sábado, 12 de dezembro de 2015

Desminagem por fazer na Guiné-Bissau um ano após explosão que matou 24 pessoas


O organismo da Guiné-Bissau responsável pela desmontagem do país continua a fazer apenas trabalho de secretária, um ano depois de um carrinha de transportes rebentar sobre uma mina e morrerem 24 pessoas.

"Devíamos estar no terreno", mas falta dinheiro e a instabilidade política dos últimos meses adiou o apoio de parceiros, disse à Lusa, Jeremias Arlete, diretor-geral do Centro Nacional de Coordenação da Ação Anti-Minas. "Em agosto, devíamos ter recebido uma equipa de peritos" indicada pela União Europeia (UE) para avaliar as operações a financiar.

No entanto, a demissão do Governo pelo Presidente da República e o impasse político que se criou levou ao adiamento da visita, agora sem data marcada, queixa-se aquele responsável. Jeremias Arlete já pediu ao novo Governo, entretanto empossado em outubro, para que o centro receba um valor base a partir do Orçamento de Estado, que lhe permita funcionar até chegarem os apoios de parceiros.

Aquele responsável revela um cenário que exige cautelas. Segundo refere, a Guiné-Bissau tem ainda nove campos de minas por limpar numa área de um milhão de quilómetros quadrados, com base em dados recolhidos pelo centro e apresentados num encontro com doadores internacionais, em março, em Bruxelas.

Há ainda outras cinco áreas de concentração de engenhos explosivos (tais como granadas, morteiros e outros) e 43 zonas suspeitas. Tudo é resultado da guerra colonial (1963-1974), da guerra civil (1998-1999) e do conflito de Casamança (na fronteira norte do país), ainda por sanar, mas longe do auge.

"Há trabalho para mais quatro anos, pelo menos", realça João Gomes, comandante de operações do centro. As comunidades que vivem junto das zonas perigosas estão avisadas sobre a situação, mas todos os anos há relatos de acidentes com vítimas mortais. Jeremias Arlete considera ter sido "precipitada" a declaração de dezembro de 2012, do governo de transição da Guiné-Bissau, ao anunciar na que o país estava livre de minas.

Prova disso são os rebentamentos que têm acontecido, sendo o mais grave o que matou 24 pessoas e feriu outras oito, a 26 de setembro de 2014. Um veículo de transporte coletivo seguia por um caminho degradado, de terra batida, entre Bissorã e Encheia, no interior do país, quando ativou uma mina anti-tanque. A zona está sinalizada entre os locais de risco no mapa do Centro de Ação Anti-Minas.

Depois do acidente, o centro saiu da paralisia e foi reativado, Jeremias Arlete foi nomeado diretor-geral e desenvolveu-se trabalho documental por forma a antecipar os trabalhos no terreno, mas para os quais ainda não há meios. As intervenções previstas incluem ações de informação junto da população, "através das rádios, sinalização e folhetos", explica Filomeno Graça, do departamento de sensibilização.

Para circular nalgumas zonas mais remotas, "ainda é preciso muito cuidado", concluiu. O risco é referido no relatório de segurança de 2015 sobre a Guiné-Bissau, elaborado pelo Departamento de Estado norte-americano. O documento alerta para o facto de haver "milhares de minas deixadas no terreno" em diferentes regiões -- sendo que a capital é considerada livre de minas.

De acordo com relatos recolhidos desde 2006 pela agência de informação humanitária IRIN, já foram encontradas minas chinesas, portuguesas, russas e espanholas na Guiné-Bissau. A estação das chuvas (de maio a novembro) é a mais perigosa uma vez que as minas podem mudar posição ao serem arrastadas juntamente com as terras, de acordo com os testemunhos da população. Mas o combate à ameaça com ações no terreno continua suspenso. Lusa

Fernando Ka/Cerimónias fúnebres: O velório está a decorrer no Salão Mortuário da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, durante toda a noite de Sábado. As cerimónias religiosas decorrerão às 10h de Domingo na Igreja Nossa Senhora de Fátima l, com saída para o Alto de São João pelas 10h30, em Lisboa.

Governo reitera «vínculo incondicional» com princípios da liberdade de imprensa


O Governo guineense reiterou, «de forma clara e incondicional» o seu vínculo com «os princípios consagrados na lei magna da liberdade de imprensa».

Esta posição do executivo de Bissau consta no último comunicado do Conselho de Ministros e surge na sequência da decisão do Procurador-Geral da República, António Sedja Man, em suspender o programa semanal de debate sobre política e economia, da Rádio Difusão Nacional (RDN), `Cartas na Mesa´.

Segundo fonte da RDN, «o Governo encorajou todos os órgãos de comunicação social à prosseguirem os seus trabalhos, sem perderem de vista as leis da imprensa e respetivos princípios éticos e deontológicos», pois só desta forma «é que se pode consolidar a democracia e um Estado de direito».

Convocatória


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Programa de Governo já está na ANP


O Primeiro-ministro, Carlos Correia, acompanhado dos ministros da Presidência do Conselho de Ministros, Malal Sané e da Comunicação Social, Agnelo Regala, entregou hoje ao princípio da tarde nas mãos do Presidente da Assembleia Nacional Popular – ANP, Cipriano Cassamá, o “Programa de governação para IX Legislatura” (2014-2018).

Trata-se de um Programa plasmado nos objectivos de governação do PAIGC, que mereceu confiança do eleitorado nas últimas eleições de 2014. O referido Programa será debatido na magna Assembleia pelos deputados a partir do dia 14 de dezembro, do corrente ano.

Carlos Correia entregou o programa ao Presidente do Parlamento guineense, Cipriano Cassamá, e disse aos jornalistas que o documento "é o mesmo que foi aprovado pelos deputados" em setembro de 2014, "por unanimidade", frisou. "Os deputados, se forem coerentes, terão que o aprovar", observou Carlos Correia.

O primeiro-ministro fez ainda notar que é o mesmo programa aprovado pelo povo guineense nas eleições gerais de 2014, nas quais o seu partido, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), obteve maioria absoluta de assentos no Parlamento, com 57 deputados.

Carlos Correia salientou que o programa que entregou aos deputados "é um documento de continuidade", apenas melhorado no seu aspeto exterior, frisou.

CC-GB convida PM para assistir à tomada de posse da direcção


Uma direção nova da Câmara do Comércio da Guiné-Bissau, CC-GB, encabeçada por Mamadú Saliu Lamba, Jorge Mandinga, Rui Ribeiro e Francisco Melo, foi hoje recebida pelo Primeiro-ministro, Carlos Correia. O propósito era convidar o Chefe do Governo para a cerimónia de tomada de posse da direção a decorrer amanhã dia 12 de dezembro.

O Chefe do Governo agradeceu o convite e disse ter compreendido o papel que a nova Câmara se propõe desempenhar, o de dinamizar o sector comercial. Tomou parte nesta audiência, o conselheiro para a área da Governação Local e Insularidade, António Queba Banjai presenciou este encontro.

Comunicado do Conselho de Ministros


Embaixada de Portugal oferece materiais escolares a crianças internadas no HNSM


A Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau ofereceu, na passada quinta-feira, diverso material escolar às crianças que se encontram internadas no Hospitalar Simão Mendes (HNS), em Bissau.

Citada pela Ang Notícias, Margarida Alfredo Gomes, Diretora do Hospital, agradeceu o gesto, embora tenha lamentado a fraca afluência à iniciativa devido à greve decretada pelos sindicatos do setor de saúde, que entretanto foi suspensa mas obrigou à retirada de muitos doentes daquele estabelecimento hospitalar.

Francisco Aleluia Lopes, Inspetor-geral das Atividades de Saúde (IGAS), mostrou-se igualmente satisfeito, referindo que espera mais apoios ao HNSM por parte da embaixada portuguesa. Já Fábio Sousa, representante da Embaixada de Portugal naquele país, sublinhou que as ofertas às crianças servem para «apaziguar os seus espíritos» enquanto estão internadas.

EUA querem intensificar cooperação cultural


O Embaixador dos Estados Unidos da América, James P. Zumwalt, residente em Dakar, foi hoje recebido em audiência pelo Primeiro-ministro, Carlos Correia.

Durante o encontro, o embaixador comunicou ao Chefe do Governo da vinda de uma Banda de Música Americana, que irá atuar no país conjuntamente com os artistas nacionais, como anteriormente havia sido anunciado, na governação de Domingos Simões Pereira. Segundo, este diplomata o governo americano irá continuar a apoiar o país, em diferentes áreas, mas, constitui sua intensão, também a partir de agora encetar a cooperação no domínio cultural.

O Primeiro-ministro, Carlos Correia, aproveitou a ocasião para solicitar ao embaixador uma maior intervenção do governo americano, no que diz respeito à formação dos quadros superiores, mestrados e doutoramentos, como vinha sendo habito entre os laços de cooperação dos dois países. O encontro foi testemunhado pelo conselheiro para a área da Defesa e Segurança, Luís Melo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Efeito JOMAV: Funcionários das representações diplomáticas da Guiné-Bissau não recebem há três meses. Mais uma consequência do derrube do Governo do PAIGC, chefiado por Domingos Simões Pereira. AAS

REPORTAGEM: A colónia onde todas as Fatumata tinham de se chamar Maria


JOANA GORJÃO HENRIQUES (texto, em Bissau, Bafatá e Cacheu)
ADRIANO MIRANDA (fotos) e FREDERICO BATISTA (vídeo)

Havia um sino que mandava os negros sair do centro da cidade, e até bem tarde dominou o trabalho forçado. A Guiné-Bissau, onde os cabo-verdianos eram usados como capatazes, foi o primeiro país africano a libertar-se de Portugal.

Fonte: PÚBLICO

OBITUÁRIO: Morreu hoje em Lisboa, Fernando Ka, fundador da AGUINENSO - Associação Guineense de Solidariedade Social. Profundos sentimentos a toda a família e que descanse em paz. AAS

Cinco Séculos de Coleccionismo, e arqueologia do cinema da Guiné-Bissau


A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, convida David Ekserdjian, professor de História de Arte e Cinema na Universidade de Leicester, para conduzir a conferência "Colecção Wentworth-Fitzwilliam: Cinco Séculos de Coleccionismo".

O encontro, marcado para hoje às 18h no Auditório 3, acontece no âmbito da exposição patente na sede da Fundação, um "best of" da colecção começada por Thomas Wentworth, 1.º conde de Strafford e ministro do rei Carlos I de Inglaterra, em 1630, e representada na sua maioria por retratos e paisagens. As obras podem ser vistas até 28 de Março de 2016, todos os dias (excepto terça), das 10h às 18h. O bilhete custa 5€; ao domingo, a entrada é gratuita.

Guimarães faz a arqueologia do cinema da Guiné-Bissau

Os anos da luta pela independência da Guiné-Bissau foram tempo de produção cinematográfica, da qual restou um arquivo, à guarda do Instituto Nacional de Cinema e Audiovisual (INCA), em Bissau, que são a memória de um país em construção.

São filmes acabados e inacabados, gravações de áudio e cópias de filmes doados por países que apoiaram a luta, cuja arqueologia será o mote para a quarta edição dos Encontros para Além da História, que começam hoje no Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

O evento incluiu projecções e debates, num program que se estende até sábado e tem curadoria de Filipa César e Tobias Hering, que, desde 2012, têm acedido àquele arquivo, contando com a participação de vários criadores, curadores e investigadores. Público

TAP: Rota para a Guiné-Bissau continua suspensa mas novo acionista pode mudar planos


A TAP considera que a operação para a Guiné-Bissau continua a não ser rentável e por isso "não há alterações, a rota está suspensa", apesar de admitir que o novo acionista possa fazer alterações.

"A TAP não tem nada a ver com a operação atual de outra companhia aérea, não há alterações nem estão planeadas alterações, a rota está suspensa", disse uma fonte oficial da TAP à Lusa, ressalvando que a entrada do novo acionista pode mudar a estratégia da companhia aérea portuguesa.

"Há um processo de transformação com a entrada de novos acionistas e todos os cenários são precoces", acrescentou a fonte oficial da TAP, deixando claro que o facto de não ter sido estudada uma alteração não significa que ela não possa vir a acontecer a curto ou médio prazo.

Questionado sobre o facto de a Guiné-Bissau ser um país lusófono e de a TAP ser a 'companhia de bandeira' portuguesa, a TAP confirmou que "a lusofonia é a vocação da TAP, mas também há que pensar na viabilidade económicas dessas rotas [Guiné-Bissau e Guiné Equatorial, para onde a TAP não voa]" e disse ainda que "o serviço público tem de ter uma compensação, porque se a rota não for economicamente viável, não será feita". Lusa

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015