O Governo de transição da Guiné-Bissau disse hoje desconhecer qualquer reunião com as autoridades depostas no golpe de Estado de 12 de abril, na capital da Etiópia. Na quinta-feira, o primeiro-ministro deposto no golpe, Carlos Gomes Júnior, disse em conferência de imprensa em Lisboa que as autoridades de transição e o Governo deposto se iriam encontrar ainda este mês, na capital da Etiópia, para retomar o diálogo. Hoje, em Bissau, o porta-voz do Governo de transição e ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Vaz, disse que o executivo em Bissau "
não tem conhecimento de nenhum encontro" em Adis Abeba.
Quem tem sido o mediador de todo este processo é a CEDEAO (Comunidade dos Estados da África Ocidental) "
e as informações que temos não apontam para nenhuma reunião", afirmou aos jornalistas, frisando: "
A nós não nos foi transmitido nada". Questionado sobre se o encontro estará a ser organizado pela União Africana (UA), como disse Carlos Gomes Júnior, o porta-voz do Governo afirmou que se tal se vier a concretizar o executivo de transição "na altura própria analisará", acrescentando: "
Tudo o que for para a estabilidade, a paz e o progresso da Guiné-Bissau este Governo estará disponível".
A propósito de uma missão de observadores que na próxima quinta-feira deverá chegar ao país (composta pela ONU, CEDEAO, UA, União Europeia e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) o porta-voz avisou que "
os países que recusam vistos à Guiné-Bissau também não terão visto para entrar no país". Questionado sobre se se estava a referir a Portugal, Fernando Vaz disse que "
Portugal é um deles". "
Portugal não dá visto a nenhum membro do Governo, de igual forma nós iremos proceder", disse, acrescentando que "
é absurdo" algum responsável de Portugal vir dialogar com um Governo de transição que não reconhece.
"
Primeiro tem de haver reconhecimento, depois do reconhecimento o diálogo", disse, esclarecendo que essa restrição não se coloca por exemplo a Moçambique. "
Houve membros deste Governo que se deslocaram a vários países da CPLP sem problema, houve um reconhecimento ainda que não formal. Portugal recusou sistematicamente visto a qualquer membro deste governo, não nos peçam visto para nenhum membro ou representante oficial do Governo português", afirmou. LUSA