segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

OPINIÃO: Portugal é o responsável pelo enfraquecimento do ensino da Língua Portuguesa na Guiné-Bissau (I)


Em 2001, Portugal, através do Instituto Camões, assinou com a Guiné-Bissau, através do ministério da educação, um protocolo de acordo para apoiar o ensino superior de Língua Portuguesa na Guiné-Bissau.

Assim, criou-se o Centro de Língua Portuguesa/ Instituto Camões, através de um protocolo que, embora nunca tenha sido tornado publicado, mas presume-se o conteúdo do mesmo a partir da atuação do Instituto Camões em Bissau, comprometeu Portugal a dar apoio pedagógico e financeiro. No primeiro caso, Portugal manda todos os anos um reitor para assessorar o curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas, que foi implementado desde assinatura do protocolo e, no segundo caso, atribuir ainda, mensalmente, um subsídio que varia entre cem mil francos a trezentos e cinquenta mil francos cfa.

Com esse dinheiro, estavam assim criadas condições básicas para que o ensino superior de Língua Portuguesa na Guiné-Bissau tivesse sucesso. Mas isso não aconteceu. Pergunta-se então o que faltou? Faltou pessoas criativas e ambicionistas para pensar o curso, e não pessoas preguiçosas e sem criatividade como o atual chefe de departamento de Língua Portuguesa que está a matar o curso. Ele não quer ir superar-se, e quer continuar a ganhar subsídio mais de qualquer um. Mas quem é que está a incentivar isso? É o próprio Instituto Camões: paga mais quem tem menos grau académico e menos aquele que tem mais grau académico.

Dizem “quem tem dinheiro tem poder”, isso é verdade. Com o dinheiro que o atual chefe de departamento recebe de Instituto Camões, sente-se até superior ao diretor da unidade “Tchico Té”, e o departamento da Língua Portuguesa passou a funcionar como ilha independente à Escola. Aliás, não é o departamento de Língua Portuguesa, turmas de licenciatura em Língua Portuguesa, uma vez que só os professores dessas turmas é que recebem o subsídio. Esses termos são confusos até que dividiu os professores de Língua Portuguesa: aqueles que recebem o subsídio, intitulados professores do Instituto Camões e aqueles que não o recebem, com certeza apelidados professores de “Tchico Té”. Que benefícios que o Instituto Camões terá com essa divisão dos professores do mesmo coletivo?

No ano letivo findo, 2012/2013, a escola aumentou algumas turmas de licenciatura em Língua Portuguesa e, surpreendentemente, o Instituto Camões, rejeitou de atribuir subsídio aos professores que lecionam nas turmas alargadas. Esses professores reclamaram junto do chefe de departamento, da leitora do Instituto Camões em Bissau e do diretor escola, mas não surgiu efeito. Para não continuar com as reclamações, o atual ministro da educação, que é o segundo bem pago desse subsídio, mandou cancelar as turmas alargadas para licenciatura, alegando falta de condições.

Que condições é que o ministro queria? Ou quer que o subsídio continue só para aquele núcleo de pessoas, e não ao coletivo de Português? Com essa suspensão, muitos estudantes que já tinham feito o bacharelato e que voltaram a escola para obter a licenciatura ficaram desiludidos. Assim é que Portugal quer promover o ensino de Língua Portuguesa, dividindo? Até quando é que Portugal vai continuar a fragilizar o ensino de Língua Portuguesa na Escola Superior de Educação, com atribuição de subsídio a um grupo ínfimo de professores.

Se isso continuar assim, segundo as conversas que tive com alguns professores do coletivo do português, “nós vamos também continuar a fingir ensinar porque não há incentivo, ou há incentivo por um número reduzido de pessoas”. Ainda os mesmos professores chegaram a questionar a razão do curso continuar até hoje a ser coordenados pelos licenciados, enquanto existe alguns mestrados que já podem assumir o departamento para dignificar o curso.

Percebe-se a dificuldade que Portugal está a passar nesse momento. Isso é compreensível. Mas Portugal não pode e nem deve, com a sua dificuldade económica, criar ou enfraquecer o ensino de Língua Portuguesa na Guiné-Bissau. Portanto, exige-se que Portugal, através do Instituto Camões, dê subsídio para todos os professores do departamento de Língua Portuguesa, ou manda partilhar o que atualmente gasta no Centro de Língua Portuguesa de Bissau para todo o coletivo de português, ou ainda que corte o subsídio, continuando assim apenas a apoiar na área pedagógica, permitindo assim para que todos professores tenham a mesma motivação no ensino da Língua Portuguesa na escola da unidade “Tchico Té”, caso contrário, as consequências futuras do fracasso do ensino da Língua Portuguesa, será da responsabilidade do Instituto Camões.

UM DOS PROFESSORES DESCONTE COM A SITUAÇÃO.

VOLTAREI!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

PAIGC: Cacheu não será 'favas contadas'


A votação era para definir a forma de resolver os problemas surgidos em Bafatá e Oio. Braima Camará, sozinho, teve 125 votos, e Domingos Simões Pereira (juntamente com o Carlos Correia, Aristides Ocante, Cipriano Cassama, Hadja Satu Camara, Daniel Gomes, Francisco Benante, Abel da Silva) somaram 197 votos.

As opções, para a votação, eram as seguintes: 1) Resolução política, 2) Aceitação das decisões judiciais. Esta última ganhou. O congresso propriamente dito arranca amanhã. AAS

PAIGC: O Comité Central do PAIGC votou a lista de Domingos Simões Pereira, que venceu com 197 votos. AAS

ELEIÇÕES(?) 2014: A partir de amanhã os guineenses residentes na Cidade da Praia podem dirigir-se ao Consulado para o recenseamento. Até ao dia 7 de fevereiro. AAS

PAIGC: Divisões impedem início do oitavo congresso do partido histórico da Guiné-Bissau


Divisões internas estão a impedir o início do oitavo congresso do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), disse fonte partidária à agência Lusa em Cacheu, norte da Guiné-Bissau, local escolhido para o evento. O arranque dos trabalhos estava marcado para quinta-feira, mas tem sido sucessivamente adiado.

Está previsto que o congresso junte 1.200 delegados durante vários dias para discutir os estatutos e escolher uma nova liderança, substituindo Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto no golpe de Estado de abril de 2012 e que reside fora do país. LUSA

PAIGC/PRÉ-CONGRESSO: Acabou de começar, em Cacheu, a discussão sobre Bafata e Oio (?!). E Saturnino da Costa já avisou: «És tem ku kaba aos i congresso tem ku cunsa.» AAS

MORTES: CRIME ORGANIZADO E CRENÇA ANCESTRAL CULMINAM COM PERDAS DE VIDAS HUMANAS



A LGDH está preocupada com o aumento do nivel da violência no país sobretudo os casos que têm culminado com os assassinatos dos cidadãos nacionais e estrangeiros.

Esta semana que esta prestes a terminar a, LGDH registou dois casos graves de violações dos direitos humanos que culminaram com as perdas de vidas de duas pessoas, um no sector de Pitche região de Gabú e o segundo um cidadão Mauritaniano assassinado pelos supostos larápios no Bairro de Cuntum, aqui em Bissau.

O primeiro caso aconteceu em Pitche quando um cidadão nacional de nome Adulai Balde de 62 anos de idade foi acusado pelo seu proprio irmão de ser um feiticeiro, por conseguinte, responsavel pela morte da sua mulher e filho. Para reforçar esta acusão, o irmão mandou buscar um indivíduo na República da Guiné-Conakri supostamente especializado em identificar os feiticeiros.

Este individuo com o apoio de alguns membros da comunidade local, forçaram a vítima ingerir um produto cuja natureza e composição química se desconhece, acabando por provocar-lhe a morte imediata no passado dia 28 de Janeiro 2014, em Pitche. Até esta data, a LGDH desconhece se o suspeito foi ou não detido pelas autoridades policiais locais.

O Segundo caso muito preocupante aconteceu na noite de quarta feira dia 29, quando um grupo de cinco presumíveis assaltantes atacaram a loja de um comerciante mauritaniano, tentando roubar o dinheiro e algumas mercadorias. O malogrado, que respondia pelo nome de Mohammed Ali, de 42 anos de idade, terá sido abatido com dois tiros na cabeça e no corpo, quando tentava prender um dos presumíveis larápios.

Estes acontecimentos dramáticos consubstanciam em violações graves dos direitos humanos os quais, as autoridades públicas devem accionar todos os mecanismos legais e judiciais para a identificação e consequente responsabilização criminal dos seus responsáveis e cumplices.

A LGDH condena com firmeza estes actos bárbaros e criminosos e exorta as autoridades nacionais no sentido de criar condições de segurança para os cidadãos nacionais e estrangeiros residentes no país.

Finalmente, a LGDH apresenta o seu profundo sentimento de pesar e da solidariedade para  com a comunidade Mauritana residente na Guiné-Bissau.

Pela paz, justiça e Direitos Humanos
 
A Direcção Nacional
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ÚLTIMA HORA - CABO VERDE: Adiada a inauguração da Casa das Comunidades Africanas Imigradas, que era para ter lugar no dia 2, próximo domingo na Cidade da Praia. Uma data será anunciada brevemente. AAS

A estratégia do antílope


Cercado, sem possibilidade de fuga, com a logística a escassear e as vias de abastecimento completamente fechadas, o presidente da Renamo Afonso Dhlakama - partido que disse que ia ficar de fora de todas as eleições moçambicanas...deu o dito por não dito. Agora vai a todas, e até Dhlakama «pode vir a candidatar-se».

Mas esta é uma estratégia, apenas para Dhlakama ganhar tempo e reorganizar-se, pois enquanto candidato...o presidente da Renamo goza de imunidade. Recorde-se que mais de 60 pessoas, entre civis e militares, foram mortas desde o início dos confrontos entre milícias do partido da perdiz e forças do Estado. AAS

VISÃO DE ESTADO - MARISA MORAIS: “Não podemos ficar reféns do tráfico de droga sem pensarmos na nossa juventude em Cabo Verde”


Por: Ana Dias Cordeiro
Foto: Rui Gaudêncio
Fonte: Público



A ministra da Administração Interna cabo-verdiana, Marisa Morais, está na frente do combate ao tráfico de cocaína que aumentou muito na última década e levou a hábitos de consumo antes inexistentes em Cabo Verde e noutros PALOP. "Cabo Verde é um país recente, em desenvolvimento, confrontado com uma criminalidade que é reflexo do tráfico", diz Marisa Morais, que faz o ponto da situação ao diário lisboeta. LER A ENTREVISTA

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TELEGRAMA: «Cacheu é uma lição». STOP

Passar pelos intervalos da chuva


Todos os dias, impreterivelmente, alguém atira-me com um sonoro "estás magro, pá!". Mas não estou. Quem me conhece desde sempre habituou-se a ver um gajo magrinho, um fio de azeite, um sujeito capaz até de passar pelos intervalos da chuva. Mas um gajo, digamos que... porreiro.

Agradeço a preocupação, mas não encaixo a coisa. A senhora minha Mãe viveu sempre obcecada com os meus parcos quilinhos; o senhor meu Pai (que o seu deus o tenha), gabava o meu caparro - também éramos panos da mesma banda...a Gabriela, pelo contrário, elogiava a minha ausência de barriga e achava graça ser capaz de rodear o meu corpo apenas com um braço.

Habituei-me, portanto, a ser um gajo com aspecto de doente. Em vez de optar pelo suicídio (será a costela do Fogo?), fiz disso um estilo, ou melhor, uma personalidade - porreiro, pá! Aly Silva, um estiloso com 1 metro e 79, levitando em 60 quilos.

A vida que levo nunca ajudou: acordo e acendo logo um cigarro que de certeza me vai destruir, saio de casa e avio 3 cafés de uma assentada e seis cigarrinhos; a meio dessa mesma manhã, mais duas doses de cafeína. E mais cigarros. Faço isto desde que saí da tropa, em 1989. E ainda não me cansei, e dá-me prazer. De qualquer maneira, vou passar mais tempo morto...

No que me diz respeito, fazer ginástica é uma canseira, incómodo a mais. Tomar comprimidos para o apetite pode ser perigoso (estou sozinho...), continuar a fumar 2/3 maços de cigarros por dia é, nota-se, suicídio à vista. Mas não quero ser gordo. Ao contrário dos vitoriosos sobre o estômago, admito a derrota. Mas não quero habituar-me a um novo Aly Silva. Quero continuar um tipo giro, porreiro, de olhos ora verdes ora azuis.

Quem sabe não arruíne a minha vida e os que me amam passem a detestar-me, pois não seria a mesma pessoa. É que, afinal, 60 quilos é uma...enormidade! Bom fim-de-semana a todos.
AAS