domingo, 16 de fevereiro de 2014
Ramos Horta parte a loiça, ou ligeirezas de uma barata tonta?
O representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau responsabiliza, em primeiro lugar, as elites políticas pelo estado de um país "falhado em todos os sentidos. Os políticos é que manipulam os militares, incitando-os a apoiar uma fação ou outra", acusa José Ramos-Horta, em entrevista publicada na edição de fevereiro/março da revista "The World Today", do Chantham House, instituto britânico de análise internacional.
As forças armadas guineenses têm sido "responsabilizadas por tudo o que se passa" no país, mas o representante especial do secretário geral das Nações Unidas para a Guiné-Bissau assume "uma visão ligeiramente diferente". Ramos-Horta explica: "As elites políticas são os principais culpados pelo trágico estado de coisas, pela má gestão, pelo desperdício, pela corrupção e pelo empobrecimento da população. Os militares vêm em segundo lugar na minha lista de atribuição de responsabilidades."
O ex-Presidente de Timor-Leste vai mais longe e diz que "os militares apenas se juntaram ao grande assalto" levado a cabo pelas elites políticas que governam o país desde a independência. "A Guiné-Bissau é um Estado falhado em todos os sentidos", classifica, enumerando "as qualidades de um Estado falhado" que encontra no país africano lusófono: serviços públicos "corruptos", que "nem sequer pagam os salários aos seus funcionários", forças de segurança sem controlo, uma justiça "incapaz" de julgar os "envolvidos no roubo atrevido e escandaloso do erário público" ou outros "acusados de crimes graves".
Porém, Ramos-Horta vê "uma esperança real de mudança" em alguns dos líderes mais novos, "altamente instruídos", que agora estão a candidatar-se a cargos de poder. "Se eles forem eleitos, a comunidade internacional tem de os apoiar verdadeiramente. Doutra forma, estarão condenados. Existem demasiados interesses enraizados que vão resistir à mudança radical", antecipa. Também há sinais de "esperança" nas forças armadas, onde existem "boas pessoas", que defendem "a mudança", acrescenta.
ELEIÇÕES(?) 2014 e Tráfico de Drogas
Sobre as próximas eleições, agendadas para 16 de março, Ramos-Horta admite que "poderá haver um adiamento de uma semana ou duas", mas isso "não será um problema". O representante das Nações Unidas reconhece que o problema do tráfico de droga na região é "muito sério", mas realça que, "se países poderosos, como Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China não conseguem eliminá-lo, não se pode esperar que os países da África Ocidental façam melhor".
O tráfico de estupefacientes, trazido às costas africanas por "gente de fora", destaca, "está a corroer países já bastante frágeis". Recusando classificar a Guiné-Bissau como um "narco-Estado", Ramos-Horta garante que, no último ano que passou no país, não viu "sinais de grande tráfico de droga".
Questionado sobre as similitudes entre a ajuda internacional à Guiné-Bissau e ao seu país de origem, Timor-Leste, Ramos-Horta reconhece que "os dadores estão cansados de 40 anos de golpes e instabilidade, corrupção e incompetência", mas lamenta que a Guiné-Bissau seja um país "quase esquecido" e "subfinanciado".
Na sua opinião, "Portugal é dos poucos países que realmente se preocupa com a Guiné-Bissau". Angola "tem os meios financeiros para investir realmente na Guiné-Bissau", mas os políticos e militares locais "conseguiram antagonizar e alienar os angolanos", lamenta.
Morreste-nos
A notícia chegou-me ontem. Assim: o (Fernando Mário) Mota morreu. Esta é a minha homenagem ao homem, ao meu colega de partido, de infortúnio. Fomos presos e espancados. Perdoamos mas não esquecemos. Corria o ano de 1992 - fomos, assim, ingloriamente as primeiras vítimas da abertura do País ao multipartidarismo. Hoje, no blog, vou lembrar o 'Nando' Mota. Que a terra lhe seja leve e que descanse em paz.
O Nando morreu em Portugal, com 54 anos de idade. Sofria da diabetes, foi operado tendo-lhe sido amputado um membro. Sofreu uma infecção, e dois dias depois complicou - e morreu. Assim mesmo, até parece fácil morrer. Conheci o Nando Mota há vários anos, era eu ainda um catraio. O pai do Nando, o Sr. Daniel Mota, era filho de Bolama tal como o Sr. meu Pai. E o resto é isso mesmo: história.
Mas quis o destino que eu e o Nando nos mantivéssemos juntos. E tudo aconteceu no PCD. Muitas alegrias, e tragédias também. Em 1991, obrigados e pressionados pelo resto do mundo, 'Nino' Vieira e o PAIGC cedem e abrem o país ao multipartidarismo. Nascia assim um ‘fórum de reflexão’, que viria a tornar-se no Partido da Convergência Democrática - o PCD, fundado no Bissau Sheraton Hotel. Quando o partido foi legalizado no Supremo Tribunal, a festa de comemoração foi na ilha do Maio... Um partido que tornar-se-ia famoso, pelas melhores e mais ainda pelas piores razões (de partido-satélite de Nino a outros adjectivos, tudo se colou ao partido que quase viria a desaparecer da cena política guineense...vai-se aguentando, ao pé coxinho.)
No dia 25 de fevereiro de 1992 (estava eu a caminho dos meus 26 aninhos, com o serviço militar cumprido seis anos antes) o PCD, no âmbito do Fórum Democrático, que congregava quase todos os partidos – menos o PAIGC, claro!, iniciou uma campanha de rua ensurdecedora e provocadora: o motivo era mobilizar o povo para a 1º manifestação no âmbito do dito fórum, e que teria lugar no terreno onde hoje está a Assembleia Nacional Popular - era uma espécie de feira popular (em certa medida ainda é...)
Como conhecíamos as manhas do regime, o partido alugou um táxi que se manteve discretamente a uma distância segura da carrinha onde viajavam quatro pessoas e dois megafones. Nesse dia, logo no primeiro dia, a polícia mostrou os dentes mas não chegou a morder. Mandaram a carrinha encostar e depois, para não criar ondas, escoltaram-na até às instalações do ministério do Interior. A sua salvação? O pessoal que estava no táxi: assim que pressentiram que os seus camaradas iam ser abordados, comunicaram logo a direcção do partido, que agiu com a rapidez de uma flecha: chegaram ao MI antes dos detidos, salvando-lhes o dia, e a pele. Mas no dia seguinte...
26 de fevereiro de 1992, 17h. Uma carrinha sai da sede do PCD para nova mobilização. Lá dentro, para além do motorista, estava o Nando Mota, eu, e mais dois militantes do Movimento Bã-Fata. Tínhamos sido sumariamente escolhidos para a empreitada. Ainda na sede, alguém pediu-me que não fosse. Motivo? O jornal 'Baguera' e o suplemento 'Feretcha' (as dores de cabeça do regime) estavam em preparação. Mas mesmo assim fui. Fiz bem?, fiz mal? A verdade é que estou aqui, hoje, para contar a história, desconsolado por o Nando não a ler.
Saímos da sede, subimos a rua Eduardo Mondlane, cortamos à direita na avenida do Brasil e assim que chegámos ao alto-crim ouviu-se um ruído agudo, bastante desagradável para quem está por perto: os megafones estavam ligados e era só debitar as palavras de ordem (algumas estavam escritas num papel A4, outras saíam na hora, com ou sem rima. O que importava mesmo era protestar, malhar na velha senhora e no seu testa-de-ferro, e isso foi feito com bastante entusiamo mesmo. Do alto-crim, descemos toda a avenida sem parar e num ai estávamos na Chapa de Bissau. A ideia era fazermos a inversão de marcha no actual Libya Hotel e fazer o caminho inverso de regresso à sede.
Mas a segurança do Estado e a polícia do ministério do Interior decidiram por unanimidade trocar-nos as voltas e estragar o nosso dia. Torná-lo num inferno, num quase massacre. Rolávamos na faixa da direita, a uns 15/20 km/h. Queríamos que as pessoas - para além de ouvirem - percebessem a nossa mensagem, que 'mimavam' o Nino Vieira e o 'seu' PAIGC.
Mas chegados ao hospital 3 de agosto, tudo correu terrivelmente mal. A carrinha encostou e pediram a um dos nossos que saísse para checar o som, se estava bom, se não estava alto demais, se não 'arranhava'. E assim que essa pessoa desce e anda uma dúzia de metros, uma carrinha amarela da SOCOTRAM (Sociedade de Comercialização e Transformação de Madeiras) aparece do nada e manda-nos encostar. Os gestos assustaram-nos. Três portas abriram-se e fomos literalmente engolidos por uma dezena de militares do MI, armados de AK-47, protegidos por escudos. Usavam ainda capacetes e cada um deles tinha um cassetete na cintura.
Sem muitas conversas - nem brutalidade, confesso - pediram para ver a respectiva autorização e estava tudo em conformidade. Tinha até um mapa desenhado com o trajecto definido, coisa que até ali ninguém tinha violado. Mas a ordem chega pouco depois: todos para o MI. Por incrível que possa parecer e embora fossem duas carrinhas, metade da tropa entrou para a nossa carrinha - onze pessoas dentro de um carro para cinco, mais as suas temíveis armas.
E rumamos para as instalações do MI, mas sempre a pensar que o táxi-salvador já dera conta da nossa periclitante situação. Errado. Quando chegamos à Chapa de Bissau, armei-me em esperto e disse ao motorista que virasse à direita (a intenção era ir para a sede do Movimento Bã-Fata, no bairro do Caracol). Lançaram-me olhares provocadores. Eu estava marcado. Chegámos ao MI e a carrinha entrou a toda a velocidade, com os intermitentes ligados. Outro susto: a maneira como saltavam e a poeira que faziam quando aterravam no chão de terra vermelho.
Primeiro, sentaram-nos lado a lado. Depois, chegou uma espécie de comissário político. Lições de moral, uma quase lavagem aos nossos cérebros bastante baralhados. De repente, chegou o João Monteiro (nas colunas do Baguera e do feretcha era o ‘Djon Montiadur’). Olhava para nós por cima do ombro, no mais completo desprezo. Sentia-se lá no alto. Disse-me: tu, o teu Pai trabalha connosco (na verdade, era mentira... O meu Pai trabalhava no ministério da Defesa, aliás, foi o único emprego que o meu Pai teve na sua vida desde a independência da Guiné-Bissau, até morrer, em 2001) e tu andas aí aos partidos. Tu sabes o que é que nós fizemos para estares hoje aqui? Sabes quantos morreram? E agora querem falar em democracia, multipartidarismo... A velha história do ‘nba luta’...
Depois veio o Chico. Uma figura pequenina, redonda, meio careca. Fumava desalmadamente, gesticulava, e mascava noz de cola que depois cuspia para o chão de terra. Não parava de espumar pelos cantos da boca. Apelidou-nos de tudo, referiu que não passávamos de «bandidos e contra-revolucionários» e quando perguntou «porque nos mandam e não vinham os chefes», o meu coração acelerou e depois quase parou de bater. Era mau sinal.
O Nando Mota, que estava ao meu lado, segredou-me: «Ticha, prepara-te. Vão espancar-nos!» Não quis acreditar, mas também não tinha dúvidas de que tal acto pudesse suceder. Assim que o Chico deu-nos as costas e desamparou a loja, vimos seis sombras a atravessar uma luz baça. Eram homens, vestidos de negro, bem protegidos e cada um deles trazia um cassetete de 60 cm - made in Checoslováquia. Então, apareceram mais homens, compondo um círculo imperfeito, mas enorme. Parecia um filme. E o primeiro «contra-revolucionário» foi chamado. Era um militante do movimento Bã-Fata. Foi severa e brutalmente espancado. Nós assistíamos atônitos. E fizeram o mesmo com cada um de nós. Depois, não satisfeitos pela ‘façanha’, mandaram-nos tirar as roupas. Sentaram-nos debaixo de uma torneira no pátio e abriram a água. Divertidos, molharam um a um.
Molhados, o espancamento dói mais: o cassetete, em contacto com a pele molhada, escorrega e a dor é lancinante. Foram outros tantos minutos de espancamento, de humilhação. O pobre do motorista levou nas plantas dos pés – diziam a rir que um pé (o esquerdo) pisava a embraiagem e o outro, o acelerador e o travão...Assim que acabávamos de ser espancados, mandavam-nos sair por um corredor ladeado de mais homens, que aos pontapés e murros nos acompanhavam até à saída do MI. Lá fora, havia um carro para cada espancado; assim que um saía, era logo enfiado para dentro e conduzido ao hospital. Chegaram tarde, os do partido, desta vez. Eu ainda pedi ao motorista para passar no Tabanka, pois tinha que desmarcar um jantar que era para acontecer nessa mesma noite...
No hospital – e isto que estou a dizer foitudo gravado em vídeo por gente do Movimento Bã-Fatá, e o Helder Vaz sabe disso – fomos recebidos à porta pelo próprio director, que nos disse sem mais rodeios que tinha ordens superiores para que não fossemos atendidos. E não fomos. Fomos antes bater à porta do Embaixador sueco – representante de um dos países mais dignos à face da terra, que nos ajudou muito na luta pela nossa independência. Assim que abriu a porta e viu gente ensanguentada, fechou a porta. E voltou a abri-la pouco depois. Perguntou ao ‘Nado’ Mandinga e ao Hélder Vaz o que se tinha passado.
Depois das explicações, e sem que pudesse fazer muito mais, o embaixador contactou o seu staff e fomos rapidamente conduzidos ao dispensário da Embaixada – que era isso mesmo: um dispensário, e não um hospital. Eu tinha uma fractura na clavícula, lesões várias, muito sangue, as mãos inchadas – efeito das palmatórias. O Nando Mota – e isto aconteceu até ao último dia que o vi com vida – queixava-se sempre da ‘rabada’, os do Movimento Bã-Fata saíram igualmente lesados. Para além de feridos (alguns com gravidade) ficámos com o orgulho molhado...
Fui o único que foi evacuado para tratamento em Portugal. Fui espancado no dia 26 de fevereiro de 1992 e só em outubro, perante várias insistências das representações diplomáticas, com destaque para a da Suécia, que repreendeu severamente o governo, avisando-o que não toleraria mais actos dessa natureza...
Enfim, mais um capítulo negro mas orgulhoso da minha curta vida que partilho com vocês. Ao meu amigo Nando, que me guarde um lugar perto dele, onde quer que esteja. A luta continuará onde quer que estejamos. AAS
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
OPINIÃO: Democracia selectiva
«Seguimos a novela guineense, de uma tão propalada Democracia, ou projecto da mesma, uma vez que finge-se votar, os militares voltam à carga e impõem as suas regras de “fazedores de reis”, mostrando descaradamente ao mundo, que são eles quem mandam efectivamente na Guiné-Bissau.
Povo de brandos costumes, vamos solicitando ao mundo que resolva os nossos problemas crônicos, enquanto se olha para o lado e, sem darmos conta, vamo-nos acomodamos eternamente no surrealismo do nosso trágico destino, que é, de sermos reféns permanente da saga étnica dos militares.
Vivemos hoje em dia numa sociedade de valores invertidos, em que analfabetos funcionais enchem os cafés querendo fazer-se de opinion makers, tudo sabem, mas que na hora de pagar um simples café, vêm com a lábia do costume : “nha ermon, tempacença pagam um café”. Na Guiné-Bissau, infelizmente, bajulam-se os traficantes de droga, admiram os marginais que vivem à custa de golpes nas finanças e nas alfandegas e, como diz uma música popular guineense “malilas toma conta di praça, santchus toma conta di terra, djintis rucudji mato”.
Não querendo, é claro generalizar, mas muita boa gente fica sem chão, viver nesta sociedade em que reina a mentira e a maledicência do boato, não é tarefa fácil. As verdades de hoje, serão mentiras amanhã, ninguém tenta parar para analisar com espirito critico, se existe verdade ou não sobre o que se “diz” ou se determinado facto tem um fundo de verdade ou não. A maioria limita-se a espalhar os boatos da sua conveniência, sem se preocupar com as consequências... porque, simplesmente estas não existem!!!.
Mas o que interessa, é que, brevemente seremos chamados de novo às urnas, para se cumprir mais um dever cívico de escolher um Governo e um Presidente da Republica, como se oi dizer, “legitima e democraticamente eleitos”. Mas pergunto ! Sera que esse desiderato será alcançado?? Será que os direitos de escolha soberano do Povo Guineense será respeitado??
Parecendo banal, é uma pergunta de pertinente actualidade que se impõe face aos recentes acontecimentos que redundaram na interrupção do ciclo eleitoral de 2012, porque um candidato potencialmente vencedor não era do agrado dos militares e de alguns patrões mafiosos da sub-região. Essa pergunta se impõe, quando temos, uma Forças Armadas (FA) que nos atormenta, que nos persegue, que impede manifestações politicas, cívicas e da sociedade civil.
Umas FA improdutiva, que vive de mordomias, recebendo salários faraônicos e desmesurados pagos pelo Governo do seu Estado, os quais derrubam quando lhes da na gama, ora impelidos por interesses de composições étnicas, ora quando os seus próprios interesses (narcotráfico e contrabando de armas, por exemplo), ou dos seus aliado, possam ser eventualmente postos em causa ou em perigo.
Neste cenário de indecente promiscuidade politico-militar, o mais triste de tudo, é ver a indecorosa atitude dos ditos políticos, que não passam de projeto de tal, em alianças golpistas com a cúpula narco-militar guineense. Esses mesmos políticos de pacotilha, que ontem aplaudiram o golpe de estado de 12 de abril 2012 (que com ele, se vão beneficiando, sustentando-se e enriquecendo-se com o status quo criado há quase dois anos), hoje transvestem-se de democratas, enganando a comunidade internacional com engenhocas da Democracia Selectiva, arquitectura de fachada maquiavelicamente promovida por um sistema de génese golpista que, enganosamente “vende e promove” uma falsa inclusão, mas que não passa de um sistema já de si viciado, cujos pressupostos de continuidade estão a ser congeminados no atabalhoado recenseamento ora em curso.
Digo e repito “DEMOCRACIA SELECTIVA”, pois é triste e dá vergonha, ver os ditos apregoadores dessa “solução miraculosa” tentarem vender aos guineenses e a Comunidade Internacional, um produto politico de fins ignóbeis.
Dai, lançar aqui publicamente um desafio a todos os senhores democratas e candidatos as presidenciais de 2014, que tenham a coragem de assumirem defenderem publica e inequivocamente o direito e à liberdade de todos os guineenses, sem exclusão, poderem participar e se candidatarem livremente sem quaisquer constrangimentos às eleições previstas para o ano em curso. É um repto que lanço aos candidatos presidenciais até aqui declarados, que se assumam como verdadeiros democratas que apregoam, ao invés de sorrateiramente atiçarem os militares para que se oponham ao regresso ao pais de Carlos Gomes Junior, vencedor incontestável das ultimas eleições presidenciais interrompidas pelo golpe politico-militar de abril de 2012.
Digo isto, pois temos visto alguns candidatos que se propalam de democratas “impolutos”, a tentarem ganhar terreno politico, utilizando à socapa jogadas de baixo nível de incentivo à exclusão da candidatura de Cadogo Jr as eleições de 2014. Tal evidência, é irrefutável, pois, em nenhuma ocasião, nenhum dos candidatos, se dignou posicionar-se sobre o direito à candidatura desse incomodo adversário as suas pretensões presidenciais.
Por isso, lanço aqui um repto aos candidatos que hoje se perfilham para as eleições deste ano, para que se posicionem publicamente sobre este assunto que diz respeito à larga maioria do Povo guineense que se revê nessa candidatura, exigindo de forma clara e coerente as suas posições, sem subterfúgios e tentativas de exclusões encapotadas de adversários políticos incômodos. Estou certo de que, a larga maioria dos guineenses, exige, para que, DEIXEM O POVO ESCOLHER QUEM ELES QUEREM QUE SEJA O SEU PRESIDENTE, pois eu sou dos que acreditam, como uma larga maioria dos meus compatriotas, de que, quem fez, fará, um só povo, uma só Nação.
Digo isto, porque, estou ciente de que, os que temem a candidatura de CADOGO JR, não são só os militares, mas também e, em larga escala os políticos que hoje postulam ao cargo e não só. Os militares, esses, são manipulados com intrigas e suspeições pelos próprios políticos contra CADOGO, pois a reforma é incontornável para eles e sabem que, com ele, ou sem ele haverá imperativamente a reforma para o bem do pais e da sub-região.
Para terminar, gostaria de chamar a atenção aos potenciais candidatos às presidenciais de 2014, para que parem de apregoar medidas e programas demagógicas, que sabem perfeitamente ser da competência do Governo e não da Presidência, caso contrario que se candidatem ao posto de Primeiro Ministro e não de Presidente e, caso contrario, se não conhecem as competências e prerrogativas constitucionais de um Presidente da Republica no quadro jurídico-constitucional guineense, que se abstenham de aventurar-se em áreas de responsabilidade de respaldo nacional.
D. D.»
CEDEAO: Regresso imediato de Raimundo Pereira e Carlos Gomes Jr., "está fora de questão"...
Uma delegação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) esteve esta quinta-feira em Bissau reunida com políticos e militares, aos quais disse que está fora de questão o regresso de Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior.
Raimundo Pereira, Presidente interino da Guiné-Bissau, e Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro e candidato vencedor na primeira volta das eleições presidenciais de Março, foram afastados no golpe militar de 12 de Abril e presos. Foram depois libertados e foram para a Costa do Marfim.
A delegação da CEDEAO, que integra os ministros dos Negócios Estrangeiros da Costa do Marfim e da Nigéria e os respectivos chefes das Forças Armadas, iniciou durante a tarde uma ronda de encontros que ainda não terminou, sendo de prever que continue na sexta-feira.
Os encontros começaram com os militares, seguindo-se o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, no poder até dia 12), o Fórum dos partidos da oposição e a Frenagolpe (uma associação de partidos e organizações contra o golpe).
Depois, a delegação da CEDEAO promoveu uma reunião com todos (incluindo os jornalistas), na qual foi reafirmado o que a organização já tinha dito em Dacar, numa cimeira na semana passada: encontrar uma solução para a crise no país através do parlamento da Guiné-Bissau.
A delegação disse também que as decisões da cimeira de Dacar teriam sido mal entendidas em Bissau e acrescentou que "está fora de questão" o regresso de Raimundo Pereira e de Carlos Gomes Júnior aos cargos que ocupavam antes do golpe, durante o período de transição, que a CEDEAO quer que seja de um ano.
Depois do encontro conjunto, a delegação da CEDEAO iniciou uma nova ronda de reuniões grupo a grupo.
Além dos partidos, estão presentes os cinco candidatos que contestaram os resultados das eleições presidenciais de 18 de Março. António Indjai, chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, também está presente. Lusa/Expresso das Ilhas
NOTA: Mas quem pensa a CEDEAO que é? E a União Africana, o que dirá? E a CPLP? A ONU? É intolerável esta posição descarada da CEDEAO!!! E é preciso saber em que se baseou a CEDEAO para fazer uma afirmação categórica como esta. AAS
ELEIÇÕES(?) 2014: Sory Djaló apresentou a candidatura, malhou no PRS e de seguida dá um passeio até ao Irão
O presidente do parlamento da Guiné-Bissau, Ibraima Sori Djaló, apresentou hoje a candidatura, como independente, à presidência do país com o propósito de "lutar contra o inconformismo".
Em conferência de imprensa, o dirigente do Partido da Renovação Social (PRS), que já chegou a liderar, disse que não gostou do facto de o seu partido ter escolhido o empresário Abel Incada como candidato às presidenciais, numa eleição interna a que ele também concorreu, e por isso decidiu avançar. Sori Djaló disse que não aceita a escolha do partido por julgar que foi baseada "em pressupostos tribais" e ainda por considerar que Abel Incada "é um dirigente pouco conhecido" entre as bases do PRS.
FMI prevê só... kansera
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a Guiné-Bissau tenha dificuldades para pagar salários aos funcionários públicos pelo menos até Maio, afirmou Maurício Afuerte, chefe da missão para a Guiné-Bissau. Este técnico do FMI fez a declaração ao proceder a um balanço no quadro de uma missão de avaliação ao desempenho macroeconómico do governo de transição da Guiné-Bissau, cujos resultados foram apresentados no Ministério das Finanças. Segundo Maurício Afuerte, 2014 será marcada por dificuldades de tesouraria pelo menos até Maio, altura em que começarão a entrar nos cofres públicos as receitas da venda da castanha do caju, principal produto de exportação do país e dinamizador da economia.
Nha bardadi
Entre os Povos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, não metas a colher. Para começar, em Cabo Verde existe Estado desde a abertura democrática. Mas já havia um Estado antes disso. Em Cabo Verde existe Estado, ponto. Um Estado soberano, crescido e, sobretudo, respeitado no mundo. Um Governo bem dirigido, aliás, um apanágio do País desde a sua independência. Nova geração de políticos, deputados e deputadas, muitos deles jovens, convivem aprendendo com os mais 'velhos'. Mas todos eles comungam um único objectivo: estão determinados em batalhar, muito, mas muito mesmo. As armas que usam? O diálogo, e o debate político - os únicos caminhos para desenvolverem o seu País. A democracia é aguerrida mas saudável; o Estado é reconhecido internacionalmente - e apoiado. E até copiado em certas coisas.
Até 2015, Cabo verde atingirá - nas palavras do seu próprio Primeiro-Ministro, José Maria Neves e ditas na passada 2ª feira - «TODOS OS OBJECTIVOS DO MILÉNIO.» Brilhante.
De facto, o crescimento que Cabo Verde alcançou desde a sua independência, há quase 40 anos e apesar de todas as dificuldades e problemas que este País insular com 10 ilhas enfrenta - é simplesmente notável. Os cabo-verdianos só podem sentir-se orgulhosos com este e com todos os seus ex-Presidentes e Governantes. Diz-se que Roma e Pavia não se fizeram num dia - eu não sei, não conheço Pavia mas já estive pelo menos 7 vezes em Roma...e aquilo é trabalho para 100 séculos, caramba!
Mas que sei aquela que diz que um Estado constrói-se todos os dias, ah, lá isso sei - e concordo.
Exemplos? Só na ilha de Santiago (a capital política e financeira do País) existe perto de 10 fábricas - todas funcionais -, grandes empresas, muitas delas multinacionais, centenas de quilómetros de estradas atravessando as suas altas e portentosas montanhas. No alcatrão, não há buracos não. O desenvolvimento de Cabo Verde está garantido: o Povo de Cabo Verde escolhe, os políticos agradecem e trabalham para o Povo. Cabo Verde, tal como Roma e Pavia, são para ir construindo. O Povo está lá para os ajudar e dar força.
Nas forças armadas de Cabo Verde não existe combatente da liberdade da Pátria no activo - foram todos para a reforma. E são gente com dignidade, respeitada no seu País. Gente que não pegou em armas para exigir 'reforma condigna'.
Cabo Verde tem pouca água doce. Então, dessaliniza quase toda a água que é consumida no país. Outra coisa notável. Nós, que temos mais água que terra...andamos aos papéis. Não me doeu nem um pouco ver o desenvolvimento espetacular conseguido por este País. Muito pelo contrário, sinto um orgulho desmedido, e - bem, devo confessar - alguma inveja, mas no bom sentido. Inveja por não termos, na Guiné-Bissau, essa visão de futuro. Inveja por não termos um só exemplo que nos empolgue. E raiva por nós, os guineenses, termos escolhido o caminho mais fácil - o das guerras intestinais, da calúnia, do ódio, da destruição, da matança gratuitas.
Para dar um exemplo, só na ilha de Santiago foram construídas 3 barragens, que, hoje mesmo, uma está a transbordar e as outras quase cheias - aliás, pode nem chover durante dois longos anos que haverá água doce para irrigar todos os campos e respectivas plantações!!! A isto chama-se trabalho. Arrisco mesmo dizer que as obras das barragens foram as mais importantes levadas a cabo no País desde a sua independência. Em quase todas as outras ilhas, rasgam-se montanhas para erguer mais barragens. O trabalho leva ao desenvolvimento. Até parece fácil. Os cabo-verdianos uniram-se, as suas forças armadas são republicanas, obedientes ao poder político, e não andam aos tiros, sobressaltando a população, para tirar este ou aquele Governo ou impor este ou aquele Presidente. Não, caramba! É o Povo de Cabo Verde que escolhe quem quer para governar e quem quer para Presidente. Ponto.
Cabo Verde tem problemas graves como os crimes transnacionais - oh, se tem! - mas tem-nos combatido, apesar das dificuldades. O tráfico de droga, apesar de alguma falta de meios, tem sido severamente combatido e foi por várias vezes duramente atingido - dezenas de edifícios foram confiscados pelos tribunais em julgamentos mediáticos e reverteram todos a favor do Estado. Residências e viaturas de luxo e outros bens, também. Aliás, o moderníssimo edifício onde funciona o Estado Maior General das Forças Armadas é disso exemplo.
Em Cabo Verde, trabalha-se. Apesar das dificuldades, existe um bom sistema de ensino e a taxa de analfabetismo está a ser combatida; a saúde funciona. Existe uma classe média esclarecida e exigente e um povo que sabe o que é Estado e respeita-o como tal. As mulheres ocupam cada vez mais altos cargos na vida do País - da Assembleia Nacional aos municípios, do ensino à saúde, das empresas às áreas técnico-profissionais. As mulheres são, orgulhosamente, uma força bastante considerável no desenvolvimento de Cabo Verde.
Na Guiné-Bissau, pura e simplesmente não existe Estado digno desse nome. Isto pode doer - e dói. A mim dói muito, imenso. Mas é a dura e triste realidade. AAS
ELEIÇÕES(?) 2014: CPLP quer adiamento 'por algumas semanas'
O representante especial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a Guiné-Bissau admite um adiamento de algumas semanas das eleições gerais, marcadas para 16 de março, e garantiu que o país vive um clima de tranquilidade.
De passagem por Lisboa, o brasileiro Carlos Moura, designado pela CPLP para acompanhar o processo eleitoral na Guiné-Bissau, afirmou à Lusa que "as perspetivas eleitorais são positivas". Quer as autoridades guineenses quer a população "manifestam o desejo de que as eleições possam ser realizadas o mais brevemente possível", garantiu o responsável. LUSA
ELEIÇÕES(?) 2014 - PAIGC quer em maio...Lá está, o efeito dominó
Agora, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) quer eleições gerais a 4 de Maio. A decisão do partido maioritário no parlamento guineense foi transmitida pelo novo presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, à saída de uma audiência com Serifo Nhamadjo.
Serifo está a auscultar os diferentes partidos antes de decidir a nova data para as eleições. Ouvido pela agência Lusa, Domingos Simões Pereira sustenta que só com eleições a 4 de Maio é que se respeitarão os prazos previstos na lei eleitoral. LUSA
CEDEAO reúne-se para debater reforma no sector da Defesa
Os chefes militares dos países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) vão debater as reformas no setor da defesa e segurança da Guiné-Bissau num encontro na próxima semana em Bissau, anunciou hoje (ontem) a organização.
O estudo do programa de reformas faz parte da agenda da 33.ª reunião ordinária do Comité de chefes de estado-maior da CEDEAO a realizar de 17 a 19 de fevereiro em Bissau. Segundo um comunicado divulgado hoje (ontem), no encontro será feito um ponto de situação sobre "o reforço e o alojamento das tropas da missão da CEDEAO na Guiné-Bissau (ECOMIB)" e haverá visitas a espaços militares guineenses ja reabilitados.
Para além da Guiné-Bissau, os chefes militares vão debruçar-se sobre as condições de segurança na Costa do Marfim, Mali e Libéria e no espaço marítimo da comunidade. No final de 2013, o Conselho de Segurança da ONU apelou "à CEDEAO e aos estados membros, bem como aos parceiros internacionais, para darem mais suporte à ECOMIB", o contingente militar estacionado na Guiné-Bissau após o golpe de estado de abril de 2012.
O apelo surgiu devido ao registo de casos de violação de direitos humanos, espancamentos e intimidação, "por agentes armados do Estado e de fora da esfera estatal", sem que ninguém tenha sido levado perante a justiça.
O Conselho de Segurança lamentou ainda "severamente as repetidas interferências dos militares nos assuntos civis" na Guiné-Bissau e pediu "respeito" pela ordem constitucional e processo eleitoral, sem mais adiamentos. A Guiné-Bissau vive um período de transição política, tem eleições marcadas para 16 de março de 2013, mas em vias de ser adiadas devido ao prolongamento no recenseamento eleitoral. LUSA
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
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