quinta-feira, 14 de março de 2013
Guiné-Bissau à espera do roteiro político
Enquanto a comunidade internacional aguarda com impaciência uma proposta nacional de retorno do país à legalidade, as forças políticas guineenses não se entendem sobre quem deve fazer o quê e quando. Visitas de diversas delegações de organizações financeiras multilaterais sucederam-se em fevereiro na capital guineense, dando a impressão que Bissau se tornou novamente frequentável, o que na verdade é mera aparência. Na realidade, o país permanece instável e os militares e seus aliados políticos continuam avessos à partilha do poder conquistado pela força há cerca de um ano.
E não faltaram também os habituais episódios de espancamento e detenções, com a diferença de que desta vez as vítimas das brutalidades castrenses foram alguns dos homens de mão e elementos da guarda do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai. Na arena política, a perspetiva de constituição de um Governo de consenso alargado, que iria melhorar as relações das autoridades com os parceiros externos, criou o pânico em alguns círculos instalados no aparelho do Estado, e levou ao reacender das hostilidades e ao atraso na criação de consensos para tirar o país de mais uma transição.
As eleições gerais que deviam restabelecer o processo democrático já não serão em maio e, de reunião em reunião, já se admite que possam ocorrer daqui a três anos, como preferem os militares, que continuam a mover os cordelinhos. E a Comissão Nacional de Eleições (CNE) permanece sem presidente desde outubro, situação que se espera ultrapassar ainda este mês. Contudo, o maior golpe no processo de normalização institucional é a tentativa de instituir um Conselho Nacional de Transição, o Parlamento de transição, que já tinha sido chumbado, até pela complacente CEDEAO. Os seus proponentes apelidaram-no de Comissão Multipartidária e Social de Transição, e teria atribuições e privilégios equivalentes aos da Assembleia Nacional. África 21
As nossas mulheres também podem!
Tomei a liberdade de redigir este pequeno texto com o simples propósito de contar uma pequena história daquelas que tanta falta fazem, quando se fala dos guineenses e da Guiné-Bissau, ou mesmo quando os próprios guineenses se referem uns aos outros – CAPACIDADE ORGANIZATIVA, SOLIDARIEDADE E NOBREZA DE ESPÍRITO:
No passado dia 10 deste mês, desafiando o pessimismo generalizado, que se faz sentir no seio da nossa Comunidade, devido a grave crise económica que afecta a Europa, de uma forma geral e com maior incidência em Portugal, a empresária guineense, Mariama Mané, vulgo N`né Mané, num gesto de coragem e de solidariedade, decidiu organizar o Dia Internacional da Mulher, que segundo a própria, serviu para reunir as mulheres guineenses numa festa de confraternização (MAS QUE FESTA!!!) para desanuviar o espírito e aliviar a alma, depois de mais um ano de turbulência política no nosso País, agravado com a profunda crise económica no País de acolhimento.
Nessa festa de arrombar, que teve lugar no salão VIP da discoteca DJORSON (cedido sem qualquer contrapartida pela sua proprietária, a Sr.ª Irina Baldé), sita na Zona Industrial de Massamá, estiveram presentes mais de duas centenas de mulheres, provenientes dos diversos bairros da Grande Lisboa, que aproveitaram essa oportunidade única, para matar saudades, pôr as fofocas em dia, assistir as actuações ao vivo de Dulce Neves e Maio Copê (actuaram sem qualquer contrapartida, para homenagear as mulheres) e apreciar a enorme variedade de pratos típicos do nosso País.
Uma festa muito bonita, protagonizada quase exclusivamente por mulheres, com discursos e intervenções que nos interpelam a assumir uma atitude mais responsável nos esforços da construção de uma sociedade mais inclusiva, onde a igualdade de oportunidades deixará de ser uma mera retórica política, um cântico demagógico, sem qualquer fundamento e sustentabilidade na vida real, para finalmente fazer parte da nossa vivência e convivência do dia-a-dia.
Enquanto testemunha ocular deste acontecimento, achei que não seria justo deixá-lo passar despercebido, pelas seguintes razões:
Demonstrar que, mesmo com esta crise que nos atinge e afecta á todos, é sempre possível fazer a diferença pela positiva, desde que somos movidos por uma causa nobre;
Demonstrar que, com mulheres como N`né Mané, Genabu Cassamá, Áua Dabó, Linda Ferrage, Irina Baldé, Dulce Neves, Mimi Borges, Áua Seidi e Aminata Silá, estamos esperançados que, tarde ou cedo a Guiné vai acontecer;
O exemplo destas mulheres, numa altura em que o normal é cada um puxar a brasa para a sua sardinha, comove qualquer coração e deixa bem evidente que também somos capazes de proezas notáveis, dignas de menção e de registo;
Ainda segundo esta conceituada empresária guineense (N`né Mané), este evento só foi possível graças ao patrocínio do também empresário guineense, Braima Camará (Bá Quecutó) que, assim que soube da ideia, disponibilizou-se prontamente ajudar, sem qualquer contrapartida.
Entretanto, considerando que Braima Camará é um dos Candidatos à Liderança do PAIGC, para respeitar as diversas sensibilidades reunidas naquela comemoração e evitar a politização daquele que é o Dia mais importante das mulheres de todo o Mundo, na luta pela sua emancipação e na consolidação das suas conquistas sociopolíticas, ela, (N`né Mané) durante as suas intervenções e considerações, fez questão de não mencionar o nome do patrocinador, dando mais um exemplo de como é possível e pertinente separar as águas, sempre que isso contribua para criar um clima de paz, respeito e entendimento mútuo e para que no fim todos saíam a ganhar.
Aí está um bom exemplo à seguir e que demonstra que as nossas mulheres também podem – YES, YOU CAN! We are proud of you!
A MULHER GUINEENSE ESTÁ DE PARABÉNS!
POERA DJÚ
Lisboa
Ao presidente da Câmara Municipal de Bissau
Conselhos ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de Bissau
É bom que o senhor saiba que estar à frente da Câmara de Bissau não implica apenas mandar varrer as ruas, retirar lixo do mercado de Bandim de vez em quando ou vender terrenos. É bom que o senhor saiba, que um presidente de Câmara para além de atributos, como, por exemplo, ser um bom gestor de recursos humanos, ter capacidade de gestão e planificação, deve igualmente ter um sentido de estética apurado, para contribuir para o embelezamento da cidade.
Pois só alguém com responsabilidades públicas a frente dos destinos de uma Câmara e com sentido de estética poderia entender que é URGENTE e NECESSÁRIO fazer no mínimo estas duas coisas, entre muitas outras:
1. Construir um jardim a volta da estátua Amílcar Cabral no aeroporto com lugares para as pessoas comuns que não respeitadas pelos governantes puderem se sentar e conversar tranquilamente num espaço verde. Muita gente não entende como é importante, hoje em dia, proteger espaços verdes. No coração de Manhattan em Nova Yorque existe o Central Park, um autêntico balão de oxigénio da cidade, esse parque é protegido dia e noite por todos por causa do seu valor e importância para a saúde das pessoas.
2. Retirar a montanha de lixo na avenida Pansau Na Isna (de Coqueiro à Santa Luzia). Custa acreditar que depois de esforços imensuráveis dos moradores ao longo da avenida para retirar toda a lixeira que se encontra nas valetas que estas se encontrem neste momento amontados em “exposição” ao longo da estrada. Isto é uma brincadeira de mau gosto ainda mais com o aproximar das chuvas e com probabilidades de alastramento de doenças por causa do lixo. Os moradores deveriam era apresentar uma queixa-crime contra a direcção da CMB por negligência, falta de sentido de responsabilidade e de clara agressão a saúde pública.
É preciso saber viver civilizadamente.
A.D."
Os novos pescadores
Aly,
A situação parece ficar cada vez mais descontrolada que até oficiais das nossas forças armadas e de segurança estão metidos no negócio de venda de facturas de pescado. A situação é a seguinte:
De acordo com a lei, aos navios de pesca que foram concedidas licenças são obrigados a fazer descarregamento de pescado, pelo menos uma vez por mês, com vista a abastecer o mercado nacional. Assim, de cada vez que um navio faz descarregamento no porto de Bissau e o pescado for encaminhado para ser armazenado na câmara frigorifica do ex-Projecto de Pesca Sem-Industrial em bandim, surgem oficiais que aparecem com pedidos de reserva de quantidades que vão de 5 a 25 toneladas de peixe, alegando que os mesmos se destinam a consumo nos quartéis.
Se for autorizado, por exemplo, se a quantia reservada for de 25 toneladas, correspondente a 1250 caixas de 20 KG, então o novo homem de negócio,já tem um cliente que entrega logo a factura e este em vez de pagar o preço real, por exemplo, suponhamos que uma caixa de corvina custa 7 mil FCFA, a cliente tem que pagar mais mil FCFA em cada caixa. Significa que o novo peixeiro fardado arrecada um lucro de 1.250.000
É o negócio mais fácil que já vi na minha vida, pois, basta entregar a factura. cabe a cliente ir pagar o preço real e entregar o lucro (1.250.000 FCFA) ao novo peixeiro que não enveste nem um tostão.
O negocio envolve não só oficiais das FARP, como do Ministério do Interior. Prometemos apresentar alguns nomes, caso seja necessário.
Bolingo Cá
Os suspeitos do costume...
A União Europeia e as Nações Unidas estão em sintonia quanto a medidas a tomar pela comunidade internacional para apoiar a resolução da crise na Guiné-Bissau, segundo um comunicado ontem divulgado em Bissau pela representação europeia. O comunicado surge na sequência de uma reunião, na terça-feira, entre o embaixador da União Europeia em Bissau, Joaquín González-Ducay, e o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas no país, José Ramos-Horta.
No final da reunião, segundo o comunicado, González-Ducay afirmou-se satisfeito com a "convergência completa de pontos de vista" sobre "as alternativas que a Guiné-Bissau tem pela frente, e as diferentes medidas que a comunidade internacional poderia adotar para favorecer a conclusão da crise atual e para criar as bases de uma democracia sólida, orientada ao desenvolvimento social e económico do país, em harmonia com os seus parceiros da sub-região".
Os dois responsáveis falaram "da exigência de uma abordagem inclusiva" para "garantir um roteiro de regresso à democracia baseado em eleições esperadas antes do fim de 2013", e da necessidade de se "enfrentar de forma definitiva a questão da impunidade, assim como a situação dos três refugiados humanitários que se encontram na Delegação da União Europeia na sequência dos acontecimentos de 21 de outubro de 2012", diz o comunicado. Evitar mais mortos e atos de violência e de intimidação "foi considerado como uma condição essencial para alcançar qualquer progresso na busca de uma solução duradoura", adianta o documento.
José Ramos-Horta reuniu-se recentemente em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e com outros responsáveis da Comissão e do Conselho. A 12 de abril do ano passado os militares fizeram um golpe de Estado e depuseram os governantes eleitos. As autoridades de transição que se seguiram ainda hoje não são reconhecidas pela maioria da comunidade internacional. A 21 de outubro uma suposta tentativa de golpe de Estado provocou cinco mortes. O capitão Pansau N´Tchama é acusado de ter comandado os elementos que tentaram fazer o golpe e está a ser julgado em Bissau. LUSA
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