sábado, 1 de fevereiro de 2014
MORTES: CRIME ORGANIZADO E CRENÇA ANCESTRAL CULMINAM COM PERDAS DE VIDAS HUMANAS
A LGDH está preocupada com o aumento do nivel da violência no país sobretudo os casos que têm culminado com os assassinatos dos cidadãos nacionais e estrangeiros.
Esta semana que esta prestes a terminar a, LGDH registou dois casos graves de violações dos direitos humanos que culminaram com as perdas de vidas de duas pessoas, um no sector de Pitche região de Gabú e o segundo um cidadão Mauritaniano assassinado pelos supostos larápios no Bairro de Cuntum, aqui em Bissau.
O primeiro caso aconteceu em Pitche quando um cidadão nacional de nome Adulai Balde de 62 anos de idade foi acusado pelo seu proprio irmão de ser um feiticeiro, por conseguinte, responsavel pela morte da sua mulher e filho. Para reforçar esta acusão, o irmão mandou buscar um indivíduo na República da Guiné-Conakri supostamente especializado em identificar os feiticeiros.
Este individuo com o apoio de alguns membros da comunidade local, forçaram a vítima ingerir um produto cuja natureza e composição química se desconhece, acabando por provocar-lhe a morte imediata no passado dia 28 de Janeiro 2014, em Pitche. Até esta data, a LGDH desconhece se o suspeito foi ou não detido pelas autoridades policiais locais.
O Segundo caso muito preocupante aconteceu na noite de quarta feira dia 29, quando um grupo de cinco presumíveis assaltantes atacaram a loja de um comerciante mauritaniano, tentando roubar o dinheiro e algumas mercadorias. O malogrado, que respondia pelo nome de Mohammed Ali, de 42 anos de idade, terá sido abatido com dois tiros na cabeça e no corpo, quando tentava prender um dos presumíveis larápios.
Estes acontecimentos dramáticos consubstanciam em violações graves dos direitos humanos os quais, as autoridades públicas devem accionar todos os mecanismos legais e judiciais para a identificação e consequente responsabilização criminal dos seus responsáveis e cumplices.
A LGDH condena com firmeza estes actos bárbaros e criminosos e exorta as autoridades nacionais no sentido de criar condições de segurança para os cidadãos nacionais e estrangeiros residentes no país.
Finalmente, a LGDH apresenta o seu profundo sentimento de pesar e da solidariedade para com a comunidade Mauritana residente na Guiné-Bissau.
Pela paz, justiça e Direitos Humanos
A Direcção Nacional
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A estratégia do antílope
Cercado, sem possibilidade de fuga, com a logística a escassear e as vias de abastecimento completamente fechadas, o presidente da Renamo Afonso Dhlakama - partido que disse que ia ficar de fora de todas as eleições moçambicanas...deu o dito por não dito. Agora vai a todas, e até Dhlakama «pode vir a candidatar-se».
Mas esta é uma estratégia, apenas para Dhlakama ganhar tempo e reorganizar-se, pois enquanto candidato...o presidente da Renamo goza de imunidade. Recorde-se que mais de 60 pessoas, entre civis e militares, foram mortas desde o início dos confrontos entre milícias do partido da perdiz e forças do Estado. AAS
VISÃO DE ESTADO - MARISA MORAIS: “Não podemos ficar reféns do tráfico de droga sem pensarmos na nossa juventude em Cabo Verde”
Por: Ana Dias Cordeiro
Foto: Rui Gaudêncio
Fonte: Público
A ministra da Administração Interna cabo-verdiana, Marisa Morais, está na frente do combate ao tráfico de cocaína que aumentou muito na última década e levou a hábitos de consumo antes inexistentes em Cabo Verde e noutros PALOP. "Cabo Verde é um país recente, em desenvolvimento, confrontado com uma criminalidade que é reflexo do tráfico", diz Marisa Morais, que faz o ponto da situação ao diário lisboeta. LER A ENTREVISTA
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Passar pelos intervalos da chuva
Todos os dias, impreterivelmente, alguém atira-me com um sonoro "estás magro, pá!". Mas não estou. Quem me conhece desde sempre habituou-se a ver um gajo magrinho, um fio de azeite, um sujeito capaz até de passar pelos intervalos da chuva. Mas um gajo, digamos que... porreiro.
Agradeço a preocupação, mas não encaixo a coisa. A senhora minha Mãe viveu sempre obcecada com os meus parcos quilinhos; o senhor meu Pai (que o seu deus o tenha), gabava o meu caparro - também éramos panos da mesma banda...a Gabriela, pelo contrário, elogiava a minha ausência de barriga e achava graça ser capaz de rodear o meu corpo apenas com um braço.
Habituei-me, portanto, a ser um gajo com aspecto de doente. Em vez de optar pelo suicídio (será a costela do Fogo?), fiz disso um estilo, ou melhor, uma personalidade - porreiro, pá! Aly Silva, um estiloso com 1 metro e 79, levitando em 60 quilos.
A vida que levo nunca ajudou: acordo e acendo logo um cigarro que de certeza me vai destruir, saio de casa e avio 3 cafés de uma assentada e seis cigarrinhos; a meio dessa mesma manhã, mais duas doses de cafeína. E mais cigarros. Faço isto desde que saí da tropa, em 1989. E ainda não me cansei, e dá-me prazer. De qualquer maneira, vou passar mais tempo morto...
No que me diz respeito, fazer ginástica é uma canseira, incómodo a mais. Tomar comprimidos para o apetite pode ser perigoso (estou sozinho...), continuar a fumar 2/3 maços de cigarros por dia é, nota-se, suicídio à vista. Mas não quero ser gordo. Ao contrário dos vitoriosos sobre o estômago, admito a derrota. Mas não quero habituar-me a um novo Aly Silva. Quero continuar um tipo giro, porreiro, de olhos ora verdes ora azuis.
Quem sabe não arruíne a minha vida e os que me amam passem a detestar-me, pois não seria a mesma pessoa. É que, afinal, 60 quilos é uma...enormidade! Bom fim-de-semana a todos. AAS
ELEIÇÕES(?) 2014: Ninguém confia
PERGUNTA:
CONFIA NO RECENSEAMENTO ELEITORAL EM CURSO NA GUINÉ-BISSAU E NA DIÁSPORA?
RESPOSTAS:
- Sim - 137 votos (22%)
- Não - 467 votos (77%)
Votos apurados: 604
CACHEU, 45º: PIR entrou em acção e até já fez 'dançar' dois...
A Polícia de Intervenção Rápida guineense (PIR), já entrou em acção em Cacheu, mesmo ainda antes do inicio do Congresso dos 'libertadores'. Ao que o DC apurou, dois engraçadinhos que por ali andavam a fazer de «polícia», portanto alheios ao 'conclave', não perderam por esperar. Tudo aconteceu hoje, por volta das 18 horas. Depois de uma valente coça (alô Mussa), foram levados para os calabouços - se é que há um em Cacheu... AAS
PAIGC: Congresso em Cacheu sob o olhar atento de Bissau
O Congresso do PAIGC (que ainda não começou e pode muito bem durar uma vida...) está a ser motivo de forte pressão, e tem sido muito bem vigiado. Lembram-se do Mussa Nambatcha, o tal boy da PIR (CLICAR AQUI) que raptou o cidadão nigeriano que estava na posse de drogas, das mãos da polícia judiciária? Pois bem, ao sortudo Mussa, que para além de não ter sido ouvido, calhou tudo: foi como que... promovido.
E onde está mesmo? Ah, pois!, o nosso Mussa está confortavelmente instalado em Cacheu, a comandar os 100(!?) homens que fazem 'guarda' aos congressistas (ou revolucionários, nem sei) do PAIGC. Portanto, os paigcistas que se cuidem. Ou portam-se bem ou...das duas uma: haverá tau-tau. Ou rapto... AAS
Vaz-Té...Fafe: Este último é OUTRO prostituto
O que faziam numa reunião, na passada sexta-feira no hotel Lisboa-Bissau os 'dirigentes-bandidos' do FÓRUM: Fernando Porta-Disparate Vaz, o Alipio, o Afonso-Não-Tem-Olhos-Té e aquela tralha toda...e mais dois portugueses que são de uma agencia que faz campanhas e engana os mais incautos? Malandrices... um deles chama-se Paulo Fafe, tem 1,50 metros e 1 metro de largo - é um jornalista do mais escroque que pode haver no jornalismo português, merecendo, assim, duas bofetadas lá em Bissau. Ah, e é companheiro de malandrices e expedientes do Vaz.
Andaram por lá, no hotel, toda a tarde a ver filmes (não, não era pornografia, ou, quem saberá mesmo...) e a fazer um 'seminário'. Foram contratados para fazer a campanha dos 'defuntos' Nando Vaz e do Afosno Té... e que será pago com o DINHEIRO dos guineenses... Encontro de prostitutos (imagino a orgia que não foi...)!!! AAS
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
EXCLUSIVO DC: Cadogo Jr 'ensombra' congresso do PAIGC
NOTA: Carta entregue hoje, à direção do PAIGC em Bissau, e em Cacheu...AAS
ELEIÇÕES(?) 2014: 'Governo' quer alargar uma vez mais o prazo do recenseamento
O Governo de transição da Guiné-Bissau vai pedir ao 'presidente' Serifo Nhamadjo para prolongar o recenseamento eleitoral, que deveria terminar na sexta-feira, por mais "cinco ou sete dias".
A informação foi hoje avançada aos jornalistas por Batista Té, ministro da Administração Territorial e coordenador do processo de recenseamento que decorre desde 1 de dezembro. No entanto, apesar do pedido de prolongamento, "as eleições não serão adiadas, de maneira alguma", enfatizou. LUSA
OPINIÃO: Toca e foge
«Caríssimo Aly,
Li no teu blog a reacção do Eng° Domingos Simões Pereira (DSP) e subscrevo na integra os teus comentários sobre essa estranha reacção.
De duas, uma. Ou o Eng° se sente coagido a não se identificar com o Carlos Gomes Junior, ou já se sente na plenitude da sobrançaria a contar que o Congresso de Cacheu são favas contadas, e quer mostrar galões de que «dispensa» o apoio de Cadogo para chegar ao pedestal do poder.
Ouvi a declaração de apoio de CGJr e achei-o sincero, coerente e baseado em princípios de analise de um bom perfil para dirigir o Partido. Alias, CGJr não precisa de DSP, para politicamente ser e continuar a ter o peso que tem no cenário politico guineense. Contudo, sem entrar em detalhes, no presente instante, duvido que o brilhante Eng° possa dizer o mesmo do seu repudiado apoiante.
Também, ao DSP, ao que parece, o CGJr não pediu ao futuro presidente ou secretario geral do partido que caucionem o seu regresso e, tal não depende e nem é da alçada de responsabilidade do partido, ao ponto de falar de decisão colegial do partido sobre o seu almejado regresso. CGJr foi claro ao expor perante as instâncias competentes e idôneas, a sua pretensão e condições de segurança para o seu regresso, que tal como disse o Eng°, não é de índole pessoal, mas sim de toda a sociedade guineense que vive sob repressão e na insegurança total.
Lembremos aos guineenses, que o maior porta estandarte do não regresso de Carlos Gomes Junior, é o general Injai e os seus acólitos militares narcotraficantes por razões obvias e por todos conhecidas.... quiçá, ao DSP já tenham sussurrado o aviso, para se afastar...bem longe de Cadogo.
Ao Eng°, de quem sou apoiante, quero deixar um aviso : para ser líder é preciso antes de mais, ter coerência, princípios e, principal muita coragem.
Apesar de tudo, desejo ao Eng° boa sorte e sucessos para o Congresso na terra dos fidalgos.
O. Mendes»
Eu apoio, tu não queres; quem perde e quem ganha - e o quê?
As declarações de apoio a Domingos Simões Pereira (DSP) proferidas pelo ex-primeiro-ministro e presidente do PAIGC, Carlos Gomes Jr., não são inocentes como muitos querem fazer crer, incluindo o próprio DSP, que se diz «surpreso». Também não são despropositadas, e muito menos «dispensáveis».
Numa quinta-feira, estávamos no dia 8 de Agosto de 2013, no hotel Altis em Lisboa, Carlos Gomes falou pela primeira vez na vontade que tinha em regressar à Guiné-Bissau. E anunciou, com pompa e alguma circunstância, o apoio a Domingos Simões Pereira para presidente do PAIGC.
(...) "Estava a conduzir quando ouvi essa notícia e fiquei surpreso. O momento que vivemos não recomenda este tipo de exposição sobre assuntos que não são necessariamente consensuais". Ou seja, em 2013, o apoio de Cadogo não o surpreendeu; contudo, hoje, e a poucas horas da abertura do congresso do PAIGC...DSP fica «surpreso» com o apoio que acha mesmo «dispensável» - disse hoje à LUSA o próprio.
Depois, descartou Cadogo de fininho, desta feita sobre a vontade de Carlos Gomes Jr. em regressar ao país para se candidatar à Presidência da República nas eleições de 16 de março. Domingos Simões Pereira não comentou. Ou melhor, disse qualquer coisa: "O PAIGC delibera em termos coletivos", referiu, acrescentando que "há aspectos que têm que ser colocados na balança para alcançar o maior consenso possível. A todos os cidadãos deve ser dado o direito de entrar na Guiné-Bissau e viver em liberdade".
Contudo, no caso em concreto de Carlos Gomes Júnior, DSP mostrou-se: "O regresso (de Cadogo) tem que ser avaliado de forma objetiva, sem motivações de outro caráter, e que priorizem assegurar a paz e tranquilidade". Como assim? Como é possível que DSP diga uma coisa dessas se o próprio Carlos Gomes Jr pediu à ONU a «CRIAÇÃO DE UM TRIBUNAL AD-HOC PARA A INVESTIGAÇÃO DE TODOS OS CRIMES DE SANGUE DURANTE O SEU MANDATO». Quem tem o quê a temer?
DSP, é bom que se lembre isto, quando manifestou intenção em se candidatar, viajou para todo o lado a pedir apoios...levando consigo um nome: Carlos Gomes Jr. Se hoje as coisas mudaram, se DSP se sente pressionado (seja por quem for) não devia cuspir no prato onde um dia comeu. Nada me move contra DSP, muito pelo contrário. Mas se o próprio DSP reconhece, na entrevista que deu hoje à Lusa, Carlos Gomes como «Presidente do Partido», porque saiu lesto do barco? Guineense medi kansera...AAS
PAIGC: Domingos Simões Pereira acha «positivo» apoio de Carlos Gomes Jr., porém «dispensável»...
Domingos Simões Pereira, candidato à liderança do PAIGC, principal força política da Guiné-Bissau, disse hoje à agência Lusa que considera "positivo", mas "dispensável" o apoio de Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto e ainda líder do partido.
O congresso que vai escolher do novo líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) está marcado para hoje em Cacheu, norte do país, e deve durar vários dias. Carlos Gomes Júnior, conhecido na Guiné-Bissau como "Cadogo", anunciou o apoio a Domingos Simões Pereira na quarta-feira, em entrevista conjunta à RTP África e à agência Lusa, em Cabo Verde.
Domingos Simões Pereira "deu provas, durante as funções à frente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)", de que foi secretário-executivo, "é um quadro conhecido e reconhecido internacionalmente", referiu Cadogo, que o teve também como ministro. No entanto, Domingos Simões Pereira questiona a oportunidade das declarações do primeiro-ministro deposto, numa altura em que o país organiza as primeiras eleições depois do golpe que o derrubou e em que o PAIGC também decide a sua sucessão.
«Surpreso»
"Estava a conduzir quando ouvi essa notícia e fiquei surpreso. O momento que vivemos não recomenda este tipo de exposição sobre assuntos que não são necessariamente consensuais", referiu. "Respeito e acho muito positivo que enquanto cidadão livre e presidente do partido Carlos Gomes Júnior faça essa avaliação", mas "seria dispensável porque é preciso tranquilidade e consensualidade", referiu Domingos Simões Pereira.
"Simplesmente preferiria que não estivesse a atrair atenções por este tipo de razões", ou seja, devido às palavras do ainda líder do partido. Na mesma entrevista à Lusa, Carlos Gomes Júnior disse que pretende regressar ao país para se candidatar à Presidência da República nas eleições de 16 de março, mas Domingos Simões Pereira recusa comentar o assunto.
"O PAIGC delibera em termos coletivos", referiu, acrescentando que "há aspetos que têm que ser colocados na balança para alcançar o maior consenso possível". "A todos os cidadãos deve ser dado o direito de entrar na Guiné-Bissau e viver em liberdade", mas no caso de Carlos Gomes Júnior "o regresso tem que ser avaliado de forma objetiva, sem motivações de outro caráter, e que priorizem assegurar a paz e tranquilidade".
Domingos Simões Pereira disse acreditar que o próprio primeiro-ministro deposto terá essa noção e presume que, quando Carlos Gomes Júnior esta semana escreveu ao secretário-geral das Nações Unidas a pedir mais segurança para poder voltar ao país, "apesar de a carta estar colocada em termos pessoais, foi uma chamada de atenção para o reforço da segurança interna na Guiné-Bissau". LUSA
EFEMÉRIDE (I): Recordar Titina, mindjer combatenti
Viva! Hoje é dia 30!
Um ano de intenso trabalho, hoje é dia de partilha.
Dia de recordar Titina Sila e todas as mulheres da nossa terra que incansavelmente lutam para se afirmarem nos seus vários domínios.
Vamos estar em Gabu (contactar Mariama 5465636) e em Lisboa (Casa da achada) celebrar os feitos liderados pelas mulheres, insurgir-nos contra tudo que reduza a nossa dignidade e afirmar-nos enquanto parceiras activas e com voz na construção de sociedades melhores.
“(…) Defender os direitos da mulher, respeitar e fazer respeitar as mulheres, mas convencer as mulheres da nossa terra de que a sua libertação deve ser obra delas mesmas, pelo seu trabalho, dedicação (...), respeito próprio, personalidade e firmeza diante de tudo quanto possa ser contra a sua dignidade...” Amílcar Cabral
Não precisamos de ser convencidas. Assumimos a nossa responsabilidade.
Venha celebrar connosco, venha reflectir connosco,
Esperamos por si,
Forte Abraço
«Escola Agrícola Musqueba« <
DENÚNCIA: ENGEN e ELTON - Quem ganhou em nome do Estado da Guiné-Bissau?
«Meu caro Aly Silva,
Faz hoje exactamente uma semana que tento enviar este e-mail para si, mas só hoje reparei que tinha endereço electrónico errado. Gostaria de pedir o seu total apoio para combatermos o sistema que está a ser implantado no negócio ENGENvsELTON. Da Primatura; passando pelo Ministério Publico, Ministério das Finanças; Tribunal e Contribuicao e Impostos, há muita negociata. Publique esta história para que cada um faça o seu juízo. Se é falso, acho que cada um pode avaliar. Na minha modesta opinião, o que está aqui é a lei do mais forte e mais rico. Mas está outra coisa mais grave: enriquecimento ilícito dos agentes do Estado prejudicando interesses do Estado e de cidadãos. No próximo email, vou falar da situação dos trabalhadores que afastaram da empresa.
Quem ganhou em nome do Estado da Guiné-Bissau no negócio entre a ENGEN e ELTON?
Vive-se na Guiné-Bissau nos últimos tempos, uma máfia no negócio entre a ENGEN e ELTON. Nos finais do ano 2012, invocando os motivos ligados ao rendimento, a ENGEN decidiu vender as suas acções. E nesta venda, ELTON apareceu como sendo a empresa interessada em adquirir as acções da ENGEN. As duas partes terão concretizado o negócio e sem dar qualquer informação ao Governo e de repente, tudo em nome da ENGEN passou a ser tratado por ELTON.
Essa última deixou de pagar o fisco. O Governo, através da secretaria de Estado de Energia exigiu explicações sobre a forma como as acções foram transmitidas para ELTON e ninguém respondeu. Depois, a Direcção-Geral de Contribuição e Impostos pediu mesmas informações e a ELTON continuou sem responder. Tudo isso aconteceu entre os meses de Outubro e Novembro. Ainda em Novembro, já no dia 25, foi o próprio ministro da Energia, Daniel Gomes a endereçar uma carta ao Director-Geral da ELTON GB SA à pedir todas as informações concernentes à transmissão dos valores da ENGEN para ELTON GB SA.
Como o silêncio era crónico, a DGCI decidiu avançar com uma acção no Tribunal e que culminou com uma decisão que encera as estações de ENGEN (entenda ELTON) por causa do fisco. Há muito que as gasolineiras em causa não funcionam.
No entanto, o pior estava por vir. No momento em que tudo apontava para graves irregularidades no negócio, as instituições como a Primatura, Ministério Público, Polícia de Ordem Pública através do Comissário entraram em acção. A principal vítima acabou por ser o ex-Director-Geral da ENGEN, Bastou Badarou que mesmo estando fora do negócio, teve que sofrer na prisão. Porquê? Porque os responsáveis da ELTON e governantes envolvidos no negócio consideram que podia dar informações sobre o que sabe. Badarou não disse nada a ninguém e na tentativa de retomar os seus serviços na ENGEN, foi detido com argumentos de tentativa de assalto à empresa. A detenção foi feita pela Polícia Judiciária e para sair dos calabouços teve que pagar uma caução.
Porém, caro blogger, sabe-se que, tudo está a ser feito para que o caso fique no silêncio. Os governantes receberam somas avultadas em dinheiro e a Direcção-Geral de Contribuições e Impostos vai ser obrigada (não tarda) a reabrir todas as estações.
Guineense, o que está aqui em causa é um negócio de biliões de Fcfa. Aliás, nos documentos que vão apresentar nos próximos tempos falarão de 600 milhões. Estes valores serão aceites, porque temos informações que responsáveis do Governo, do Ministério Público, da PJ e da Polícia receberam fundos neste processo.
Senão vejamos:
- Porquê é que a Secretaria de Estado da Energia e o Ministério da Energia já não dizem nada?
- Porquê é que certas estações da ELTON reabriram há dias?
A resposta é simples: alguns titulares dos órgãos públicos receberam fundos e ficaram calados e querem que o processo morra.
Como és das poucas vias para informamos algo, exorto para que publiques este meu correio.
Desafio os responsáveis da DGCI, do Ministério Público, da Primatura (na pessoa do próprio Primeiro-ministro que conhece muito bem esta história) e da Polícia de Ordem Pública a tornarem públicas as suas versões. A tendência de momento, caros compatriotas é deixar a história morrer, mesmo com graves prejuízos causados ao Estado.
Se reagires, caro blogger, envio mais informações dentro de dias.
Aliás, há neste momento uma decisão do tribunal de Comércio que a todo custo estão a tentar violar. ELTON está a fazer obras como forma de apanhar toda gente com calças na mão. Repito mais uma vez que o Primeiro-ministro, o procurador-Geral da república, o Comissário da POP e o Director-Geral de Contribuições e Impostos bem como o Ministro das Finanças podem explicar e bem este dossier que só visa prejudicar o nosso Estado.
Abraço di kumpu terra
DRL – ex-funcionário da ENGEN»
OPINIÃO: Candidaturas guineenses
«A verdade é que, SÓ NASCER Guineense, é algo preocupante, tendo em conta que apenas somos uma republica igual a ZERO. Digo igual a ZERO porque nós não pensamos a Guiné-Bissau 1 - 2 - 3 vezes. A verdade é que, alguns que tinham pensamento positivo foram apenas afastados, jogados no esquecimento por uma mera questão de intrigas, ameaças e desforras.
Guiné-Bissau não precisa de muitos filhos que aqui e acolá tem. E agora já não podemos contar com eles. QUE PREJUIZO ENORME. Não vale a pena ser pai/mãe se na verdade não podemos educar os nossos filhos, se não pode sustenta-los, se não pode vesti-los, e muito menos mantê-los sãos e salvos das doenças.
Por cá na língua da terra, tem falado de tudo ou quase nada, e geralmente tudo deu em NAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAADAAAAAAAAAA MESSSSSSSSSSSMO.
E, por exemplo em termos de candidaturas, quer no interior do PARTIDO até nas eleições ao cargo de Presidente da Republica, tudo não passa de uma mentira. Digo mentira, pois as candidaturas nos partidos não obedecem muitas das vezes com o que esta escrito e aceite por todos nos ESTATUTOS.
O mesmo acontece com deposição de candidaturas a presidente de republica no ST de Justiça, que recebe e avalia MUITO MAL a intenção das candidaturas. Senão vejamos, como pode ser admitido a candidatura de um cidadão com dividas ao Estado? Será que com estas candidaturas, o ministério da Justiça, através dos bancos a nível das relações institucionais, não pode detectar essas pessoas?
Se as autoridades do Estado que deveriam proteger os bens do Estado e do seu povo não o fazem, quem as fará? Hoje, dia 30-01-14, todos os sectores da vida nacional estão paralisadas. E assim vão estar nos 30 ou 40 anos próximos...
O que falta aos Guineenses para verem com os seus próprios olhos?
- Que o nosso pescado tem carimbo de SENEGAL quer em África assim como a nível de todas as exportações que este país faz...
- Que a nossa mata, já esta devastada de tal maneira, que as árvores são abatidas e metidos em contentores, incluindo as raízes, semeando assim a desertificação.
- Que nas instituições do Estado os funcionários trabalham sem planos, passando o tempo a fazer penteados, pedicura, rendas e assistir à TV nas horas normais de expediente
- Que nos Hospitais, não tem medicamentos essenciais para os doentes,
- Que médicos que cometem(ram) crimes tanto nas salas de operações, com abortos clandestinos, mau diagnostico entre outros não são punidos
- Que os directores de estabelecimento do ESTADO são nomeados com base em critérios étnicos e partidários
- Que o povo não tem acesso a energia elétrica, TODOS OS MINISTROS, SECRETARIOS DE ESTADO, DIRECTORES, TEM GERADORES SILENCIOSOS INSTALADOS NAS SUAS RESIDENCIAS E ATE NAS DAS CONCUBINAS
- Que o povo não tem acesso a agua potável - a da cidade de Bissau não pode ser consumida após 24 horas, sob pena de apanhar tifoide
- Que o ministério da educação não tem politicas de seguimentos aos estabelecimentos do Ensino, nem se sabe ate o que fazem ou deixar fazer outras escolas»
Alfa Umaro Balde
TRABALHO INFANTIL: Somos os campeões da lusofonia
A Guiné-Bissau é o país lusófono com a maior taxa de trabalho infantil: quase 40% das crianças guineenses trabalham, revela um estudo da UNICEF relativo a 2012, que coloca Timor-Leste e Angola a seguir neste dado. O relatório sobre A Situação Mundial da Infância em Números 2014, hoje divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revela que na Guiné-Bissau, 38% das crianças entre os 05 e os 14 anos trabalham e sete por cento estão casadas antes dos 15 anos. Segue-se Timor-Leste, onde 28% dos menores realizam trabalhos e, a seguir, Angola, com uma taxa de 24%.
Quanto ao casamento infantil, Moçambique lidera a tabela dos países onde se fala português, com 14% das crianças a casarem-se antes dos 15 anos. Quase um quarto dos menores moçambicanos (22%) trabalha. No Brasil, nove por cento das crianças trabalham e 11% casam-se muito jovens. Em São Tomé e Príncipe, as taxas baixam para 8% e 5%, respetivamente. Em Cabo Verde e Portugal, o trabalho infantil ainda prevalece para três por cento da população infantil.
No estudo, que reporta a dados de 2012, ressalta ainda que Moçambique é o país de língua portuguesa com mais baixa esperança de vida (50 anos), pouco distante de Angola (51) e da Guiné-Bissau (54). Em São Tomé, as pessoas vivem em média até aos 66 e em Timor-Leste chegam aos 67.
Com mais idade, os brasileiros têm uma esperança de vida de 74 anos, enquanto os cabo-verdianos podem viver até aos 75 anos. Portugal distancia-se, com uma esperança de vida de 80 anos. Quanto à mortalidade de crianças com menos de cinco anos, Angola é o segundo país do mundo, com 164 casos em cada 1000, apenas suplantado pela Serra Leoa. Seguem-se a Guiné-Bissau (6.º lugar), Moçambique (22.º), Timor (48.º), São Tomé (50.º), Cabo Verde (88.º) e Brasil (120.º). Quase no final da tabela surge Portugal, em 170.º do ranking mundial.
Na taxa de mortalidade, Portugal situa-se no fundo da tabela, com 1,3 crianças por mulher. No Brasil, este valor é de 1,8, enquanto em Cabo Verde, a taxa é de 2,3. Na Guiné-Bissau, cada mulher poderá dar à luz, em média, 2,6 crianças, enquanto em São Tomé, este número sobre para 4,1. Em Moçambique chega aos 5,3 filhos por mulher e Angola e Timor-Leste registam seis crianças.
Quanto à literacia da população adulta, Moçambique apresenta a taxa mais baixa: apenas metade dos moçambicanos com mais de 15 anos (51%) sabe ler e escrever. Na Guiné-Bissau, esta taxa é de 55% e em Timor é de 58%. Em Angola e São Tomé e Príncipe, 70% dos adultos sabem ler e escrever. A taxa de literacia em países como Cabo Verde é de 85%, no Brasil alcança os 90% e em Portugal regista 96%. LUSA
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
CADOGO (4): O apoio a Domingos Simões Pereira para presidente do PAIGC
O oficialmente presidente do PAIGC, Carlos Domingos Gomes, afirmou hoje o seu apoio à candidatura do ex-secretário-executivo da CPLP Domingos Simões Pereira nas eleições para a liderança que marcam o Congresso do partido, que começa quinta-feira na Guiné-Bissau.
Numa entrevista conjunta à RTP África e à agência Lusa na Cidade da Praia, onde atualmente reside, Carlos Gomes Júnior indicou não ter sido “tido nem achado” na “preparação atabalhoada” do congresso do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e deixou em aberto a possibilidade de, mais tarde, o impugnar.
“Vou discutir a situação com os outros membros do partido para ver que medidas tomaremos. Estamos a aguardar”, afirmou Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro guineense deposto no golpe de Estado de 12 de abril de 2012, garantindo que não se candidatará à sua própria sucessão no PAIGC.
Sobre os diferentes candidatos que se apresentam à liderança do antigo partido único (1973/1991), Carlos Gomes Júnior, eleito sucessivamente presidente do PAIGC desde 2002, apontou Simões Pereira, que foi seu ministro antes de ser nomeado como secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“O presidente do partido, segundo os estatutos, será o futuro chefe do Governo. Temos de apostar no mais capaz. Neste momento há várias pessoas na corrida, mas têm de, em primeiro lugar, pensar nas perspetivas do que podem fazer. Apostamos seriamente em Domingos Simões Pereira e na equipa que o acompanhará”, referiu.
“Deu provas, durante as funções à frente da CPLP, é um quadro conhecido e reconhecido internacionalmente, e, quanto a isso, não temos dúvida nenhuma, sem menosprezar a capacidade dos outros. Temos de apostar em quem é capaz de relançar o partido e relançar a confiança internacional na Guiné-Bissau”, insistiu.
Sobre o congresso do partido, Carlos Gomes Júnior criticou a forma “atabalhoada” como o processo tem sido liderado, denunciando que a sua ausência do conclave representa uma falha.
“Segundo os estatutos, o presidente do partido é um órgão e há toda a necessidade de concertação para haver uma orientação. Não queremos ser uma barreira ou entrave para o partido, mas pensamos que, se a direção entendeu que tinha condições para fazer o congresso sem o presidente do partido, só lhes tenho a desejar boa sorte”, defendeu.
Desdramatizando as “várias tendências e sensibilidades” no partido – “sinal de democracia”, Carlos Gomes Júnior manifestou esperança de que o PAIGC eleja um líder que “dê confiança” e que aposte “seriamente” na unificação entre os seus membros e “estabilidade” ao país.
CADOGO/CASO BUBA/UNIOGBIS (3): “Não respondo a subordinados”, afirma Carlos Gomes Júnior sobre “aviso”
O “aviso” dos militares guineenses ao ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, cuja alegada presença em Buba levou soldados a entrar nas instalações da ONU, foi hoje desdramatizada por Carlos Gomes Júnior, que frisando que não tem de responder a subordinados.
Numa entrevista conjunta à RTP África e à agência Lusa na Cidade da Praia, onde reside há cerca de dois meses, Carlos Gomes Júnior considerou “patética” a atuação dos militares naquela cidade do sul da Guiné-Bissau, que, além de terem entrado nas instalações locais da ONU, ainda revistaram o carro do enviado especial das Nações Unidas para o país, o antigo presidente timorense José Ramos Horta.
Questionado sobre se esteve, de facto, em Buba, o também oficialmente presidente do Partido Africano da Independência a Guiné e Cabo Verde (PAIGC) respondeu que não, indicando que esteve no México, a participar numa conferência internacional em que estiveram presentes alguns ex-ministros portugueses, como Miguel Relvas e António Dias Loureiro.
“Cheguei no sábado à noite (à Cidade da Praia). Não sei como posso estar no México, a 18 ou 20 horas de voo, e estar, ao mesmo tempo, em Buba. Só se for um fantasma. São situações que levam a uma análise patética de uma situação em pleno século XXI”, afirmou.
“Eles conhecem bem o Carlos Gomes Júnior. Não respondo a subordinados. Sou o chefe, sou o primeiro-ministro legítimo da Guiné-Bissau. Não tenho medo de assumir as minhas responsabilidades”, acrescentou, depois de questionado sobre se o “aviso” feito pelos militares à sua segurança foi recebido.
Sobre o incidente, considerou-o um “acidente de percurso” que, no seu entender, “infelizmente, já começam a ser demasiados”, disse, aludindo também à questão dos 74 cidadãos sírios, com passaportes turcos falsificados, que embarcaram à força no voo da TAP-Portugal entre Bissau e Lisboa.
“Esse tipo de comportamento não é normal. Mas não é a primeira vez que esses acidentes acontecem”, afirmou, considerando “extremamente grave e inadmissível” o caso dos cidadãos sírios.
“Isso demonstra como a situação se aproxima do caos, em que cada um tenta saltar do barco e fazer as coisas à sua maneira. Se virmos o que aconteceu a 11 de setembro (de 2001) nos Estados Unidos, como se pode meter passageiros que foram identificados de forma caótica a entrar num voo internacional? Não é normal. O Governo (guineense) deveria ter pedido desculpas às autoridades portuguesas, sentar à mesa e arranjar outra forma de controlo de maior segurança”, defendeu.
A título pessoal, Carlos Gomes Júnior reivindicou ter sido alvo de quatro tentativas de assassinato.
“Na primeira, tive de refugiar-me na sede das Nações Unidas (em 2007). Nos acontecimentos de 01 de abril (2010), em que pela primeira vez na história de África o povo saiu à rua para exigir a libertação imediata do primeiro-ministro, a 26 de dezembro de 2010) e a 12 de abril (de 2012)”, referiu.
Nesse sentido, Carlos Gomes Júnior defendeu a “urgência” da implementação da reforma no setor da Defesa e Segurança, bem como da necessidade de umas Forças Armadas republicanas e que “obedeçam” ao poder político.
“Uma pessoa (militar) não se pode sentar de manhã e, à noite, resolver tomar uma decisão (golpes de Estado). Num Estado de Direito, com responsabilidades junto da comunidade internacional, temos de criar instituições credíveis, para que se possa fazer uma cooperação séria com os parceiros de desenvolvimento”, defendeu. LUSA
CADOGO PRESIDENCIAIS (2): Gomes Júnior assume candidatura presidencial e aguarda por garantias de segurança para regressar à Guiné-Bissau
Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro guineense deposto em 2012, garantiu hoje que será candidato presidencial nas eleições previstas para março próximo e que aguarda por garantias de segurança da ONU e do Governo de Transição para regressar à Guiné-Bissau.
Numa entrevista conjunta à RTP África e à agência Lusa na Cidade da Praia, onde reside atualmente, Carlos Gomes Júnior afirmou que um seu antigo ministro, Botche Candé, será o diretor de campanha, que falta acordar o nome do seu mandatário e que, porém, receia o adiamento das eleições.
“Estamos preocupados com o cenário que se passa na Guiné-Bissau”, afirmou o também, oficialmente, presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ao justificar a carta enviada recentemente ao secretário-geral da ONU e aos presidentes das comissões das uniões Europeia (UE) e Africana (UA).
“O recenseamento ainda está a decorrer. Já chamei a atenção às Nações Unidas que não basta só marcar eleições. Há questões prévias que têm de ser discutidas com frontalidade se quisermos eleições credíveis, livres, justas e inclusivas, pois há um cenário em que o povo não se pode manifestar, a imprensa não é livre e os políticos estão a ser presos, perseguidos, espancados e até mortos”, afirmou.
Carlos Gomes Júnior, afastado do poder no golpe de Estado de 12 de abril de 2012, insistiu na ideia de se criar um “tribunal ad-hoc” na Guiné-Bissau para julgar “todas as barbaridades e trazer à justiça os crimes que ultimamente têm acontecido” no país para pôr cobro à impunidade.
Sobre as presidenciais, cujo processo de candidatura está a ser preparado por juristas do PAIGC, Carlos Gomes Júnior lembrou que, em 2012, tinha vencido a primeira voltas das eleições e que se preparava para a segunda-feira quando o processo foi interrompido com o golpe de Estado.
“Estou à espera da segunda volta das presidenciais, que ganhei com toda a transparência. Essas eleições foram validadas pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Guiné-Bissau e foram reconhecidas pela comunidade internacional como sendo livres, justas e transparentes”, reivindicou, esclarecendo, porém, as razões que o levam a recandidatar-se.
“Não tenho problema em ir às urnas. Fala-se de que ganhei as eleições e que agora tenho medo de ir às urnas. Não, de forma nenhuma. Nã quero é ser um obstáculo ao desenvolvimento do país. Para não criar um clima de instabilidade no país, aceitei ir de novo às eleições, se bem que não tenha adversários como tive em 2012”, explicou.
Para Carlos Gomes Júnior, adiar as eleições é adiar, de novo, a Guiné-Bissau. “Até quando vamos continuar com o Governo de Transição. Quantos projetos foram adiados ou inviabilizados porque os parceiros não têm confiança? É necessário que os políticos se sentem à mesa e que discutam o que querem para a Guiné-Bissau. Após 40 anos de independência, não podemos continuar com um país adiado”, disse.
Questionado sobre quando pensa regressar a Bissau, Carlos Gomes Júnior afirmou que “tudo depende da vontade política do próprio Governo de transição” e das garantias que as Nações Unidas têm de dar, a si e aos eleitores. “(Garantias) não só de segurança ao cidadão Carlos Gomes Júnior, mas também para os eleitores e cidadãos guineenses. Não quero uma segurança exclusiva para mim. O problema é que, num Estado de Direito, não se pode estar a governar um país desta forma”, respondeu.
“Se pensarmos que a comunidade internacional vai desembolsar 20 milhões de dólares para a realização de mais umas eleições, elas têm de ser credíveis. Não sendo credíveis, terá de rever como vão ser controladas. A ONU tem de enviar uma força de interposição para as controlar e para garantir a segurança da população, para que possa votar livremente. Se não votar livremente e em consciência, não vejo a necessidade de fazer uma eleição atabalhoada como estamos a fazer”, concluiu. LUSA
CADOGO em entrevista (1)
Entrevista a Carlos Gomes Júnior
Praia, 29 de janeiro de 2014
Entrevista Lusa/RTP África
José Sousa Dias e Nélio Santos
- Escreveu há dias uma carta a Ban Ki-Moon. Qual foi o objetivo?
A carta não foi só dirigida ao secretário-geral da ONU, mas a todos os organismos internacionais – UE, Zuma (UA), estamos preocupados com o cenário que se passa na Guiné-Bissau. O recenseamento ainda está a decorrer. Estive nas Nações Unidas, para chamar a atenção que não é só marcar a data das eleições. Há questões prévias que têm de ser discutidas, com frontalidade, se quisermos eleições credíveis, livres, justas e inclusivas. Cenário esse em que o povo não se pode manifestar, a imprensa não é livre, os políticos estão a ser presos, perseguidos, espancados e até mortos. Daí que nós continuamos a insistir na instalação de um tribunal “ad-hoc” na Guiné-Bissau para julgar todas essas barbaridades e trazer à justiça os crimes que ultimamente têm acontecido na Guiné-Bissau. Se queremos estar num Estado de Direito, não podemos pactuar com a impunidade. É esse o nosso apelo à comunidade internacional, para que ajude a Guiné-Bissau, de uma vez por todas, a entrar num ciclo de normalidade.
- Teme que as eleições sejam adiadas?
Não só o adiamento das eleições, como adiar de novo a Guiné-Bissau. O Governo de transição não tem poderes constitucionais para envolver-se na governação. Tem de ser um Governo que saia do veredicto popular das eleições.
Até quando vamos continuar com o Governo de Transição? Quantos projetos foram adiados ou inviabilizados porque os parceiros não têm confiança? É necessário que os políticos se sentem à mesa e discutir o que queremos para a Guiné-Bissau.
Depois de 40 anos de independência, não podemos continuar com um país adiado, adiar o desenvolvimento do país, adiar o futuro dos jovens, continuar a não ter credibilidade internacional.
- É candidato às presidenciais de março?
Estou à espera da segunda volta das presidenciais de abril de 2012, que ganhei com toda a transparência. Essas eleições foram validadas pelo STJ da Guiné-Bissau, foram reconhecidas pela comunidade internacional como sendo livres, justas e transparentes. Agora marcam umas eleições de raiz. Não tenho problema em ir às urnas. Fala-se de que ganhei as eleições e que agora tenho medo de ir às urnas. Não, de forma nenhuma. Não quero ser obstáculo ao desenvolvimento do país. Para não criar um clima de instabilidade no país, aceitei ir de novo às eleições, se bem que não tenha adversários como tive em 2012. Acho que posso ir. Se as pessoas querem dar outro ciclo de transparência, estou disponível para colaborar.
- Quem vai representar a sua candidatura?
Em princípio, já tenho um diretor de campanha que está no terreno, que é Botche Candé. Estamos neste momento a analisar com os outros quadros do partido quem será o mandatário. Mas os advogados já estão a tratar dos papéis necessários, que serão, depois, depositados no STJ.
- Quais são as suas verdadeiras motivações?
O que me move é o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Amílcar Cabral traçou dois objetivos: a conquista da independência nacional e o programa maior, o desenvolvimento sustentado da Guiné-Bissau. Se sou reconhecido como empresário de sucesso, interna e externamente, tenho a obrigação de criar condições de estabilidade para que o país se desenvolva, para que a comunidade internacional acredite. Posso mobilizar empresários e instituições para investir na Guiné-Bissau, país que tem potencialidades, como ficou demonstrado nos anos da minha governação. A Guiné-Bissau não é um país pobre. Demonstramos que, só com recursos internos, era possível honrar as dívidas do país, pagar os salários na Função Pública e moralizamo-la. Demonstramos, em pouco tempo, que a Guiné-Bissau já estava a afirmar-se na comunidade internacional como um Estado de Direito. Conseguimos o perdão da dívida, criar a confiança junto dos parceiros. (…) Isso quer dizer que a Guiné-Bissau tinha já outras perspetivas de desenvolvimento.
- O Congresso do PAIGC começa amanhã. Como vê o processo de preparação do congresso?
De forma atabalhoada. O presidente do partido, segundos os estatutos, é um órgão e há toda a necessidade de concertação para haver uma orientação. Não queremos ser uma barreira ou entrave para o partido, mas pensamos que, se a direção entendeu que tinha condições para fazer o congresso sem o presidente do partido, só lhes tenho a desejar boa sorte.
- Quer dizer que não foi tido nem achado na preparação do congresso?
Até hoje, infelizmente não.
- Vai impugná-lo depois? Tudo isso torna-o ilegítimo?
Vou discutir a situação com os outros membros do partido para ver que medidas tomaremos. Estamos a aguardar.
- Que balanço faz dos anos de governação?
É altamente positivo. Em 2002, no Congresso realizado na UDIB, quando assumi a liderança do PAIGC, e tanto o partido como o país estavam numa situação de grande crise. Tínhamos acabado de sair da guerra fratricida de 1998/99 e havia toda a necessidade de um trabalho aprofundado para reerguer o partido e relançar o país. Sou empresário, e tinha grandes projetos a iniciar. Tive de suspender tudo. Entreguei as empresas à minha mulher e aos meus filhos, que conseguiram assegurar as empresas e eu fui responder o apelo do partido.
- Como se pode perceber o PAIGC, os muitos interesses que existem no partido?
Num partido grande, como o PAIGC, surgem sempre outras tendências. Faz parte da democracia ouvir as pessoas. Em 2004, quando fomos às eleições legislativas, conseguimos 45 dos 100 mandatos. Em 2008, conseguimos 67 mandatos. Isso quer dizer que não foi só o partido que votou na figura e na equipa do Carlos Gomes Júnior. Todo um povo começou a ver que havia uma esperança no fundo do túnel. O partido está, neste momento, dividido, porque há várias sensibilidades. A reunião magna vai dar possibilidade a cada um de apresentar o seu programa e objetivos para o partido. Amílcar Cabral dizia que o mais capaz é que deve estar à frente dos destinos do partido e do Estado. Esperemos que saia uma nova liderança que dê confiança e que aposte seriamente na unificação do partido e na estabilidade do país.
- E quem gostaria de ver à frente do partido?
Temos de apostar na pessoa mais capaz. O presidente do partido, segundo os estatutos, será o futuro chefe do Governo. Temos de apostar no mais capaz. Neste momento há várias pessoas na corrida, mas têm de, em primeiro lugar, pensar nas perspetivas do que podem fazer. Domingos Simões Pereira, por tudo aquilo que fez - fez, aliás, parte da minha equipa, e só não continuou porque foi chamado para as funções de secretário executivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Apostamos seriamente nele e na equipa que certamente estará a acompanhá-lo. Deu provas, durante as funções à frente da CPLP, é um quadro conhecido e reconhecido internacionalmente, e, por isso, não temos dúvida nenhuma, sem menosprezar a capacidade dos outros. Temos de apostar em quem é capaz de relançar o partido e relançar a confiança internacional na Guiné-Bissau.
- Qual o rumo a seguir pelo partido? Qual o modelo que defende para a escolha de um primeiro-ministro?
Aprovamos os estatutos do partido no congresso de Gabu e é o que está vigente. Temos de ser coerentes. Deixemos os quadros e os juristas do partido analisar as coisas em função dos objetivos do partido. Somos membros da Internacional Socialista (IS) e basta ver a experiência dos partidos congéneres (que é igual - o presidente do partido é candidato a primeiro-ministro). Não vale a pena estar a fazer disputas académicas, que não levam a lado nenhum.
- Militares em Buba à sua procura e até revistaram carros das Nações Unidas. Como vê a situação?
São acidentes de percurso que, infelizmente, na Guiné-Bissau, começam a ser já demasiados e por isso é que fizemos a carta à ONU e aos outros organismos internacionais para analisarem friamente a situação na Guiné-Bissau e o que esperam das eleições que vamos fazer. Esse tipo de comportamento não é normal. Não é a primeira vez que esses acidentes acontecem.
Eu já fui alvo de quatro tentativas de assassinato. Na primeira tive de me refugiar na sede das Nações Unidas (em 2007). Nos acontecimentos de 01 de abril (2010), em que pela primeira vez na história de África o povo saiu à rua para exigir a libertação imediata do primeiro-ministro, a 26 de dezembro (2010) e a 12 de abril (de 2012). A Guiné-Bissau precisa urgentemente de fazer a reforma no setor da Defesa e Segurança, de umas Forças Armadas republicanas e que obedeçam ao poder político. Uma pessoa não se pode sentar de manhã e, à noite, resolver tomar uma decisão (golpes de Estado dos militares). Se se está num Estado de Direito, com responsabilidades junto da comunidade internacional, temos de criar instituições credíveis, para que se possa fazer uma cooperação séria com os parceiros de desenvolvimento.
- Enquanto presidente do PAICV como vê a eleição do novo líder parlamentar do partido (Otávio Lopes) e a questão dos sírios que embarcaram para Lisboa a partir de Bissau e o incidente em Buba?
São situações extremamente graves. Isso demonstra como a situação se aproxima de caos, em que cada um tenta saltar do barco e fazer as cosias à sua maneira. O PAIGC é um partido maduro, tem dirigentes com experiência e a Guiné-Bissau tem de começar a ultrapassar este tipo de situações. Em relação aos sírios, ao incidente com a TAP, é extremamente grave e completamente inadmissível num Estado de Direito. Se virmos o que aconteceu a 11 de setembro (de 2001) nos Estados Unidos, como é que se pode meter passageiros que foram identificados de forma caótica a entrar num voo internacional. Não é normal. O Governo deveria ter pedido desculpas às autoridades portuguesas, tentaria sentar-se à mesa e arranjar outra forma de controlo de maior segurança. Ao fim e ao cabo, quem está a ser penalizado é o povo da Guiné-Bissau. São os nossos emigrantes, que são obrigados a dar uma volta grande para chegar ao país com os seus parcos recursos.
- Quando vai regressar à Guiné-Bissau?
Está tudo dependente da vontade política do próprio Governo de transição e das garantias que as Nações Unidas têm de dar antes de regressar.
- Que tipo de garantias?
Não só de segurança ao cidadão Carlos Gomes Júnior mas também para os eleitores e cidadãos guineenses. Não quero uma segurança exclusiva para mim. O problema é que, num Estado de Direito, não se pode estar a governar um país desta forma. Se pensarmos que a comunidade internacional vai desembolsar 20 milhões de dólares para a realização de mais umas eleições, elas têm de ser credíveis. Não sendo credíveis, a comunidade internacional tem de rever como as eleições vão ser controladas. E as Nações Unidas têm de enviar uma força de interposição que controle as eleições e garanta a segurança da população, para que possa votar livremente. Se não votar livremente e em consciência, não vejo a necessidade de fazer uma eleição atabalhoada como estamos a fazer.
- E em relação ao incidente em Buba? Estava presente em Buba?
(Risos) Estava numa conferência internacional realizada em Vera Cruz, no México. Cheguei no sábado à noite (à Cidade da Praia). Não sei como posso estar no México, a 18 a 20 horas de voo, e estar, ao mesmo tempo, em Buba.Só se for um fantasma. São situações que levam a uma análise patética em pleno século XXI.
- Pode ser interpretado como um aviso dos militares, do género “estamos atentos”?
Eles conhecem bem o Carlos Gomes Júnior. Não respondo a subordinados. Sou o chefe, sou o primeiro-ministro legítimo da Guiné-Bissau. Não tenho medo de assumir as minhas responsabilidades. LUSA
EXCELENTE NOTÍCIA: União Africana apoia Angola para lugar no Conselho de Segurança da ONU
O Conselho Executivo da União Africana (UA) adotou a candidatura de Angola a um dos lugares de membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. AAS
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