terça-feira, 20 de novembro de 2012
Kumba Yalá – o “chefe” balanta
Na noite de 14 de Setembro de 2003, acordaram abruptamente Kumba Yalá para o avisar que estava em marcha um golpe de Estado, face ao qual seria conveniente recolher-se em aposento com melhores condições de segurança. Era um engodo, em que caiu, assim dando origem a um “golpe palaciano” tão bizarro quanto tinha sido o exercício do seu mandato como Presidente da República, iniciado em 17 de Fevereiro de 2000. O quarto para o qual Kumba Yalá aceitou ser levado, alegadamente para sua protecção, foi a seguir trancado, tornando-se numa espécie de refém. De caminho foi formalmente afastado da Presidência.
Os quase três anos que a presidência de Kumba Yalá já levava constituiram uma exibição contínua, no país e no estrangeiro, de excentricidades de que não havia memória. Os partidos da oposição, incluindo o PAIGC, chegaram a pedir a sua destituição ( “impeachment” como então se dizia), invocando razões de insanidade mental – algo de facto presente nos constantes excessos e gafes em que incorria em público (e outros, privados, de que havia ecos). Apesar de “louco”, como ficou conhecido, Kumba Yalá foi toda a vida, incluindo na sua faceta de Presidente, um inato manipulador, movido por fixações de poder, importância e notoriedade (escreveu e publicou um livro de poesia, que a crítica considerou “intragável”, como contribuição para a sua celebrização).
Foi por que detinha um poder no mínimo não negligenciável, que os mentores do “golpe palaciano” que afastou da Presidência, entre os quais o então CEMGFA, General Veríssimo Seabra, optaram pela brandura de simplesmente o “confinar a um quarto”. A sua aguda obsessão pelo poder e o instinto de sobrevivência que revela, constituem a explicação mais abalizada para a argúcia e capacidade que sempre exibiu para se ir adapatando às diferentes circunstâncias da sua vida, sempre que vislumbrou nas mesmas satisfação da sua ambição de poder.
Mudou de identidade, de partido, de religião, de amigos e aliados, etc, mas na lógica de todas as mudanças descortina-se o desígnio de se afirmar/fincar como chefe balanta – na verdade, a fonte principal do poder que de facto tem – apesar de corrído pelo tempo e pelo efeito nefasto de contovérsias que também fazem parte da sua maneira de ser. No balanço do seu consulado presidencial há-de sempre sobressair um lado profundamente negativo – o das clivagens que cavou na sociedade guineense, cuja natureza pluri-étnica foi alterada pela promoção da tribo balanta, em que se aplicou. Dizia, embora nunca o tendo feito em público, que era uma forma de os retirar da marginalização a que tinham sempre estado sujeitos, em especial no tempo de Nino Vieira.
O problema é que, de forma desproporcionada, lhes entregou as Forças Armadas, as magistraturas, os negócios, o funcionalismo, etc. A importância que Kumba Yalá de facto tem e essa outra, ainda maior, que o próprio julga que tem (tão grande que lhe permite afirmar não ter adversários à altura, no seu partido, o PRS, ou mesmo no país), vem sobretudo da imensa legião de protegidos que lhe é grata, o respeita (sempre tratado por senhor doutor) e o considera uma tábua de salvação para conservar o que tem. Por acréscimo, uma outra legião de pessoas comuns, que com ele se identificam, atraídas pelo seu populismo e/ou por verem nele “o chefe”. O problema é que são simplesmente legiões de balantas – o sificiente para minar a já de si precária coesão nacional. AM
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Le Joola - França decide sobre culpas
A mais alta jurisdição francesa, o Supremo Tribunal (Cour de cassation), deve decidir terça-feira sobre o recurso dos responsáveis senegaleses accionados judicialmente num inquérito levado a cabo em França sobre o naufrágio do ferry le Joola, que vitimou quase 1.900 pessoas ao largo da Gâmbia, há pouco mais de dez anos.
Seis dos setes antigos responsáveis senegaleses, civis e militares, visados por mandados de detenção internationacionais, contestam a competência da justiça françesa. De entre eles, uma só pessoa foi interpelada em outubro de 2010, em Paris. Depois de ouvido foi colocado sob tutela judiciária. O inquérito francês foi aberto em 2003 com base de indiciação de homicidios involuntários e omissão de assistência a pessoas em perigo, seguida de uma queixa das familias das vitimas, entre os quais 22 franceses.
Em 2010, o Supremo Tribunal Francês tinha anulado os mandados de detenção emitido contra o ex-Primeiro Ministro senegalês Mame Madior Boye e o ex-ministro das Forças Armadas Youba Sambou. Para a Etienne Rosenthal, advogada das vitimas francesas, seria uma "negação da justiça" caso esse inquérito não desse lugar a um processo.
Da sua parte, a justiça senegalesa encerrou esse dossier desde de 2003, concluindo que a única responsabilidade reacai sobre o comandante de bordo, desaparecido no naufrágio. O Joola, recorde-se, afundou-se ao largo da Gâmbia no dia 26 de setembro de 2002, quando fazia a ligação entre Ziguinchor (sul do Senegal) e Dakar. A catástrofe fez 1.863 morts e desaparecidos segundo o balanço oficial, mais de 2.000 segundo as associações das familias das vitimas, em qualquer das circunstâncias ultrapassando o naufrágio do Titanic (1.500 mortoss). Somente 64 pessoas conseguiram sobreviver. AAS com Agências
Saques & Delírios
- Os militares guineenses, para comemoração do 16 de Novembro, sacaram do Tesouro Público 150 dos 250 milhões de FCFA que tinham solicitado. Mas antes insultaram o Ministro das Finanças porque este lhes disse que os 250 milhões não tem enquadramento visto estar a juntar dinheiro para pagar os salários aos funcionários públicos. O que aconteceu? Levaram-no para a fortaleza da Amura (EMGFA), onde o insultaram e intimidaram.
- A tropa foi à tabanca de Gã-Cisse, na Região de Gabú, 'visitaram' um campo de horticultura preparado pela população e disseram que têm informações de que é ali que os 'mercenários' descem - os tais mercenários... Esse é um campo de horticultura apoiado pelo Projecto PASA com o financiamento do BOAD. Um autêntico delírio, portanto... E assim vai a Guiné-Bissau... AAS
ADVERTÊNCIA OFICIAL DO GOVERNO DO CANADÁ
GUINÉ-BISSAU - EVITAR TODA A VIAGEM NÃO ESSENCIAL
O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Comércio Internacional do Canadá, recomenda aos seus cidadãos a evitar toda viagem não essencial para a Guiné-Bissau. A situação politica actual continua incerta em todo o país, e os riscos de instabilidade civil ou militar é de nivel elevado, segundo a mesma fonte. AAS
domingo, 18 de novembro de 2012
Ditadura do Consenso: Nota 10
Aly,
5.000.000 de visualizações é uma proeza, que foi com certeza, fruto de um trabalho árduo que demonstra a tua capacidade jornalística de construir leitores e torná-los fiel ao blogue. Este número vem confirmar que o “Ditadura do Consenso” não é somente um jornal electrónico de informação, mas sim um elo de ligação entre a Guiné-Bissau e o mundo. O mérito também pertence aos excelentes comentaristas, cronistas, activistas que participam diariamente na construção colectiva de notícias no D.C.. O D.C. (berço de futuros escritores) veio para ficar... . A todos, os meus PARABÉNS!
Caros compatriotas, apesar de me ter deixado sem chão, a notícia da possível desistência do blogue, quero destacar a belíssima mensagem do cidadão Aly que diz: “NÃO QUERO SER HERÓI, NEM COISA QUE O VALHA. NÃO CORRO POR CONDECORAÇÕES, FUJO DE HOMENAGENS A SETE PÉS, NÃO QUERO A GLÓRIA. NÃO ME INTERESSA PARA NADA”. É sem sombra de dúvidas uma demonstração de generosidade, afecto e humildade. Uma atitude dum bom filho desta nação valente. Quando se luta contra todos os ventos, pondo em risco a nossa própria vida, e acto de coragem, mas fazê-lo como trabalho voluntário é mais que isso: é prova de amor a pátria. Este cidadão/jornalista, a meu ver, merece muito mais...
Aly, sendo eu, um leitor e colaborador assíduo do D.C., obviamente não podia ficar fora desta corrente forte de solidariedade que demonstra o carinho, afecto e sobretudo um rico gesto de reconhecimento nacional do excelente trabalho jornalístico que tens prestado a pátria, com muita coragem, quer chova quer faça vento.
O “Ditadura do Consenso” existe já há uns bons anos mas, infelizmente só há sete meses (idade do golpe de estado de 12 de Abril) que descobri este blogue de grande utilidade pública. Experimentei, gostei e fiquei. Esta é a avaliação do blogue que fiz durante este período conturbado pós golpe:
• D.C. é blogue do povo com dose q.b. (quanto basta) de sensacionalismo, de qualidade e porque não com uma pitada de (mínimo que o país precisa) patriotismo;
• D.C. é um veículo de transmissão do sofrimento do povo guineense;
• ajuda a compreender a verdade das coisas sem abafar o feio, o podre e os prejuízos, (muitos irreparáveis) causados ao país;
• posta artigos que respondam as perguntas diárias deste povo sofrido;
• relata notícias de última hora (breaking news) em tempo record;
• da informações baseadas na realidade dos factos;
• não fica indiferente diante da dor e das privações dos guineenses;
• representa o povo guineense de forma digna;
• não ignora o quotidiano do leitor;
• sempre privilegiou o que considerou ser o interesse nacional sobre os interesses particulares. Nota 10/10.
Tudo indica que o Ditadura do Consenso “ka na kaba pabia homi ka ta moli”. Sendo assim, o povo te agradece: DJARAMA Aly!
O fim do D.C. deixaria com certeza muitos guineenses tristes e desprovidos de notícias da nossa querida Guine. Deixaria sem dúvida uma grande lacuna na comunicação social guineense, isto sem menosprezar o excelente trabalho que todos os blogs e sites estão a fazer em prol da democracia e do bem-estar comum.
A continuação do blogue D.C. seria uma decisão acertada mas, nunca te esqueças que a preservação da tua integridade física e a dos teus, deve estar acima de qualquer paixão, de qualquer coração. Não abdiques daquilo que tanto gostas e que fazes tão bem! Não abortes este lindo projecto (Ditadura do Consenso) de grande utilidade pública! Cuida-te “matchu”! Terra sta tirmidu...
Desejo-te, enfim, felicidades, sucesso e que muitas novas e boas ideias surjam para que o “ditadura do consenso” cresça cada vez mais e continue a servir este povo maravilhoso.
Antes de dar o fora, quero, em nome de todos os guineenses apelar a comunidade internacional que de apoios na busca duma solução política inclusiva e definitiva ao conflito e na construção da paz e justiça social, como passo imprescindível para a democracia.
A minha esperança assim como a de todos os guineenses mantem acesa em dias melhores. Um dia, olharei para o meu país e direi para meus filhos: "A Guine é minha, é vossa, é de todos, cuidem e desfrutem...!"
Londres, 18/11/2012
Vasco Barros
COLECTIVO GUINEENSE EM FRANÇA LANÇA APELO A FAVOR DE IANCUBA DJ. NDJAI
COLLECTIF DES RESSORTISSANTS, AMIS ET SYPATHISANTS DE LA GUINEE-BISSAU
O nosso compatriote e amigo Dr Iancuba DJOLA NDJAI está num estado de saùde preocupante e com uma situaçâo financeira dificil para o seu tratamento no hospital Pincipal em Dakar (Sénégal).
Compatriotas, nesses momentos de grande afliçao, todos unidos (patriotas, humanistas, simpatizantes, democratos, etc...) temos um dever moral e uma obrigaçâo da nossa consciência de mobilizar todos os meios para encontrar uma soluçâo rapida à esta situaçâo através de uma solidariedade nacional e internacionale.
Por esta razâo, o “Collectif des Ressortissants, Sympathisants et Amis de la Guinée-Bissau”, lança um apelo para a recolha de fundos a fim de fazer face às dificuldades financeiras que o Dr Iancuba DJOLA NDJAI està a enfrentar no hospital Principal em Dakar.
Para a sua hospitalisaçâo e a assistência por parte da sua famlia em Dakar, é nécessario meios financeiros e apoios nesse momento particular na luta e sacrificios para a Democracia e liberdade do povo da Guiné-Bissau e da Africa.
Por isso, apelamos à todos os bons sensos, boas vontades, humanistas, Democratas e patriotas para fazerem um « gesto humanitario », segundo às possibilidades de cada um de nos. A vida de DJOLA NDJAI depende agora da nossa fraternidade, “Guinendade”, determinaçâo e generosidade. Nâo devemos permitir uma autosatisfaçâo dos inimigos da Democracia na Guiné-Bissau!
Agradecemos à todos os bons sensos que tiveram a generosidade de fazer um gesto humanista para com o Dr Iancuba DJOLA NDJAI. Com o vosso apoio, a luta para a paz, liberdade e Democracia na Guiné-Bissau permitera o Dr Iancuba DJOLA NDJAI de fazer faz aos demas despesas hospitalares.
Contando com a vossa contribuiçâo financeira, podem fazer a transferencia, deposito de cheque ou liquido no suiguinte numero de conta bancaria:
Crédit Mutuel Paris Montmartre Grands Boulevard
Solidariedade Polon
Code Banque: 10278
Code Guichet 06039
Numéro de Compte: 00021419201
Clé: 28
Podem tambem utilizar bancos de transferencias: Wester Union, MoneyGram, Ria etc...em nomes abaixo mencionados.
Toda ajuda financiera sera justificada por um recibo da nossa parte.
Contactos:
Jorge Albino Monteiro : (00 33) 6 78 22 65 20
Matilde Pontes : (00 33) 1 45 01 61 88
Caramba Sanha : (00 33) 6 50 36 35 75
Maxi Pontes : (00 33) 6 69 18 35 18
Marcelina Monteiro : (00 33) 6 36 71 73 44
Dembo Cante : (00 33) 6 62 36 36 50
Diamentina Monteiro : (00 33) 6 19 64 35 46
Antonio N’Decki : (00 33) 6 68 81 50 20
Carmen Silva : (00 33) 6 16 81 70 40
Flavio Batica : (00 33) 6 61 11 85 72
Rosantina Ramos Da (Necas) : (00 33) 7 70 53 84 80
Valdir Medina : ( 00 33) 6 16 45 95 73
Ivair Spencer (00 33) 6 10 46 46 87
Jean Mendy : (00 33) 6 19 48 42 35
O vosso gesto humanitario dà um grande reforço à nossa UNIDADE NACIONAL!
Para todas as informaçoes referentes às ajudas financieras e outras, podem contactar:
Email: collectifgbfrance@gmail.com
Paris, 17 de novembro 2012
Direcçâo
sábado, 17 de novembro de 2012
África está assim
A aprovação na terça-feira pela União Africana (UA) do envio de uma força militar internacional para reconquistar o norte do Mali, ocupado por islamitas armados, constituiu destaque no noticiário africano da semana que se encerra hoje (sábado).
Segundo um plano adoptado domingo por dirigentes da África Ocidental, o Conselho de Paz e de Segurança da UA decidiu aprovar o conceito "de operações para a mobilização planeada da força conduzida pela África, em apoio ao Mali", havia anunciado terça-feira o comissário de Paz e Segurança da UA, Ramtane Lamamra.
Os dirigentes da África Ocidental reunidos domingo em Abuja concordaram em enviar ao Mali uma força militar internacional de 3.300 soldados em um ano.
Este plano será submetido à Organização das Nações Unidas (ONU) antes do final de Novembro, através da UA, para que o Conselho de Segurança dê luz verde às operações.
Entretanto, o representante da ONU para a África Ocidental, Said Djinnit, declarou na terça-feira após um encontro com o mediador da crise maliana, o presidente burkinabe, Blaise Campaoré, que o diálogo é a "opção preferencial " para resolver o conflito no Mali, cujos resultados devem ser "rápidos".
Para as Nações Unidas, "todas as opções e vias de diálogo devem ser exploradas para se tentar resolver a questão pacificamente", acrescentou.
Ainda nesta senda, as autoridades argelinas asseguraram que "vão encerrar a sua fronteira" em caso de acção militar africana para reconquistar o norte maliano.
Foi igualmente manchete dos últimos sete dias, a eclosão quinta-feira de novos combates entre o exército e a rebelião Movimento de 23 de Março (M23), próximo de Goma, no leste da República Democrática do Congo (RDC).
Num comunicado, a rebelião acusou que o exército lançou as "ofensivas contra elementos do M23 nas suas posições sobre os eixos de Rugali, à 30 quilómetros da vila de Goma", a capital da província do Kivu-Norte, denunciando uma ruptura da trégua relativa que foi observada.
De acordo com um inquérito da ONU sobre a situação dos direitos humanos na província do Kivu-Norte (RDC) publicado quarta-feira em Genebra, pelo menos 300 pessoas, das quais 83 crianças, foram executadas arbitrariamente por grupos armados na República Democrática do Congo (RDC) entre Abril e Setembro.
Paralelamente a isso, o Conselho dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), previsto para 19 de Novembro em Bruxelas, agendou a tomada de sanções contra o Rwanda, devido ao seu suposto apoio ao grupo rebelde congolês M 23.
Segundo um comunicado divulgado terça-feira, os ministros europeus analisarão a possibilidade de decretar igualmente sanções contra os dirigentes do grupo rebelde congolês M 23.
Por seu turno, o governo do Uganda anunciou quarta-feira o encerramento de um posto fronteiriço chave com a República Democrática do Congo, a pedido das autoridades de Kinshasa, descontentes pelo facto da rebelião congolesa M23 cobrar impostos.
Mereceu igualmente destaque noticioso a confirmação do governo federal da Nigéria de ter iniciado negociações "informais" com o grupo Boko Haram, a fim de pôr termo à violência perpetrada por esta seita islamita.
Segundo o porta-voz da presidência nigeriana, Reuben Abati, "as negociações em curso são informais, onde pessoas que conhecem membros do grupo discutem com eles em nome do governo".
No mês passado, Boko Haram disse estar pronto para dialogar com o governo, mas com algumas condições, nomeadamente que o ex-chefe de Estado militar nigeriano, Muhammdu Buhari, seja um dos facilitadores e que as discussões decorram na Arábia Saudita.
O governo aceitou a oferta, mas o general Buhari recusou fazer parte das negociações e o grupo Boko Haram não reagiu à sua decisão.
A situação política na Guiné-Bissau também mereceu destaque na imprensa africana, desta feita com a declaração da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de que continua a "aguardar os termos de referência" da missão conjunta para a Guiné-Bissau, aprovada na última Assembleia-Geral da ONU.
À saída de uma audiência com o presidente português, Cavaco Silva, realizada terça-feira em Lisboa, o secretário executivo da CPLP, Murade Muragy, disse que a União Africana (UA) "ainda não enviou" aqueles "termos de referência", que determinarão "os objectivos da missão conjunta".
Na ausência disso, a CPLP "ainda não decidiu" sobre a sua participação na missão, acrescentou. Em Setembro, as Nações Unidas decidiram enviar à Guiné-Bissau uma missão composta pela CPLP, pela UA, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e pela própria ONU, para avaliar a situação e recomendar medidas para a estabilização do país, gerido por um Governo de transição desde o golpe de Estado, em Abril passado.
Por outro lado, a rejeição do governo da Gâmbia de prestar qualquer apoio à desestabilização da Guiné-Bissau também mereceu destaque nos últimos sete dias.
Quarta-feira, o embaixador da Gâmbia na Guiné-Bissau, Abdu Djedju, negou que o seu país possa servir de base ou de apoio a quem queira desestabilizar a Guiné-Bissau, como tem sido sugerido pelas autoridades civis e militares guineenses.
"Sempre disse que o Governo da Gâmbia está sempre ao lado da Guiné-Bissau em diferentes situações difíceis, pelo que em nenhuma situação a Gâmbia poderá ser parceira de alguém que queira desestabilizar a Guiné-Bissau", defendeu Abdu Djedju.
Constituíram ainda manchete na semana os preparativos para as eleições na Serra-Leoa, que se realizam hoje (sábado), onde pelo menos 2,6 milhões de eleitores são chamados a votar nestas eleições gerais consideradas como um teste crucial para a consolidação da democracia.
Dez anos após o fim de uma longa guerra civil (1991-2002), que causou 120.000 mortos, é a primeira vez que o governo organiza esse escrutínio, sem a intervenção directa da ONU, que está presente no país, desde 1999. O reagrupamento dos escrutínios (presidenciais, legislativas, municipais e regionais) é igualmente uma primeira.
Teve igualmente respaldo noticioso, a aprovação na terça-feira pelo parlamento da Somália da composição do novo governo somali. Dez ministros do novo governo formado pelo presidente Hassan Cheikh Mohamoud a 04 de Novembro, em que entram duas mulheres, foram confirmados pelo parlamento.
Por fim, a dissolução quarta-feira pelo presidente da Côte d’Ivoire, Alassane Ouattara, do governo formado em Março e encarregue de levantar o país após a crise político–militar mortífera de 2010–201, foi igualmente destaque. Segundo a presidência ivoiriense, o presidente anunciou, quarta-feira de manhã, no conselho de ministros a dissolução do governo, sem precisar as razões dessa dissolução inesperada, nem quando será formado o novo gabinete.
Guiné-Bissau abandonada
"Bom dia Irmão, obrigado a Deus por ter possiblitado o senhor sair da Guiné-Bissau, ileso. Gostaria de partilhar com os bons filhos desta terra a dor e o sofrimento que se vive na Guiné-Bissau.
Para mim a comunidade Internacional abandonou a Guiné nas mãos dos criminosos, traficantes e mercenários da CEDEAO. Faço só um breve comentario, foi dado o golpe no Mali e o pais esta divido, foi imposto um governo de transicão. O Mali actualmente esta dividido, onde se vive um clima de medo e de incerteza. Mas o povo vive de medo, não do seu exercito mas das forças invasoras que serão enviados a mando de Ocidente para eliminar os rebeldes. Porque é que as Nações Unidas não se comportou da mesma maneira com a Guiné-Bissau, onde um grupo de pessoas liderados pelo Kumba yala fez golpe nas vesperas da segunda volta das ELEIÇÕES financiadas por esta mesma comunidade Internacional que admite a presença de rebeldes vindos de alguns países vizinhos, ditos ECOMIB, que assistiram ao assassinato de mais de 15 pessoas pelo grupo de Milicias de Indjai e Iala. Tambem a Guiné esta dividido como o Mali, de um lado Aly Silva e bons filhos da Guiné e do outro pelos golpistas. A comunidade Internacional será responsável de tudo o que se poderá passar na Guiné.
QUERO DEIXAR ALGUMAS CONSIDERAÇÕES. ACONTECEU NA UNIVERSIDADE LUSOFONA, A UM PROFESSOR QUE APOIO GOLPISTAS FOI COLOCADO ESTAS PERGUNTAS E NÃO SE PERCEBEU O PORQUÊ...
Povo - Um grupo de seres humanos unidos por um factor comum, tal como a nacionalidade, cor da pele, etnia, cultura, religião, país. Os membros de um determinado "povo", (como, por exemplo, o povo português, ou o povo Angolano) partilham valores, crenças e hábitos em comum.
Milícia- É a designação genérica das organizações militares ou paramilitares compostas por cidadãos comuns, armados ou com poder de polícia que teoricamente não integram as forças armadas de um país. As milícias podem ser organizações oficiais mantidas parcialmente com recursos do Estado e em parceria com organizações de carácter privado, e podem atuar na defesa de interesses particulares, com objetivos políticos e monetários.
Rebelde - Alguém que não obedece ninguém e nem escuta conselhos, que acredita que possui uma autoridade legítima. Existem também os metais rebeldes, que são refratários resistentes à ação do fogo.
Obrigado,
Ibraima"
Até onde vai a impunidade?
Caro Aly
Hoje, por volta das 10h00, na estrada de Quelelé, via Libia Hotel, estava eu sozinho no carro, atras de um outro carro de estado cuja a matricula é 96 70 da serie CD.
O homem que estava ao volante levava um menino ao colo e...era esse menino que estava a fazer manobra. Fomos até a entrada da antiga instalação da embaixada dos EUA, o homem meteu o carro no meio da estrada, e eu fiz a ultrapassagem a direita pensando que o homem estava a ir para esquerda. Ao ultrapassar o homem acelerou, eu tentei fugir mas não consegui e ouve um choque. Desci do carro fui falar com ele, e todo arrogante perguntou-me como é que vamos fazer, disse-lhe que a única solução é chamar policia, mas ele disse-me que não tinha tempo para esperar a policia e que eu podia fazer o que bem entendesse porque o problema era meu.
Fui para Policia, fiz queixa, tomaram nota num pedaço de folha e de seguida disseram-me que podia ir embora que assim que encontrassem o carro iam contactar-me. Eu disse ao policia que sabia para onde o homem foi e que o meu carro está disponível caso quisessem ir... mas o policia nem me respondeu foi sentar no seu cantinho. Até onde vai a impunidade na Guiné-Bissau?
Obrigado,
N. J. A. C.
França ameaça encerrar embaixada na capital guineense
A França que recentemente manifestou-se disponível a apoiar as autoridades de transição da Guiné-Bissau na luta contra a impunidade, combate ao narcotráfico e a reforma do sector da defesa e segurança, considera agora a hipótese de vir a encerrar a sua missão diplomática na capital Bissau.
Apoiante das soluções encontradas pela CEDEAO para a crise guineense pós golpe de 12 de Abril, Paris vê-se entretanto mediante o alerta dos seus serviços secretos, na iminência de ter que levantar a âncora e partir de Bissau. Em causa os riscos de exposição da sua embaixada e do pessoal diplomático a potenciais acções terroristas na região, em particular na Guiné-Bissau, conhecida pela permeabilidade das suas fronteiras e pela crescente actividade do narcotráfico, esta com alianças ao extremismo islâmico na região.
Uma combinação letal aos interesses dos países ocidentais e da França em particular, que receia que as ameaças dos grupos jihadistas com vínculos a Al Qaida que operam no norte no Mali, encontrem na anarquia em que se transformou a Guiné-Bissau, terreno propicio a sua exequibilidade. Recorde-se que grupos extremistas islâmicos que controlam o norte do Mali , nomeadamente o Ansar Dine e o Movimento da Irmandade e Jihad para a África Ocidental ( MUJAO) , com ligacoes a rede Al Qaida para o Magrebe, ameaçaram atacar os interesses dos países ocidentais na região, caso a CEDEAO, aposte na intervenção militar para devolver a soberania e a integridade territorial do norte daquele país saheliano, a Bamako.
Com o engajamento de Paris que assume o apoio logístico a operacao militar gizada pela CEDEAO, a forca de intervenção oeste africana para o Mali, vai em principio ser realidade. Conta para já com o aval da União Africana e do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que unanimemente e sob proposta da Franca, aprovou recentemente uma resolução a propósito. Numa operação alinhavada em parceria com Washington, Drones franceses vigiam a região, de actividades terroristas e crimes transfronteiriços.
E é pois confrontada com as ameaças dos grupos extremistas islâmicos e com o cenário do recente ataque contra o consulado dos Estados Unidos da América, em Benghazi, Líbia, que vitimou o embaixador americano naquele pais do norte de África, em presença, que temendo pelo pior, a França tem vindo a considerar a reavaliação da presença da sua missão diplomática na capital guineense Bissau. A se concretizar, a decisão francesa representaria um sufoco final de um regime de transição que faz frente a um cerrado isolamento internacional que paradoxalmente a Franca e os Estados Unidos da América têm procurado atenuar.
E que Paris e Washington receiam que perante um enclausuramento do poder bissau-guineense, na sequência do isolamento internacional, a Guiné-Bissau se transforme definitivamente num santuário para o crime transfronteiriço e uma ameaça narco-terrorista na região.
Fronteiras vulneráveis
Para a crescente apreensão de Paris para com a porosidade das fronteiras nacionais guineenses terá por certo contribuído, a recente acção de um grupo de homens armados contra quartel dos para-comandos, por sinal uma das mais bem guarnecidas unidades militares do país na periferia de Bissau.
É que fazendo fé na versão das autoridades de transição guineenses, o ataque foi liderado por um capitão do exército, que teria conseguido infiltrar-se no território nacional, através da fronteira com a província senegalesa do Casamansa. Um argumento de que as autoridades de transição têm-se valido para justificar a tese de uma suposta conspiração internacional mas que acaba por deixar Bissau, numa situação incomoda quanto mais não seja por expor a vulnerabilidade das suas fronteiras. Remonta entretanto a Janeiro de 2008, o primeiro episódio a despertar as suspeitas de Paris para com a porosidade dos 350 quilómetros da fronteira terrestre guineense.
Numa operação conjunta com a polícia guineense, os serviços secretos franceses detiveram num hotel de Bissau, Sidi Ould Sidna e Mohamed Ould Sidi Chabarnou, dois operacionais da rede terrorista Al Qaida do Magreb, envolvidos um mês antes, no assassinato de quatro turistas franceses, na Mauritânia.
Os dois jihadistas teriam conseguido iludir a perseguição policial transfronteiriça e refugiar-se na Guiné-Bissau alegadamente com apoio de células locais daquele grupo extremista. Extraditados para a Mauritânia num controverso processo, o julgamento dos extremistas islâmicos por um tribunal em Nouakchott e a consequente condenação a morte, em 2010, ficaria marcado por revelações surpreendentes, nomeadamente o facto de Sidi Ould Sidna ter passado por um campo de treino de terroristas da rede Al Qaida na Argelia e de ter fixado residência na Guiné-Bissau. Aliás, seria o conhecimento do terreno e o relativo domínio do crioulo bissau-guineense, a determinar a opção pela Guiné-Bissau, como país de refúgio na fuga a perseguição policial transfronteiriça.
Recorde-se que ao ser escoltado pelos militares guineenses para o avião da Força Aérea da Mauritânia que o aguardava no aeroporto de Bissau, durante o processo de extradicao, Sidi Ould Sidna , ameaçou em crioulo “fazer Bissau pagar pela detenção dos combatentes da Jihad”. Na altura as autoridades policiais guineenses procederam igualmente a detenção de três outros cidadãos mauritanianos com residência em Bissau, acusados de cumplicidade na fuga dos dois extremistas islâmicos, facto que acabaria por levantar suspeitas quanto a existência de células de organizações terroristas, no país.
Verdade ou não o certo é que uma fonte da investigação policial guineense que pediu anonimato admite o facto do caso “Sidna “ ter sido mantido à margem nas investigações as circunstâncias do assassinato a bomba, um ano depois, do então chefe de Estado-Maior das Forças Armadas guineenses, o general Tagme Na Waie. Já na altura confrontado com a complexidade da organização das células terroristas na África Ocidental e sua conexão ao narcotráfico, Washington que se manifestara disponível a apoiar as autoridades bissau-guineenses nas investigações do caso, alertara para os potenciais vínculos entre o narcoterrorismo na região e o assassinato daquela alta patente militar guineense.
Nelson Herbert
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Adiada sine die visita internacional a Bissau
A visita que estava prevista para 5a feira, de uma missão internacional composta por UE, UA, ONU, CPLP e CEDEAO, foi adiada sine die. "Não temos informações sobre a viagem e a composição dos membros da delegação", disse Edwidge Olga Rodrigues, do serviço de comunicação do ministério dos Negócios Estrangeiros francês. Os serviços do protocolo de Estado não puderam precisar quando é que a visita terá lugar.
Tudo indica que a intransigência do governo de transição em conceder vistos de entrada a cidadãos de países que recusam reconhecer as autoridades saidas do golpe de Estado de 12 de abril - UE, UA, ONU, CPLP - esteja na origem do adiamento desta importante missão internacional. AAS
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