sábado, 14 de março de 2009

E esta, hein?

Não lembra ao próprio diabo! Então não é que o Estado-Maior General das Forças Armadas guineense, depois do massacre do dia 1, lembrou-se de tirar partido - mórbido, da 'coisa'?

Assim, hoje e amanhã, domingo, quem quiser pode ver com os seus próprios olhos o lugar da chacina, ou, se preferirem, onde foi assassinado à bomba o CEMGFA Tagme Na Waié.

Mas como não há bela sem senão, a tropa esqueceu-se do essencial: cobrar bilhetes!!! Então, quem vai reconstruir o Estado-Maior? O Governo, que está sob refém do empresário Cadogo e do Lúcio e do Artur? A CEDEAO, que não quis proteger 'Nino' Vieira? O Khadafi, que está moribundo?

A 1000 paus a entrada, ainda podia-se ensinar aos visitantes a arte de montar e fazer deflagrar bombas. Lá está: estamos como estamos porque ainda não aprendemos como fazer render as coisas...

Porém, como sempre, tinham de nos enganar: prometem "garantir a segurança a todos os visitantes". N'ka fia dê! AAS

sexta-feira, 13 de março de 2009

Discurso do PR 'Nino', onde falava de (falta de) Segurança...

Haja segurança para proteger Khadafi! Convém recordar o discurso do malogrado Presidente da República da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, onde falou da sua segurança, ou, melhor, da falta dela tendo solicitado protecção à UA:

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Excelência Senhor Blaise Compaore, Presidente em Exercício da CEDEAO

Excelências Senhores Presidentes e Caros Irmãos,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,


(...) A 35ª Cimeira de Chefes de Estados e de Governo, também está confrontada com questões que se prendem com o reforço da paz e de segurança ao nível sub-regional.

Efectivamente, regista-se uma melhoria no quadro político na região com a consolidação democrática, isto apesar da crise que afecta a nossa juventude, em matéria de formação, emprego e emigração ilegal que, conjuntamente com a problemática do abuso e tráfico de droga, constituem uma ameaça velada à sobrevivência e funcionamento das nossas sociedades e das nossas instituições.

Daí, exorto a Comunidade para unir esforços, neste combate sem tréguas porque são males que ameaçam os nossos Estados e as nossas populações.

Excelências, Senhores Chefes de Estado e Caros Irmãos,

O meu país sofreu um rude golpe no passado dia 23 de Novembro, com a tentativa de assassinato do seu Presidente da Republica, democraticamente eleito.

De recordar que tudo se passou, após umas eleições que foram consideradas quer nacional, quer internacionalmente, como um sucesso.

Pelo que, este acto, perpetrado em pleno século XX, só pode ser qualificado como um acto bárbaro, que merece a nossa condenação e repúdio.

Agradeço profundamente todo o empenho e solidariedade manifestada pela Comunidade, quer com a condenação, quer pela missão ao mais alto nível que se deslocou a Bissau.

Na verdade, e apesar da estabilidade aparente que vivemos até o dia 23 de Novembro, as nossas preocupações continuam a ser enormes, designadamente no que diz respeito às forças de defesa e Segurança.

Temos um exército altamente politizado e desequilibrado na perspectiva étnica, tornando assim no maior obstáculo à Paz, a estabilidade e uma verdadeira ameaça à cultura democrática na Guiné-Bissau.

Não é salutar nem aceitável tal estado de coisas. Daí que a questão da reforma do sector de defesa e segurança nos afigura como de absoluta necessidade.

Sem embargo desta constatação, o país espera da comunidade uma solidariedade efectiva através da criação de uma força de estabilização, capaz de garantir não só a segurança do Presidente da República e das Instituições democráticas, como o pleno sucesso da reforma do sector de defesa e segurança em curso.

Excelências,

Para concluir, quero registar e incentivar as recomendações relativas às medidas que reforcem o aparelho de segurança, bem como, o acelerar da reforma do sector de defesa e segurança com um plano de acção de curto prazo, que servirá de base para uma conferência de doadores.

Estou certo de que, com o empenho, a solidariedade e coordenação de esforços de todos os Estados Membros, venceremos os desafios que nos são colocados.

Muito Obrigado.

Surpreendido...

«Até hoje, nunca realmente compreendi muito bem o meu amigo Aly - nunca me tinha tocado a mim.

Na realidade, hoje precebo um pouco melhor a tua 'démarche'. Alguém tem de fazer o que tu fazes para que em momentos e casos em que a injustiça é desproporcional relativamente a todos os outros aspectos da nossa vida, alguém ponha as nossas vozes em megafones e nos faça sentir um pouco melhor conosco, com a vida e com a humanidade.

Trata-se na realidade de uma opção devida - todos nós as fazemos e normalmente ainda muito novos. A nossa personalidade, com os défices e potencialidades, enfim com a sua humanidade é quem acaba por comandar essas opções.

Tudo para dizer que deves ser louco ou um pouco esquizofrénico para teres feito a opção que fizeste ainda jovem - pena e tristeza para a tua família, sobretudo para o teu filho. Essa desgraça dos teus acaba por ser a nossa sorte em momentos como esses que hoje vivemos e que acabas por nos fazer viver em comunidade e juntos - mesmo com os teus desiquilibrios e desvios, humano e subjectivo que és e adoras ser.

De forma assumidamente egoísta, peço ao teu filho que me perdoe, peço-te que continues a fazer o teu trabalho - que no teu caso nem de perto nem de longe é emprego ou trabalho.

Um abraço e coragem - pois sei que para certas pessoas está a ser mesmo difícil.

R.
»

A realidade assusta

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Os dois primeiros dias de Março foram-nos madrastas. Talvez não devamos, de agora em diante, esperar uma só batalha, mas uma campanha prolongada que pode ser terrível. Temos atravessado momentos muito difíceis, incorremos em erros desnecessários. E se um dia surgir aqui uma guerra, não é que ela nos tenha sido imposta. Não será certamente por nos terem posto numa situação em que nos rendamos ou entramos na guerra; então, haverá guerra porque nós mesmos nos impusemos a guerra.

Hoje, muitos já pensam em como será o amanhã. Alguns crêem apenas que nós sómos o que somos. Mas só nós sabemos o que somos, só nós podemos julgar-nos e podem crer que assim é. Só assim pode ser. Devemos vigiar-nos muito a nós próprios. Aqui, travamos uma luta contra os instintos.

Vejo algo de frequente: a influência, o poder. E vejo os homens. Os homens quando têm um pouco de poder envaidecem-se e querem-no usar à vista de todos. Porque sei isso, tenho de lutar. E sei também que enquanto os anos passam, é possível não ter menos entusiasmo mas até mais. Não menos energia, mas até mais – e essa energia nasce, precisamente, da convicção.

George Orwell escreveu, em tempos: “Não está em questão se a guerra é ou não real. A vitória não é possível. A guerra não existe para ser vencida, existe para ser contínua. E o seu objectivo é manter intacta a própria estrutura da sociedade.

Hoje, devíamos lamentar simplesmente que falhamos. E que o mal que fizémos e fazemos é a nós mesmos. Mas não. Parecemos cegos numa sala cheia de surdos. Quanto, a mim: Gosto dos factos, não me interessa a glória. AAS

P.S. - Amigos meus foram chamados ao Estado-Maior General das Forças Armadas. Foram humilhados e ameaçados. Ainda não me chamaram, mas estou excitado. AAS