segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Reforçada segurança de membros do Governo após assalto violento
A ECOMIB, força policial e militar estacionada na Guiné-Bissau, reforçou a segurança aos membros do Governo do país, na sequência de um assalto violento a casa de um governante, na capital, disse à Lusa fonte próxima daquela estrutura.
O contingente multinacional "está a agir no seguimento do seu mandato" de proteção dos órgãos de soberania e seus representantes, referiu fonte da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que lidera a força. O reforço de segurança aconteceu na sequência um incidente verificado na última noite, no Bairro de Enterramento, periferia de Bissau, acrescentou.
Um grupo de homens, que diziam estar armados, assaltou no domingo, pelas 21:00, a casa do secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, João Bernardo Vieira, também porta-voz do PAIGC, disse à Lusa fonte da Polícia de Ordem Pública (POP). JB Vieira não estava em casa quando os assaltantes chegaram e agrediram alguns dos guardas privados, no exterior da habitação. Já no interior, fecharam familiares do governante numa das divisões e roubaram um cofre, acrescentou a mesma fonte policial.
Um comunicado da secretária de Estado dos Transportes e Comunicações acrescenta que o cofre continha apenas documentos e que os assaltantes perguntaram várias vezes pelo secretário de Estado e porta-voz do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
De acordo com o mesmo comunicado, o grupo era composto por "15 homens armados" que se faziam transportar em três viaturas.
O caso está a ser investigado pela POP e pela Polícia Judiciária da Guiné-Bissau. Lusa
PIR ainda mais rápida
O Ministério da Administração Interna ofereceu uma viatura de todo-o-terreno à Unidade de Policia de Intervenção Rápida (PIR).
Na cerimónia de entrega, que decorreu em Bissau, o secretário de Estado da Administração Interna, Luís Manuel Cabral, disse que o governo mostrou-se sensível às enormes dificuldades em termos de locomoção da força policial, «por isso a tutela fez um grande esforço financeiro» para equipar a PIR com uma Pick-Up de última geração
Por seu turno, o Comissário da Policia da Ordem Pública agradeceu o gesto da Secretaria de Estado da Administração Interna e assinalou que a viatura «vai reforçar a mobilidade operacional dos agentes de intervenção rápida, que se deparavam com enorme falta de meios». Lusa
CRISE POLÍTICA: PRS pede um "pacto de regime"
Um Pacto de regime. É esta a única saída apontada pelo Partido da Renovação Social (PRS), líder da oposição na Guiné-Bissau, para a crise política que assola o país.
A posição foi tornada publica esta segunda-feira por Florentino Pereira, secretário-geral do PRS, numa conferencia de imprensa, assistida também pelos 15 deputados do PAIGC substituídos da sua bancada parlamentar, um acto que para o PRS é ilegal.
O encontro com os jornalistas, numa unidade hoteleira de Bissau, foi ainda assistido por representantes de vários partidos extraparlamentares e foi ocasião para o secretário-geral do PRS tecer duras criticas à actuação do PAIGC e da direcção do Parlamento.
Diz o PRS que a sessão parlamentar do passado dia 28 de Janeiro, onde o programa de Governo foi aprovado, é inexistente do ponto de vista da legalidade.
O PRS pediu ao Presidente José Mário Vaz para actuar em conformidade e demitir o Governo por não ter apresentado o seu programa de acção no tempo previsto por lei.
Apenas um Pacto de Regime, fundado num amplo processo de reconciliação nacional, poderá devolver a estabilidade ao país, diz o PRS. RFI
OPINIÃO: "Pode-se e deve-se fazer mais, mais e melhor, para arrancar de uma vez por todas com uma pátria que há 42 anos patina"
Depois de duas semanas de grande turbulência, o programa do Governo de Carlos Correia acabou por passar na Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, mas os narcotraficantes latino-americanos tudo farão para que o Estado guineense continue fraco, pois só assim servirá os seus interesses.
Com muita dificuldade, o PAIGC conseguiu substituir os deputados que não haviam inicialmente respeitado a disciplina de voto; e o programa governamental foi finalmente aprovado pela sua bancada, encontrando-se ausentes da sala os deputados do Partido da Renovação Social (PRS).
O Tribunal Regional de Bissau deu razão à mesa da Assembleia, que mandara substituir os deputados rebeldes, e evitou-se assim, pelo menos para já, que o Presidente da República, José Mário Vaz, procurasse constituir um novo executivo à revelia da direcção do PAIGC, partido majoritário; ou tratasse mesmo de dissolver a Assembleia Nacional Popular, marcando umas dispendiosas eleições antecipadas.
Toda esta turbulência tem vindo a ser assacada aos meios, incluindo os associados ao narcotráfico, que preferem na África Ocidental regimes fracos, altamente instáveis, de modo a que possam proceder a toda a espécie de manigâncias, em detrimento do interesse das populações.
Na Guiné-Bissau não se combate por ideais, mas sim por interesses, muitos deles alheios ao próprio continente africano.
Cada político ou cada grupo de indivíduos procura beneficiar com os dinheiros disponibilizados pela comunidade internacional, com o abate das florestas e com as verbas inerentes ao narcotráfico que passa pela região, a caminho da Europa.
Não há princípios, nem noção de pátria, mas sim o salve-se quem puder, com uns quantos a tentarem sempre obter benefícios materiais, enriquecer, enquanto o país continua pobre, entre os 15 ou 20 mais pobres do mundo.
Sempre houve muitos erros na acção do PAIGC, conforme o reconheceu o seu próprio fundador, Amílcar Cabral, que deixou escrito que certas coisas que deveriam ter sido feitas não o foram na devida altura, ou até mesmo nunca. Se isto já era assim há 43 anos, imagine-se hoje, depois da passagem pelo poder de muitas pessoas que não tinham, nem de perto nem de longe, a honestidade de Amílcar.
Errou o PAIGC, errou o PRS, entretanto surgido, e erraram outros.
A Guiné-Bissau é um território de oportunidades perdidas, onde muitos dão mais valor aos laços étnicos e aos seus negócios do que à construção de um Estado viável, imune a pressões externas.
Os princípios definidos foram muitas vezes letra morta, de modo que, em solo guineense, o idealizado por Amílcar, e que Luís Cabral tentou levar à prática, ficou em grande parte no papel, enquanto a população continuou a sofrer.
Tem-se chamado ao PAIGC partido dos libertadores, porque conseguiu libertar o país da administração colonial portuguesa; mas não o libertou de forma alguma da miséria nem da falta de coesão nacional.
Quanto ao PRS, a segunda força partidária destas últimas décadas, é em grande parte um movimento étnico, para defender sobretudo os balanças, aos quais por vezes parece importar mais essa condição do que a de guineenses.
Só quando balanças, fulas, mandingas, manjacos, beafadas, papéis e todas as demais etnias se unirem, num grande esforço comum, ultrapassando as divergências do passado, é que a Guiné-Bissau se tornará viável e poderá realmente aproveitar as riquezas existentes no seu solo, subsolo e águas.
Enquanto isso não acontecer, aprova-se um programa de Governo mas não se consegue cumpri-lo; realizam-se eleições mas não se leva uma legislatura até ao fim; pedem-se verbas às grandes instituições internacionais e não se sabe aproveitá-las para o bem geral.
Pode-se e deve-se fazer mais, mais e melhor, para arrancar de uma vez por todas com uma pátria que há 42 anos patina, como se ainda estivesse a dar os primeiros passos. Acabem-se com os aspectos negativos de certas tradições, como a de ver sempre no outro um inimigo, um adversário a abater. Deixe-se de destilar ódio nos escritos e nas palavras.
Só quando isso for feito é que poderá haver finalmente uma Guiné-Bissau, digna desse nome, a trabalhar em uníssono, num belo rincão da África Ocidental.
Jorge Heitor, Jornalista
29 de Janeiro 2016
ASSALTO JBV/COMUNICADO PAIGC
PARTIDO AFRICANO PARA A INDEPENDÊNCIA DA GUINÉ E CABO-VERDE
SECRETARIADO NACIONAL
COMUNICADO DE IMPRENSA
O Secretariado Nacional do PAIGC recebeu a confirmação de que a residência do Camarada João Bernardo Vieira, Membro do Bureau Político do PAIGC e porta-voz do partido, foi tomada de assalto na noite passada por cerca de dez homens armados que agrediram os guardas, forçaram a entrada, violentaram a família e subtraíram vários pertences da família.
O Secretariado Nacional do PAIGC vem por esta condenar com a maior veemência tão ignóbil acto e exige das autoridades competentes a abertura de um inquérito para identificar os criminosos e traduzi-los à justiça.
O Secretariado aproveita para dar conta de que este acto surge na sequência de uma série de ameaças que têm sido proferidas contra vários dirigentes do partido e que estabelecem uma clara ligação entre a decisão de expulsão do partido dos militantes infratores do nosso Estatuto e esta tentativa de semear o medo e a perseguição dos dirigentes.
Nesta base, o PAIGC exorta os seus militantes a reforçarem a sua vigilância e determinação para lutar e vencer também nesta frente ao mesmo tempo que assegura que medidas competentes serão tomadas para responsabilizar os perpetradores e mandantes desta ação inqualificável, por tão baixo e desprezível.
O PAIGC lembra finalmente a todos os cidadãos nacionais que a conquista da liberdade e da independência custou muito sacrifício incluindo a vida de muitos dos nossos melhores filhos, pelo que hoje, não podemos nos furtar nem poupar na determinação e empenho para salvar e promover os valores da democracia e do Estado de Direito Democrático.
Viva o PAIGC!
Viva a Liberdade!
Viva a Democracia!
Bissau, 01 de fevereiro de 2016
O Secretariado Nacional do PAIGC
Aly Hijazi
Secretário Nacional
Fonte fidedigna
1 - O PR está altamente comprometido com o PRS e com o Braima Camara (ex-conselheiro do PR e deputado expulso pelo PAIGC). Alguns andam mesmo a fazer a cabeça do PR dizendo-lhe que a sua vida está em perigo, e que ele tem mesmo de derrubar o Governo.
2 - Também sabe-se que o PR pretende 'legalizar' a mesa fictícia da ANP, custe o que custar. AAS
ÚLTIMA HORA/NOTÍCIA DC/JOMAV CONVOCA DSP: O PR pediu para hoje, às 17 horas, uma reunião com o Presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, acompanhado de mais elementos do partido, tendo em vista a busca de entendimento com os 15 para se poder ultrapassar a crise. Nessa reunião estarão presentes representantes da comunidade internacional. AAS
ÚLTIMA HORA/NOTÍCIA DC: Neste preciso momento, o Presidente do Supremo Tribunal da Justiça, Paulo Sanha, acabou de entrar para uma audiência com o PR JOMAV. Segundo uma fonte da Presidência, José Mário Vaz não desarma e quer "a todo o custo" derrubar o Governo do PAIGC e empossar um governo de iniciativa presidencial, que, recorda, "não existe na nossa Constituição." AAS
EXCLUSIVO DC: Estado de medo - as imagens da crueldade


Aqui estão as tristes imagens de um dos guardas do secretário de Estado JBV, que resistiu até ser neutralizado. Foi para pegar na arma mas foram quatro para cima dele. O outro guarda foi ferido com gravidade e está em estado muito crítico, devendo ser evacuado para Dacar. O DC apurou que os dois pertenceram à guarda de segurança pessoal do presidente 'Nino' Vieira.
Fotos: DR/DC
domingo, 31 de janeiro de 2016
OPINIÃO: JBV incomoda
"JBV é visto como o braço direito de DSP, o homem de maior confiança e sucessor natural do líder do PAIGC. Um jovem que em pouco tempo conseguiu conquistar o coração dos guineenses com trabalho e realizações.
Isto tudo é inveja que tem com este rapazinho de Tchon di Pepel. Mas conhecendo o JBV, isto não o vai intimidar nem desmoralizar: vai fazê-lo mais forte.
Obrigado"
OPINIÃO: Karina Gomes - Uma Benção para a Guiné-Bissau
Sábado, 30/01/16 - Dia das Mulheres da Guiné Bissau.
"Tive o privilégio de assistir in-loco ao concerto da nossa rainha Karina Gomes, no salão Olga Cadaval na bonita sala dos espectáculos de Sintra. Confesso que fiquei deveras orgulhoso e encantado com a menina.
O cenário montado, uma organização nunca vista nos nossos habituais espectaculos (onde a desorganização e o amadorismo andam de mãos dadas), de repente pensei que estava na salão errado. Normalmente o requinte da elegância e organização, só se encontram nos salões nobres de artistas de ópera.

Este espectáculo foi uma demonstração cabal do talento que a Guiné-Bissau tem em todas áreas. Foi bonito ver a disciplina, a organização, a postura e o grande profissionalismo empregue em cada uma das músicas cantadas, o deslizar sensual do seu corpo (mesmo vestida de calça) não lhe retirou beleza/desenho do seu corpo.
Nota-se que a menina é estudiosa e investigadora da música, (aquilo que pouco dos nossos artistas fazem), a maneira doce e clássica como interpreta os clássicos dos anos 70 do José Carlos é de louvar e admirar. Onde verdadeiramente demostrou que está a anos luz, tocou TINA e em algumas músicas entrou com KORA que verdadeiramente deu outra dimensão clássica às suas músicas e que me fez compará-la a artista da dimensão mundial como a famosa Gambiana/Inglesa Sona Joabareth, Afromandinga, que está encantar o mundo com a sua guitarra/KORA.
A Karina Gomes está de parabéns, e parece preparada e merece grandes salões nobres para mostrar que existe um país pequeno no tamanho, mas grande na fama (Mama Djombo).
C. B."
EXCLUSIVO DC: Novos relatos e imagens
Foram mais de 15 homens que assaltaram esta noite a residência do secretário de Estado dos Transportes e Telecomunicações, depois de sucessivas ameaças. JBV tinha seis guardas em casa, que tentaram resistir, mas como foram apanhados desprevenidos não conseguiram pegar nas armas que tinham.
Uma testemunha garantiu ao DC que eles "tentaram resistir mas foram fortemente agredidos tendo dois sido levados ao hospital." Perguntaram a mulher com armas nas mãos "onde está o João Bernardo, o fala-barato?". Andaram pela casa toda e roubaram vários bens.


SANGUE NA NOITE/Assalto culminou com dois guardas agredidos violentamente
FOTOS: DC/DR
Um fonte disse ao DC que este 'assalto' começa a ter contornos políticos e que o roubo do cofre foi "um pretexto para dizer que eram simples ladrões. Foi tudo bem planeado."
Os assaltantes chegaram em 3 carros, por volta da 21:45. Faziam-se transportar num Toyota Prado, num Mercedes táxi e numa carrinha dupla cabine. Agora, na residência do SETC está montado um grande esquema de segurança, com 10 militares da ECOMIB e 6 da Guarda Nacional. AAS
ÚLTIMA HORA/EXCLUSIVO DC/ASSALTO E TENTATIVA DE ASSASSINATO
A residência do secretário de Estado dos Transportes e Telecomunicações, João Bernardo Vieira, foi há pouco assaltada, mas tudo indica ter-se tratado de algo ainda mais sinistro. Um grupo de cerca de 12 pessoas, todas armadas, tomou de assalto a residência do SETC, no bairro das embaixadas/traseiras do BCEAO, nos arredores de Bissau por volta das 21:45.

JOÃO BERNARDO VIEIRA, secretário de Estado dos Transportes e Telecomunicações
Agrediram os guardas, que tiveram de fugir para evitar males maiores. Como JBV não estava em casa, aterrorizaram a mulher e os filhos pequenos, e roubaram um cofre pessoal, malas, jóias entre outros artigos. A ECOMIB foi chamada ao local e vai garantir a segurança do SETC. AAS
GUIA TURÍSTICO: Guiné-Bissau a descoberto
12 de Fevereiro, é dia de lançamento do livro "Guia Turístico: À descoberta da Guiné-Bissau", escrito a 4 mãos em nome da Afectos com Letras e publicado com o apoio da UE em português, francês e inglês (com versão electrónica nestas 3 línguas + espanhol).
GUINEENSES: Promovam manifestações junto da ONU, da CEDEAO e da União Africana em Bissau (os principais entraves, ainda que ocultos, da nossa crise. A história vem já a seguir...). Escrevam palavras de ordem em dísticos, pintem o enorme muro em frente, eu sei lá, façam o que fizerem, ainda assim será pouco para defender o nosso País e a Democracia! AAS
1º guineense no curso

Cerimónia de graduação realizada no dia 29 de janeiro, no salão da Unidade Africana de Cices, em Dacar, Senegal. O estudante guineense Umaro Baldé foi um dos três melhores estudantes num universo de 212 no curso de relações internacionais. Foi primeiro estudante guineense, assim como o primeiro estrangeiro entre 19 nacionalidades.
PCA-Cabo Verde

Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, recebeu cumprimentos de Ano Novo da Plataforma das Comunidades Africanas Residentes em Cabo Verde
OPINIÃO/MANIFESTAÇÃO: "Senti-me orgulhoso, por ver germinar um sentido de cidadania de consciência e de direitos"
Ontem foi memorável. Ainda duvidei se a mobilização seria um sucesso. Mais foi. E, espero que a onda continue a crescer e a massificar-se para a construção de uma cidadania responsável e reagente face à violação persistente dos seus direitos e anseios.
Em tempos louvei a coragem e atitude do povo do Burkina Faso e, não foi por mero acaso, pois nesses exemplos e que se constroem as valências da soberania e independência de um país, em particular o nosso, forjado à custa de sangue, suor e vidas de homens, hoje reconhecidos insubstituíveis na nossa epopeia histórica.
Sempre tive essa esperança. Sentimento, de que o povo da Guiné-Bissau seria capaz de dar uma resposta positiva e consistente contra as incentivas e derivas anti democráticas a que o país está exposto nestes últimos tempos...
Não se sabe para que fins e agendas políticas.
Ontem, confesso que não fiquei desiludido, pelo contrário, senti-me orgulhoso, por ver germinar um sentido de cidadania de consciência e de direitos, sem armas, mas pleno de esperanças de que, no país de Cabral, chegou o dia em que O POVO É QUEM MAIS ORDENA.
Obrigado Povo heróico da Guine-Bissau.
Obrigado pelo exemplo de ontem, mas com votos de que seja, o inicio da era de uma cidadania responsável e participativa.
Bem hajam irmãos.
ACGB-USA
"Esta mensagem é em resposta a um artigo que li no teu blogue (AQUI), e também tenho seguido o desenrolar da situação política da Guiné-Bissau através das tuas publicações.
Lamento imenso que nesta altura em que os guineenses vivem, preocupados com a incerteza do presente e o futuro do país, certos indivíduos estão a usar a situação para se fazerem conhecidos. É o caso do indivíduo que se diz presidente da ACGB-USA.
Fui eleita Presidente da ACGB-USA em Agosto de 2015 e em Novembro do mesmo ano um pequeno grupo de descontentes, incluindo a Ex-presidente, criaram outra assembleia e assim outra eleição. Igualzinho ao que se passou recentemente em Bissau.
Ali, a divisão que se vive dentro da comunidade não tem nada a ver com a actual situação actual da Guiné-Bissau. Estamos preocupados mas o que se verifica é que dentro dessa preocupação existe e verifica-se o respeito pela opinião individual. Acho muito baixo as pessoas tentarem tirar vantagem da situação political do país para se promoverem.
Caro Aly, haverá altura propícia para voltar a abordar este assunto.
Por favor, gostaria de comunicar o seguinte: da minha parte pouco me interessa a promoção e o protagonismo, a minha preocupação é o bem estar do meu país e da sua comunidade."
Daniela Mota

Presidente da ACGB-USA"
CRISE POLÍTICA: Poder judicial ampara a Guiné-Bissau
O poder judicial está a fazer história na construção da democracia na Guiné Bissau, ao tomar as decisões mais acertadas para resolver as crises políticas que têm estado a surgir na esteira das desinteligência entre o presidente José Mário Vaz e o ex-primeiro ministro Domingos Simões Pereira.
Um braço de ferro que, por arrasto, tem também afectado o funcionamento normal do PAIGC, do Governo e da Assembleia Nacional, onde essa força política é majoritária.
A entrada em cena do poder judicial aconteceu no mês de Agosto do ano passado, quando o Supremo Tribunal de Justiça foi chamado, pela Assembleia Nacional Popular, a pronunciar-se sobre a constitucionalidade da nomeação, pelo presidente José Mário Vaz, de Baciro Dja para primeiro-ministro, na sequência da decisão de demitir, no dia 12, o Governo de Domingos Simões Pereira como resultado do acumular de uma série de divergências entre ambos.
A nomeação de Baciro Dja foi feita ao arrepio das normas legais e constitucionais, uma vez que não foi indicado pela direcção do partido vencedor das eleições legislativas, o PAIGC, que também não foi consultado sobre a matéria pelo presidente da República o qual, deste modo, além do conflito que já tinha com o seu líder, abriu um outro com a própria formação política.
Nessa altura era voz corrente em Bissau que José Mário Vaz esperava e estava confiante que teria dos membros do Supremo Tribunal de Justiça um certo temor referencial, face ao facto de estarem diante de uma situação que envolvia o mais alto magistrado do país, ele que, segundo notícias de bastidores, chegou a destratar alguns dos integrantes dessa estrutura do poder judicial.
Porém os juízes não se deixaram intimidar e, em resposta, o que o Chefe de Estado obteve foi uma demonstração de alto grau de profissionalismo e de isenção por parte do Supremo Tribunal de Justiça que, sem tibiezas, tratou de esclarecer à sociedade o espírito e a letra dos preceitos constitucionais relativamente aos factos e questões suscitadas pela actuação do presidente da República. Em conclusão, ficou evidente que o mesmo tinha trilhado um caminho completamente errado.
José Mário Vaz foi assim obrigado a recuar na sua decisão, demitindo Baciro Dja e devolvendo ao PAIGC o direito de, na qualidade de formação política vencedora das legislativas de 13 de Abril de 2014, indicar um novo primeiro-ministro. Depois de algum impasse e de cedências por parte de Domingos Simões Pereira, o PAIGC indicou o veterano Carlos Correia para primeiro-ministro, nomeado a 17 de Setembro por José Mário Vaz.
Mas nem por isso os desentendimentos terminaram, até mesmo porque na composição do Governo Carlos Correia discordou de algumas posições tomadas pelo presidente José Mário Vaz, com base em profundas divergências que existem na interpretação das competências que a Constituição confere a um e a outro órgão de soberania.
A nova situação de crise surgiu precisamente por altura da apresentação do programa do Governo do novo primeiro-ministro no Parlamento. Quinze (15) dos 57 deputados do PAIGC optaram pela abstenção e inviabilizaram, a 23 de Dezembro de 2015, a aprovação do programa do Governo que, para passar no Parlamento, precisava do voto favorável da maioria simples de 52 legisladores.
Estava instalada, de novo, a crise no seio do próprio PAIGC. O objectivo não era outro senão derrubar o Governo de Carlos Correia e retirar legitimidade ao próprio partido. Os 15 deputados evoluíram para uma posição de rebelião interna e anunciaram ir votar contra o programa de Governo na sessão parlamentar de 18 de Janeiro, juntando-se aos votos contra dos 41legisladores do Partido de Renovação Social.
O PAIGC não se fez de rogado e, fazendo jus ao que estabelecem os estatutos do partido, tratou de expulsar das suas fileiras os 15 deputados, contra os quais intentou uma acção judicial que acabou por ganhar, pois o Tribunal Regional de Bissau deu provimento à sua queixa e considerou válida a perda de mandatos dos dissidentes. E mais uma vez o poder judicial veio pôr ordem no circo.
A Assembleia Nacional Popular não tardou a agir e, no dia 28, realizou a sessão parlamentar que aprovou o programa de Governo, com 59 votos a favor, nenhuma abstenção e a ausência de todos os 41 deputados do Partido de Renovação Social.
Enquanto a sessão parlamentar decorria, o presidente José Mário Vaz encetava consultas com várias entidades do país, procurando dar a entender ser uma pessoa de consensos e que estaria a mediar uma situação onde nada tem para mediar, mas tão somente fazer cumprir a lei e a Constituição. Bizarro foi o facto de, em comunicado, ter manifestado estranheza pelo facto de o Parlamento ter reunido e aprovado o programa de Governo quando ele não tinha terminado as consultas...
O que se pode concluir, de todo este emaranhado de situações criadas, é que José Mário Vaz está, ele próprio, a enredar-se nas teias que anda a tecer, a fragilizar a instituição Presidência da República, ao ponto de diplomatas em Bissau advertirem-no para a eventualidade de se estar a expor ao ónus da crise, o que poderia evitar se promovesse a sua resolução.
Quem também fica mal no filme é o PRS, sempre pronto a embarcar nessas jogadas que visam apear do poder o PAIGC. O partido do falecido presidente Kumba Lalá vai somando derrotas e, do ponto de vista da ética política, está a ficar cada vez mais exposto e desacreditado, porque mostra não olhar a meios para subverter os resultados das eleições.
Enquanto o presidente da República vai se entretendo com esses jogos políticos, a sua imagem vai ficando cada vez mais desgastada junto da opinião pública guineense e mesmo a nível internacional, ao passo que Domingos Simões Pereira vê fortalecido o seu prestígio pessoal e o consenso que se formou em torno da sua figura.
Nomeadamente a opinião cada vez mais forte e dominante de ser um político que estava realmente a tirar os guineenses e a Guiné-Bissau do ciclo da pobreza e das intrigas inúteis. A Guiné-Bissau estava já a projectar para o mundo a imagem de um Estado a recompôr-se e apostado em fazer da unidade nacional e da democracia a bandeira para as mudanças que o povo guineense tanto anseia, depois de anos de golpes e contra-golpes de Estado que deixaram o país literalmente a sangrar.
Hoje, a imagem de José Mário Vaz está associada às forças que querem travar o progresso da Guiné-Bissau, enquanto do lado oposto estão Domingos Simões Pereira e o PAIGC.
As consequências para a Guiné-Bissau de toda essa embrulhada não poderiam ser senão as mais negativas, levando o embaixador na ONU, João Soares da Gama, a advertir que a prolongada situação de crise política no país estava a criar receios fundados entre os investidores e doadores, que congelaram a disponibilização de fundos para relançar a economia guineense.
É entendimento geral que, para evitar situações futuras do género, e que também já provocaram a paralisação de instituições em países como S. Tomé e Príncipe, quando Radique de Menezes foi presidente da República, a Guiné Bissau precisa de introduzir alterações profundas na sua Constituição. Caso contrário vai tardar a ver o progresso económico e social. Jornal de Angola
sábado, 30 de janeiro de 2016
ATENÇÃO: O dinheiro prometido pelos parceiros internacionais da Guiné-Bissau na mesa redonda que teve lugar em Bruxelas, ESTÁ no cerne desta 'CRISE POLÍTICA', assim como a auditoria internacional ao FUNPI, o TRÁFICO DE DROGAS, o DESMATAMENTO DAS NOSSAS FLORESTAS. A comunidade internacional deve permanecer atenta. Reparem nas pessoas - são as mesmas do costume, e devem ser paradas a todo o custo. Guiné-Bissau não é quintal da casa do presidente ou de quem quer que seja! Basta de medo, basta de incompetência, basta de golpes palacianos ou institucionais! Viva a estabilidade, viva a Democracia, viva a República! AAS
DIRECTO DC/MANIFESTAÇÃO: "Mas vamos todos juntos dizer não à tirania!"



"Parafraseando o Presidente dos EUA, Barack Obama, quando as pessoas vão aos EUA ficam com inveja do país que é mais para ser o que hoje é, antes de escolher a primeira figura de um país fazemo-lo com olho de lupa, por isso que tudo aqui está bem e vai continuar bem, mas nós aqui na Guiné-Bissau, infelizmente, não tivemos tempo de o fazer e saiu-nos o que nos saiu. Mas vamos todos juntos dizer não à tirania porque queremos um país como os outros para o bem do povo." DSP, presidente do PAIGC
DIRECTO DC/MANIFESTAÇÃO: "Será que é normal que um grupo de gente possa parar o desenvolvimento do nosso país?"


"Acabamos de ouvir o recado do inquilino da praça do Império - o presidente da República. Mandou-nos uma mensagem dizendo que estamos a fazer barulho, para pararmos a nossa actividade. Mas ele nem se lembrou que nós também somos inquilinos desta praça (onde fica a sede do PAIGC); mais ainda: ele nem se lembrou que quando estava buscando votos nesta praça, que também morava lá alguém, no palácio?...Mas será que é normal que um grupo de gente possa parar o desenvolvimento do nosso país?" DSP, presidente do PAIGC
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