terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
ÚLTIMA HORA: Conflito de terras na zona de Nhacra, a menos de 20km de Bissau. Os habitantes locais entraram em conflito com os proprietários de plantações de cajueiros. Houve agressões e, apurou o ditadura do consenso, vários feridos. A polícia, impotente, pediu já reforços a Bissau. Temem que a situação não descambe em tragédia. AAS
ÚLTIMA HORA: Militares invadem ANP
Desde o meio desta manhã que a sede da Assembleia Nacional Popular, em Bissau, está cheia de militares que invadiram o gabinete do Presidente, Ibraima Sory Djalo. As portas de saída foram encerradas e estão sob guarda de homens fardados e armados. Coisa boa não deve ser, e as declarações de Sory Djaló sobre os desamandos no governo, e o papel dos militares, terão precipitado esta invasão. Alguns funcionários, com receio do que pode vir a acontecer, abandonaram o serviço. AAS
Guiné-Bissau: Nigéria e Brasil "preocupados"
A Nigéria e o Brasil manifestaram-se preocupados com aquilo que consideram de "grave crise política institucional na Guiné Bissau". Igualmente, Abuja e Brasilia não esconderam suas inquietações em relação à deterioração da situação sócio-económica e humanitária no país. Todas essas preocupações foram expressas num comunicado conjunto emitido no último fim-de-semana, no final da visita à Nigeria da Presidente do Brasil.
No mesmo comunicado, Nigéria e Brasil reafirmaram a sua prontidão em apoiar os esforços da União Africana, CEDEAO, CPLP na promoção do diálogo inclusivo e o progresso sustentável no restabelecimento da ordem, através dum processo eleitoral democrático, que respeite a liberdade política e os direitos humanos.
Droga, armas e pirataria: A segurança da Africa Ocidental ameaçada
O trafico de armas e da droga assim como a pirateria maritima acentuam as ameaças sobre a segurança na Africa Ocidental, actualmente em guerra contra os jihadistas no Mali, segundo um relatorio da ONU publicado segunda-feira. “O trafico de cocaïna acentuou a instabilidade na Guiné-Bissau, o trafico de armas de fogo alimenta a rebelião no Norte do Mali, a pirataria maritima ameaça o comércio no Golfo da Guiné”, alerta esse relatorio que faz o ponto sobre as ameaças regionais para o ano de 2012. “Todos esses exemplos mostram que a criminalidade transnacional organizada tomou proporções tais que constituem presentemente uma verdadeira ameaça para a segurança da Africa Ocidental”, prossegue o mesmo documento.
Segundo as estimações, “entre 10 e 20.000 armas” podem ter sido alvo de trafico” entre os arsenais libios e o Mali ano passado, segundo a mesma fonte. A vila de Gao (Norte do Mali) é nomeadamente citada como uma placa giratoria do trafico de armas no Sahel. O norte do Mali caiu em 2012 nas mãos dos rebeldes tuaregues do Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) – os quais numerosos elementos regressaram fortemente armados da Libia apos a queda do defunto Mouammar Kadhafi por quem haviam combatido - e de grupos armados islamistas aliados à Al-Qaïda do Maghreb Islamico (AQMI). Os jihadistas posteriormente atacaram e se apoderaram das regiões controladas pelo MNLA, antes de eles mesmos serem desalojados das grandes cidades a partir de janeiro pelas tropas franco-africanas.
Pierre Lapaque, representante regional do Gabinete das Nações Unidas Contra a Droga e o Crime (UNODC), explicou perante a imprensa em Abidjan que o volume do trafico de cocaïna que transitou pela Africa Ocidental proveniente da América Latina passou de 18 tonelada em 2010 à umas 25 toneladas, segundo as estimativas onusinas. No que concerne ao trafico de falsos medicamentos, “estimamos que no minimo 10% do conjunto dos medicamentos essenciais que circulam na Africa Ocidental são contrafeitos”, sublinha esse responsavel das NU. A multiplicação das ameaças resulta da fraqueza do Estado de direito que torna a região “vulneravel” aos diversos focos de contrabando, segundo o relatorio, que apela ao reforço da luta contra a corrupção.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Desabafo e impotência
"A Guiné-Bissau é um Estado falhado. Sou professor 'Novo Ingresso', e estou há 6 meses sem salário!
Siaca C."
A agenda...
O presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) da Guiné-Bissau, Ibraima Sory Djaló, avisou hoje que é impossível governar o país sem programa de Governo e sem orçamento e recusou qualquer responsabilidade do Parlamento. Falando na Assembleia Nacional Popular, o responsável teceu críticas ao Governo mas também aos pequenos partidos, considerando que muitos deles nem existiam e que apareceram de novo após o golpe de Estado de 12 de abril do ano passado. "Há partidos que foram fundados e que nunca fizeram um congresso. Partidos que já não existiam. O golpe de Estado não pode ser lugar de ressurreição de partidos mortos", disse Ibraima Sory Djaló.
O presidente do parlamento referia-se implicitamente à criação de uma Comissão Multipartidária e Social de Transição, uma proposta de pequenos partidos e que serviria para regular o período de transição na Guiné-Bissau. A ser criada, essa Comissão poderá esvaziar os poderes da ANP. Além de crítico em relação a essa iniciativa, o presidente da ANP deixou ainda críticas ao executivo e ao facto de até agora não haver um programa de Governo e um orçamento, algo que a ANP pediu ao executivo de transição ainda no ano passado, disse. "Mandei dizer ao governo para trazer o programa e o orçamento. A ANP não quer saber, nem está interessada em saber, o que é que os partidos estão a fazer, é assunto deles. O que dissemos foi para trazerem o programa e o orçamento, para que de facto a ANP possa fiscalizar o Governo", disse Sory Djaló.
De acordo com o político, respondeu ao pedido da ANP o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Vaz, "a dizer que não podia mandar o programa e o orçamento porque ainda não havia consenso com os partidos políticos". "Eles (o Governo) não vão trazer nada se não forem obrigados, porque estão a governar com despesas não tituladas que já vão em 15 mil milhões de francos (23 milhões de euros)", alertou. Sory Djaló avisou que o Governo já não tem dinheiro para pagar salários em fevereiro e se o fizer é porque se endivida ainda mais, e disse aos deputados que a ANP tem o dever de fazer um debate exaustivo sobre a matéria e produzir um documento a entregar à Presidência da República, às chefias militares e ao Ministério Público a alertar para o facto de o país ser governado sem programa e sem orçamento.
O presidente disse que inclusivamente já perguntou ao primeiro-ministro de transição sobre como é possível governar sem programa e sem orçamento, com dinheiro a ser gasto sem que ele possa controlar e sem que a ANP possa também controlar. Sory Djaló disse que é preciso que a ANP vote uma moção e entregue aos outros órgãos do Estado porque não quer assumir qualquer responsabilidade no caso. Ibraima Sory Djaló afirmou que os que não querem a ANP é porque querem "ficar a comer o dinheiro"? e criticou "os que estão encostados no golpe (de Estado)". "Os militares fizeram o golpe para estragar esta terra? Foi para isso que o fizeram? Não vamos aceitar isso nunca", garantiu. LUSA
Mortus nega
O presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) da Guiné-Bissau, Ibraima Sory Djaló, avisou hoje que é impossível governar o país sem programa de Governo e sem orçamento e recusou qualquer responsabilidade do Parlamento.
Falando na Assembleia Nacional Popular, o responsável teceu críticas ao Governo mas também aos pequenos partidos, considerando que muitos deles nem existiam e que apareceram de novo após o golpe de Estado de 12 de abril do ano passado. «Há partidos que foram fundados e que nunca fizeram um congresso. Partidos que já não existiam. O golpe de Estado não pode ser lugar de ressurreição de partidos mortos», disse Ibraima Sory Djaló.
Excitações
Os partidos da oposição da Guiné dizem que não vão participar do processo eleitoral. A oposição se retirou-se do processo eleitoral para protestar contra a falta de diálogo com o governo e da falta de consulta com o Presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Bakary Fofana, segundo a RFI. Entretanto, dizem que não vão boicotar as próximas eleições. AAS
Íntimo
Ditadura do Consenso - o blog, sempre foi a cara do António Aly Silva. Independentemente dos sentimentos, que assumiram várias formas. A meu ver, foram argumentos mais fortes do que o argumento, sempre discutível, de ter ou não ter um efeito que nortearam a criação deste blog.
Lamento algumas coisas. Sei que feri susceptibilidades, e que em alguns posts - poucos - causei dor e sofrimento em algumas pessoas. Mas também passei por momentos muito difíceis e tenho conseguido superá-los. De resto, tenho subido um escalão aly e descido outro acolá, mas, pasmem-se, tenho subido quase cinco no respeito e na consideração de muito boa gente.
Mas de que serve, hoje, o lamento? De que me posso lamentar, alguma coisa de que me arrependa? Não, nada. Cometi erros, mas nenhum estratégico, simplesmente tácticos. As pessoas lamentam-se de muitas coisas... Como pessoa, no pouco que de mim conheço, nos meus simples costumes, nas minhas práticas diárias, nas minhas poucas coisas, até sou uma pessoa bastante humana.
De algumas coisas que escrevi, sim - e lamentá-las-ei até à efectiva consumação dos séculos. Bastante mesmo. Como lamento não ter podido descobrir antes todas as coisas que agora conheço, com as quais, com metade do tempo, teria podido fazer mais, muito mais do que o que fiz em 46 anos de vida.
Durante séculos os homens cometeram erros e, tristemente, continuam a incorrer nos mesmos erros. Acredito ainda assim, que o Homem é também capaz de conceber e criar coisas belas, de ter os mais nobres ideais, de albergar os mais generosos sentimentos e remorsos e, superando até mesmo os instintos que a natureza lhe impôs; de dar a vida pelo que sente e, sobretudo, pelo que pensa.
Escrevi já muito no blog. Estou a chegar ao número mágico de seis milhões de visitas ao blog - quatro vezes a população da Guiné-Bissau. Sempre soube que havia inconvenientes naquilo que divulgo, mas que fique claro: quando critico os poderes faço-o de forma responsável - apesar das possíveis e, inadiáveis consequências, tudo é melhor do que a ausência de críticas.
Nos 46 anos que já levo por cá, tive o privilégio de ver realidades com as quais nem supunha quanto mais atrever a sonhá-los. Hoje, não penso em mais nada a não ser que tenho mais vida para além de mim, dois filhos maravilhosos, oportunidades que convém agarrar; para mim, o essencial, o principal, o fundamental, o vital, a questão de vida ou morte - ontem - era de facto a luta comigo mesmo. E pela Guiné-Bissau e o seu maravilhoso Povo.
António Aly Silva
domingo, 24 de fevereiro de 2013
BRONCA: "Ministério Público da Guiné-Bissau está mergulhado na corrupção", diz o Bastonário da Ordem dos Advogados
Denúncia de corrupção no Ministério Público é da Ordem dos advogados da Guiné-Bissau, que exige um inquérito. Os profissionais do sector traçam um quadro negro no que se refere à justiça e falam mesmo em frustração. A denúncia de corrupção generalizada no Ministério Público foi feita pelo próprio Bastonário da Ordem dos Advogados. Domingos Quadé diz que uma rede de mafiosos e de crime organizado se está a instalar no seio dos tribunais da Guiné-Bissau, pelo que é urgente abrir inquéritos dentro do poder judicial para se apurar as responsabilidades. Ele relatou como isso se processa: "O combate à corrupção que se instala cada vez mais junto dos tribunais, com organizações mafiosas no seu seio, com gente a enriquecer de forma ilícita com isso, muitas vezes com transformação do património público em privado, extravio de documentos incómodos e não execução de sentença contra certo grupo de pessoas."
Ainda sobre a actuação do Ministério Público, o Bastonário da Ordem dos Advogados acusou-o de não respeitar os prazos processuais, de corrupção, de desvios de processos, de lentidão e da presença de organizações mafiosas no seio da classe, tendo sublinhado que, quando assim é, os criminosos viram patrões da cidade. Por isso, "o objectivo é proibir que o mandatário ou devedor, ou mesmo o pretenso criminoso, se transformem em patrões daqueles a quem a lei imputa a responsabilidade da justiça em nome do povo. Existem caso clamorosos destes", diz Domingo Quadé. Fonte: Deutsche Welle
Estou nesta, Ramos-Horta
"Caro Aly
Agradeço muito o incansável e irrecompensável trabalho que tens feito para a defesa da Verdade e da Democracia na Guiné-Bissau. Digo "estou nesta" porque não é o RAMOS HORTA nem a comunidade internacional quem deve ajudar a Guiné-Bissah. Quem pode ajudar a Guiné-Bissau a sair desta são as milicias. Para mim, enquanto as milicias não se subordinarem às leis internacionais (democracia, liberdade) não haverá melhores condições nos quarteis e a Guiné-Bissau sempre vai figurar na lista negra. Ao senhor RAMOS HORTA, com todo o respeito, não deve confundir os militares de que as Nações Unidas ou a comunidade Internacional lhes vai ajudar sem contrapartidas.
Desde a Guerra de 7 de Junho 1998 quantos representantes do secretárii geral da ONU passaram pela Guiné-Bissau? Quantos milhoes de dólares as NU gastaram na Guiné-Bissau? Desde então quantos generais, oficiais e população indefeso foram mortos ou torturados? Como se tudo isso não bastasse agora é trafico de drogas e tráfico de pessoas... Nestas condições, quem pode ajudar uma nação a seguir o seu caminho rumo ao desenvolvimento?
DR. RAMOS HORTA, diga a essas milcias a verdade e a sua verdadeira missão na Guiné-Bisssau, porque certeza tenho não tardará vão criar outra perturbação enquanto você represente as NU na Guiné-Bissau. A paz, a segurança e o desenvolvimento da Guiné-Bissau esta nas mãos dessas milicias!
Ibraima"
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