(NOTA: Ver o comunicado da União Africana e comparem com este - mais um - acto criminoso. AAS)
La situation de la Guinée-Bissau exposée aux partenaires de la CEDEAO
Report
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ECOWAS
N°: 296/2012
1 novembre 2012 [Abuja - Nigeria]
Le président de la Commission de la CEDEAO, M. Kadré Désiré Ouédraogo, a souligné mardi 30 octobre 2012 à Abuja les «progrès sensibles» accomplis concernant la stabilisation de la situation sécuritaire en Guinée-Bissau et l’établissement d’un consensus interne sur la transition dans ce pays.
S’exprimant lors d’une réunion de concertation au siège de la Commission avec les représentants des partenaires au développement en poste au Nigéria, M. Ouédraogo, tout en affichant un optimisme prudent, a décrit une situation en voie de normalisation et sollicité le soutien de ses interlocuteurs à cet égard.
«Les négociations sont en cours entre le président par intérim, les autres acteurs politiques du gouvernement de transition et la faction de Carlos Gomes Jr au sein du PAIGC (Parti africain pour l’indépendance de la Guinée et du Cap-Vert) en vue d’intégrer celle-ci au processus de transition», a indiqué le président de la Commission de la CEDEAO.
Pour ce qui est du chronogramme électoral, il a été publié le 5 septembre 2012 en vue des consultations générales prévues pour avril 2013, tandis qu’un budget de 21 milliards de F CFA a été esquissé pour faire face aux opérations d’identification, de compilation des listes électorales et d’établissement des cartes d’identité, a-t-il expliqué.
Les forces de la Mission de la CEDEAO en Guinée-Bissau (ECOMIB) sont entièrement déployées et accomplissent leur mission en coopération avec les militaires bissau-guinéens, a indiqué M. Ouédraogo, signalant les démarches entreprises en vue d’harmoniser, au sein de la communauté internationale, les positions sur le processus de transition et mobiliser des ressources pour satisfaire les besoins du pays à court terme.
Une mission conjointe CEDEAO-Union africaine-Nations unies-CPLP (Communauté des pays de langue portugaise) se rendra prochainement à Bissau pour évaluer la transition et voir ce que ces organisations peuvent faire ensemble conformément à la résolution 2048 du Conseil de sécurité, adoptée en mai 2012.
En outre, les négociations sur le Mémorandum d’entente (MoU) relatif au programme du secteur de défense et de sécurité ont été finalisées, et celui-ci devrait être signé dans les meilleurs délais sur une base bilatérale entre la Commission de la CEDEAO et la Guinée-Bissau.
Le président Ouédraogo n’a pas manqué d’évoquer la tentative de déstabilisation du pays perpétrée le 21 octobre 2012 par un groupe d’hommes dirigé par le capitaine Pansau N’Tchama avec l’attaque de la caserne des Bérets Rouges près de l’aéroport de Bissau. L’opération s’est soldée par la mort de six personnes, mais la situation a été maîtrisée rapidement.
Cependant, il reste quelques autres défis à relever, notamment ceux liés au trafic de drogue, à la pêche illégale, au gel de l’aide par l’isolement de la Guinée-Bissau, etc., a ajouté le président de la Commission de la CEDEAO.
Il a alors lancé un appel à la communauté internationale pour l’accompagnement et le soutien dont la Guinée-Bissau a besoin en ce moment pour finaliser sa transition, conduire les élections les plus inclusives et crédibles possibles et mener les réformes nécessaires de sa gouvernance politique et économique.
Petit pays d'Afrique de l'Ouest gravement touché par un intense trafic de drogue où seraient impliqués des chefs militaires, la Guinée-Bissau a une histoire jalonnée de coups d'Etat. Aucun président n'a jamais mené son mandat à son terme depuis l'indépendance du pays, obtenue du Portugal en 1974.
Le 12 avril 2012, le Premier ministre Carlos Gomes Junior avait été renversé par un coup d'État perpétré entre les deux tours de l'élection présidentielle, alors qu'il était arrivé en tête à l’issue du premier tour.
Les militaires putschistes, conduits par le chef d'état-major de l’armée, le général Antonio Indjai, avaient ensuite rendu le pouvoir à des hommes politiques civils aux termes d’un accord portant sur la mise en place d'autorités de transition, dirigées depuis par M. Manuel Serifo Nhamadjo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
COMUNICADO DA DIRECÇÃO DA CÉLULA DO PAIGC EM PORTUGAL
Movido pela nobreza dos Princípios que sempre nortearam o Partido de Amílcar Cabral e do nosso povo, alicerçando-se nos fundamentos democráticos, do respeito e da tolerância, evitando quaisquer avaliações precipitadas que tendessem a agravar a já precária situação político-militar que se vivia no nosso País, sobretudo depois da estrondosa derrota dos golpistas e dos seus padrinhos da CEDEAO na última Assembleia Geral das Nações Unidas, o mais importante palco Mundial de representação de Povos e Nações, a Direcção da Célula do PAIGC em Portugal optou pela contenção, preferindo dar tempo ao tempo e auscultar atentamente as exposições explicativas dos acontecimentos do passado dia 21 de Outubro, na esperança de ouvir argumentos plausíveis, capazes de justificar tamanha atrocidade. Entretanto, analisando pacientemente todos os seus contornos, chegamos a conclusão de que não passa de uma sequência de cabalas, conspirações, mentiras, calúnias, acusações de uma baixeza nojenta, engendrada pelos delinquentes políticos da CEDEAO para justificar o golpe de Estado.
Hoje, duas semanas após este bárbaro acontecimento que mais uma vez catapultou o nosso País para o topo da notícia mundial pelos piores motivos, sentimo-nos perfeitamente argumentados para categoricamente afirmar que os acontecimentos de 21 de Outubro deste ano de 2012 vieram confirmar o nosso pior presságio: Desprovidos de intelecto e completamente isolados pela Comunidade Internacional, mergulhados na aflição e no desespero à que estão condenados todos os prevaricadores políticos deste Século, os golpistas são capazes de tudo, inclusive de transformar o nosso País num campo de extermínio do seu próprio povo, com o exclusivo objectivo de atingir a pessoa de Carlos Gomes Júnior, decapitar o PAIGC e perpetuar-se inconstitucionalmente Poder.
Fazendo jus das responsabilidades que a história atribuiu ao nosso glorioso Partido, que apesar de todas as adversidades, continua a ser a maior referência política do nosso País e a esperança do nosso povo mártir na sua luta pela construção da Sociedade idealizada pelo nosso saudoso Amílcar Cabral, a Direcção da Célula do PAIGC em Portugal, cumprindo as directrizes dos seus militantes e simpatizantes e em nome de todos os guineenses amordaçados, vem desta forma manifestar o seu inequívoco posicionamento face ao massacre de 21 de Outubro de 2012:
- Congratular os Partidos Políticos, a Sociedade Civil guineense e a todas as pessoas de bom senso, que desde a primeira hora se posicionaram intransigentemente contra o Golpe de Estado de 12 de Abril e que, com a sua inabalável determinação de lutar pela Legalidade Constitucional, deram um contributo inestimável para o fortalecimento dos alicerces da Democracia e do Estado de Direito no nosso País;
- Congratular o Governo Legítimo da Guiné-Bissau, sobretudo na pessoa do Sr. Presidente Interino (Dr. Raimundo Pereira), do Sr. Primeiro-Ministro (Carlos Gomes Júnior) e do Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros (Dr. Mamadú Djaló Pires), pela coragem e determinação com que abraçaram o desafio de repor a Ordem e a Legalidade Constitucional no nosso País, convictos na supremacia da força da razão e no apoio incondicional do nosso povo e, pela forma sábia, audaz e consequente, como souberam lidar com este “dossier”, conseguindo finalmente, com muito esforço e sacrifício, tirar a Guiné-Bissau do Isolamento Internacional e catapultá-la para a Agenda da Diplomacia Mundial, enquanto poderoso instrumento de dissuasão dos males que têm afectado o normal funcionamento das nossas Instituições Democráticas;
- Reconhecendo a precariedade da situação sociopolítica que se vive no País em virtude do golpe de estado e do ambiente de terror instalado, manifestar a nossa solidariedade com o nosso povo, Congratula-lo pela coragem, firmeza e maturidade demonstradas ao longo destes meses, ciente da pertinência do seu sacrifício para a edificação da sociedade do seu sonho.
- Apelar aos que, por razões ainda por explicar, não conseguem distinguir o Bem do Mal, não conseguem encontrar diferenças entre um Golpe de Estado em pleno Século XXI e umas Eleições Democráticas, Livres, Justas e Transparentes, baseadas na vontade popular. E o pior de tudo, se convenceram que a sua ascensão política pode e deve ser feita a custa da desgraça nacional, à arrepiarem caminho e a se juntarem aos que lutam pela Legalidade Democrática, contra a declarada tentativa de instaurar uma Ditadura Étnico-Militarizada no nosso País, porque só um Estado de Direito Democrático é capaz de nos garantir a tão ambicionada Paz, Justiça e Igualdade de Oportunidades;
Fazendo eco às condenações e repúdios que nos últimos dias se fizeram sentir dos quatro cantos do Globo, relativamente á este ato criminoso, ignóbil, traiçoeiro e cobarde dos que, contrariando a essência e os valores da nossa época, ignorando todos os instrumentos políticos e legais disponíveis, insistem na primazia da violência como instrumento de diálogo e de resolução dos diferendos sociais. Gostaríamos entretanto de realçar, apoiar e reiterar a posição firme e intransigente do Governo Legítimo da Guiné-Bissau, expressa no seu Comunicado, alusivo à este propósito e:
- Condenar com toda a veemência o massacre a sangue frio de guineenses inocentes, num concerto de violência e ódio sem precedente, orquestrado pelos golpistas e seus carrascos de serviço, naquilo que certamente ficará conhecido na história como a Inventona da Vergonha e do Desespero e Solicitar às Nações Unidas a criação de uma Comissão Internacional de Inquérito e que os seus autores materiais e morais sejam levados a barra da Justiça;
- Condenar vigorosamente as perseguições, os sequestros, os espancamentos e demais formas de terrorismo e violação dos Direitos Humanos, levados a cabo com o objectivo de espalhar o medo e silenciar as vozes que se opõem firmemente ao golpe de Estado, como foram os casos ocorridos com o Dr. Iancuba Indjai e o Dr. Silvestre Alves, brutal e impunemente espancados e aos quais manifestamos o nosso total apoio e a nossa solidariedade;
- Condenar e repugnar os atos de invasão e vandalização da sede do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC);
- Reitera o pedido formulado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para a urgente necessidade de constituição de um Tribunal Penal para a Guiné-Bissau;
- Reafirma a imperiosa necessidade de uma força internacional para a Guiné-Bissau, com amplo mandato de, entre outras, estancar os desmandos e evitar mais atrocidades e mais derramamentos de sangue.
Feito em Lisboa, aos quatro dias do mês de Outubro de 2012
O Presidente da Direcção
Iafai Sani
Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde
EXPOSIÇÃO > Guiné-Bissau em Paris
Imagens inéditas captadas na Guiné-Bissau estão em exposição na galeria Jeu de Paume, em Paris, um trabalho da artista plástica Filipa César, que no último ano inventariou e a digitalizou filmagens produzidas antes e depois da independência.
Em declarações à agência Lusa, a curadora Filipa Oliveira explicou que a exposição "Luta ca caba inda" ("A luta ainda não acabou") mostra apenas uma parte do projeto de Filipa César, "que é mais longo e mais complexo", e que consiste em "salvar o arquivo de cinema da Guiné-Bissau, que estava em risco de desaparecer".
No arquivo existem imagens documentais filmadas pelos cineastas guineenses Flora Gomes e Sana na N'Hada entre 1972 e 1980, imagens de dois filmes realizados pelos mesmos autores nos anos de 1980, e também filmes produzidos nos países com os quais a Guiné-Bissau estava alinhada na época (República Democrática da Alemanha, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, Cuba), diversos registos áudio e uma série de cópias de vídeo de obras cedidas pelo cineasta e escritor francês Chris Marker.
"[Digitalizar o arquivo] é quase um projeto histórico, porque o cinema teve um papel importantíssimo na Guiné-Bissau nos anos de 1970. Era um sonho do Amílcar Cabral. O cinema tinha um lado de propaganda, mas também era uma maneira de unir o povo e de criar uma identidade nacional, através da imagem", acrescentou Filipa Oliveira. A curadora lembra que "a maior parte" dos filmes em causa "nunca foi vista pelos guineenses".
Este pedaço da história estava fechado dentro de uma sala em Bissau, em "muito mau estado", contou à Lusa a artista portuguesa, a partir de Berlim, onde vive. O arquivo de cinema da Guiné-Bissau, explicou Filipa César, despertava pouco interesse. "Pensava-se que só existiam ali filmes estrangeiros". Entretanto, o espólio sofreu as consequências da contínua instabilidade política no país e da guerra. Parte dele nem pode ser digitalizado. "Para mim, como artista, este arquivo é interessante. Mas ele é também muito fragmentário. Não está editado, não está identificado", acrescentou a artista.
Entre o material que Filipa César mostra agora ao público estão imagens captadas aquando da proclamação da independência da Guiné-Bissau, em 1973, e do filme (inacabado) "Guiné-Bissau, 6 anos depois", de 1980. Para que esta amostra chegasse ao público -- e porque, em parte, está "intimamente ligada" com a necessidade de angariar apoios que permitam avançar com o projeto -- Filipa César percorreu um caminho demorado e complexo de "burocracia" e "diplomacia". Socorreu-se, diz, da sua "teimosia".
A exposição está patente até ao dia 20 de janeiro na capital francesa e integra o programa de exposições Satellite, sob o tema "O presente é uma terra estrangeira". A artista teve o apoio de diversas entidades públicas, entrea as quais o Goethe-Institut de Dacar e de Paris, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, a Fundação Gulbenkian, e o fundo de promoção artística Stiftung Kunstfonds de Bonn (Alemanha). A exposição teve ainda o apoio do Instituto Camões, da delegação da Fundação Calouste Gulbenkian em França e do Arsenal -- Instituto de Arte de Cinema e Vídeo de Berlim. LUSA
Lançamento do livro 'O Mestiço e o Poder'

No próximo dia 10, sábado, entre as 15 e as 18 h, no mercado da Ribeira em Lisboa, será lançado o livro O Mestiço e o Poder - Identidades, Dominações e Resistências na Guiné', da autoria do docente universitário guineense Tcherno Djaló. AAS
Governo legítimo quer a ONU na liderança do processo
O governo legítimo da Guiné Bissau deposto no golpe militar de 12 de abril último, apelou hoje ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que assuma a liderança do processo de transição no país, considerando que a CEDEAO não tem condições para continuar a fazê-lo.
«A CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) não tem mais condições para conduzir o processo para a busca de uma solução duradoura para a crise da Guiné-Bissau, ao se apressar nesta tentativa de impor uma solução que não é solução, mas um desastre total para o povo da Guiné-Bissau», disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mamadu Djaló Pires, em conferência de imprensa em Lisboa.
Falando em nome do governo legítimo da Guiné Bissau, o ministro apelou ao Conselho de segurança das Nações Unidas e do secretário-geral, Ban Ki-Moon, que o processo «seja liderado pelas Nações Unidas, envolvendo outras organizações, como a União Africana, a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e a União Europeia». LUSA
O que faz correr Russel e Indjai?
Russel Hanks, o encarregado de negócios (obscuros) da embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) em Dakar, tem sido presença assídua na Guiné-Bissau nos últimos tempos. Essa presença, tornou-se particularmente mais visivel e intensa no periodo que antecedeu o golpe de estado de 12 de abril prolongando-se até a esta data. Russel esteve de novo em Bissau na semana passada.
O último episódio do forte envolvimento desse diplomata de causas pouco claras a favor do regime golpista de Bissau, foi o seu forte engajamento conjuntamente com senador Carson no lobby pro-regime para tentar fazer representar a Guiné-Bissau pelo actual presidente nomeado pela CEDEAO na última Assembleia Geral das Nações Unidas em detrimento das autoridades guineenses legitimamente eleitas e reconhecidas pela esmagadora maioria da comunidade internacional com destaque para a ONU, organização anfitriã do evento. O referido lobby contou até com a estranha e inusitada adesão do governo dos EUA ao lado das pretensões dos golpistas, mas deu em nada, pois foram humilhados, não chegando sequer a ter acesso às instalações da ONU.
Na verdade, existem efectivamente razões de interesse muito fortes nesse alinhamento de posições com o regime golpista de Bissau. Segundo fontes seguras e dignas de crédito, a razão de ser da presença dessa polémica figura da diplomacia americana ao lado dos militares golpistas da Guiné-Bissau, particularmente do general Antonio Injai, tem um alvo muito particular: o acossado Contra Almirante, José Américo Bubo Na Tchuto, ex-chefe do estado-maior da armada guineense.
De acordo com a mesma fonte, os EUA tem um particular interesse em ajustar contas com o José Américo Bubo Na Tchuto, pois além de ser reconhecido (e acusado) pelo governo dos Estados Unidos como um perigoso barão da droga da Costa Ocidental africana, os EUA acusam-no ainda de ter também ligações com algumas celulas da AQMI instaladas na Mauritânia, na Guiné-Conakry, no Mali e na Gâmbia, onde, recorde-se, Bubo se refugiou quase um ano para depois regressar clandestinamente e preparar o golpe, entretanto falhado, de 1 de abril.
Sobre este facto, convém lembrar o episódio dos três mauritanianos, entre eles Sidi Ould Sindya, perigosos terroristas islâmicos que assassinaram barbaramente um grupo de turistas franceses na Mauritânia. Depois de detidos pelas autoridades do seu pais, esses terroristas consiguiram evadir-se procurando o território guineense como refúgio, fiando-se na desestruturação, inoperância e estado de corrupção que mina toda a estrutura securitária desse pequeno mas instável país da África Ocidental. Porém, contrariamente ao que pensaram os fugitivos, eles foram identificados e detidos pelas autoridades guineenses, com a colaboração dos serviços secretos americanos, franceses, senegaleses e também guineenses, sendo entregues à custodia das autoridades nacionais de então.
Posteriormente esses três terroristas islâmicos sumiram misteriosamente das celas guineenses, sem que as autoridades de então pudessem dar uma resposta convincente sobre esse misterioso "desparecimento". Hoje, sabe-se que esses terroristas foram retirados das celas a mando e pelos homens de Bubo Na Tchuto de quem passaram a ter protecção e garantia de segurança. Essa operação valeu a Bubo Na Tchuto um ganho de quase 3 milhões de dolares, aos quais se juntariam mais 2 milhões caso os conseguisse tirar da Guiné-Bissau.
Contudo, o mais grave nessa história vem depois. O governo norte-americano, ciente da perigosidade desses elementos, envia um dos seus elementos mais válidos e cotados da sua estrutura da DEA em África para seguir de perto e investigar esse caso. Na sua acção de seguimento aproximado ao chefe do grupo, Sidi O. Sidinya, o agente da DEA foi surpreendido pelos homens de Américo Bubo Na Tchuto. Detido na própria casa do Contra Almirante, foi espancado tentando tirar-lhe informações sobre a razão da sua presença nessas paragens, mas não cedeu. Mais tarde, convencido da desatenção dos guardas, tenta a fuga, mas teve pouca sorte: foi recapturado e morto a catanada pelos homens de Na Tchuto.
Mas, em tudo isso, uma marca estranha nessa morte chama a atenção dos norte-americanos. O seu agente foi, provavelmente antes de sucumbir aos golpes de catana, degolado... um sinal de vingança arabo-islamico contra os infiéis... É a marca da AQMI, sinal de que Sidi Ould Seidyna estava com os homens do Almirante aquando da terrivel morte do seu agente (nota: depois de colocados em Uaque - a cerca de 40 km de Bissau e a menos de 20 de Mansoa - por Bubo Na Tchuto, eles foram recapturados com a ajuda dos seriços secretos norte-americanos e reenviados para a Mauritânia).
Perante estes factos, o governo norte-americano por um lado vê Bubo Na Tchuto como um reconhecido e temido barão da droga, e por outro como um perigoso colaborador da AQMI. Enfim, os EUA estão convencidos da participação de Bubo Na Tchuto, dos seus homens e de um dos terroristas da AQMI na morte de um dos seus melhores agentes na África Ocidental (omiti-se deliberadamente o nome do agente do DEA morto na Guiné-Bissau).
Em resumo, a conivência e empatia que alimenta a relação Russel/Antonio Injai, tem uma razão clara e perfeitamente perceptivel: conseguir, por conta e risco dos EUA, a detenção e entrega ao seu governo do Almirante Bubo Na Tchuto.
A apresentação dessa razão importará naturalmente uma outra questão quase por instinto: porque razão é que o governo dos EUA está a colaborar com o golpista António Injai, se publicamente já foi afirmado pelas próprias autoridades dos Estado Unidos de que Antonio Injai é, também hoje, um poderoso e influente barão da droga de toda a África Ocidental, isto, para além de estar intrinsicamente ligado ao assassinato do antigo Presidente João Bernardo Vieira (Nino) - segundo afirmações públicas recentes da própria Secretaria de Estado americana Hillary Clinton. Assim afirmou Hillary, dizendo que os EUA não poderiam aceitar nunca a nomeação de Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, uma pessoa que matou o Presidente do seu país. Essa declaração foi suficientemente difundida em toda a imprensa internacional.
A resposta é simples para o governo norte-americano: o Contra Almirante José Américo Bubo Na Tchuto, para além de ser um narcotraficante à escala mundial (a acusação é deles) e sob alçada das suas autoridades judiciárias, participou com os seus homens na morte de um dos seus agentes em missão do governo americano, e para eles, Antonio Injai, o senhor de Bissau, é a unica pessoa que poderá ajudar na captura de Bubo Na Tchuto e entregá-lo à justiça norte-americana para ser julgado pelos crimes de que é acusado.
E pergunta-se: será que Antonio Injai ficará por lá sem que nada lhe aconteça ?. Não. Pensam os americanos que Antonio Injai será levado pelos acontecimentos que criou e pelos que inevitavelmente se seguirão, ou que, em momento oportuno, ultrapassado a fase Bubo Na Tchuto, terão o tempo de lhe fazer a folha. António Aly Silva
COMUNICADO DE IMPRENSA
SOLIDARIEDADE COM IANCUBA DJOLA INDJAI E TODAS AS VITIMAS DA REPRESSÂO MILITAR EM BISSAU
Os guineenses amigos e simpatizantes de IANCUBA DJOLA INDJAI na Europa, lançam um apelo dramatico e urgente a Sua Excelência Senhor Presidente ANIBAL CAVACO DA SILVA, Presidente da Répùblica Portuguesa, a Sua Excelência Senhor Primeiro Ministro PASSOS COELHO, Sua Excelêcia Senhor Presidente da Assembleia da Republica, Suas Excelências Senhores Deputados da Assembleia da Republica Portuguesa para a evacuaçâo de vitimas de violaçôes de direitos humanos na Guiné-Bissau, na sequencia da «dita tentativa de golpe de Estado de 21 de Outubro passado».
A Situaçâo pessoal do Senhor IANCUBA DJOLA INDJAI é muito mais preocupante tendo em conta a gravidade do seu estado de saùde que necessita uma evacuaçâo urgente para Portugal a fim de receber um tratamento adequado em Lisboa.
Fazemos este apelo às vossas sensibilidades humanas e, pelos valores humanos historicos que temos em comum.
A vida do Senhor IANCUBA DJOLA INDJAI está em perigo em Dakar, sem a vossa intervenção rapida corremos o risco de chegar muito tarde.
Avisamos a todos os democratas e amantes da paz e liberdade, que a vida do Senhor IANCUBA está em perigo.
Também nâo sabemos o paradeiro do ex-inspector do Ministério do Interior Bitchofula Na FAFE desde o anuncio da sua detençâo pelos militares em Bissau na noite do 21 de Outubro 2012.
Fizemos este apelo para a sensibilizaçâo do Povo Português e das autoridades portuguesas sobre a situação de terror que se vive na Guiné-Bissau. Contamos com todos os democratas e humanistas portugueses nesta solidariedade com o povo guinéense em luta contra a ditadura militar.
Agradecemos a todos pela vossa contribuiçâo para a paz e fraternidade na Guiné-Bissau.
Paris dia 04 de novembro de 2012
A Direção,
M. RAMOS
domingo, 4 de novembro de 2012
Guiné-Bissau: "900 kg de cocaína" a cada noite
Um relatório da IIEE (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos), dos EUA, arrasa a Guiné-Bissau: Segundo este documento, a constante instabilidade política no país, a pobreza e a fraca economia fizeram com que o tráfico de cocaína proviniente da América do Sul se fixasse nos últimos anos. "Estima-se que todas as noites cheguem, por avião, à Guiné-Bissau cerca de 900 quilos de cocaína. A esse número acresce a droga transportada pelo mar para as ilhas na costa guineense". Segundo Virginia Comolli, responsável pelo recente relatório do IIEE, “o tráfico de droga veio colmatar essa lacuna na economia guineense. A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo e deve muito do seu Produto Interno Bruto à produção e exportação de produtos agrícolas, sobretudo da castanha de caju”, refere. AAS
Guiné-Bissau: União Africana apela ao envolvimento internacional
A União Africano (UA) apelou ao envolvimento internacional na Guiné-Bissau, avisando que iria tomar medidas concretas sobre a situação depois de receber um relatório abrangente. O Conselho de Paz e Segurança (CPS), que se reuniu em Addis Abeba, Etiópia, na passada sexta-feira, apela ao envolvimento internacional na Guiné-Bissau após a última tentativa de golpe, que ocorreu a 21 de outubro, quando uma unidade militar foi atacada.
Embora a UA não especifica as medidas que pretende tomar, o órgão continental avisou que iria tomar as medidas concretas. O ataque deixou sete pessoas mortas (dez pessoas foram mortas, depois de torturas) e aumentou a tensão no país que sofre golpes a cada seis meses. "O aumento de tensão foi causada pelo ataque de 21 de Outubro contra a base aérea de Bissalanca, o que resultou na perda de vidas humanas", diz a UA em comunicado após a reunião de sexta-feira.
A Comunidade Económica da Africa Ocidental (CEDEAO) foi envolvida nos esforços para restabelecer a ordem política no país mas até hoje não se mostrou capaz. O Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior foi derrubado em abril, com as autoridades golpistas a insistirem na sua vontade de garantir que Carlos Gomes Jr não concorreria à Presidência. Analistas dizem que a crise neste país Oeste Africano, tem que ver com os militares, que não toleram nem os governantes nem os civis.
O CPS sublinhou a necessidade de um esforço regional e internacional continuado para consolidar os progressos e a busca de uma solução duradoura. Enquanto isso, a União Africana anunciou que enviará uma delegação composta pela UA, CEDEAO, e pela ONU e a União Europeia, para visitar o pais. A UA pretende realizar uma revisão por meio das suas decisões sobre a Guiné-Bissau no prazo de 60 dias. PANA
Carta aberta ao Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon
Sua Excelência senhor Ban Ki-Moon,
Secretário-geral das Nações Unidas
Povo martirizado, porém resistente da República da Guiné-Bissau, munido do mais alto sentido de responsabilidade, dever cívico e sentido patriótico, ainda convictos da capital importância da instituição que Sua excelência é Secretário-geral, como sendo o maior garante da segurança internacional, desenvolvimento econômico, definição e proteção de leis internacionais, respeito pelos direitos humanos e o progresso social. Nós dirigimos a sua honrosa pessoa por intermédio de essa missiva, tendo em conta os bárbaros acontecimentos do passado dia 21 de outubro, registados naquela pobre e fragilizada nação oeste africana, para denunciar esse hediondo crime caraterizado pelo assassinato em massa de 6 indivíduos em circunstâncias ainda por esclarecer, assim como perseguição, espancamento e tortura de líderes políticos e de qualquer cidadão suspeita (uma autentica caça as bruxas), o qual repudiamos veementemente.
Desde a mais tenra idade que a história da Guiné-Bissau, tem sido, constantemente, abalada por episódios de convulsões sociopolíticas de diversas ordens. Nos últimos 14 anos, essas convulsões se têm exacerbado consideravelmente. O país mergulhou-se numa espiral de instabilidade político-social sem fim, sendo os últimos acontecimentos as provas mais eloquentes dessa triste realidade.
Conscientes de que esta crise crónica, vai adquirindo cada vez mais, proporções incomensuráveis e carácter cíclico vicioso. Salientando o facto de as autoridades de transição se manifestarem incapazes de pôr fim a esta crise, exortamos a Sua Excelência e a toda a comunidade internacional um maior envolvimento na busca de soluções para os problemas que assolam o nosso indefeso povo.
Excelência, nessa linha de pensamento, entendemos ser não só pertinente, senão, urgente e inadiável, a criação de um governo de transição inclusivo, supervisionado pelas Nações Unidas, por um tempo considerável, a fim de garantir um processo de transição neutro e imparcial, sem sobressaltos, para que a sociedade tenha o tempo suficiente de se recuperar de todo o dano causado até o momento. De igual modo achamos ser de capital importância a criação de um tribunal especial e a nomeação de um procurador para prosseguir com inquéritos sobre os diversos assassinatos políticos ocorridos no país, pelo menos nos últimos 14 anos, tendo em vista a responsabilização criminal dos verdadeiros autores morais e materiais desses abomináveis crimes, assim como os crimes de tráfico de drogas. Por último mas não menos importante, a criação de uma força de interposição multinacional constituídas por países sem qualquer tipo de influência regional ou de outra índole, a fim de permitir uma verdadeira reforma no sector de defesa e segurança nacional e combate a narcotráfico e a crime organizado.
Senhor Secretario Geral das Nações Unidas, excelências, senhores chefes de estado e de governo assim como embaixadores que representam praticamente toda a comunidade internacional na mais alta instancia da Democracia e Direitos Humanos do mundo. Amanhã pode ser já demasiado tarde. Ignorar este grito de socorro de este humilde e débil povo pode significar simplesmente uma nova Ruanda, Líbano, Darfur, Jugoslávia só para citar alguns exemplos. Evitar uma guerra fratricida que nos arraste a um estado falhado está nas vossas mãos e ainda é realizável.
Excelência, em nome de todo o povo guineense, permitam apresentar a nossa mais alta consideração a todos e um sincero agradecimento.
Bem haja.
Assinado:
Povo humilde e sofredor, porem resistente da República da Guiné-Bissau
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Arab Business Leaders nomeia Cherif Haidara embaixador encarregado da Guiné-Bissau e da África Ocidental
A l'intention de son Excellence, Monsieur SERIFU NHAMADJO,
Président de Guinée Bissau
Présentation du club d'affaires Arab Business Leaders
Dubaï, samedi 27 octobre 2012
Monsieur le Président NHAMADJO,
C'est avec un grand honneur, et en ma qualité de Président du club d'affaires Arab Business Leaders, que je me permets de vous adresser au nom de toute l'équipe nos meilleurs voeux pour votre présidence, que celle-ci soit couronnée de succès pour vous et de prospérité pour votre beau pays, la Guinée Bissau.
Arab Business Leaders est un club réunissant des hommes d'affaires du monde entier, et actuellement présent dans plus de 30 pays. Nos bureaux sont basés à Paris, Dubaï et Amman.
Notre mission est de favoriser le commerce entre le monde arabe et le reste des pays du monde, notamment en trouvant des investisseurs arabes pour des projets en Afrique, en Amérique et en Europe.
La majorité de nos membres sont des chefs d'entreprises, des entrepreneurs et des investisseurs privés ainsi que des membres des familles royales du Golfe. Nos membres sont choisis sur des critères très stricts, en particulier leur professionnalisme, leur réseau professionnel et leur capacité à apporter des opportunités d'affaires.

CHERIF HAIDARA a été nommé ambassadeur en charge de la Guinée Bissau et de l'Afrique de l'Ouest.
CHERIF HAIDARA, à qui j'accorde toute ma confiance et dont je connais le professionnalisme, sera notre lien entre la Guinée Bissau et le Moyen Orient. Son rôle est entre autres de trouver pour Arab Business Leaders - avec l'aide des autorités de Guinée Bissau - des projets d'investissement nécessitants des fonds arabes, aussi bien dans le domaine de la construction et des infrastructures que dans le domaine de la pêche ou l'exportation de noix de cajou.
Je tiens à souligner, Monsieur le Président, que l'Afrique, et notamment la Guinée Bissau, sont aujourd'hui une priorité pour Arab Business Leaders, et c’est dans cette perspective que nous allons dans les prochains mois déployer des efforts considérables pour renforcer les liens commerciaux entre nos deux continents voisins. Ainsi, Arab Business Leaders a participé le 25 octobre dernier à un forum d'investisseurs Africains à Dubaï au cours duquel nous avons représenté les investisseurs arabes.
Notre club a l'ambition d'organiser dans les prochains mois un forum Afrique/Moyen-Orient et d’y inviter des leaders arabes du monde politique et des affaires. Nous comptons tout particulièrement sur la présence d'une délégation venue de Guinée Bissau.
Vous trouverez, Monsieur le Président, plus de détails sur Arab Business Leaders dans notre présentation.
Veuillez agréer, Monsieur le Président, mes salutations les plus respectueuses.
Houssam NASRAWIN
Pansau Ntchama tinha autorização de residência em França
À medida que a investigação sobre a acção de Pansau Intchama no passado dia 21 de Outubro avança, são cada vez mais as interrogações quanto aos reais motivos por detrás do ataque ao quartel dos Pára-Comandos, em Bissau. Sabe-se agora que Pansau Ntchama, desaparecido de Portugal no final do curso de capitães na Escola Prática de Infantaria em Mafra, em 2010, tinha obtido pouco tempo antes uma autorização de residência em França.
Munido desse documento, que permite o trânsito em todo o espaço Shengen, Pansau terá saído de Portugal e entrado em Espanha e depois foi para França. Aliás, seria a partir de França que Pansau, aproveitando as facilidades concedidas pela autorização de residência, terá feito os seus contactos exteriores em Banjul e Luanda, dois dos países que mais se têm oposto às autoridades guineenses saídas do Golpe de Estado de 12 de Abril. As entradas em Portugal tornaram-se cada vez mais raras. Pansau era um elemento conhecido e temido na comunidade guineense. Mas tanto reconhecimento facilitava o trabalho à rede de guineenses que em Portugal tentavam vigiar e transmitir as movimentações militares para o Estado-maior guineense.
Apesar dos cuidados, as constantes viagens de Pansau para as capitais dos países “hostis” à Guiné-Bissau não terão passado despercebidas ao actual CEMGFA guineense António Indjai. Indjai teria tido mesmo conhecimento dos planos de entrada de Pansau em território guineense em Outubro último. Aliás, Indjai terá ordenado que não fossem colocados obstáculos à sua entrada no país. De seguida, elementos de confiança da estrutura militar ficaram encarregues de vigiar todos os passos do capitão Pansau para conhecer os seus objectivos.
Pansau é uma peça chave no mais mediático dos casos jurídicos guineenses, as mortes do ex-CEMGFA Tagme Na Waie e do ex-Presidente da República “Nino” Vieira, assassinados em 2009. Segundo acusações feitas no passado, Pansau terá participado na equipa que assassinou “Nino” Vieira, sendo por isso, um elemento chave para perceber o que se passou naquela noite e determinar quem deu as ordens para a execução. A armadilha de António Indjai estava montada. Tendo sido ele próprio acusado no passado de ser um dos autores morais da morte de “Nino”, o CEMGFA pretenderá usar agora o depoimento de Pansau para ver o seu nome ilibado na Justiça. Indjai sabe também que os nomes que Pansau vier agora a apontar serão os que ficarão para a História da Guiné-Bissau como os assassinos de “Nino” Vieira. PNN
New York Times: "A Guiné-Bissau é um narco-estado"
O jornal norte-americano «New York Times» revela que, após o golpe de Estado de 12 de Abril, aumentou, consideravelmente, o tráfico de drogas na Guiné-Bissau, classificando o país como um «narco-estado». Na edição online de ontem, o «New York Times» garantia que, desde que os militares assumiram o poder e derrubaram o Presidente, aumentou o tráfico de drogas no país, o que faz supor que se tratou mais de um «golpe de cocaína» do que de um golpe de Estado. A publicação garante que especialistas consideram que aumentou o número de aviões bimotores a realizarem travessias sobre o Atlântico, que transportam toneladas de cocaína provenientes da América Latina, que são descarregadas em ilhas desabitadas e regiões remotas da Guiné-Bissau, para depois seguirem para o norte.
De acordo com as autoridades, os aviões, para realizarem uma viagem de 1.600 milhas sobre o Atlântico necessitariam de transportar pelo menos 1,5 toneladas. Para além disso, as Nações Unidas garantem que entre Abril e Julho, pelo menos 20 aviões de pequena dimensão eram suspeitos de transportar droga para a Guiné-Bissau. Um representante da DEA - Drug Enforcement Admnistration (agência norte-americana de combate ao narcotráfico) -, citado pelo jornal, referiu que se «trata provavelmente do pior narco-estado que está lá fora no continente».
O «New York Times» questiona se o golpe de Estado foi um «desvio» para o tráfico de drogas, ao mesmo tempo que cita várias fontes que alegam que, durante esse período, existiu um «excesso» de actividades de narcotráfico na Guiné-Bissau, que o golpe foi levado a cabo por pessoas envolvidas no negócio das drogas e que muitos militares têm relações pessoais com os traficantes. O General Antonio Injai, chefe do Exército, citado pela publicação, negou o envolvimento no narcotráfico, pedindo à comunidade internacional para se combater este tipo de tráfico.
Golpes & Pescas, Lda.
Ontem, enquanto beberricava um café na companhia de um amigo, passou o telejornal num canal (creio que estatal) de televisão. De repente, o nome Guiné-Bissau aparece solenemente. Motivo? Acabava-se de assinar um acordo no sector das pescas com o Senegal. E eu comentei em francês com o meu amigo, reclamando que o acordo acabado de assinar beneficiava apenas o Senegal: "Eles é que ficam com o peixe, nós ficamos com as espinhas...isto para não falar no apoio a golpes de Estado".
Nisto, um senegalês que ouvia a conversa insurgiu-se: "Bom, mas vocês são pouco mais de um milhão de pessoas, não precisam de tanto peixe"...fingindo que não ouviu falar em golpes de Estado. Olhei-o de soslaio e devolvi, com juros: "Por mim, nem precisavam assinar acordo nenhum pois o Senegal sempre pescou, roubando peixe nas nossas águas, sem qualquer consequência, mais ainda agora que têm no 'governo' marionetas que eles mesmo manipulam". Então, o senegalês, com toda a calma, levantou-se, pediu a conta e... desapareceu de cena, chateado da vida e a resmungar algo que não percebi. E assim vai o mundo. AAS
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