segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
PR de Cabo Verde sobre a abolição da escravatura
Mensagem de Sua Excelência o Presidente da República, Dr. Jorge Carlos de Almeida Fonseca por ocasião do Dia Internacional da Abolição da Escravatura
Praia, 02 de Dezembro de 2013
Comemora-se hoje o termo do mais abjecto crime perpetrado pelo Homem contra a Humanidade.
Durante séculos, homens submeteram seus semelhantes ao regime de escravatura, traduzida na coisificação do ser humano, tornando-o objeto do mais infame tráfico de que há memória.
Homens caçados como bichos; utilizados como animais de tração; tratados abaixo de cão; humilhados e seviciados na via pública; transportados em porões, nos navios e armazenados em barracões, nas propriedades, sem o mínimo de condições; trabalhando sem horário, sem descanso, sem salário. Homens declarados em manifestos como carga indiferenciada; negociados em feiras, como gado; sem direitos; sem nada.
A efeméride que hoje se recorda poderia ser de festejos, caso a escravatura fosse mera recordação longínqua. Mas não é.
Persistem, nos dias de hoje, relações de trabalho muito semelhantes às que caracterizam a escravatura.
Homens e mulheres, muitas vezes deslocados do seu habitat, são colocados em condições sub-humanas, explorados até ao extremo, sem documentos, sem salários, sem direitos e cobertos de dívidas eternas.
O nosso Continente, sem dúvida a maior vítima do infame negócio da escravatura, vê-se hoje, ainda, a braços com fenómenos preocupantes e a que urge dar combate. As aldeias mais periféricas vêm sendo vítimas da rapina dos esclavagistas dos tempos modernos que raptam a força de trabalho dessas aldeias e as vendem ou utilizam como se de alfaias agrícolas se tratasse.
Da América Latina e do Leste Europeu são trazidas jovens mulheres que, com a promessa de bons salários e melhoria da qualidade de vida, são exploradas em casas de prostituição ou utilizadas como trabalhadoras sazonais itinerantes, sem nunca verem o dinheiro prometido e ficando privadas dos respectivos títulos de viagem.
Felizmente, há vozes que não se calam, pondo-se em campo, investigando e denunciando práticas esclavagistas modernas, com métodos, igualmente, hediondos e práticas, por vezes, mais traiçoeiras do que os dos esclavagistas de outrora.
Não se pode tolerar que, em pleno século XXI, homens e mulheres continuem a ser submetidos a um regime que os coisifica, que lhes rouba a alma, que lhes sonega os direitos, que lhes nega a mínima dignidade e lhes corta qualquer ligação com a família e com a civilização. Não é aceitável que homens e mulheres continuem a enriquecer à custa de suor, sangue e lágrimas de seus semelhantes. E mais do que a prática dos maus, preocupa o silêncio dos bons.
No dia de hoje, as comemorações devem passar por uma profunda reflexão sobre a ameaça do retorno de um mal que julgávamos subjugado.
É momento de reflectir sobre como preparar as forças da lei e da ética para o combate contra o mais desprezível e revoltante dos negócios, face à sofisticação dos métodos dos traficantes da dignidade humana.
Para grandes males, grandes remédios. As forças que forem incumbidas de dar combate a este flagelo de antanho ressurgido precisam se sofisticar nas estratégias, nos métodos e nas técnicas. Há que qualificar os agentes e há que informar os cidadãos, fazendo de cada um de nós combatentes do bom combate que é preciso levar a cabo, para a efetiva e definitiva erradicação da escravatura.
Para que O DIA MUNDIAL DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA seja, de facto, um dia de festejos, de comemoração pelo fim da maior aberração do que Homem foi capaz, é preciso que os bons não se calem.
Todos vigilantes, para que o MAL não vença, antes pereça e seja sepultado para sempre. Para que a escravatura não seja mais do que a triste lembrança de um tempo que não volta mais.
PELA RECUSA À EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM.
PELA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, SEMPRE!
Atletismo guineense: Alexandre Djata foi 10º em Macau, e bate o recorde Nacional
O atleta guineense, Alexandre Djata, ficou em 10º lugar na Meia Maratona de Macau que teve lugar ontem, dia 1 de Dezembro, tendo percorrido os 21.1 Km com o tempo de 1H14min:13 segundos, estabelecendo assim um novo Record Pessoal que havia conseguido há dois anos na mesma competição (1H18:39seg).
Alexandre Djata bateu o recorde nacional com este resultado em Macau.
Sendo esta apenas a 2ª Meia Maratona em que participa este ano e, depois da Meia Maratona de Bissau, o resultado é excelente e encorajador, nas palavras de Renato Moura, o presidente da Federação d Atletismo da Guiné-Bissau: "O Alexandre é um jovem educado e humilde e merece tudo isto por isso, se tudo correr bem, estará nos Campeonatos do Mundo da Meia Maratona em Copenhaga, Dinamarca, em Março de 2014". AAS
ORGULHO: Carlos Lopes entre as 100 personalidades mais influentes de África
Ler AQUI
Carlos Lopes, Exec. Sec. Uneca - Guinea Bissau
This Guinea-Bissauan is emerging as one of Africa’s thought leaders. Taking an intellectual and pragmatic approach to problem solving as the head of the United Nations Economic Commission for Africa, Lopes is responsible for ensuring the institution becomes a key pillar in Africa’s development policies. His views on African policy are solicited by many leaders, inside and outside of Africa. As a respected development and strategic specialist who has spent a number of years working closely with, and contributing to research on issues of governance and development, his tenure at Uneca is always going to attract watchful eyes.
“We must be the first to admit that there is still a lot more to be done...development challenges still abound...our narrative is still very much generated from outside.”
Ramos Horta, bata continência ao Ditadura do Consenso (e veja o vídeo...)
O representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Ramos Horta, denunciou pela primeira vez a existência, no país, de partidos políticos com milícias armadas, não avançando com nomes. Mas o ditadura do consenso...adiantou-se, e vê agora tudo confirmado: são o PRS e o seu 'líder espiritual', Kumba Yalá com a benção de uma ala das forças armadas, que arrasta para o lamaçal o próprio CEMGFA, António Indjai. Formações políticas com milícias armadas, «é inadmissível em pleno século XXI», bradou o timorense.
Depois, convidou a liderança das forças armadas a trabalhar de acordo com a Constituição da República, sempre em respeito pelo poder político. Aconselhou a tropa a aproximar-se mais do povo que, de acordo com o Nobel da Paz, "teme" as suas forças armadas. «Isso não é bom para a democracia e para um ambiente de paz e estabilidade no país», referiu. «Cabe às forças armadas acabar com as milícias que estão acantonadas na sombra de alguns partidos políticos», avisou Ramos Horta.
Pode (re)ler AQUI, a acusação feita pelo Ditadura do Consenso, e ver o VÍDEO, gravado em Paris, na Conferência:
Un blogueur qui parle: Aly Silva
Antonio Aly Silva est l'un des blogueurs les plus réputés de Guinée-Bissau, si ce n'est le plus important. C'est une personnalité controversée, qui ne fait pas mystère de ses sympathies politiques. Mais personne ne peut se mesurer à lui en termes de longévité de son blog, de régularité de ses publications et de son implication. Durant la nuit du coup d'état du 12 avril 2012, il a été l'un des rares journalistes citoyens à transmettre des informations depuis la capitale, Bissau, en plein chaos. Témoignage.
A luta continua! AAS
PAIGC: Vitória na região de Biombo, sector Prabis: O projecto Braima Camara para a liderança do PAIGC, apoiou um coligação que derrotou a candidatura de Domingos Simões Pereira em Biombo, sector Prabis. Os candidatos Hugo Nosolini e Jaimantino Có foram os vencedores (*)
(*) Directoria de campanha do candidato Braima Camara
Temos Nobel
"Tornei-me num crítico ferrenho de José Ramos Horta, por eclusiva culpa dele, pois não podia aceitar que um prémio nóbel (de paz) padecesse de tamanha miopia, ou pior, fechasse os olhos à tirania, aos atropelos, aos assassinatos e a todo o tipo de barbaridades que se tornaram no triste e infeliz quotidiano do pobre povo da Guiné-Bissau. Apesar da minha incredulidade perante aquilo que parecia não só ser aceitação mas, sobretudo, a "compreensão" de Ramos Horta dos acontecimentos sempre acreditei que um dia ele não toleraria mais.
Na verdade, o relatório que agora apresentou às Nações Unidades e a sua última entrevista fizeram emergir aquele que deve ser o verdadeiro PRÉMIO NOBEL DE PAZ.
Sem hipocrisias nem demagogias, estou aqui a FELICITA-LO por esses dois momentos.
Alguém dirá, ah!, Isso foi sempre o que se disse e que estava claro. Tá beem, mas é sempre bom e faz sempre bem ouvi-lo do Sr. amos Horta. E mais: O Secretário Geral e o Conselho de Segurança das Nações Unidas ficam informados do que passa hoje na Guiné-Bissau. As instituições e toda a comunidade internacional estão e ficam assim mais e melhor informados da realidade brutal que atinge hoje as pobres populações daquele país.
A Grande questão é: E AGORA?
Há MEDO GENERALIZADO, os DIREITOS HUMANOS sâo ESPEZINHADOS, as LIBERDADES FUNDAMENTAIS são ATROPELADAS, NÃO HÁ LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO nem LIBERDADE DE IMPRENSA. E AGORA?
Vamos na mesma fazer eleições? Pode haver eleições DEMOCRÁTICAS assim? Estamos a falar de que tipo de democracia? Como podem haver eleições democráticas e credíveis se alguns são proibidos, por via de força, de participar?
Ao arrepio de todas as regras e, perante os gritos de socorro do Movimento Nacional da Sociedade Civil, da Liga Guineense dos Direitos Humanos e de todos os democratas os golpistas tentam forçar a ANP, pela segunda vez em menos de seis meses, a aprovar uma lei de amnistia para os ilibar. Se não reconhecem que têm culpa porquê a amnistia?
Quer dizer, Amistiar os culpados e punir as vítimas. Hummm. Só na lógica de golpistas.
Voltarei.
Unsai Wek"
domingo, 1 de dezembro de 2013
Recenseamento-dia 1: trapalhada total: Máquina não reconhece presidente golpista
O primeiro potencial eleitor que devia se registado como manda o porotocolo seria Serifo Nhamadjo, que apelou à participação "de todos os guineenses" num processo que diz ser "uma obrigação dos cidadãos." O registo de Serifo Nhamadjo aconteceu no bairro militar, o maior bairro de Bissau, mas decorreu com alguns percalços, já que os equipamentos oferecidos por Timor-Leste... não estavam sequer montados quando Nhamadjo se apresentou para ser recenseado.
"Como podem ver é um equipamento novo. Uma nova experiência, tudo que é novo tem esses percalços na primeira fase, mas logo será dominado pelos nossos quadros nacionais", gaguejou Nhamadjo, meio envergonhado. Devido às dificuldades com os equipamentos Nhamadjo foi registado como primeiro eleitor mas saiu da mesa do recenseamento sem o seu cartão de eleitor uma vez que a máquina não estava a imprimir os cartões. Um responsável do Ministério da Administração Territorial - que tutela o recenseamento - disse à Lusa que todos os problemas com os equipamentos do registo eleitoral serão ultrapassados nos próximos tempos. LUSA
sábado, 30 de novembro de 2013
ACIDENTE LAM: Jorge Carlos Fonseca envia condolências
Presidente da República de Cabo Verde envia mensagem de condolências em memória das vítimas de acidente de viação da LAM, no norte da Namíbia.
“Senhor Presidente e caro amigo, e caro irmão,
Foi com profunda consternação que tomei conhecimento do trágico acidente aéreo ocorrido na madrugada deste Sábado e que resultou no desaparecimento físico de todos os ocupantes do avião”.
Em nome pessoal e no do povo de Cabo Verde, o Chefe de Estado apresenta as suas mais sentidas condolências e manifesta solidariedade para com o Presidente Moçambicano e o Povo amigo de Moçambique, muito em particular aos que perderam familiares e entes queridos."
“Senhor Presidente e caro amigo, e caro irmão,
Foi com profunda consternação que tomei conhecimento do trágico acidente aéreo ocorrido na madrugada deste Sábado e que resultou no desaparecimento físico de todos os ocupantes do avião”.
Em nome pessoal e no do povo de Cabo Verde, o Chefe de Estado apresenta as suas mais sentidas condolências e manifesta solidariedade para com o Presidente Moçambicano e o Povo amigo de Moçambique, muito em particular aos que perderam familiares e entes queridos."
Três mulheres, três países, três visões do desenvolvimento
Por: Ana Dias Cordeiro
Foto: Bruno Almeida
Em: PÚBLICO
Emília Pires, Luísa Diogo e Cristina Duarte. Três mulheres, três experiências de governação em três diferentes países de língua portuguesa, e que o PÚBLICO juntou numa conversa sobre o desenvolvimento em países pobres ou saídos de guerras civis e o papel das mulheres no poder.

Cristina Duarte, Emília Pires e Luísa Diogo fotografadas em Lisboa
As três mulheres estiveram há algumas semanas em Lisboa, para participar na conferência O Futuro da Agenda Global de Desenvolvimento: Visões para a CPLP organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian. Emília Pires, ministra das Finanças de Timor-Leste, Luísa Diogo, ex-primeira-ministra de Moçambique e Cristina Duarte, ministra das Finanças de Cabo Verde, foram oradoras nessa conferência e partilharam com o PÚBLICO a sua experiência em cargos públicos nos respectivos países.
EMÍLIA PIRES, ministra das Finanças de Timor:
“Graças ao petróleo, conseguimos conquistar a paz”
Quando as pessoas não tinham televisão, não tinham matéria para imaginar o que poderia ser a sua vida. Nesse tempo, também não havia baloiços para as crianças, nem computadores para os jovens se ligarem ao mundo.
“As pessoas não tinham uma amostra daquilo que poderia ser a sua própria vida.” Emília Pires, ministra das Finanças timorense, era ela própria adolescente quando em 1975 saiu do país, com os pais e os seis irmãos, para regressar 24 anos depois.
É ministra das Finanças do Governo de Xanana Gusmão desde 2007, quando o ex-líder da guerrilha e Prémio Nobel da Paz 1996 anunciou que não seria candidato à presidência, fundou um novo partido, venceu as primeiras legislativas e depois as de 2012, reconduzindo Emília Pires no cargo. “Tivemos que criar um amanhã.” Ou seja: construir sobre os despojos de uma longa guerra civil, recomeçar do zero, com a ajuda dos ganhos da exploração de uma riqueza natural: o petróleo.
“A maioria da população, especialmente as crianças, nasceu num ambiente de violência. Estávamos expostos a outra visão da vida”, diz Emília Pires.
Foi Xanana Gusmão quem primeiro partilhou a ideia de abrir um parque infantil em Díli, com a ministra Emília Pires que, na ligação com a comunidade internacional, estava orientada para dotar o país de escolas e hospitais na perspectiva dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, definidos em 2000 pelas Nações Unidas. O primeiro-ministro timorense, pai de três filhos, tentou e conseguiu fazer ver à sua ministra o valor das coisas “não tangíveis” para o desenvolvimento. “Para ele, era importante não esquecer a parte lúdica e a ideia de expor as novas gerações às mesmas experiências das crianças dos outros países. Ele achava que, só assim, elas podiam ter uma visão de futuro, e um futuro”.
Era uma forma de “criar um amanhã” – e de melhorar o país. “Vivíamos para o ontem, para a sobrevivência. Continuamos a dar muito mais importância aos que morreram do que ao futuro”, frisa Emília Pires.
A economista faz parte de uma nova geração de quadros, que se seguiu à dos veteranos da luta pela independência, que acredita que Timor-Leste pode ser o próximo “milagre do Sudeste Asiático”, como ela própria o referiu, perante os níveis de crescimento económico do novo país em contexto de crise mundial, a partir de 2008. No perfil que a revista Forbes traça dela, a ministra é uma pessoa com a ambição centrada no seu país, onde melhorar o ensino continua a ser “a grande prioridade”.
Muitas vezes, a construção da paz e do Estado faz-se com coisas que o mundo não está a medir.
Quando chegou ao Ministério das Finanças em 2007, realizou um teste para avaliar competências de funcionários e 60% tinham apenas um conhecimento de Matemática equivalente ao 3.º ano de escolaridade. Hoje, mais de cem funcionários do Ministério, da área do Direito ou da Contabilidade, estão a estudar no estrangeiro, à semelhança do que fazem muitos jovens que concorrem a bolsas do Governo ou de outros países para se formarem em universidades da Austrália, Portugal, Estados Unidos ou Indonésia. O número de pessoas licenciadas começa a dar os primeiros sinais de descolar.
Depois da licenciatura na Universidade de Melbourne, Emília Pires concluiu uma pós-graduação na London School of Economics. Quando regressou a Díli em 2009, já tinha experiência em cargos públicos na Austrália. Mesmo quando fala em português – que é língua oficial, juntamente com o tétum, em Timor-Leste – alterna com palavras em inglês, que domina.
Foi impulsionada, na ambição que tem para o país, pelas riquezas timorenses em petróleo e gás e pela presença de grandes companhias da Austrália, China, Índia, Malásia, Japão e Estados Unidos na exploração nas águas de Timor-Leste, escreve a Forbes.
O país criou um Fundo Soberano das receitas de petróleo que já ascenderam a 19 mil milhões de dólares, dos quais 14,5 mil milhões foram aplicados no exterior, em acções e obrigações. Os mais de 5 mil milhões restantes reforçaram o Orçamento e o Plano Estratégico de Desenvolvimento, para a diversificação da economia que inclui uma aposta nos sectores da agricultura e turismo, para além do sector petrolífero. O país libertou-se assim de uma dependência quase exclusiva da ajuda externa. O orçamento – 1,6 mil milhões de dólares – é hoje apenas suportado em 200 milhões pela ajuda internacional. O que é bom, diz Emília Pires. “As ajudas vêm com muitas condições e sem um grande entendimento do que o país pós-conflito precisa.”
Um exemplo foi quando o Governo teve de criar e oferecer pacotes económicos para fazer regressar os 150 mil deslocados internos da crise gerada em 2006 pelo conflito dentro das próprias forças de segurança. “Tínhamos rebeldes com armas nas mãos. As pessoas tinham medo de regressar. Tivemos de resolver o problema de quase 800 ex-guerrilheiros.”
Estes ex-militares passaram entretanto à vida civil. Seguiram os estudos, criaram pequenas empresas ou voltaram para a agricultura. Mas foi-lhes dada uma ajuda. “Sem o dinheiro do petróleo, não teria sido possível. Teria sido difícil conseguir uma ajuda de parceiros [internacionais] para isso.”
Muitas vezes, “a construção da paz e do Estado” faz-se “com coisas que o mundo não está a medir”, diz Emília Pires.
Os baloiços estão lá agora. Os computadores também, em parques ao ar livre e de fácil acesso a todos. E Timor-Leste, independente desde 2002, vai fazendo o seu caminho para o desenvolvimento, muito graças ao petróleo. “Sem os ganhos do petróleo, não podíamos estar onde estamos hoje.”
LUÍSA DIOGO:
“Não basta estar no poder. É preciso ter o poder nas mãos”
A ex-primeira-ministra de Moçambique Luísa Diogo gostaria de poder dizer o mesmo e olhar para as descobertas na bacia do Rovuma – de petróleo em 2010 e de imensas reservas de gás natural em 2013 – como verdadeiramente promissoras para o desenvolvimento do seu país.
Quando, em 1994, foi nomeada para o Governo constituído a partir das primeiras eleições livres, Moçambique era um mapa de estradas destruídas onde não se podia circular, ligado por cabos de electricidade que já não serviam as populações e onde metade das escolas e dos hospitais estava em ruínas. Era preciso construir o presente, antes de pensar o futuro. E atrair o investidor estrangeiro, favorecendo-o com condições que limitavam os ganhos para o país, como aconteceu com a oferta de isenções de taxas no projecto de instalação da Mozal (fábrica de alumínio) em Maputo.
De outra forma, não podia ser, diz Luísa Diogo, num país saído de 16 anos de guerra civil entre o Exército da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e o movimento guerrilheiro da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) até 1992, quando o Acordo de Paz foi assinado em Roma. Em 1999, quando passou a ministra da mesma pasta (Finanças) e o país crescera com os dividendos da paz, a governante vivia intranquila no receio de ver o seu país entrar no ciclo vicioso do desenvolvimento, como acontece em muitos Estados que surpreendem pelo forte crescimento nos primeiros anos do pós-conflito, mas que depois não conseguem criar bases para o desenvolvimento.
Passou 15 anos em cargos de governação desde 1994, levada pelo então chefe de Estado Joaquim Chissano até 2009, quando foi exonerada pelo actual Presidente Armando Guebuza. Foi vice-ministra e depois ministra das Finanças, a partir de 1999, quando passou a acumular com a função de primeira-ministra.
Hoje é presidente do Conselho de Administração não executivo do Barclays (que tem mais de 46 agências no país) e lamenta o baixíssimo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que contrasta com a imagem, para fora, de país exemplar na forma como se ergueu depois do conflito. “O caso moçambicano tem de ser visto do ponto de vista dinâmico. Não como uma fotografia mas como um filme”, justifica. “É preciso ver de onde o país vem, onde está e para onde vai.”
A riqueza – Moçambique tem um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 600 dólares – não está a ser distribuída de forma a incluir toda a gente, aponta a economista. Os números crescem com os megaprojectos – como o do alumínio da Mozal ou o das Areias Pesadas de Moma – e os da área do gás, mas o desenvolvimento humano está entre os mais baixos do mundo. Numa lista de 178 países, Moçambique, que está no topo mundial em reservas de gás, é o terceiro pior (está no 175.º lugar) no ranking do desenvolvimento humano.
O que falha no desenvolvimento de Moçambique é “não estar a olhar para as pessoas”, diz Luísa Diogo, que não esconde a ambição de um dia vir a ser chefe de Estado – se o seu partido Frelimo, de que é membro do Comité Central, a escolher como candidata presidencial. “Cerca de 70% da população vive da agricultura. Estas pessoas precisam de políticas específicas que as façam sair da pobreza”, defende.
Com as descobertas recentes de importantes reservas naturais – que colocam o potencial de crescimento económico de Moçambique ao nível do de Angola e o país na mira de investidores estrangeiros como nunca antes aconteceu – as perspectivas são brilhantes. Mas, mais uma vez, contrastam com a realidade.
“Moçambique é um país com promessas que podem garantir um desenvolvimento brilhante.” Mas para isso, diz Luísa Diogo, é preciso seguir o exemplo dos países que tiveram sucesso, e fazer o mesmo. Um modelo para Moçambique tem sido a Noruega, onde foi criado um Fundo Soberano com as receitas do petróleo, e de onde Moçambique tem recebido assistência técnica para desenhar um quadro legal que transforme os ganhos da extracção destes recursos em ganhos para os moçambicanos. “Procuramos na Noruega uma fonte de inspiração”.
O importante, diz a ex-primeira-ministra, é Moçambique afastar-se dos maus exemplos: países onde os recursos criaram problemas de corrupção ou de conflitos criados por lutas pelo poder. Em Moçambique, o desenvolvimento não está a olhar para as pessoas
Esse debate – sobre quem beneficia das riquezas do país – está vivo e em aberto, alimentado por uma sociedade civil que duvida que Moçambique esteja no caminho certo. Organizações – como o Centro de Integridade Pública de Moçambique (CIP) – têm alertado para sinais que podem comprometer a transparência e a equidade dos contratos com as companhias de exploração do gás, carvão ou outras matérias-primas, e os próprios benefícios para o Estado.
“A força da sociedade civil moçambicana é a prova mundial de que nem sempre são os partidos da oposição que dão as melhores contribuições para o desenvolvimento de um país”, salienta. A oposição é liderada pela Renamo, partido que tem perdido apoio eleitoral.
Depois das autárquicas do passado dia 20 de Novembro, ganhas pela Frelimo e boicotadas pela Renamo, e nas quais o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) de Daviz Simango se afirmou a nível nacional concorrendo pela primeira vez em todos os municípios, Moçambique vai de novo a votos em 2014 para escolher os deputados e o Presidente da República, que nomeia o primeiro-ministro.
A Frelimo ainda não escolheu o sucessor de Armando Guebuza, que terá então completado os dois mandatos presidenciais previstos na Constituição. Mesmo não sendo da ala do partido afecta ao Presidente, Luísa Diogo não exclui a possibilidade de um dia ser ela a liderar os destinos do país. “O mundo não acaba em 2014”, diz gracejando quando questionada sobre a hipótese de ser a candidata da Frelimo quando Guebuza já não for líder. “Eu não tenho medo de qualquer cargo. Quem decide é o partido.”
Graça Machel – viúva do primeiro Presidente de Moçambique e mulher do primeiro Presidente negro da África do Sul Nelson Mandela – também é apontada, no futuro, como possível candidata presidencial pela Frelimo, partido cuja bancada parlamentar é constituída em mais de metade (53%) por mulheres. O país tem sabido “escolher os seus líderes de acordo com os desafios” do presente e do futuro, considera Luísa Diogo.
“O Presidente [Eduardo] Mondlane foi escolhido para fazer a unidade nacional, o Presidente Samora Machel fez a declaração da independência e definiu as visões de desenvolvimento do país, o Presidente Chissano negociou a paz e teve a tolerância necessária para preservar a paz, e agora o Presidente Guebuza está a fazer a necessária transformação estrutural da economia e da sociedade”, diz.
Escolher uma mulher para a Presidência da República é “uma tendência natural” num país que já teve Luísa Diogo como primeira-ministra, tem Verónica Macamo a presidir à Assembleia e onde as mulheres ocupam cerca de um quinto dos cargos de ministros e vice-ministros.
“Mas não basta estar no poder”, conclui Luísa Diogo. “É preciso ter o poder na mão, estar em postos onde o poder faz-se sentir.”
CRISTINA DUARTE:
“Maior riqueza de Cabo Verde é a vontade de participar no puzzle mundial”
O envolvimento das mulheres nos destinos de Cabo Verde vem do tempo da luta de libertação, liderada pelo PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) neste país e na Guiné-Bissau. A tradição mantém-se e é reflexo de uma combatividade feminina à imagem do espírito de luta do cabo-verdiano que Cristina Duarte, ministra das Finanças de Cabo Verde, elege como principal riqueza do arquipélago sem os recursos naturais de Moçambique ou Timor-Leste.
“O primeiro-ministro sempre fez questão de ter uma forte presença feminina no Governo”, diz Cristina Duarte, que é militante mas não dirigente do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde), do primeiro-ministro José Maria Neves, que escolheu outra mulher, Cristina Fontes, para vice-primeira-ministra e formou um Executivo composto, em quase metade, por elementos femininos. “Essa forte presença não é para cumprir indicadores ou quotas, mas porque ele acredita no equilíbrio”, diz sobre o primeiro-ministro, que “costuma dizer que são as mulheres que mandam em Cabo Verde”.
Além de Cristina Fontes, que é a número dois do Governo e ministra da Saúde, e Cristina Duarte que é ministra das Finanças, também as pastas da Administração Interna, Infra-estruturas e Economia Marítima, Educação, entre outras, são lideradas por mulheres.
No arquipélago lusófono, diz Cristina Duarte, o papel da mulher sempre foi preponderante. “Por sermos historicamente uma nação de emigração, com maior pendor masculino, a mulher foi obrigada a assumir várias tarefas em simultâneo.”
A ideia de combatividade feminina existe desde a afirmação pela independência. “Era um valor da luta de libertação a que demos continuidade.” Logo em 1975, “a igualdade do género passou a ser a nossa bandeira”, e desde então o PAICV governou em alternância com o Movimento para a Democracia (MPD).
A maior riqueza de Cabo Verde – arquipélago de dez ilhas, sem os recursos naturais de Moçambique ou Timor-Leste – é “a combatividade e o espírito de luta, o desejo de também participar no puzzle mundial”, diz Cristina Duarte, que foi oradora da mesma mesa de Luísa Diogo na conferência sobre Desenvolvimento na Fundação Gulbenkian. E conclui: “Este é o nosso recurso, o desejo de ser.”
Com o mesmo optimismo com que diz acreditar que Cabo Verde está no caminho certo para se tornar num ambicionado centro internacional de prestação de serviços (com os seus quatro aeroportos internacionais, a expansão recente dos seus seis portos e uma taxa de penetração da Internet de 36%), Cristina Duarte diz que “a juventude é simultaneamente um desafio e um potencial” num país onde a maioria da população é jovem e uma grande proporção dos jovens tem formação universitária, mas onde o orçamento ainda depende em mais de 70% da ajuda externa.
O objectivo é fixar a juventude, dar-lhe perspectivas de futuro e oportunidades de emprego, não que o cabo-verdiano da diáspora não seja parte integrante da nação. Cabo Verde é como um país que se estende muito além das suas ilhas, em países onde a expressiva diáspora está muito presente: Estados Unidos, França, Portugal, Holanda, e outros. E a maior conquista, dos últimos 10 anos, conclui Cristina Duarte, foi ter “o cabo-verdiano na diáspora dizer com orgulho: ‘Eu sou cabo-verdiano’”.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Facto
"Nos últimos anos, o jornalista António Aly Silva assumiu uma importância muito maior do que a que a Agência Noticiosa da Guiné-Bissau (ANG) alguma vez teve. Um homem só deu-nos muito mais a ler sobre o seu país do que toda uma estrutura do Estado." - Jorge Heitor, jornalista
Nunca mais!
O golpe de Estado de 12 de abril de 2012 nunca será o "último", como pregam os patetas. Será, isso sim, o toque de alvorada para outro golpe. É apenas uma questão de tempo. O Povo devia levantar-se; os sindicatos deviam, todos, mas todos, parar o País completamente. Quem quiser governar o sol e a chuva - faça o favor! E lembrem-se desta máxima: Ninguém tem a obrigação de obedecer àquele que não tem o direito de mandar! António Aly Silva
Rui Barros e José Maria Neves - um encontro na Praia
Rui Barros, primeiro-ministro de transição da Guiné-Bissau, escalou Cabo Verde ontem, no voo da Royal Air Maroc proveniente de Bissau- Rui Barros vai a caminho de França. Calhou o primeiro-ministro, José Maria Neves, estar de regresso do seu périplo europeu, e os dois mantiveram um encontro de cerca de meia hora no aeroporto internacional 'Nelson Mandela', na Ilha de Santiago. AAS
Aós, na Bissau
Esta é a Nossa Pátria Amada (Ballet Nacional)
Apresenta:
"Nó Recorda Cultura"
Danse Traditionnelle, Ensemble, Contemporaine
Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013, às 21h
2 000 FCFA / 1 500 FCFA (aderentes)
No Centro Cultural Franco-Bissau-Guineense
Como formar analfabrutos
EDUCAÇÃO NA Guiné-Bissau? VERGONHA NACIONAL
«Caro Aly
Aceite os meus cumprimentos, e votos de muita coragem, dedicação, empenho em prol do desenvolvimento desta pátria que merece muito mais coisas boas do que o que estamos a viver, mas temos fé de que um dia as coisas vão melhorar. Sou Augusto G. C., moro no bairro de Bandim I. Zona 7.
Queria partilhar com os teus leitores as fotos que tirei na semana passada na Escola 'Bandim Bila', situada no Alto Bandim, em frente do 'estádio' CaCoMa. As imagens mostram o estado actual daquela escola primaria, imagens dramáticas, lamentáveis e tristes para um país que fala no desenvolvimento, mas que infelizmente o sector do social, nomeadamente o ensino, não faz parte das suas prioridades.

É nossa ideia, de um grupo de jovens do bairro de Bandim, encontrar pessoas ou ONGS de boa vontade para ajudar a salvar aquela escola que contribuiu na formação de vários quadros que hoje estão a servir o nosso país. Se realmente precisamos de mais quadros...é preciso salvar essa escola.

Aly,
Gostaríamos que publicasse estas imagens no seu site-web, que se calhar é uma das formas de nos ajudar a encontrar parceiros, doadores e pessoas de boa fé para ajudar a salvar aquela nossa escola que tem os dias contados se não houver uma rápida intervenção.
Favor aceite este nosso pedido que pensamos ser uma das vias para a solução dos problemas daquela escola.
Augusto G. C.»
LGDH sobre a prisão de Sanogo
Liga Guineense dos Direitos Humanos
Comunicado de Imprensa
A República do Mali mergulhou-se numa profunda crise político-militar em consequência de golpe do estado no dia 22 de Março 2013, liderado pelo Capitão Amadou Aya Sanogo. Ao longo do período de transição estabelecido pela CEDEAO, foram registadas violações graves dos direitos humanos nomeadamente, assassinatos, espancamentos, desaparecimentos forçados, entre outras, ilegalidades perpetradas pelos militares golpistas.
Com a restauração da ordem constitucional em decorrência da realização das eleições presidenciais, as Instituições judiciarias malianas abriram inquéritos para determinar as responsabilidades sobre as violações acima referenciadas com a finalidade de combater a impunidade, promover a paz social e a reconciliação com base nos critérios da justiça.
Estas corajosas ações da justiça daquele país irmão, culminaram com a detenção do Capitão Sanogo no passado dia, 27 de Novembro. Sem prejuízo do princípio universal de presunção de inocência que assiste todos os suspeitos, a detenção do Capitão Sanogo representa uma vitória inequívoca da democracia e do estado de direito na nossa sub-região e em toda África, em geral.
A LGDH enquanto instituição que pugna pela defesa intransigente dos valores da paz, da democracia e do estado de direito, congratula-se com a firmeza da justiça maliana em combater sem tréguas a impunidade em cumprimento das recomendações da Declaração de Bamako.
Por fim, a LGDH felicita a coragem e determinação do povo maliano, em particular da sociedade civil maliana, nomeadamente Associação Maliana de Direitos Humanos por terem optado pelas vias de reconciliação fundada nos valores da verdade e da justiça como único caminho capaz de conduzir o país ao progresso e ao bem-estar social.
A LGDH acredita que os bons exemplos da vitalidade das instituições malianas podem influenciar os atores políticos e judiciais da Guiné-Bissau para uma mudança de mentalidade que valorize a justiça em detrimento, das amnistias e promoção da impunidade.
Pela Paz, Justiça e Direitos Humanos
Feito em Bissau aos 29 dias do mês de Novembro 2013
A Direção Nacional
______________________
MEMBRO DE:
FIDH – Federação Internacional dos Direitos Humanos
UIDH – União Internacional dos Direitos Humanos
FODHC-PALOP – Fórum das ONGs dos Direitos Humanos e da Criança dos PALOP
Fundador do Movimento da Sociedade Civil
PLACON – Plataforma de Concertação das ONGs
MEMBRO OBSERVADOR JUNTO DE:
CADHP – Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos
EXCLUSIVO: Hoje, os serviços de imigração estacionados no aeroporto de Bissau, seguindo ordens da Polícia Judiciária, proibiram Augusto Kabi, o acossado ex-director da APGB, de sair do País, por estar envolvido no processo de espancamento do ministro de Estado e dos Transportes e Comunicações, Orlando Viegas, que ainda se encontra internado numa clínica de Dakar. Ditadura do Consenso sabe que a Polícia Judiciária mandou um ofício a proibir a saida de Augusto Kabi, e de outros elementos considerados suspeitos, do território nacional. Kabi devia viajar para Lisboa, com a filha. AAS
Excitação
- Amadu-él Baldé: Sim, concordo consigo, incansável Aly Silva. Serifo Nhamadjo, é o pior mentiroso que já existiu na Guiné-Bissau. E, podemos classifica-lo também de pior traidor de todos os tempos na nossa República! O Serifo, para além de ser mentiroso e perigoso, ele também é TRAIDOR de tamanho inimaginável. Mentiroso, cara sem vergonha, demita-se, traidor do povo guineense, imbecil.
TODA A VERDADE
Estas foram as declarações da Presidente da Comissão da União Africana, a sul-africana Dlamine Zuma, sobre a Guiné-Bissau, proferidas à margem dos «Dias Europeus do Desenvolvimento», que há dois dias terminaram em Bruxelas, na Bélgica. E dá que pensar:
'A Guiné-Bissau, na minha opinião, precisa duma abordagem muito diferente, porque o que todos nós temos feito é como pôr pensos rápidos. Ou seja, quando há um golpe de Estado, vimos e organizamos eleições e então há um Governo democrático eleito e dizemos está tudo bem. Depois, outro golpe de Estado acontece, e esse Governo dá lugar a outro. E nós fazemos a mesma coisa. Podemos esperar resultados diferentes? Penso que não, e penso que a Guiné Bissau é o exemplo de um país que precisa de desenvolvimento. Precisa de outra abordagem, porque o narcotráfico também está a desempenhar um papel na situação por que passa o país.
Precisamos olhar de forma mais abrangente, para lidar com este problema e perceber porque é que o narcotráfico ganha raízes, qual o desenvolvimento do país, porque é que toda a gente quer ir para o Governo. Porque, se o Governo é o maior empregador, se o Governo é o mais atraente, então toda a gente vai lutar para estar no Executivo, ou ter um familiar ou um amigo no Governo. Precisamos de analisar de forma mais abrangente o problema da Guiné-Bissau, incluindo o desenvolvimento. Certificarmo-nos de que as pessoas, nas áreas rurais, conseguem produzir, fazer agricultura. Não são apenas os golpes de Estado e as eleições. Tem de ser mais abrangente. E penso que só quando fizermos esta abordagem total, é que teremos uma solução sustentável.'
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
I son torossa
In: Pasmalu
Decididamente a ONU e o seu funcionário de serviço, Ramos Horta, andam a brincar com isto tudo.
Não apanharam o pé da situação e decidiram que a realidade não é aquilo que os guineenses estão a viver, mas sim as ideias estapafúrdias que têm nas suas cabeças, como a de dizer que a violência ocorre sobretudo na capital guineense (como ele, Ramos Horta, não se aventura no interior, fica-se pelos sítios onde se comem belas gambas, também a não vê, claro!) e que os incidentes não são provocados apenas por militares.
Aliás, já ontem Daba Na Walna vinha a dizer isso, com a apresentação dos tais quatro homens que segundo ele se faziam passar por militares, usando armamento desviado há muito tempo. Claro que se não percebe, se há assim tantas armas em mãos de civis, porque raio de razão não as usam, afastando os golpistas de vez!.
Mas voltando aos “alegres inoperantes”, isto é, aos anteriormente referidos funcionários da ONU… Fartos de desbaratar os rios de dinheiro que dizem estar a dar à Guiné-Bissau, mas que só serve para pagar a centena de “especialistas” que passam os dias acantonados nos ares-condicionados da sua sede em Bissau a preparar os respectivos fins-de-semana, decidiram agora reforçar o pecúlio da ECOMIB, organização militar que ninguém sabe para que serve.
Há já quase dois anos no país, esta missão militar nada fez que se visse e ouvisse. Por ela passaram crimes, violência, barbaridades. E ela não tugiu nem mugiu. Só quando a população decidiu denunciar o “trabalho” dos nigerianos no rapto de crianças é que foram a correr proteger a embaixada. Fora disto, NADA!
Pois é a estes mesmos que a ONU vai reforçar a capacidade de intervenção(?), possivelmente para as chefias militares nigerianas continuarem a pouca vergonha da prostituição no Hotel Azalai ou ao dolce fare niente a que se entregam abnegada e diariamente.
Enquanto isso, o presidente senegalês Malick Sarr, descobriu e lançou um novo candidato presidencial CEDEAO às “próximas” eleições: o seu funcionário dos petróleos, Júlio Baldé.
Afanosamente, Ramos Horta já está a preparar para breve um convívio de gambas com este novel candidato e o seu amigo do coração, o impoluto Kumba Ialá
Já não há paciência para aturar estes incompetentes que nos mandam para aqui!
E logo este prémio Nobel dos “Passageiros Frequentes”…
Nhamadjo, o mentiroso
Ouvi o Serifo Nhamadjo falar sobre mim, num vídeo. Vou responder-lhe à letra, mostrando ao MUNDO que você, SERIFO NHAMADJO, é um mentiroso e NÃO tem perfil para sentar na cadeira onde está, mas que o faz em virtude do alinhamento no golpe de Estado de 12 de abril de 2012. Mas há mais...
O próprio Serifo Nhamadjo INTERCEDEU junto de alguém, em DAKAR, para falar comigo a fim de lhe dar APOIO para as presidenciais. Fui a Dakar, disse à pessoa que SERIFO NUNCA GANHARIA ESSAS ELEIÇÕES, e portanto estava fora. Regressei a Bissau no dia seguinte, menos de 24 depois...e tranquilo.
ESTAVA CLARO PARA TODOS QUE SÓ O CARLOS GOMES JR., PODIA VENCER ESSAS ELEIÇÕES, E A QUE VIRÁ...
Hoje, telefonei para Dakar e falei com a pessoa, explicando-lhe tudo. E prometi que reagiria, também em vídeo. Incrédulo com o que acabara de ouvir, respondeu: «Esse Serifo é um traidor!» e deu-me luz verde para gravar o vídeo. Oremos. O Serifo Nhamadjo é um MENTIROSO, e todos vão saber a história verdadeira. Serifo Nhamadjo, você é um TRAIDOR do Povo da Guiné-Bissau.
Serifo Disse ainda que eu felicitei-o através de sms, que guarda. VERDADE. Fi-lo porque ele acabara de ocupar um lugar, LEGALMENTE, depois do assassinato do presidente 'Nino' Vieira. Agora o Serifo que não espere pelo meu apoio enquanto... GOLPISTA. Desafio o SERIFO NHAMADJO a tornar públicas os sms que eu lhe enviei, sob pena de ser...MENTIROSO outra vez. . Portanto, contra as mentiras do NHAMADJO, marchar, marchar!
Serifo Nhamadjo tratou-me por «esse sujeito». Muito bem, Serifo. Sou um sujeito que nunca MATOU, ROUBOU, DELAPIDOU, CONSPIROU, DEU UM GOLPE DE ESTADO. A propósito, o sujeito manda-lhe que vá bardamerda. António Aly Silva
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
UE acusa Bissau de autorizar pesca ilícita
A União Europeia (UE) identificou a Guiné-Bissau como um país que autoriza a prática de pesca ilícita nas suas águas territoriais, mesmo depois de ter sido feito uma advertência oficial às autoridades do país há cerca de um ano.
Num comunicado transmitido à imprensa em Bruxelas, esta terça-feira, a UE confirma que a Guiné-Bissau ainda não resolveu os problemas estruturais nem demonstrou vontade em lutar contra a pesca ilícita, apesar de a organização europeia ter trabalhado em colaboração com o Governo deste país africano no sentido de criar medidas de gestão e controlo das atividades de pesca.
A Comissão Europeia já aconselhou o Conselho dos Estados-membros a proibir a importação de peixes capturados nas águas da Guiné-Bissau. Para a União Europeia, a pesca ilícita (não declarada e não regulamentada) constitui um delito não só para os pescadores e mercados europeus, mas também para as populações locais.
Num comunicado transmitido à imprensa em Bruxelas, esta terça-feira, a UE confirma que a Guiné-Bissau ainda não resolveu os problemas estruturais nem demonstrou vontade em lutar contra a pesca ilícita, apesar de a organização europeia ter trabalhado em colaboração com o Governo deste país africano no sentido de criar medidas de gestão e controlo das atividades de pesca.
A Comissão Europeia já aconselhou o Conselho dos Estados-membros a proibir a importação de peixes capturados nas águas da Guiné-Bissau. Para a União Europeia, a pesca ilícita (não declarada e não regulamentada) constitui um delito não só para os pescadores e mercados europeus, mas também para as populações locais.
Descartáveis
"Meu caro amigo,
Estes politicos e militares que temos na Guiné-Bissau devem ser trocados como fraldas e pelo mesmo motivo. É impressionante as merdas que fazem.
António T."
NOTA: Também acho. Mas a começar por cima, pelo Nhemeadjo. AAS
Estes politicos e militares que temos na Guiné-Bissau devem ser trocados como fraldas e pelo mesmo motivo. É impressionante as merdas que fazem.
António T."
NOTA: Também acho. Mas a começar por cima, pelo Nhemeadjo. AAS
PAIGC: Demba Dahaba pretende retribuir ao PAIGC os seus princípios
Abubacar Demba Dahaba apresentou dia 25 de Novembro a sua candidatura para o cargo de Secretário Nacional do PAIGC. A candidatura para o VIII Congresso a ter lugar em Cacheu numa data a indicar, tem quase aderência de todos. A reacção ao aparecimento público de Demba Dahaba foi simplesmente encantador e convincente. Todos sem excepção consideraram Abubabcar Demba Dahaba, candidato real a cabeça de lista do partido nas próximas legislativas.
Muita afluência dos militantes e dirigentes do PAIGC, a fé dos veteranos num salvador do PAIGC e do País: Demba Dahaba. Dos três discursos ouvidos, destaque para, Manuel Maria Monteiro (Manecas), que em nome dos Combatentes da Liberdade da Pátria, foi o mais contundente e realista. Qualificou Demba Dahaba do único capaz de conduzir o partido e retribuir-lhe os seus princípios. Único capaz de salvar a Guiné-Bissau.
Um desafio extremamente difícil, segundo Manecas, mas ao alcance de Demba Dahaba, por várias razões. Manecas recorda ter conhecido Abubacar Demba Dahaba, ainda criança nas zonas libertadas, quando era elo de ligação entre os guerrilheiros do PAIGC. Depois foi um militante ordeiro e respeitador. “Mas o que mais me impressiona, não o seu conhecimento ao partido. É que num país onde os valores foram minados, o Demba Dahaba não se deixou corromper. Estou aqui para lhe dar força, mas para lhe dizer que se ganhar o Congresso, vai ter muito trabalho para retribuir o nosso partido os seus princípios e para recuperar os valores perdidos”, disse.
Por sua vez, o candidato subiu a tribuna para lançar muitos desafios aos militantes do PAIGC, congressistas e guineenses em geral. O momento é de mudança. E o PAIGC tem de mudar. Defendeu um PAIGC coerente com os valores que ajudou a implantar. Os valores da democracia. “O PAIGC em 1994 aceitou a queda do artº 4. Implantou a democracia. Não é aceitável, mais de 15 anos depois, se continue a reinar princípios quase que antidemocráticos. Temos que mudar e fazer do PAIGC um partido respeitador das regras democráticas e que sobretudo vai permitir a separação de poderes”, afirmou.
Sereno e com um discurso de maior responsabilidade, Demba Dahaba sentiu-se mais responsabilizado quando minutos antes de usar de palavra, ouviu Carlos Domingos Gomes, CADOGO Pai a considera-lo de uma pessoa indicada para enfrentar os momentos que a Guiné-Bissau vive. Um gestor rigoroso, mas sobretudo dirigente competente comprometido com os valores da Nação.
Antes foi Abel da Silva, Director da candidatura a fundamentar perante todos os presentes, os motivos que levaram o Grupo de Reflexão constituído por 7 quadros do partido a apostar em Abubacar Demba Dahaba como candidato ao cargo de Secretário Nacional. “Analisamos o perfil de todos aqueles que manifestaram intenções de concorrer e chegámos a conclusão que, para atingirmos as metas traçadas, o Grupo e posteriormente o partido, devem apostar no Abubacar Demba Dahaba.
Abel da Silva
Directoria
Ramos-Horta: "Direitos humanos continuam a ser violados na Guiné-Bissau" (Esta, presumo, é a novidade do século)
O representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na Guiné-Bissau disse hoje ao Conselho de Segurança que "a situação dos direitos humanos e da segurança na Guiné-Bissau continua a deteriorar-se, com um aumento dos casos de intimidação, ameaças e limitações à liberdade de expressão e associação, assim como a contínua interferência militar nos assuntos de Estado", declarou José Ramos-Horta.
O representante especial referiu-se ao mais recente relatório sobre a situação do país, onde se considera a possibilidade de reforçar a ECOMIB, contingente militar estacionado na Guiné-Bissau, para travar o aumento de casos de violência. Em relação ao relatório anterior, datado de agosto, o documento faz um retrato mais sombrio da situação no país, sobretudo por causa do número crescente de casos de violência e intimidação. O prémio Nobel da Paz timorense sublinhou que existe um "clima generalizado de medo criado pelo comportamento fora-da-lei das forças de defesa e segurança."
"Esse clima de medo persiste e não contribui para a realização de eleições pacíficas e credíveis", disse o político. O país, que está sob um Governo de transição desde o golpe de Estado de 12 Abril de 2012, devia ter realizado eleições gerais a 24 de novembro e terminado com o período de transição a 31 de dezembro, segundo o calendário estabelecido com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), mas o Governo de transição adiou as eleições para 16 de março de 2014.
No relatório divulgado esta semana, Ban Ki-Moon condena fortemente a morte de um cidadão nigeriano. Na sua comunicação, Ramos-Horta garantiu que "foi aberta uma investigação" sobre o caso e que "10 indivíduos foram acusados formalmente e encontram-se detidos". O relatório refere ainda os ataques de grupos armados à população de bairros de Bissau, em que um funcionário da ONU foi ferido, o apedrejamento da embaixada da Nigéria, e o espancamento de um ministro de Estado, Orlando Mendes Viegas.
Quanto a este último incidente, Ramos-Horta garantiu também ter sido aberta uma investigação e que 11 pessoas já foram interrogadas. Na conferência com o Conselho de Segurança, participou também o embaixador do Brasil junto da ONU, António de Aguiar Patriota, que confirmou a sua visita ao pais em janeiro, na qualidade de presidente da Comissão de Construção de Paz. O embaixador de Moçambique, António Gumende, foi o represente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no encontro.
"Tenho de transmitir a nossa profunda preocupação com os episódios recentes de violência e intimidação na Guiné-Bissau, que tiveram como alvos representantes da comunicação social, defensores dos direitos humanos, artistas e políticos", expressou o diplomata, sublinhando "a ausência de ações concretas para combater a impunidade" nestes casos. O embaixador da Costa do Marfim, Oussoufou Bambao, e o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros guineense Fernando Delfin da Silva também participaram na conferência.
Uns vão para a prisão...outros forçam 'amnistia' - A diferença entre Bissau e Bamako
O general Amadou Sanogo, autor do golpe de Estado de 2012 no Mali, foi interpelado no seu domicilio em Bamako, hoje, quarta feira, 27 de novembro, pelas forças de segurança malianas, anunciou o Ministério da Defesa do Mali. Varias dezenas de soldados malianos armados introduziram-se no seu domicilio e saíram pouco depois levando-o pouco depois nas traseiras de um veiculo pick-up, segundo o jornalista da AFP no local.
O antigo capitão « bombardeado » ao grau de general em agosto passado, deve ser presente ao juiz de instrução que deve ouvi-lo sobre os abusos e maltrato cometidos pelos seus homens, assim como sobre a morte de seis pessoas aquando de uma manifestação de militares em setembro. "Ele não quis se apresentar perante a justiça, e nos viemos executar o mandato que lhe fazer apresentar-se perante a justiça do pais », declarou um militar presente no local à AFP.
"Profundamente indignado"
Amadou Sanogo fora convocado em finais de outubro por um juiz de instrução de Bamako mas recusou-se sempre se fazer presente perante o juiz, provocando a reação acessa de muitos partidos e organizações da sociedade civil do Mali. há uma semana atrás, a Frente Unida para a salvaguarda da Democracia e da Republica (FDR), coligação de partidos e organizações que se opuseram ao golpe de estado, declararam-se "profundamente indignados" que o general Sanogo não se digne a responder a uma convocação da justiça.
Nos meses seguintes ao golpe de estado de 22 de março 2012 que precipitou a tomada do Norte do Mali pelos grupos jihadistas, o quartel general de Sanogo e dos seus homens, situado num campo militar perto de Bamako, foi local onde foram cometidas vários abusos, torturas e mortes de militares considerados fieis ao presidente deposto, Amadou Toumani Touré. Muitos homens políticos, jornalistas e membros da sociedade civil, afirmaram igualmente terem sido vitimas de brutalidades. Fontes: AFP et REUTERS
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