últimos anos, o jornalista António Aly Silva assumiu uma importância muito maior do que a que a Agência Noticiosa da Guiné-Bissau (ANG) alguma vez teve. Um homem só deu-nos muito mais a ler sobre o seu país do que toda uma estrutura do Estado." Jorge Heitor, jornalista


SÍRIOS/TAP AINDA MEXE: Abdu Mané diz-se «perseguido»


Dois meses depois do incidente com um voo da TAP entre Bissau e Lisboa, em que a tripulação foi forçada pelas autoridades guineenses a transportar 74 passageiros ilegais, ainda ninguém foi responsabilizado e a ligação aérea continua suspensa. Dois meses depois do incidente com um voo da TAP entre Bissau e Lisboa, em que a tripulação foi forçada pelas autoridades guineenses a transportar 74 passageiros ilegais, ainda ninguém foi responsabilizado e a ligação aérea continua suspensa.

Questionado pela agência Lusa sobre o ponto de situação do processo de averiguações, o Procurador-Geral da República remete para o que já está feito e queixa-se de perseguição. «Já disse o que tinha a dizer e fiz o que tinha a fazer», refere Abdu Mané, sublinhando que passou a ser alvo de ameaças que o obrigaram a mudar de hábitos e a ter seguranças por perto 24 horas por dia. Continua a trabalhar, mas já não vê os amigos como dantes: «tenho movimentos limitados» para evitar maus encontros, sobretudo à noite, refere.

Em Portugal, as investigações mostraram que os viajantes, supostamente sírios, pagaram milhares de euros para chegar à Europa sem os vistos necessários, enquanto um inquérito na Guiné-Bissau concluiu que o ministro do Interior, Suka Ntchama, deu a ordem de embarque forçado. O governante foi ouvido pelo Ministério Público guineense no dia 23 de dezembro e segundo o Procurador-Geral da República, Abdu Mané, foi emitido um mandado de condução do ministro às celas que o diretor-geral da Polícia Judicia se terá recusado a cumprir. O advogado do ministro negou a versão do procurador e processou-o por difamação.

Apesar de Suka Ntchama ter colocado o lugar à disposição, continua em funções, com o primeiro-ministro de transição, Rui de Barros, a referir que cabe ao Ministério Público apurar todas as responsabilidades criminais. O incidente com a TAP parece ter passado a ser assunto «tabu» em Bissau: o advogado de Suka Ntchama recusa-se a também falar sobre o assunto, assim como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Delfim da Silva - que apresentou a demissão depois de se afirmar revoltado com o caso. No entanto, continua também em funções, porque ainda ninguém o demitiu: «não me posso demitir a mim próprio», referiu à agência Lusa.

Esta semana, Delfim da Silva distribuiu um folheto de 56 páginas no congresso do PAICG, partido a que pertence, onde escreve sobre a situação política guineense e refere que o incidente com a TAP foi uma «bomba diplomática», mas nada mas adianta. «Do caso dos passageiros sírios falarei extensamente numa outra ocasião», escreve no folheto. As eleições gerais estão marcadas para 16 de março, mas dificuldades no recenseamento eleitoral deverão levar a um adiamento da votação para abril.

A situação está a prejudicar o dia-a-dia dos guineenses, que deixaram de ter correio e outros serviços logísticos para o resto do mundo, e que são obrigados a recorrer a várias ligações aéreas para ligar a Guiné-Bissau a Portugal. De acordo com os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal, em 2012 existiam 17.800 guineenses com estatuto legal de residente no país, sendo a sexta nacionalidade mais numerosa entre os imigrantes em terras lusas. Por outro lado, segundo fonte das autoridades portuguesas, estima-se que existam entre 4500 a 5000 portugueses a residir na Guiné-Bissau. LUSA

PAIGC: Aos seus lugares




EXCLUSIVO DC-PAIGC: 1º Vice Presidente, Carlos Correia; 2ª Vice Presidente, Hadja Satu Camara; 3º Vice Presidente, Baciro Dja. AAS

PAIGC-INICIATIVA LOUVÁVEL: DSP defende regresso de exilados políticos à Guiné-Bissau


O novo líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, defendeu o regresso à Guiné-Bissau dos políticos forçados ao exílio com o golpe de Estado de 2012. No seu primeiro discurso perante os delegados ao oitavo congresso do PAIGC que o elegeram na última noite em Cacheu, norte da Guiné-Bissau, Simões Pereira afirmou que o exílio de dirigentes políticos do país "é a real imagem de rutura" que ainda persiste no país.

"O asilo a que estão forçados é a real imagem de rutura ainda prevalecente na nossa sociedade", disse Simões Pereira, deixando saudações especiais aos dirigentes do partido derrubados com o golpe de Estado de 12 de abril de 2012.

"Deixamos também aqui uma referência de apreço ao ex-presidente do partido camarada Carlos Gomes Júnior, ao ex-segundo vice-presidente do partido camarada Raimundo Pereira, assim como a todos os camaradas que os acompanham no exílio a que são forçados e este congresso lhes rende uma merecida homenagem", observou.

O novo líder do partido mais votado nas últimas eleições legislativas guineenses diz ser necessário desenvolver "um apurado processo político" para a criação de confiança e compromissos no sentido de repor "as peças sociais" no país. "Somos por isso todos chamados e convidados a dar o nosso quinhão para que um dia, esperemos que não muito longe, possamos estar todos juntos e celebrarmos a pertença a uma nação única, inclusiva, soberana e solidária", preconizou.

Simões Pereira disse ter "a perfeita noção" do estatuto e da responsabilidade que passa a ter como líder do PAIGC, mas também sabe da "honra e distinção" que tem a partir de agora para "servir o partido de Amílcar Cabral". Aos concorrentes no cargo, Braima Camará e Aristides Ocante da Silva, lançou um repto no sentido de serem "enterrados os machados de guerra" para, juntos, promoverem a reconciliação e a unidade do partido.

Sobre as próximas eleições gerais no país, o novo presidente do PAIGC, ex-secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), disse que a sua preparação ocorre sob o signo de "muita desconfiança", mas irá trabalhar com a sociedade civil e os demais partidos para que venham a ser "uma festa da democracia". LUSA

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ELEIÇÕES(?) 2014: Nuno Nabiam faz hoje a entrega formal da sua candidatura ao cargo de presidente da República, junto do Supremo Tribunal de Justiça. AAS

domingo, 9 de fevereiro de 2014

EXCLUSIVO-A VERDADE DOS NÚMEROS: Domingos Simões Pereira, 707 votos; Braima Camará, 436 votos e Aristides Ocante da Silva, 15 votos. AAS

Ditadura do Consenso foi o primeiro a dar a notícia da vitória do projecto de Domingos Simões Pereira para a liderança do PAIGC. Agora, aparecem mais 'exclusivos'...o exclusivo aqui é a vitória de DSP, e essa, DC deu-a em primeira mão (está lá a hora). Jornalismo de verdade é aqui; lixo, é ali ao lado... AAS

EXCLUSIVO DC: Domingos Simões Pereira é o novo Presidente do PAIGC. AAS




PAIGC: Vai começar a contagem dos votos. AAS

PAIGC - ÚLTIMA HORA: Acabou a votação. Às 14 horas terá início a contagem dos votos, e lá para as 16 horas será anunciado o resultado. AAS

Casa das Comunidades Imigradas em Cabo Verde: José Maria Neves promete melhores dias para a comunidade



José Maria Neves, Primeiro-Ministro, fala com a Ministra da Saúde, Cristina Fontes Lima durante a cerimónia de inauguração. À esquerda, Tony Parker Danso, o presidente das comunidades imigradas em Cabo Verde.


Líderes africanos das lutas pelas independências em lugar de destaque


A sala foi pequena para tanta aderência

Veja o VÍDEO

Na inauguração da Casa das Comunidades Imigradas em Cabo Verde, o Primeiro-Ministro José Maria Neves prometeu para 2015 a inauguração da «Casa de África», um novo período de legalização de imigrantes, e o apoio a todos os que quiserem regressar a casa num programa de retorno voluntário. AAS

DENÚNCIA: Tráfico de crianças


«Prezado jornalista,

Venho solicitar a sua anuência em publicar a denúncia de uma tentativa de tráfico de crianças que foi abortada pela nossa população nos arredores do sector de Pitche, região de Gabu. De lamentar o sucedido, mas convém manter a população em geral em alerta, pois qualquer um pode averiguar pelos seus meios para saber da veracidade desta informação.

Nestes últimos dias, a brigada de Policia do Sector, multou (caução de 250.000 FCFA) uma mulher e o seu cúmplice pela negociata na venda de uma menina de 8/9 anos de idade. Essa criança é órfã de pai/mãe e encontrava-se em Bafata junto de um familiar, que passado alguns anos foi solicitada a devolver a criança para a tia que ia leva-la para Pitche para 'criação'. Mas, acontece que uma das irmãs que tinha cedido uma sua filha à irmã mais velha, fez uma visita relâmpago à tabanca e não encontrou a sua filha, pelo que ameaçou a irmã, que não teve outra alternativa se não pegar a criança na tabanca onde a tinha entregue aos cuidados da sua irmãzinha, e neste instante, ela chamou a atenção de uma outra mulher, vizinha, que tomassem muito cuidado com a sua irmã. Pois acha que ela vai tentar trafulhice com outro.

Com isto, a avisada ficou atenta aos movimentos desta, ate que na realização de um funeral esta ter-se-á aproveitado da ocasião, agarrou a criança e entregou a um jovem rapaz que fugiu com ela para parte incerta. E quando a mulher avisada perguntou pela criança, ela simplesmente respondeu que ela foi brincar na tabanca vizinha, o que esta respondeu que isto não e verdade pois, esta criança desde que chegou a tabanca nunca se deslocou sequer para fora do limite da tabanca e, nesta discussão ela foi buscar ajuda e informou aos restantes famílias de que aquela fez desaparecer a criança e esta fingindo não saber de nada.

Após ser invadida por populares das tabancas vizinhas, ela foi entregue ao Djarga da tabanca que por sua vez a conduziu ate a policia onde foi submetida a prisão e colocada algemas nos pulsos para informar do paradeiro da criança. Após horas de muita aflição e por não ter nenhum apoio, e uma vez que as algemas apertava cada vez mais, decidiu contar toda verdade, e disse que toda a gente já sabe quem ela é.

Declarou perante o publico e a policia ter negociado a criança em 10.000.000 FCFA (Dez milhões de Francos CFA), e que ate este momento já havia recebido um adiantamento de 3.500.000 FCFA (três milhões de Francos CFA), tendo utilizado esse dinheiro. Contou que negociou a venda da criança em troca de pagamento e de documentos e viagem para um irmão imigrar para a Europa - informação confirmada pelo cúmplice após ter sido denunciado. Esta cena de crime, é do conhecimento das autoridades de Pitche.

A criança esta sob custódia da Policia local ate que receba a caução imputada aos infratores para depois entrega-la a sua família. Agora a questão que se coloca é a seguinte: Porque e que a autoridade policial não conduziu os mesmos a autoridade regional de Gabu? Porque é que estão a cobrar caução? Isso vem provar mais uma vez que as autoridades policiais estão metidas neste negocio.... Se não for, espero obter uma resposta - porquê?

Tenho ainda muitas duvidas, se ate a esta altura, as autoridades regionais de Gabu fizeram alguma diligencia?

Espero que com esta denuncia, possa travar ainda algumas negociatas. Faço votos a toda a nossa população em geral, que cada um cuide de suas crianças e esteja atento para quaisquer movimentos e que alertem os filhos no sentido de evitar contacto e ou ofertas de pessoas desconhecidas.

Todo o cuidado é pouco, o melhor remédio é a PREVENÇAO.

Baldezinho
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

PAIGC: Acabou a apresentacao do regulamento eleitoral e iniciar-se-à a respectiva discussao. Depois virá a comissao eleitoral. Votação só amanha. AAS

ELEIÇÕES: Fonte fidedigna confidenciou ao Ditadura do Consenso que as eleições gerais terão lugar no dia 13 de abril - 27 dias depois do segundo adiamento... Nô pintcha! AAS

POLÉMICA À VISTA: 'Indjai tem de sair', defende Ramos Horta


O representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, defendeu hoje que o primeiro passo do presidente a ser eleito nas eleições de março terá de ser "a remodelação das chefias das Forças Armadas". Para Ramos-Horta, o presidente terá que contar com o primeiro-ministro e o partido vencedor das eleições legislativas na tarefa que diz ser "essencial e crucial" para a modernização da estrutura militar.

O representante das Nações Unidas falava à margem de uma visita à sede da Rede das Mulheres contra a Violência de Género (Renluv), em Bissau. A unidade dos titulares de cargos públicos na tarefa da reforma do setor militar "é uma condição primordial" para o sucesso da iniciativa, observou Ramos-Horta. "Têm que estar unidos. Porque senão, o Governo propõe a reforma das Forças Armadas e o presidente faz politiquice e diz que não", enfatizou o responsável do gabinete integrado das Nações Unidas para a consolidação da paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS).

Ramos-Horta não entende a reforma das Forças Armadas como oportunidade para "expulsar ninguém". O responsável da ONU aconselha os políticos e a sociedade civil guineenses a serem inteligentes nessa tarefa. Ainda que o objetivo final seja a modernização das Forças Armadas, Ramos-Horta diz que a alteração da atual chefia "é a condição principal" para se atingir esse fim.

"Seria uma reforma com honra e com dignidade. Ninguém vai ser perseguido", referiu, considerando importante manter privilégios. "A paz faz-se assim, não é com perseguições", sublinhou o chefe da UNIOGBIS. José Ramos-Horta referiu que estava previsto o fim da sua missão na Guiné-Bissau no próximo domingo, mas já anunciou que continuará no país durante o processo eleitoral.