segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CEMGFA está em Dakar, a caminho de Abidjan


O CEMGFA, general António Indjai, está em Dakar de passagem para Abidjan, na Costa do Marfim para participar na reunião dos Chefes do Estada-Maior da CEDEAO. O Mali será o tema de fundo da reunião, mas a situação na Guiné-Bissau não será descurada. António Indjai foi instalado num hotel da capital senegalesa - com tudo a expensas do governo senegalês - mas o general preferiu a pacatez da sua residência privada, onde moram os seus filhos. AAS

Na cama com o inimigo


- Serifo Nhamadjo reconhece que «país se encontra em maus lençóis»...

domingo, 5 de agosto de 2012

Carlos Gomes jr., "disponível para continuar a trabalhar"



Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau "disponível para continuar a trabalhar"
O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau reafirmou hoje estar "disponível para continuar a trabalhar" pelo país, adiantando lamentar que o trabalho já feito para o seu desenvolvimento possa ser inutilizado pela situação decorrente do golpe de Estado de 12 de abril. "Eu estou disponível para continuar a trabalhar pelo meu país, parado é que ... A vida está parada, o governo em exercício não tem poderes legais para fazer a governação (...) eu teria muita pena que se fossem degradando todos os passos que nós já demos para o desenvolvimento do nosso país", declarou Carlos Gomes Júnior aos jornalistas à margem de um encontro da comunidade guineense em Lisboa.

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Carlos Gomes Jr., usando da palavra

O também vencedor da primeira volta das eleições presidenciais indicou que regressará à Guiné-Bissau se existirem condições de segurança. "Estamos a aguardar a reunião de alto nível a ser organizada pelas Nações Unidas (a 14 de setembro). Se for decidido e entendido que deve ir uma força multinacional para a Guiné naturalmente que estão criadas condições de segurança necessárias para isso (regressar ao país)", disse. Carlos Gomes Júnior repetiu que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) "não tem condições, nem financeiras, nem tem capacidade" para conduzir sozinha o processo de transição e criticou a possibilidade de se realizarem "eleições presidenciais de raiz".

"Quem é que vai financiar uma eleição de raiz? (...) existe uma crise financeira que toda a gente conhece. (...) O financiamento de eleições de raiz vai ser muito complicado, o que quer dizer que vai prolongar esse período de transição, o que não serve ao povo da Guiné-Bissau, não serve à nossa economia", disse, considerando que se "impõe que sejam mobilizados recursos e meios para a conclusão do processo eleitoral".

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Membros do Governo deposto, o presidente da República interino, o embaixador da Guiné-Bissau e militantes do PAIGC, na Aula Magna

A CEDEAO é a única instância internacional que apoia as atuais autoridades de transição na Guiné-Bissau. Carlos Gomes Júnior interveio no encontro promovido pelo FDDD -- Fórum da Diáspora para o Diálogo e Desenvolvimento da Guiné-Bissau e quando subiu ao palco foi recebido aos gritos de "Cadongo amigo o povo está contigo". As cerca de duas centenas de pessoas presentes ouviram o primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau declarar-se "muito sensibilizado com as manifestações de solidariedade" que tem tido desde o golpe de Estado e também recordar o trabalho que desenvolveu à frente do governo.

Segundo Carlos Gomes Júnior, fez-se uma "governação de rigor", apostou-se nos cuidados básicos de saúde e conseguiu-se "uma taxa de crescimento de cinco por cento". Não faltaram as críticas à CEDEAO, que "não tem nenhuma exclusividade" para resolver os problemas na Guiné-Bissau. "Vai haver eleição e vou ser presidente guineense", declarou sob aplausos, num discurso que acabou com vivas à Guiné-Bissau e ao povo guineense. Além do primeiro-ministro, esteve também no encontro o presidente interino afastado, Raimundo Pereira, um dos signatários como Carlos Gomes Júnior de uma carta aberta dirigida à CEDEAO e preparada pelo FDDD.

O texto, resumido para os participantes no encontro, critica a mudança de posição da CEDEAO, que no início criticou o golpe de Estado, e apela aos cidadãos da África Ocidental para "denunciarem os atropelos" na Guiné-Bissau. Presente esteve também o embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Fali Embaló, que recebeu instruções das autoridades de transição em Bissau para abandonar o cargo. Aquelas autoridades comunicaram a intenção de substituir os embaixadores do país em Portugal, França e na União Europeia por três novos encarregados de negócios.

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Mais de duzentas pessoas estiveram atentas ao discurso de improviso do primeiro-ministro eleito da Guiné-Bissau

"É um `bluff`", considerou hoje Carlos Gomes Júnior, referindo que as autoridades de transição não têm poder para destituir ou nomear embaixadores. "O governo legítimo neste momento, eu sou o chefe do governo legítimo da Guiné-Bissau e qualquer embaixador para ser nomeado tem de ser por um decreto presidencial. Portanto, esse presidente de transição não tem poderes constitucionais para isso, é o chamado limite constitucional, ele não tem esses poderes, nem para nomear, nem para exonerar", disse. LUSA

Carta aberta à Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton




Hello Ms Hillary !


Recentemente em visita oficial ao Senegal, a Secretaria de Estado Norte Americana, Sra Hillary Clinton, não poupou palavras elogiosas ao pais vizinho, o Senegal. Nada de anormal se se tiver em conta que, o Senegal (possa-se gostar ou não), tem dado mostras de uma democracia estavel com ciclos de transição interessantes e estaveis (esta-se no 3°ciclo de transição democratica realizada com exito). O Senegal, efectivamente é, um exemplo de uma democracia suficientemente enraizada quer nas Instituições da Republica, quer nos partidos politicos, quer na manifestação civica dos seus cidadãos. Bravo! Um exemplo positivo para a Africa em geral e para a sub-região em particular.

Outro reverso da medalha: a Guiné-Bissau, um narco-estado, vizinho incomodativo e indesejavel. O nosso pais, foi apontada pela Sra Hillary Clinton como exemplo do mau aluno, a ovelha negra da região, foco de permanente instabilidades politico-miltar, golpes de estado, do narcotrafico e assassinatos politicos sem fim. Um pais perdido e em queda livre, tanto no aspecto economico como no plano social. Nada melhor, Sra Secretaria de Estado para ilustrar o exemplo entre o que é BOM e o que é MAU.

Perante esta apreciação oposta de dois paises aparentemente tão proximos, é bom atirar à atenção da poderosa Sra Secretaria de Estado Norte Americana, que a independência do Senegal foi obtida nos moldes que se historicamente todos nós sabemos. Uma independência sem violência nem grandes sobressaltos sociais que foi realizada na base de uma passassão administrativa faseada e fortemente condicionada pelos principios e pressupostos neocoloniais que as antigas potenciais impunham a nova vaga independentista dos anos '60 em Africa. Obtida a independência,o Senegal no plano da sua soberania funcionou directa ou inderectamente como um protectorado da França (até agora este pais mantém um contingente militar operativo significativo no Senegal eos seus serviços secretos beneficiam de assistência técnica e consultadoria da secreta francesa), sendo as suas forças armadas formadas num quadro de serviço publico, estricptamente orientada para a defesa da soberania nacional, do estado de direito e do primado da obediência aos valores republicanos. Esses indicadores basicos de qualquer democracia no mundo constituem os pilares da sua estabilidade e a razão da não existência de golpes de estado, nem convulsões assinalaveis no quadro da sua classe castrense. Mais uma vez, devemos dar a César o que é de César.

A Guiné-Bissau, como se sabe, obteve a sua independência de armas na mão, através de uma Luta Armada de Libertação Nacional de rara bravura, mas com muitas mortes e muito sofrimento. Esse tipo de independência tem os seus custos e respaldo negativo na sociedade.

Hoje a Guiné-Bissau esta agrilhoada e penhorada ao humor das Forças Armadas, oportunisticamente coladas à figura do «combatentes da liberdade da patria», titulo de descarada escolha, como se fossem eles uma élite de mutantes«imortais» gerados nos obscuros mitos e historias da Luta de Libertação que durou 11 longos anos, mas, que no entanto, ja terminou ha mais de 39 anos. Alguma desta classe de militares, que não passam de um grupo de meliantes e traficantes em armas, junta-se uma outra componente de extrema perigosidade para a coesão nacional que é a sectarização e a tribalização da sociedade castrense. Estas duas componentes desvirtuam hoje completamente a essência e a orientação do que deve ser as Forças Armadas Republicanas de um pais democratico.

Como consequência desse desastroso estado de coisas, ha quase 14 anos, assiste-se hoje na Guiné-Bissau, o dominio de uma minoria em armas sobre uma larga maioria desarmada e indefesa. Sra Hillary Clinton, o Povo da Guiné-Bissau assiste impotente o exercio gratuito e impune da violência politica e armada exercido ou manipulado por um grupo minoritario e sem quaisquer perspectivas de desenvolvimento (um grupo perigosamente sectario e essência étnica) sobre toda uma sociedade fazendo todo um pais, privando todo um povo de expressar livre e democraticamente a escolha dos seus dirigentes.

Sra Secretaria de Estado, cremos que Va Exa sabe que essa violência esta a ser impunente exercida por intermédio de milicias fortemente armadas e treinadas dentro de uma concepção tribalistas da sociedade, qual bandos armados que se acobertam do manto de «Forças Armadas». E esse, Sra Secretaria de Estado, o MAIOR PROBLEMA da Guiné-Bissau.

Sem querer tirar mérito ou tentar desmerecer aos senegaleses os elogios norte americanos, esquece-se no entanto, a Sra Hillary Clinton que - para além dessa questão subjacente às suas independências e soberania – a realidade da Guiné-Bissau é completamente diferente da do Senegal em todos es seus aspectos. Também, esses dois paises diferenciam-se radicalmente no tocante aos seus objectivos e estratégias sub-regionais, sendo que, de um lado, da parte do Senegal, existe a indisfarçavel ambição de dominação e de anexação em relação à Guiné-Bissau, na logica expansionista de tornar a Guiné-Bissau numa extensão da irredentista Casamança. É bom que a Sra Hillary saiba que, também essa indisfarçavel ambição de submeter e anexar a Guiné-Bissau por parte do Senegal (com a cobertura da França, diga-se de passagem), é também, um dos germes principais dessa instabilidade em gestação e renovação ciclica na Guiné-Bissau.

O Senegal,(contrariamente ao que muita gente não quer reconhecer), é depois das "Forças Armadas" e os seus cumplices politicos com o PRS à cabeça, o maior obsctaculo e entrave à estabilidade e o desenvolvimento na Guiné-Bissau. Quando ha estabilidade e sinais de desenvolvimento na Guiné-Bissau, ha incomodo e sobressaltos em Dakar, mexendo sobremaneira com o estado de espirito dos governantes senegaleses. O Porto das aguas profundas de Buba e o projecto de autonomização da exploração petrolifera fora do quadro da Agência de Exploração Conjunta, fez soar o sinal de alerta no Senegal.

Em termos de experiência democratica, associado aos pressupostos do paragrafo anterior, é inquestionavel que o Senegal possui, comparativamente ao nosso pais, uma experiência e mais valia democratica de mais de 50 anos (40 doPs e 12 do PSD...). O Senegal, desde a sua independência, conheceu, até à presente data, somente quatro Presidentes da Republica (L.S.Senghor, A. Diouf, A. Wade e agora M. Sall). Embora seja uma democracia minuciosamente minotorada a partir do Elyseu, não deixa, mesmo assim, de ser obra num contexto particular de exercicio da democracia, como é no continente Africano. Deve-se dar a César o que é de César...

O Senegal, para além do «proteccionismo» e «paternalismo» evidente da França - devido à sua estabilidade socio-politico-militar - tem beneficiado de ajudas externas extraordinarias em todos os sectores das suas actividades, nomeadamente economicas, financeiras (ajudas orçamentais e outros) politico, socio-culturais e, em particular nos dominios da defesa e da segurança, incluindo uma significativa fatia dos EUA. É reconhecido que estes factos contribuem preponderantemente para o enraizamento e a solidificação de qualquer democracia, seja ela no continente africano, no asiatico, no médio oriente ou mesmo no europeu.

Esses factores exógenos, são variaveis preponderantes para o enraizamento e a consolidação de quaisquer democracias e em qualquer parte do mundo. É sabido que só com ovos é que se fazem omeletes. A Guiné-Bissau ainda não conseguiu gerar a sua galinha poedeira porque nunca lhe deram tempo e ninguém ajudou-o seriamente a consegui-lo, ninguém, tão pouco o Tio Sam que hoje nos aponta o dedo como sendo os MAUS ALUNOS DA SUB-REGIAO. Em termos de assimilaçãodos pressupostos da democracia, tanto no quadro civico, como no socio-democratico, nem os EUA e muito menos o Senegal, têm algo a ensinar ao povo da Guiné-Bissau..., digo bem..., ao POVO da Guiné-Bissau, pois justiça tem que lhe ser feita.

A Guiné-Bissau abriu-se ao multipartidarismo com a realização das primeiras eleições democraticas e pluralistas em 1994. Seguiram-se varias outras eleições, tanto regulares como antecipadas e, em todas elas, sejam quais forem as circunstâncias ou contigências que o pais atravessa-se (exemplo: as eleições de 2000 apos a sangrenta guerra de 7 de junho de 1998) e, em todas elas, o POVO DA GUINE-BISSAU, sempre deu bons exemplos de maturidade democratica. O POVO DA GUINE-BISSAU, sempre mostrou a sua maturidade civica e politica, mostrando ao mundo de que sabe exercer-se em democracia de forma ordeira e pacifica, demostrando saber, sempre escolher livremente e em consciência, os seus governantes, sejam elas, para o cargo de Presidente da Republica ou para Chefia do Governo.

Porém, apesar dos varios exemplos de sentido democratico irrepreensivelmente dado pelo POVO DA GUINÉ-BISSAU, ha sempre um outro factor desiquilibrador de tendência inversa que tende a bloquear e desvirtuar o sentido democratico das suas escolhas - elas são as «FORCAS ARMADAS». Infelizmente a Guiné-Bissau tem umas «FORCAS ARMADAS» que não é mais do que uma Força de contra-poder cuja omnipresença se manifesta ciclicamente de forma anarquista, sectaria, violenta e normalmente sanguinaria. Em suma, a Guiné-Bissau, em vez de umas Forças Armadas, tem uma orda de cariz tribal, sem regras de comportamento nem de valores, senão a obediência às suas aferências étnicas ou de origem.

Alguns dos elemengos dessas «Forças Armadas» é que constituem o factor negativo n° 1 das sucessivas reversões das tendência positivas que a sociedade guineense tem dado rumo à consolidação da democracia na Guiné-Bissau. A eles, estão sempre associados um grupo de politicos reincidentemente oportunistas, sem escrupulos e muitos deles movidos por meros instintos tribais.


O POVO DA GUINE-BISSAU em si, não precisa de lições de democracia nem de reparos de quem quer que seja (mesmo de Sua Exca, Sra Secretaria de Estado Norte-Americana), pois sempre que se foi dada a oportunidade de escolher em democracia, fé-lo, ordeiramente, em consciência e de forma inequivoca... Infelizmente, no sentido inverso da vontade desse POVO, encontra-se sempre os Militares-golpistas-tribalistas que, em conluio com politicos oportunistas, seus comparsas para cercearem o sentido da legitima escolha do POVO GUINEENSE.

Posto tudo isto, gostaria humildemente de perguntar, a Sra Secretaria de Estado do todo poderoso EUA: O que é que de concrecto os EUA fizeram até hoje para atenuar essas diferenças ou inverter essa situação de anarquia e contra poder democratico que vive ciclicamente na Guiné-Bissau?;

O que foi que os EUA fizeram ou ajudaram para o projecto da reforma das «Forças Armadas» da Guiné-Bissau?;

Quais foram as medidas, eventualmente tomadas pelos EUA tendentes a dissuadir ou descartar os militares das constantes intromissões na vida politica e nos assuntos da Governação na Guiné-Bissau?;

Que apoios os EUA deram ao Governo para as FA no sentido de os persuadirem a se acantonarem as suas estritas funções da defesa do territorio nacional e não se imiscuir noutras esferas que não são das suas competências?;

O que foi que os EUA fizeram até hoje para ajudar a Guiné-Bissau a combater o narcotrafico, visivelmente fluorescente e sobejamente evidente, controlado e alimentado por alguns barões das chefias militares?;

O que é que os EUA fizeram até hoje, para deterem e traduzirem à justiça, as chefias militares guineenses indicados como estando comprovadamente envolvidos no trafico internacional de droga, os quais continuam a circular livremente e a vagar as suas ocupações de narcotrafico à vista de toda a gente?;

O que foi que os EUA fez até agora, para responsabilizar e traduzir à justiça, os autores principais das varias sublevações militares e golpes de estado na Guiné-Bissau, quem inclusivamente, os EUA nos seus varios relatorios e a propria Hillary Clinton, numa entrevista recente apontara como sendo o responsavel do assassinato do antigo Presidente João Bernardo «Nino» Vieira?;

A todas estas perguntas – poderão ser centenas – ha uma só resposta: NADA, ABSOLUTAMENTE NADA.

Sendo assim, Sra Secretaria de Estado, que moral tem os EUA para catalogar a Guiné-Bissau de MAU ALUNO, para o etiquetar de MAU EXEMPLO... Não se exige a um filho boa educação e boa conduta quando não se lhe da NADA para assim ser. Um bom pai de familia, se quer educar e tornar o seu filho um exemplo, deve antes de mais dar-lhe os instrumentos basicos de uma boa educação, dar-lhe meios para enfrentar os desafios e atingir as boas metas. A nos, os os EUA...NADA NOS DEU E EM NADA NOS AJUDOU, senão vãs promessas e exigências que se perdem no tempo e nunca mais chegam.

Em tudo isto (segundo os ecos do encontro entre a Secretaria de Estado Norte Americana e o Presidente Sall), é bom que se chame à atenção dos EUA que, caso em conluio com a França, queiram e pensem de que o problema da Guiné-Bissau, é uma simples apêndice do conflito senegalês da Casamança, e como tal, so se resolvera com a anexação ou integração do nosso pais na questão da «Grande Casamança», estão redondamente enganados e é bom que repensem a vossa estratégia.

Finalmente chego à conclusão de que, apesar de se reconhecer os EUA como a nação mais poderosa e influente no mundo actual, ela não deixa de me surpreender pela forma primaria e colegial que aborda certas questões da actualidade mundial, como é o caso da Guiné-Bissau, pais que, para além da violação permanente dos principios democraticos e dos direitos humanos em que é recorrentemente reincidente as suas «Forças Armadas», é também, apesar da sua redutora dimensão geografica, um dos maiores vectores do abastecimento da droga para os EUA e a Europa. No entanto, estou certo que, caso a Guiné-Bissau brandisse uma infima bandeirinha do extremismo islamico ou da Al-Qaida... veria à tona a paranóia norte-americana e, outro tratamento seria reservado pelos EUA à Guiné-Bissau. Porém, não longe do extremismo islamico esta também o extremismo tribal vigente na Guiné-Bissau e,... o exemplo Ruandês ainda esta fresca na memoria de todos os africanos, onde o mutismo e a complascência Francesa tem o seu quê de culpa moral.

Bem haja, poderosa Sra Secretaria de Estado dos EUA.

OP

MUDANÇA DE ATITUDE NÃO É COVARDIA


Após ao golpe de estado de 12 de Abril, do corrente ano, acho eu, que tudo está a acontecer muito rápido... A entrada da tropa da CEDEAO no nosso território, a retirada da missang, a formação do governo de transição e até a crise que se instalou na economia e, pior do que isso, nas mentes das pessoas.
 
Esta mediação ou seja, peça teatral organizada por alguns países da CEDEAO para impor os seus interesses obscuros, não só põe em causa o prestígio desta organização (arrogante e insensível ao sofrimento dos povos) mas sim, assombra o futuro de todos nós. Quando digo nós, refiro-me a sub-região e particularmente a Guiné-Bissau que se encontra mergulhada numa grave e profunda crise.
 
A organização mostrou a incapacidade de encontrar soluções para os conflitos. Perdeu o norte, e pelos vistos, deixou as coisas ao "Deus dará" e a batata quente nas mãos do governo de transição.
 
O Ministro da Presidência, Sr. Fernando Vaz, por outras palavras disse (avisou/ameaçou?) a comunidade internacional: “não nos venham dizer depois que não vos avisamos! Se por ventura, não cumprirmos as nossas promessas atempadamente por falta de verbas, a culpa será vossa...!!”  
 
Esta afirmação veio confirmar claramente que o processo de transição política na Guiné, encontra-se nitidamente debilitada e começa a apresentar sinais de impasses aparentemente difíceis de superar quer no domínio económico como no funcionamento das instituições.
 
1. Os políticos governantes da Guiné-Bissau têm muito que trabalhar para atingir os objectivos traçados, antes da data final do período de transição. Começa a escassear o tempo para que o governo ponha fim à transição política e eleja um novo Presidente da República segundo um plano apoiado pela CEDEAO.
 
Dentro desse contexto de incertezas que surgem em diferentes momentos, é oportuna e mesmo urgente, uma reflexão e análise com mais clareza das partes envolventes. É necessária a implementação dum mecanismo que conduza a uma mudança de atitudes, sob pena de se transformar numa transição prolongada, com promessas falhadas e inviabilizar todo o processo.
 
Na Guiné, o governo de transição funciona (a meio gás) com um nível baixo de eficiência. Ainda se vive na incerteza do desfecho do conflito e o problema se agrava com as dificuldades económicas, com a piora das condições humanas, aumento de tráfico de droga, corrupção e impunidade segundo a comunidade internacional.

Existe no país, o perigo de um colapso ou morte lenta pelo prolongamento indefinido de uma transição com problemas políticos internos e estruturais, que se diz inconstitucional, que não é reconhecida internacionalmente, que não é sustentável economicamente e nem é apoiado financeiramente pelos principais parceiros. Essa questão merece uma análise um pouco mais detalhada...!! Parece existir urgência em algumas correcções importantes que tem de ser feitas.

Há que se trabalhar juntos, coordenar esforços de todos os parceiros da Guiné-Bissau ( UA, UE, CPLP, E A CEDEAO) para agilizar a transição política no país, consolidar a democracia em prol do bem-estar do povo guineense e desenvolvimento do nosso país.
É bom que fique bem claro, que não sou militante nem simpatizante de nenhum partido político. O artigo é simplesmente a opinião de um poeta cidadão ou talvez de um cidadão poeta, que ama esta nação valente que o viu a nascer.

I LOVE YOU GUINÉ-BISSAU!

Londres, 4/08/12  
Vasco Barros.

sábado, 4 de agosto de 2012

Embaixador em Lisboa confirma pedido para abandonar o cargo: «Li na internet, mas estou aguardando a notificação oficial»


O embaixador da Guiné em Portugal, Fali Embaló, confirmou hoje ter recebido instruções das autoridades de transição em Bissau para se preparar para abandonar o cargo, informação que está afixada no Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense.
As autoridades de transição da Guiné-Bissau comunicaram a intenção de substituir os embaixadores do país em Portugal, França e União Europeia, por três novos encarregados de negócios.

Fali Embaló ainda não recebeu a «notificação oficial», nem tem a indicação de uma data concreta para abandonar o seu posto. Até lá, vai «desempenhando cabalmente» as suas funções, disse em declarações à agência Lusa. «Li na internet, mas estou aguardando a notificação oficial», referiu o diplomata, acrescentando que recebeu, «há um mês», das autoridades de transição guineenses, no poder desde o golpe de Estado de 12 de Abril, uma carta na qual era aconselhado a «preparar-se» para se «despedir» de Portugal.

O embaixador da Guiné em Portugal disse ter tomado «boa nota» pedindo para que fossem reunidas «as condições para o regresso ao país natal», nomeadamente a passagem de avião e a expedição de bagagem «com toda a legalidade». «Não sou nenhum ladrão», realçou em declarações à Lusa. Fali Embaló é também o representante da Guiné-Bissau junto da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que não reconheceu o golpe de Estado no país.

Sobre as razões apontadas pelo Governo de transição para a sua saída, adiantou: «Dizem que eu não pactuo com o golpe. Como não reconheci o golpe de Estado… é ridículo». Tudo isto – reconheceu o diplomata de carreira – «faz parte, são ossos do ofício de um embaixador, um general não escolhe a frente de combate». E garante: «Estou pronto para enfrentar [outras funções] lá onde eles [os dirigentes guineenses] acharem. Nasci na Guiné-Bissau, para mim é um prazer regressar ao meu país natal».

Porém, lembra Fali Embaló, «os embaixadores são apartidários» e não podem expressar simpatias partidárias. «Sou embaixador da República da Guiné-Bissau, Não sou embaixador de a, b, c ou d», sustenta. Sem se alargar em comentários políticos, o diplomata não deixa de considerar que as autoridades de transição guineenses deviam estar preocupadas com assuntos mais importantes do que «transferências» diplomáticas. «Acho que eles deviam (…) preocupar-se com outras questões, por exemplo a situação interna, os atrasos salariais…», enumera.

Este é o terceiro golpe de Estado na Guiné-Bissau que apanha Fali Embaló no estrangeiro. «Um general, quando atinge o patamar da sua carreira, não tem que temer nada», frisa. Lisboa foi o seu quarto posto, onde está nem há dois anos. Passou por Bruxelas (Bélgica), Paris (França) e Dacar (Senegal). Estudou em França e não conhecia Portugal até ser nomeado embaixador. «Gostei, no princípio tinha uma certa dificuldade, porque era mais francófono do que outra coisa, mas agora sinto mais à vontade», confessa.

O poeta Carlos Edmilson Vieira (conhecido como 'Noni'), até aqui representante da Guiné junto da UNESCO (agência da ONU para educação, ciência e cultura), deverá substituir Fali Embaló. Trabalharam juntos em Paris, mas o embaixador recusa comentar a escolha das autoridades de transição. Na sequência do golpe de Estado de 12 de Abril, Portugal decidiu retirar o embaixador da Guiné-Bissau, estando apenas representado igualmente por um encarregado de negócios. LUSA

Carlos Gomes Jr., fala sobre o golpe de Estado de 12 de abril


O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau conta como viveu o golpe de Estado que lhe tirou o poder e lhe destruiu a casa. Exige que seja feita justiça e acredita no retorno à ordem constitucional. Após o golpe de Estado de 12 de abril, Carlos Gomes Júnior concedeu uma entrevista exclusiva à DW África. O primeiro-ministro guineense deposto partilhou os momentos de bombardeamento à sua residência, durante o golpe, e as ameaças que sofreu durante a sua detenção.

Sem entrar em detalhes, Gomes Júnior responsabiliza alguns países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pela instabilidade no país. Exige que os responsáveis pelo golpe de Estado sejam chamados à justiça e afirma que está pronto para voltar, assim que estejam reunidas as condições necessárias.

Carlos Gomes Júnior vincou a sua posição em entrevista, realizada em Cabo Verde, no domingo, 29 de julho, dia em que se encontrou com cerca de 500 membros da comunidade guineense na Cidade da Praia. Já na segunda e terça-feira (30 e 31.07.2012), o chefe de executivo deposto marcou presença no Comité África da Internacional Socialista, na qualidade de presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

DW África: Como é que viveu aqueles momentos do dia do golpe de Estado, 12 de abril?

Carlos Gomes Júnior (CGJ): Falando com sinceridade, devo dizer que foram momentos muito dramáticos. Felizmente, consegui ultrapassar. A grande onda de solidariedade de pessoas amigas, familiares, do estrangeiro, da juventude, militantes e da direção do PAIGC, fez-me voltar a ganhar confiança para prosseguir a luta. A quem é que serve esta instabilidade para o país voltar à estaca zero? Falo com toda a sinceridade, se nós não voltarmos a pôr cobro a este tipo de comportamento, quiçá penalizar os autores, como a comunidade internacional está a começar a fazer agora, a Guiné-Bissau nunca mais sairá deste marasmo.

DW África: Aquando do bombardeamento estava em sua casa?

CGJ: Sim. Quando me alertaram [para o golpe] estava no partido. Viram-se carros com militares e carros civis. Estavam à minha espera. Ainda saí do partido, fui a casa do comandante Manuel Saturnino Costa, depois fui para casa. Mal entrei em casa, começou o bombardeamento com rajadas. Depois de dominarem a minha segurança, começaram os bombardeamentos com morteiros, com bazucas. Para prender um primeiro-ministro é preciso todo esse aparato? Então, já havia planos bem delineados da eliminação física do primeiro-ministro.

Mesmo assim, eu podia ir para uma embaixada. Imagine que eu ia para a embaixada de Angola. Eles iam, certamente, tentar tirar-me da embaixada. Iria haver reação, mortes, amanhã iriam dizer, como tentaram dizer, que Carlos Gomes trouxe tropas de Angola para o proteger. Não, eu sou um cidadão comum. Sou pessoa de bem, todas as pessoas me conhecem pelo meu trabalho, tanto ao nível empresarial como político. Eu não sou violento, ninguém me conhece por ser violento, embora haja toda uma campanha para me porem o rótulo de matador.

DW África: Circulam também informações contraditórias de que terão sido elementos do general António Indjai, Chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, que o levaram para sua segurança ou então de que o levaram para o prender.

CGJ: O que eu sei é que eles me prenderam e me disseram para os acompanhar. Puseram-me sentado no chão, depois levaram-me para S. Vicente. A minha mulher foi levada para o quartel d’Amura. A minha casa ficou totalmente danificada. Saquearam completamente a minha casa. O mobiliário que não conseguiram abrir foi aberto a tiro. Está filmado e fotografado. Em todo o país democrático tem de haver justiça e todos esses atos eu vou trazê-los à justiça. Eu vou exigir que essa gente seja trazida à justiça.
Nós não podemos ter uma força de segurança, umas Forças Armadas, para proteger o Presidente da República, proteger o primeiro-ministro com todo o aparato e, de um dia para o outro, resolvem bombardear e saquear tudo. Em nome de quê? Em nome da lei? Que lei? Não é possível continuarmos nesta onda de violência.

DW África: A sua esposa foi depois levada para casa novamente? No dia seguinte ao golpe de Estado foi vista de manhã cedo em casa.

CGJ: Ela foi levada para casa naquela noite [de 12 de abril]. Mesmo em frente dela roubaram-lhe coisas, a carteira com dinheiro e documentos. Puseram-na sentada numa cadeira a ver a sua casa ser delapidada. E, como sabe, a minha mulher é cônsul honorária de Cabo Verde. Nem aí as pessoas perceberam a irresponsabilidade do seu ato. Foram ao escritório, com a bandeira de Cabo Verde, onde ela trabalha, e saquearam o cofre, saquearam tudo.

DW África: Porque é que não se preveniu sabendo que um golpe poderia acontecer a qualquer momento na Guiné-Bissau? Creio até que a segurança do Estado já lhe tinha dado o alerta.

CGJ: Sim. Mas eu decidi, de uma vez por todas, mesmo que me custasse a vida, que eu não iria para embaixada nenhuma. Portanto, eu preferi ficar para que o mundo testemunhasse, de facto, que aquilo a que nós apelamos, ou seja, a reforma no sector de Defesa e Segurança, é uma necessidade urgente da Guiné-Bissau. Caso contrário, os investidores estão a deitar dinheiro à rua, porque estão a fazer investimentos que amanhã não terão retorno, pois vão entrar num país instável. E nós queremos provar aos investidores que a Guiné-Bissau tem potencialidades. Isso é que fez com que Angola concedesse a  linha de crédito para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Não é só para a reforma do sector de Defesa e Segurança, havia linhas de crédito para o setor privado. Infelizmente foi tudo deitado por água abaixo.

DW África: Como é que vê a atual situação na Guiné-Bissau? Que informações tem da Guiné neste momento?

CGJ: Eu quase todos os dias falo com a direção do partido (PAIGC). Quero aproveitar para os felicitar, encorajar a nossa juventude pela resistência que tem feito para o retorno à ordem constitucional. Não vale a pena fazer-se uma campanha, correndo todo o país, mobilizando a população, militantes, garantindo dias melhores, a execução de um programa de governação que vá trazer mudanças na vida dos seus familiares. Valerá a pena para, daí a dois ou três dias, se tirar o partido que ganhou as eleições para se pôr um partido da oposição, com a conivência das próprias Forças Armadas. Porquê?

DW África: A partir do golpe de Estado começaram as divergências com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO. A que se devem essas divergências?

CGJ: Não é só a CEDEAO. É meia dúzia de países da organização regional que, usando abusivamente o nome da CEDEAO, fizeram este golpe de Estado, com a conivência dos nossos militares. Há países que não se sentem à vontade de ver a Guiné-Bissau a desenvolver-se. Porque nós conseguimos, com a nossa governação, provar à comunidade internacional que a Guiné é viável. O porto de Buba já era uma realidade. O Presidente [angolano] José Eduardo dos Santos e o governo empenharam-se, diretamente, para a viabilização do projeto ainda este ano. O porto de Buba iria representar emprego para mais de três mil jovens, ia garantir escoamento de produtos porque iria ter capacidade de receção de navios até 240 mil toneladas. Seria um porto que seria concorrente direto do porto de Dacar [Senegal]. Iria ter linhas de caminho de ferro que faria Buba, Guiné-Conacri e Mali.

Já recebemos a visita do primeiro-ministro [cabo-verdiano] José Maria Neves, em que mostramos as potencialidades em nos podermos ligar a empresários de Cabo Verde, de se criar um parque industrial em Buba, com parcerias com o Brasil, Portugal, e também com empresários angolanos que estavam interessados, para importar produtos, exportar para os países limítrofes. E tentar também exportar produtos da Guiné-Bissau. Havia já empresas brasileiras que já estavam interessadas em transformar as nossas frutas em calda para exportação. Havia toda uma perpetiva de emprego, sobretudo de emprego jovem. Portanto, nós pensamos que os dirigentes da Guiné-Bissau têm que parar com esta política de baixo nível. Brincam com o sentimento das pessoas, dos familiares. Veja o caso de Roberto Cacheu [deputado do PAIGC que está desaparecido], de quem não se sabe o paradeiro desde o dia 26 de abril. Inventaram histórias de que o Carlos Gomes é que ordenou. Dois dias depois, apareceu no "Expresso Bissau" um relato, talvez da parte verídica da história. E, há dias, houve uma cena rocambolesca em que disseram que foram cavar uma sepultura que diziam ser de Roberto Cacheu, para não encontrarem nada.

DW África: E qual a sua versão sobre o que aconteceu ao deputado desaparecido do PAIGC Roberto Cacheu?

CGJ: Ninguém sabe. Porque se mataram tem que se ver o corpo. Nós ouvimos as declarações dos responsáveis militares de que era um golpe de Estado. Estavam militares presos. E porque é que não falaram desse caso? Só depois de dois, três meses do golpe de Estado, agora é que vão ter a versão definitiva para explicar, quando garantiam a todos que estava no seminário de padres? Agora esses políticos, que não têm nem sequer um deputado no Parlamento, é que são os detentores da verdade? Estamos à espera. Pensamos que o povo da Guiné é um povo maduro, não se vai deixar enganar facilmente. Vamos aguardar, pois a justiça tem o seu fórum próprio.

DW África: No encontro com a comunidade guineense em Cabo Verde, no dia 29 de julho, disse que não mandou bombardear a casa de Roberto Cacheu. Pode-se entender que é uma crítica ao general António Indjai, Chefe das Forças Armadas guineenses?

CGJ: Eu não chamo o nome de ninguém. Como disse, o povo da Guiné é um povo maduro. Penso que a justiça e a investigação têm os seus fóruns próprios. Deixemos a justiça trabalhar. Um dia há-de saber-se a verdade. Um dia, os familiares, os amigos hão-de saber quem é que está a fazer barbaridade na Guiné-Bissau. Por isso é que enviamos uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, solicitando a instalação de um tribunal ad hoc para julgar todos os crimes de sangue cometidos na Guiné-Bissau.

DW África: Após o golpe de Estado, seguiu de Bissau, juntamente com o Presidente Raimundo Pereira para Abidjan, na Costa do Marfim. As informações que circularam é de que estaria numa espécie de prisão domiciliária. Confirma?

CGJ: Não é o momento de a gente, talvez, relatar isso. Há-de chegar um dia em que vamos contar a nossa história.

DW África: Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU anunciou que o narcotráfico aumentou, na Guiné-Bissau, depois de 12 de abril. Acha que o golpe de Estado teve ligações ao mundo da droga?

CGJ: Quando fomos afastados do poder pelos militares, a 12 de abril, pensamos que a Guiné-Bissau era já vista com um certo respeito pelos seus parceiros. Agora se há aumento de criminalidade, a CEDEAO, que declarou tolerância zero, que assuma a responsabilidade.

DW África: Até 12 de abril, data do golpe de Estado, como eram a suas relações com o general António Indjai, Chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau?

CGJ: Sempre tivemos um bom relacionamento. É alguém que sempre declarou que nunca daria mais um golpe de Estado, que seria fiel ao governo legitimamente eleito. Portanto, quando chamaram o nome dele, de que estaria a chefiar o golpe de Estado, para mim foi uma surpresa.

DW África: Soube do nome de António Indjai ainda na prisão ou já depois de ter saído?

CGJ: Ainda na prisão já se ouvia falar do nome dele. Porque, de facto, não é normal que toda a chefia do Estado Maior das Forças Armadas se tivesse mantido. Portanto, isso foi um plano muito bem orquestrado.

DW África: Na prisão não foi mal tratado?

CGJ: Penso que não é um lugar condigno para um primeiro-ministro nem para um Presidente da República, mas não podemos dizer que fomos mal tratados. Mas houve situações um bocado preocupantes durante a nossa detenção, com sérias ameaças à nossa integridade física.

DW África: Ameaças do tipo de que teria de assinar a renúncia?

CGJ: Do género de assinar a renúncia, de o Presidente da República dar autorização para as Forças Armadas entrarem na Guiné-Bissau, o que nunca aceitamos e não assinamos documento nenhum.

DW África: E a suas relações com o anterior Presidente guineense Malam Bacai Sanhá?

CGJ: Nós somos pessoas de bem, nós respeitamos sempre os mais velhos. Apesar das nossas contradições políticas, houve sempre um relacionamento de respeito. Até à sua morte [em dezembro de 2011], toda a assistência que pude dar, enquanto chefe de governo, dei-lhe assim como à sua família. É uma profunda dor o seu desaparecimento físico, porque penso que, apesar das contrariedades, discutia-se e tomava-se decisão.

DW África: E como é que compreende que os principais colaboradores do anterior Presidente Malam Bacai Sanhá tenham apoiado, durante as eleições presidencias, o candidato Serifo Nhamadjo? Até mesmo familiares de Malam Bacai Sanhá estão agora com Serifo Nhamadjo.

CGJ: Eu penso que isso são ainda reflexos do Congresso de Gabu. Penso que um político deve saber ganhar e perder. É caricato que o próprio Serifo Nhamadjo, que era o presidente da comissão da verdade e reconciliação a nível do parlamento da Guiné-Bissau, pensávamos que, de facto, era uma pessoa que estava a trabalhar pela reconciliação da família guineense. Estranhamente vêmo-lo hoje numa outra barricada.

DW África: E quanto ao seu regresso à Guiné-Bissau?

CGJ: Nem que seja amanhã. Eu estou a trabalhar para que a comunidade internacional assuma a sua responsabilidade perante o povo da Guiné-Bissau.

DW África: Está à espera então que as condições sejam criadas para poder regressar?

CGJ: Sou homem, não tenho medo seja de quem for. Quando jurei servir o país, servir a memória de Amílcar Cabral [político guineense que esteve envolvido na fundação do PAIGC], jurei do fundo do coração. E não há nenhum homem que me possa fazer frente. Eu estou pronto a ir à segunda volta [das eleições presidenciais] para que, de facto, (...) se possa concluir o ciclo eleitoral [interrompido com o golpe de Estado].

DW África: Regressa ainda este ano de 2012 à Guiné-Bissau?

CGJ: Assim que forem criadas condições pela CNE (Comissão Nacional de Eleições), assim que as Nações Unidas conseguirem criar condições para uma força multinacional com a participação de todos os parceiros da Guiné-Bissau. Eu, Carlos Gomes Júnior, jurei servir o meu país. Nem que isso me leve à morte, eu vou servir o meu país.

DW África: Isso quer dizer então um regresso à situação constitucional na Guiné-Bissau entes de 12 de abril?

CGJ: A CEDEAO garantiu que transição é por um ano, esperemos que assim seja. Já se passaram mais de três meses e eu não estou a ver nada a evoluir nesse sentido. Mas, pelas decisões que têm sido tomadas no Conselho de Segurança, estamos convencidos de que as coisas vão mudar.

Fonte: Deutsche Welle

Autor: Nélio dos Santos (Cidade da Praia)
Edição: Glória Sousa/Madalena Sampaio

Resposta a Eduardo Jaló – Uma Reflexão Patriótica


 
"Após a primeira reflexão política e de análise das contas públicas, e de uma segunda reflexão sobre a administração pública, escreve agora Eduardo Jaló sobre uma análise económica comparando a CPLP e a CEDEAO.

Para o efeito Eduardo Jaló teve a preocupação de fazer o trabalho de casa através da compilação de informação de diversos organismos internacionais e coligir dados económicos dos vários países que compõem estas organizações a CEDEAO e a CPLP. Pela sua exposição depreende-se que a CPLP, através dos países que a integram obtêm melhores resultados, tendo apenas em consideração os países africanos, excluindo Cabo Verde e a Guiné Bissau que pertencem às duas organizações.

Estas minhas palavras dirigidas a Eduardo Jaló são para na sua quarta reflexão ele analisar a parte social do relacionamento destas duas organizações, permitindo-me recordar umas palavras recentes do actual primeiro ministro de São Tomé Patrice Trovoada que numa entrevista afirmou e passo a citar: “Estávamos em Conacri e, na altura, os movimentos nacionalistas das ex-colónias portuguesas eram uma única família. Dizia que o meu pai é o meu pai e que os meus tios eram Lúcio Lara, Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Marcelino dos Santos.” Bonitas palavras, pois se eram todos tios, na realidade eram irmãos.

O que eu quero acrescentar a todas as opiniões sobre a problemática da Guiné Bissau é que para haver uma solução definitiva e duradoura para a Guiné Bissau, ela passa pela resolução do conflito da Casamansa, que é um dos muitos problemas africanos, devido às fronteiras criadas pelos antigos países colonizadores. O estado do Sudão do Sul foi só o início desta problemática.

Recordo que na costa atlântica de África apenas quatro países têm como fronteiras o seu espaço linguístico colonial, no fundo um bem que permite criar uma unidade nação, são eles, de norte para sul, a Gâmbia, a Guiné Bissau, a Guiné Equatorial e Angola.
Por fim só quero acrescentar que a CPLP só será aquilo que os países do Hemisfério Sul pretendam o que ela seja. Melhores cumprimentos.

Baiadalusofonia.blogspot.com"

Guiné-Bissau: uma reflexão patriótica – Parte 3


CEDEAO vs CPLP? Eis a questão! Será?
 
A crise politica que se vive neste momento no país levantou discussão sobre o papel/importância da CPLP (Comunidade dos Países de Língua oficial Portuguesa) e da CEDEAO (Comunidade dos Estados de Africa Ocidental) no passado e sobretudo no presente e futuro da Guiné Bissau.
 
O tema tem levado a vários debates, discussões, perplexidades e comentários que foram e teem sido expostos em todos os quadrantes no país e na diaspora entre outros. Até houve da parte de quem neste momento dirige os destinos do país comentários do tipo " CPLP está num beco sem saída ", houve ainda quem pusesse em causa a continuidade da GB nesta organização, entre outros. Mas também houve quem tivesse a humildade de pedir diálogo, cooperação e compreensão à CPLP.
 
Perante todos cenários, dei me ao trabalho de fazer uma reflexão com o objectivo de comparar estes 2 blocos (CPLP e CEDEAO) em relação a 2 indicadores a saber: Crescimento económico e PIB per capita (total da riqueza produzida a dividir pelo nº de habitantes). Esta comparação poderá, por um lado esclarecer a opinião pública e não só, sobre a realidade nos 2 blocos e por outro lado, ajudar a quem de direito (sei que sabem, percebem e veem o que todos sabemos, percebemos e vemos) na elaboração dos planos de orientação estratégica do desenvolvimento económico da Guiné Bissau.
 
Em termos de crescimento economico e PIB per capita, a comparação é feita tendo em conta quatro (4) aspectos: 1 - Cabo verde faz parte dos 2 blocos e por isso entra no cálculo da média dos 2 blocos garantindo por isso um efeito neutral; 2 - A Guiné Bissau não entra no cálculo da média dos 2 blocos; 3 – houve o cuidado de expurgar o efeito dos não PALOPs (Brasil, Portugal e Timor Leste), centrando a análise nos PALOPs (Países Africanos de Lingua oficial Portuguesa), permitindo uma comparação mais objectiva. 4 – O periodo de análise é o compreendido entre os anos 2003 /2011 (últimos 9 anos).
 
A)- Em termos de crescimento económico, de acordo com dados oficiais, a zona CEDEAO, teve uma média de crescimento real do PIB no periodo em causa de 4,48%, enquanto a zona CPLP teve uma média de 5,51%. Expurgando o efeito dos não PALOPs temos uma média de 6,67%. No mesmo periodo a média de crescimento do continente Africano foi de 5,2%, inferior em 1,47% da média dos PALOPs mas superior em 0,72% à média da Zona CEDEAO.
B) – O PIB per capita na Zona CEDEAO é de 2.754 $ (USD), enquanto na Zona CPLP é de 6.364 $, portanto mais do dobro. Limitando os calculos aos PALOPs, podemos constatar que o valor atinge os 3.437 $. Em África, o PIB per capita é de 3.025 $. Aí podemos constatar que o PIB per capita nos PALOPs supera o do continente em 411,55$ e da zona CEDEAO em 682,57$, sendo que há uma diferença brutal se compararmos o indicador nos dois blocos CPLP/CEDEAO (3.610$).
 
Ademais, em termos de cooperação Sul-Sul, os principais doadores da Guiné- Bissau nos ultimos anos tem sido a Angola, Brasil e China sendo que essa traduz se no financiamento de projectos de infra-estrutura, e assistência técnica de diversa ordem totalizando mais de 20% do PIB do país.
 
Com tudo isso podemos concluir que estratégicamente, o nosso desenvolvimento tem que passar pela aposta e reforço da cooperação no seio da CPLP, sem pôr de parte a cooperação com os vizinhos da CEDEAO, porquanto pertencemos a mesma união monetária (UEMOA). O paradigma tem que mudar focalizando-o em países como Angola, Portugal, Brasil e Moçambique, sem negligenciar o exemplo de boa governação de Cabo verde.
 
Angola, sendo o segundo maior exportador de petróleo em África a seguir á Nigeria, tem tido crescimento na ordem dos 2 digitos nos ultinos 10 anos e tem alargado a sua àrea de influência a todo o continente. Segundo um relatório recente do "Economist Inteligence Unit", a Angola deverá ultrapassar até 2016, a África do Sul, actualmente a maior economia do continente.
 
Quanto ao Brasil, temos o privilégio de pertencer a uma comunidade que tem um dos paises que faz parte do G20, e dos países que faz parte dos chamados emergentes ou seja BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul) com os beneficios daí subjacentes sem esquecer a afinidade linguistica que há.
 
Portugal, além dos laços históricos, culturais e linguísticos, é um interlocutor privilegiado junto da União Europeia, um dos maiores parceiros económicos da Guiné Bissau. Apesar da crise e de estar debaixo de assistência económica e financeira, tem dado provas de apoio total a todos os esforços de consolidação da paz e desenvolvimento do País.
 
No seio da CEDEAO, podemos destacar 2 paises (as 2 economias mais poderosas) a saber: a Nigéria e a Costa de Marfim. O 1º, apesar de ser o maior produtor de petróleo de África e ser uma grande economia, está megulhado numa profunda crise estrutural, politica e social por via dos problemas causados pelo fundamentalismo islamico/guerra entre religiões do BOKO HARAM e não só, com reflexo na coesão social do país. Por isso, a Guiné Bissau nunca seria uma prioridade para a Nigéria. A Costa de Marfim também se depara com guerras tribais, resquícios da luta entre facções rivais (pró Ouatará e pro Gbabo), tendo causado milhares de mortes nos ultimos anos e que está a minar o desenvolvimento deste país. Resumindo e concluindo, instabilidade no seio da sub-região com efeitos na Guiné Bissau.
 
Pelo atrás exposto, julgo ser razoável apelar ao bom senso de quem de direito para que seja estabelecido um plano a longo médio/prazo inclusivo (CPLP- CEDEAO), mas direccionado para a consolidação da nossa presença na CPLP, bem como ao reforço da cooperação com os países que fazem parte dela.
 
PS: eu, lusófono me confesso…
 
Fonte dos dados: FMI, Banco Mundial, OCDE, EUROSTAT, Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), PORDATA, African economic Outlook, Economist Inteligence Unit etc

Eduardo Jaló
Licenciado em Gestão e Administração Pública
Técnico Superior na AT

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Movimentações diplomáticas


NOMEADOS: Dakar (Senegal), Idrissa Embaló; Lisboa (Portugal), Noni Vieira; Encarregado de Negócios Paris (França), Dino Seidi; Encarregado de Negócios Banjul (Gâmbia), Bailo Cassamá; Encarregado de Negócios Conacry (Guiné-Conacry), Seco Seidi.

Como se pode reparar, não foram nomeados novos embaixadores para os postos de Lisboa e Paris, fruto do não reconhecimento por parte da União Europeia, das autoridades de Bissau. AAS