sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Presidente de Cabo Verde: «Para que haja progresso em África é necessário acabar com regimes ditatoriais»
O Presidente de Cabo Verde defendeu hoje que é necessário acabar com os conflitos e com os regimes ditatoriais africanos para que o continente apresente progressos, pedindo novas lideranças "mais pragmáticas". Questionado pela agência Lusa, no final da Cimeira sobre Inovação em África, que decorreu desde terça-feira na Cidade da Praia, Jorge Carlos Fonseca sintetizou o que afirmara pouco antes, no encerramento da conferência, salientando que só assim o continente africano poder afirmar "definitivamente" o ideário da democracia.
Confrontado com a necessidade de acabar com as ditaduras para assegurar o desenvolvimento de áfrica, Jorge Carlos Fonseca foi taxativo: "Sim, para sermos francos. Não pode haver progresso em África, essa África projetada para daqui a 30 anos, não existirá se não formos capazes de resolver os conflitos. Se não criarmos condições para não haver golpes de Estado” ou “regimes militares", frisou o presidente cabo-verdiano.
O continente tem de trabalhar para que “triunfe, em definitivo, o ideário da democracia, da liberdade, dos direitos humanos, da inclusão social, da igualdade do género, para uma África que seja capaz, finalmente, de criar condições para o bem estar económico, social e cultural das pessoas. Os líderes são pagos para isso", sustentou. Questionado também pela Lusa sobre se tem faltado pragmatismo às novas lideranças africanas, Fonseca afirmou que essa atitude está cada vez mais presente no continente.
"Tem havido agora mais pragmatismo, talvez, do que há uns anos atrás, mas falta trabalhar ainda mais nesse caminho", disse, aludindo também à necessidade de África evoluir, sobretudo através da inovação, tema da conferência na Cidade da Praia e que reuniu mais de 250 especialistas de 30 países, maioritariamente africanos. "A inovação implica transformações nas atitudes, nos produtos industriais, mas também nos próprios modelos de organização económica e social e, quiçá, o próprio Estado. Tem de ser uma atitude permanente de criatividade, de procura, com os menores custos possíveis e com as melhores e mais eficazes soluções", sustentou.
Segundo o presidente cabo-verdiano, quando se discute a inovação em África "para além dos contextos românticos e históricos", o que interessa é a transformação num continente "competitivo", num parceiro "incontornável" e em "pé de igualdade" com a Europa e com a América. "Tem de se apostar fortemente nas novas tecnologias, no desenvolvimento inovador em áreas como a energia, produção agrícola, em modelos de gestão fundiária, de registos dos quadros legais, para que possa, além dos discursos, das proclamações e das ambições legítimas, em 10, 15, 20 anos, competir com outros continentes", disse.
Salientando a evolução significativa na União Africana (UA), que substituiu a Organização da Unidade Africana (OUA), Fonseca, que conheceu a instituição como diretor geral, como secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, como chefe da diplomacia e agora como Presidente de Cabo Verde, reconhece a mudança da estrutura. "Basta pensarmos que, hoje, os textos da UA - o projeto de desenvolvimento da ‘Agenda pós-2015’, ou a ‘Agenda 2063’, em que se fala de uma África com um crescimento inclusivo, de direitos humanos, de Estados de Direito, de democracia, de igualdade de género, para ver que África mudou muito. Este discurso não é o de há 30 anos atrás", frisou, contando, depois, um pequeno episódio passado na cimeira da organização realizada a 30 e 31 de janeiro, em Addis Abeba, na Etiópia.
"O presidente da Zâmbia (Michael Sata), numa tirada a seu jeito, disse na sua intervenção que se os discursos e os propósitos fossem fatores de desenvolvimento, África estaria no primeiro lugar. Foi um discurso crítico, mas de prudência em relação a excessivos otimismos. O que quer dizer que as novas lideranças africanas têm de trabalhar muito", contou.
Sobre a cimeira da Cidade da Praia, Fonseca salientou a necessidade de haver seguimento e de avaliar o impacto no arquipélago e fora dele, defendendo que se devem também manter as redes de contacto criadas com a participação de mais de 250 especialistas de 30 países, maioritariamente africanos. LUSA
ELEIÇÕES(?) 2014: Candidato Nuno Nabiam recebido por general francês
O general Francês Jean-Louis Esquivié, especialista em assuntos militares e encarregue da cooperação militar com os países oeste-africanos, recebeu o candidato presidencial Nuno Nabiam, em Paris, França. AAS
PAIGC: Declarações de Domingos Simões Pereira após a votação dos estatutos, no VIII Congresso do PAIGC, em Cacheu.
«Sou candidato à Presidência do Partido, sem qualquer tipo de hesitação... sinto-me orgulhoso de pertencer a esta família.», disse DSP. OUVIR as declarações.
S.O.S.
Se souberem de alguém que tenha um MacBook Air com teclado em português (isto é importante) para venda, gostaria de saber se fizerem o favor. Meu nr: 9322115 ou por e-mail: aaly.silva@gmail.com - 'Mimam-me' com dezenas de vírus por dia (seguramente mais de 50), tudo para acabar com o blog. Muito obrigado, AAS
Jovens guineenses contra a mutilação genital feminina
Fonte: EXPRESSO
Autora: Carolina Rico
"Eu carrego o nome dos meus pais" é o nome do estudo efetuado em três países, incluindo Portugal, para apurar a opinião dos guineenses sobre mutilação genital feminina e o casamento forçado.A maioria dos jovens originários da Guiné-Bissau a viver em Portugal é contra a prática da mutilação genital feminina e encaram-na como uma violação dos direitos humanos. Ainda assim, o respeito pelos mais velhos faz com que não se sintam capazes de fazer valer a sua opinião e intervir na comunidade.
Esta é uma das conclusões do estudo sobre a "opinião dos jovens acerca da mutilação genital feminina e o casamento forçado dentro das suas comunidades", que será hoje divulgado pela Associação para o Planeamento da Família (APF), no âmbito do dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina que hoje se assinala.
"Eu carrego o nome dos meus pais" é o nome do estudo efetuado em três países, no Reino Unido, Holanda e em Portugal, e que foi entregue esta manhã, num gesto simbólico, a Teresa Morais, secretária de Estado dos Assuntos Plamentares e da Igualdade de Género.
Na análise feita em Portugal, onde a comunidade guineense ultrapassa as 45 mil pessoas, os jovens manifestaram ainda o desejo de não perpetuar a prática no futuro, e dizem-se incapazes de sujeitar as filhas à mutilação genital, até porque, na maioria dos casos, esta é realizada pelos mais velhos, portanto, questioná-la "seria uma ofensa à cultura e um desrespeito aos anciãos".
"A intervenção do Estado é necessária, mas para erradicar a mutilação genital feminina os jovens têm de se insurgir contra a tradição", disse ao Expresso Miguel Feio, que entregou ao Governo o estudo da APF, cuja parte feita em colaboração com os outros países ainda não foi divulgada.
Tolerância Zero na Comunidade Europeia
Também a Amnistia Internacional lança esta quinta-feira uma campanha europeia destinada a incentivar os candidatos às eleições para o Parlamento Europeu a comprometeram-se a agir contra a prática da mutilação genital feminina.Teresa Pina, diretora executiva da Amnistia Internacional, disse ao Expresso que é fundamental "resolver o problema em casa". E um dos caminhos seria os deputados do Parlamento Europeu assinarem a Convenção de Istambul (Convenção do Conselho Europeu sobre a prevenção e combate à violência contra as mulheres).
"A ação da Amnistia não se pode dirigir aos países africanos, onde a prática é mais incidente, sem antes se manifestar junto das comunidades Europeias", comenta.Por isso, a Amnistia convida todos os candidatos às eleições de maio a assinarem uma declaração de compromisso pelo fim da mutilação genital feminina.
Graças à campanha da Amnistia Internacional "Fim à Mutilação Genital Feminina", no último trimestre de 2013 a Comissão Europeia lançou uma estratégia contra a mutilação genital feminina, que inclui a intervenção nos sistemas de saúde e serviços de proteção e apoio de menores, e criação de indicadores para se conhecer o número real de raparigas e mulheres afetadas na União, assim como o número daquelas que se encontram em risco.
Amnistia Internacional pediu também que os candidatos às eleições facilitem, no âmbito dos seus mandatos, a proteção das mulheres e raparigas em risco de serem submetidas à mutilação genital feminina dentro do enquadramento legislativo de asilo existente na União Europeia.
500 mil mutiladas
O Parlamento Europeu estima que cerca de 500 mil raparigas e mulheres a viver na Europa foram submetidas à mutilação genital feminina, e outras 180 mil se encontram em risco todos os dias.
Segundo os últimos dados da Organização Mundial de Saúde, mais de 125 milhões de mulheres foram sujeitas a alguma forma de mutilação genital feminina nos 29 países de África e Médio Oriente, onde a prática se concentra. A mutilação genital feminina é mais comum entre crianças e jovens até aos 15 anos e em mulheres adultas em observação de costumes e rituais regionais, podendo resultar em inúmeras complicações ou na morte da vítima.
PEDIDO: Se alguém conhecer um tal de NITO BERNARDO VIEIRA, que diz viver na cidade da Praia, em Cabo Verde, que me contacte sff. Esse senhor anda a ameaçar-me e quero ver-lhe o focinho. 932 21 15. Se o Nito for mesmo homem, com dois colhões, então que me contacte e logo veremos quem é mais homem. Obrigado, AAS
TELEX
E agora? STOP A 'plataforma' perdeu e ainda insiste para quê? STOP O Homem que queria a 'bicefalia' agora quer a 'unicefalia' STOP Onde estará a moralidade do acto? STOP Deixem o Braima Camará mandar e ver o que é capaz de fazer. STOP
Bem haja STOP
Braima Injai STOP
N’misti riba(*)
(*)Letra/Música: Iano Saluky (OUVIR MÚSICA)
Sin lembra
Sin rakua na tempo
Tudo ku n’passa
N’ta sinta n’tchora
Ai n’kansa dja
N’misti riba
Guiné-Bissau di nôs, nô terra sabi
Canta liberdade, na brinco em comum
Ki di bô i di mi
Di mi i di nôs
N’na riba n’barça nô bandera
Bandera, ku nô iça na kansera
N’na riba n’ialça nô bandera
Bandera ku nô iça na kansera
Ai n’kansa dja
Ma n’misti riba
Pa n’kebra nostalgia
Ku n’tem di bô Guiné
Nha kudadi i ês
Son na bu futuro
El ku mas na fassim riba
Pa djunta mon na bô
Ó volta, festa, festa
Ó volta, festa, festa
Ó volta
Festa garandi na nha terra sin tchiga
Ó volta, n´na riba
Ó volta, sin n’na riba
Nin si ku pé na tchon
N’na riba Guiné
Nin si ku tchepên di padja
N’na riba Bissau
Nin si nha mala lebi
N’na riba Guiné
Nin si n’ka leba uro
N’na riba Bissau
Nin si ku pera-na-sol
N’na riba Guiné
Nin si n’na bai kuntango
Siti tem lá pa ieri-ieri
Nin si n’dianta ku Falé
N’na riba Guiné
Nin si n’ka leba nada
N’na riba Bissau
PETRÓLEO: Possibilidade de extração do 'ouro negro' nas águas da costa da Guiné-Bissau
A empresa FAR Limited diz existir uma alta probabilidade de extração de petróleo, a custos «comercialmente atraentes», nas águas ao largo da Guiné-Bissau. As descobertas feitas no âmbito da prospeção ao largo da costa guineense revelam que a «possibilidade de sucesso de exploração», num poço que deverá ser perfurado no final de 2014, «é relativamente alta», indicou a empresa australiana. «A avaliação de recursos de hidrocarbonetos da FAR confirma um potencial da ordem dos milhares de milhões de barris de petróleo na zona offshore no mar da Guiné-Bissau para a qual a FAR possui licenças.»
2014 - Ano da Agricultura e da Seguranca Alimentar e tema da 22ª Sessão da Assembleia Ordinária da União Africana
Por Carlos Lopes*
O artigo abaixo foi publicado no jornal etíope Daily Monitor e na revista Africa Report, e é uma versão do discurso que o autor proferiu no dia 27 de janeiro último, na XXIV Sessão Ordinária do Conselho Executivo da União Africana. As ideias apresentadas no artigo são importantes referências para as discussões que a União Africana desenvolve nesse momento sobre o tema da agricultura e segurança alimentar:
«Hoje, em uma vila na Zâmbia, uma mulher caminhará cinco quilômetros para chegar a seu hectare de plantação de milho ou batata. Com uma enxada ou cutelo, ela cuidará de sua plantação, cortando as ervas daninhas e fortificando as gavinhas da batata e rezará por a chuva, atrasada já há duas semanas. Isso porque sem chuva ela não poderá colher as 2,1 toneladas métricas por hectare de costume, das quais uma parte alimentará sua família e a outra será vendida no mercado local. A maior parte do dinheiro que ela receberá será usado para pagar as contas da escola e do hospital e medicamentos, caso algum de seus filhos fique doente.
Eu me refiro a uma mulher na Zâmbia, mas poderia estar falando de um jovem pastor aos pés do Kilimanjaro, que levanta todas as manhãs para pastorear antes de correr para a escola; ou de um nômade da tribo Gorane no Chade saheliano procurando desesperadamente por água no deserto; ou de uma vendedora de peixe na costa de Shenge, que agora vende muito pouco por causa das atividades da pesca de arrasto em Serra Leoa; ou ainda de um cafeicultor etíope que vê sua colheita anual reduzir-se em decorrência da infestação da praga da broca do café.
Esse é o perfil médio do agricultor africano – em sua maioria mulheres, frágeis, com um pequeno pedaço de terra, e absolutamente dependentes da natureza e do clima. Dado que aproximadamente 65% dos africanos dependem da agricultura como sua fonte primária de sobrevivência e, apesar da variedade de culturas, animais e práticas de cultivo por todo o continente, não é de surpreender que a África apresente os menores níveis de produtividade agrícola do mundo. Enquanto a produção agrícola em terras indianas cresceu de 0,95 toneladas por hectare para 2,53 toneladas por hectare nos últimos 50 anos, a produtividade na África está estagnada em 1,5! E isso apesar da África apresentar uma disponibilidade de terras agrícolas 3 a 6 vezes superior à da China e da Índia, países que, embora com muito menos terras agrícolas per capita – 0,6 hectare per capita no caso da China e 0,3 hectare no caso da Índia– conseguiram ser bem-sucedidos em assegurar alimento para seus povos.
Apesar de seus imensos recursos naturais, a África é a região que apresenta a maior insegurança alimentar do mundo. Em torno de 226 milhões de pessoas, ou uma em cada cinco pessoas na África, padecem de insegurança alimentar crônica. Com efeito, quando comparada ao resto do mundo, vemos que, embora a África abrigue em torno de 15% da população mundial, ela também é o lar de um terço dos afetados pela fome em nosso planeta.
A despeito desses desafios, não há dúvida de que a agricultura na África também apresenta algumas histórias de sucesso. As intervenções do governo de Gana para introduzir sistemas agrícolas mecanizados e tornar o sistema coletivo de produção em larga escala (block farming) uma realidade para pequenos produtores agrícolas foram exitosas em tornar o país um verdadeiro celeiro de alimentos. Em Uganda, a produção de peixe saltou 35% em relação à última década, resultando em um aumento na produção da aquicultura de 285 toneladas métricas em 1999 para mais de 100.000 toneladas métricas atualmente.
No Egito, a produção atual de arroz está em 9 toneladas métricas por hectare, o que faz desse país aquele com o melhor desempenho em termos de resultado do mundo. Para 2014, espera-se que sua produção de arroz atinja 7,5 milhões de toneladas, com um faturamento próximo a meio bilhão de dólares. O armazenamento de água nas terras baixas da Tanzânia – onde as chuvas sazonais podem atingir de 600 a 900 mm – cresceu muito, o que contribuiu significativamente para melhorar a agricultura de base pluvial das fazendas de arroz de Majaluba. Com a ajuda de sistemas individuais de bombeamento de água de baixo custo (Pump Schemes), hoje os agricultores nigerianos podem recorrer à irrigação de pequena escala usando a água de lençóis freáticos pouco profundos realimentados pelo rio e a elevando por meio de picotas ou cabaças na época de seca para cultivar verduras para os habitantes da cidade.
Infelizmente esses casos de sucesso ainda não são o retrato da situação como um todo. Temos que reconhecer que é preciso aumentar a produtividade. A maioria dos agricultores africanos não foi beneficiada por iniciativas e programas visando a melhoria das técnicas agrícolas ou pela existência de melhores equipamentos agrícolas, sementes, fertilizantes, tecnologia pós-colheita, financiamento rural e assim por diante.
A questão a ser feita é esta: por que tão pouco sucesso foi obtido até agora? Uma resposta simples é que a agricultura, o setor que parece ter as soluções-chave para a transformação do continente, há muito vem sendo negligenciada e mal direcionada. Isso se reflete no fato de que tanto os gastos públicos quanto os provenientes do programa de Assistência Oficial ao Desenvolvimento (ODA, do inglês Official Development Assistance) foram muito mal alocados, não atendendo as necessidades fundamentais da agricultura. Em 2002, por exemplo, a África recebeu quase o dobro do montante de assistência oficial (ODA) para a agricultura – em números, US$713,6 milhões – relativamente aos US$479,8 milhões recebidos pelos países do Leste e Sudeste Asiático. Entretanto, isso não se traduziu em maior retorno por dólar investido. Os gastos dos países africanos em agricultura sempre foram – salvo poucas exceções – menores do que a meta de 10% estimada pelo Programa Compreensivo para o Desenvolvimento Agrícola em África (CADDP).
A história nos conta que as nações que obtiveram sucesso em retirar suas populações da pobreza o fizeram a partir de uma revolução agrícola que envolveu melhorias sistemáticas na produção, armazenamento, processamento e uso. O aumento da produtividade agrícola tem, desde os tempos da revolução industrial europeia, contribuído imensamente para a aceleração das transformações estruturais das economias. O efeito da revolução agrícola nas economias do Brasil, da Índia e da China ilustra como o excedente do aumento da produtividade agrícola pode impulsionar o crescimento industrial.
A agricultura da África ainda está para ser usada como uma real ferramenta de transformação. A África tem a seu alcance a capacidade, o capital humano, os recursos e as oportunidades para liderar o caminho do desenvolvimento sustentável. Um setor agrícola verdadeiramente transformador demanda diversos pré-requisitos para a adoção de uma política consistente. Permitam-me propor a estratégia de seis pontos.
Primeiramente, precisamos voltar a dar ênfase a estratégias e políticas visando à transformação estrutural da agricultura. Tendo em conta uma abordagem integrada entre as dimensões econômicas, sociais e ambientais, devemos focar em comida, terras, água, segurança florestal, recursos biominerais e nos elos tanto urbano-rurais quanto entre a agricultura e os outros setores em evolução das economias africanas. É desse modo que faremos do agronegócio uma meta primordial.
Em segundo lugar, devemos reduzir a vulnerabilidade dos milhões de consumidores e pequenos agricultores africanos aos altos preços e à volatilidade ao mesmo tempo em que aumentamos a resistência a choques. Precisamos derrubar o conceito equivocado de segurança alimentar como um substituto para a redução da pobreza. A segurança alimentar deve ser abordada economicamente e não como um programa de redução da pobreza.
Em terceiro lugar, reconhecendo que a industrialização na África deve ser baseada em commodities, temos que defender este caminho como forma de redirecionar as preocupações relativas à mudança climática no planeta. A agregação de valor deve ocorrer próxima aos recursos, reduzindo-se assim as imensas pegadas de carbono geradas pelo enorme percurso necessário para transportar as commodities para processamento. Os produtores africanos devem estabelecer os preços em vez de se verem submetidos aos que hoje os estabelecem. Nosso tamanho nos capacita a estabelecê-los e a influenciar as tendências de preços. O acordo proposto entre as processadoras de cacau Cargill e Archer Daniel Midlands, se aprovado, dará às duas empresas o controle de até 60% do comércio mundial de cacau, quando a África é quem o produz!
Em quarto lugar, devemos redefinir a política industrial a fim de evitar uma abordagem padrão, enquanto conjunto de intervenções predefinidas. Em vez disso, essa política deve ser internalizada no setor privado visando gerar processos e procedimentos que possam compreender e atender necessidades industriais em constante mutação. É assim que, mais do que copiar, passamos a aprender com a substituição de importações da América Latina e a via da exportação adotada em partes da Ásia. Nossa industrialização deve olhar para nossos ativos, commodities e o mercado africano em crescimento, e maximizar as conexões com o setor agrícola.
Em quinto lugar, preservar as oportunidades de crescimento verde que se apresentam para a África. Essas oferecem um leque imenso de oportunidades de investimento. A África precisa se ver como protagonista na resolução dos problemas que envolvem as mudanças climáticas, ao invés de se ver como vítima. Com a maior reserva de terra arável sem uso do mundo, a África é líder natural em um mundo onde falta comida. Não nos mantermos presos a nenhuma preferência tecnológica também nos permitirá superá-las pela adoção de energia limpa e verde, alavancando nosso maior potencial do mundo nesse tocante.
Por último, a África precisa se manter firme contra os protocolos e políticas comerciais. Por exemplo, os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos continuam a distorcer os mercados internacionais de commodities e a gerar dumping, deprimindo os preços e, por conseguinte, a lucratividade dos negócios dos pequenos produtores agrícolas africanos. Este “Ano da Agricultura e Segurança Alimentar” proporciona a oportunidade para a África exercer um papel de liderança nas negociações agrícolas multilaterais, com foco no acesso aos mercados internacionais, na concorrência exportadora, com o uso de subsídios de exportações, e na eliminação dos subsídios nos países desenvolvidos. O recente acordo da OMC em Bali deixou patente a força da Índia, uma economia menor que a da África. A lição é óbvia.
As possibilidades de crescimento na África são ilimitadas e a África está pronta para dar o próximo passo –manter o crescimento e fazer com que este seja transformador. A transformação do modelo agrícola africano deve capitalizar nossa força e recursos enquanto aproveita os novos avanços na ciência e descarta tecnologias obsoletas. Estamos perto do limiar do que é necessário para acabar com a pobreza. Previsões de crescimento de 6% para este ano nos mostram que precisamos de 1% a mais para atingir os famosos 7% que mudarão nossa sorte.
Os ganeses têm por ditado que ‘o baterista toca melhor com a barriga cheia’. Estimativas recentes da Comissão Econômica da ONU para a África (CEA) e seus parceiros mostram que os países africanos perdem de 2 a 16 por cento do PIB por conta da desnutrição infantil. Nós podemos abordar essa questão de modo convincente. Mais de US$15 bilhões foram gastos em ajuda agrícola à África ao longo das últimas duas décadas e ainda não conseguimos lidar com a questão básica da desnutrição. Não há mais sobre o que falarmos para finalmente entendermos que precisamos mudar a velocidade e o rumo. Precisamos de uma revolução agrícola na África.
Para o jovem pastor que vive nos montes do Kilimanjaro ou no Sahel, melhores pastagens trarão a possibilidade de que ele passe mais tempo na escola; à vendedora de peixe, uma melhoria na pescaria através de medidas que acabem com a pesca de arrasto em alto-mar, significará mais renda para sua família; ao cafeicultor etíope, sementes de café resistentes a pragas melhorarão a qualidade e aumentarão a produtividade de sua colheita; e à pequena produtora de milho na Tanzânia, um aumento na produção de 2,1 toneladas métricas por hectare para 10 toneladas métricas por hectare significará que ela terá dinheiro suficiente para manter seus filhos na escola e começar um pequeno negócio.
A Comissão Econômica da ONU para a África (CEA) já está trabalhando em conjunto com os governos de Botsuana, Etiópia, Gana, Costa do Marfim e Ilhas Maurício para instituir tais medidas por meio de planos de industrialização baseados em commodities de autoria da própria CEA.
Nesse contexto, 2014, o ano da “Agricultura e Segurança Alimentar na África”, mostrará sua relevância e a agricultura se tornará um verdadeiro catalisador da mudança do continente à medida que buscamos conquistar, nas palavras de Nelson Mandela, ‘uma África onde haveria trabalho, pão, água e sal para todos’.»
*Carlos Lopes é o atual secretário-geral adjunto e secretário-executivo da Comissão Econômica para a África da ONU. Ele nasceu na Guiné Bissau e atualmente é uma das principais referências no debate sobre o desenvolvimento do continente africano.
CASO ELTON-ENGEN: Uma outra versão
Há uns anos atrás, a Empresa ENGEN da Africa do Sul, vendeu todos os seus activos e passivos à Empresa senegalesa ELTON. Na altura o Director Geral da ENGEN era Bastou Badarou e o seu Financeiro era o Aminou. Aquando da passação dessa Empresa para as mãos da ELTON, o próprio Bastou como DG, convocou uma reunião geral com todos ao trabalhadores e dar a noticia oficialmente onde na mesma reunião apresentou aos mesmos os novos donos da Empresa. A partir daí a Empresa ELTON começou a sua gerência sobre todas as estações de combustível do país, sob Direcção Geral do Aminou, aquele que foi Director Financeiro da ENGEM enquanto Bastou era DG. Aliás, o Aminou foi proposto DG pelos próprios donos da ELTON.
Passados todos estes anos, sem que o Bastou Badarou apresentasse ao serviço por ser ele também quadro técnico da Empresa, surgiu do nada. Chegou num dos voos nocturnos a Bissau e ninguém soube dele durante 3 dias. Dias após o seu regresso, chega à Empresa que é já da ELTON, acompanhado de 4 soldados militares, como segurança. Primeiramente sobe ao primeiro piso da Empresa e proíbe os senegaleses que lá estavam, de trabalhar e de descerem ao rés do chão, porque ia ter uma reunião com todo o pessoal da Empresa. Deixou lá dois soldados militares. Desceu ao rés do chão com os outros dois soldados militares e todos os trabalhadores ficaram assustados.
Convocou uma reunião e disse que voltou para retomar a Empresa e que gostaria que os trabalhadores se posicionarem ali mesmo se iriam trabalhar com ele ou não. Após alguns trabalhadores questionarem o assunto, ele logo começou por ameaçar, advertindo que conhece a casa onde cada trabalhador mora com a sua família. Disse ainda que, quem não estiver com ele, também que não se meta naquele assunto, pois se alguma coisa vier a acontecer com as respectivas famílias, será da responsabilidade dos mesmos.
A seguir voltou a subir ao primeiro andar, expulsando os senegaleses da Empresa, dando-os assim ordem imediata de regressarem ao Senegal, se os mesmos não queiram que nada aconteça com eles. Daí os senegaleses se retiraram e os trabalhadores notando que não havia clima de trabalhar, com a presença dos 4 soldados militares também se retiraram e cada um foi para a sua casa. Ao que parece os 4 soldados militares meterem-se nesse serviço sujo do Sr.º Bastou, porque ele os pagou bem, mas sem conhecimento dos respectivos superiores hierárquicos.
Não quero estar a desmentir a pessoa que se diz ex-funcionário quando diz que houve pessoas corrompidas a nível do governo. Não tenho provas nem contra e nem a favor. Mas gostaria aqui de saber o seguinte dessa pessoa:
- Como é possível que vem a Guiné-Bissau, uma pessoa estrangeira, que consegue pagar os 4 soldados militares para estarem a andar pra cima e pra baixo com ele, ainda ameaçando próprio “FIDJU DI TERRA NA SI TERRA”? Responda-me Sr.º ex-funcionário.
- Como tu te sentirias se continuasses ainda a trabalhar lá, recebendo essas ameaças, sabendo como é a nossa Guiné nesse aspecto? Sabias que se o Sr.º Bastou Badarou decidisse realizar mesmo essas ameaças, poderia o fazer e isso sem problemas nenhum e que seria só mais um caso ??? Por amor de Deus…
Eu poderia estar aqui a explicar ainda muito mais, até a prisão do Sr.º Bastou, depois de gesticular a frente do Director Geral da Polícia Judiciária, onde, como ele disse, “mon caplin nan el kumanda n’dau bofetada”. E a sua prisão pelos da Judiciária aconteceu num intervalo que o Bastou deu aos 4 soldados militares para almoçar, pois a Polícia Judiciária não tinha como o pegar, pois o 4 soldados militares estavam armados.
Poderei entrar em contacto contigo novamente assim que se justificar.
Continua o teu bom trabalho e que Deus te abençoe.
T.M. Bissau
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