sexta-feira, 15 de março de 2013
Adiado sine die a eleição do presidente da CNE
O Parlamento da Guiné-Bissau encerrou hoje (sexta-feira) mais uma sessão plenária sem eleger um novo presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), como estava prevista na agenda dos trabalhos iniciados a 15 de fevereiro último. Após um mês de debates, o Parlamento guineense encerrou os trabalhos para ser retomado em sessão ordinária no mês de Maio, mas o presidente do órgão, Ibraima Sory Djaló, disse ser possível que haja uma sessão extraordinária nos próximos tempos a pedido do Governo para discussão do Orçamento Geral do Estado de 2013.
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Simões Pereira responde a Pansau Intchama
Domingos Simões Pereira, um dos candidatos à presidência do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), esclareceu hoje que a filosofia de todo o tipo de golpes de Estado na Guiné-Bissau não faz parte da sua vida, numa referência à sua alegada participação política no caso de 21 de Outubro, revelado pelo capitão Pansau Intchama, que está a ser julgado pelo tribunal militar de Bissau.
Domingos Simões Pereira diz "estar tranquilo", pedindo de seguida calma aos sues apoiantes. "Sei que muitos de vós vieram cá um pouco preocupados com ruídos que passam sobre a minha pessoa. Golpes não fazem parte da minha filosofia de vida", disse o candidato, classificando este comportamento como sendo de "kakris na kabas"... AAS
Uma liderança em cada atitude
Pela sempre incontornável verdade dos factos, o PAIGC, embora sendo a força política visada, de forma mais directa, pelo último golpe, nas nossas aspirações ao merecido progresso, enquanto sociedade, ainda assim, esse conturbado partido, continua na posse, não do poder de autoridade efectiva, mas do poder de influência permanente, que democraticamente legitimado na vontade popular, segue beneficiando duma enorme alavanca, na pronta condenação e consequências, que chegou da parte mais significativa, dos nossos parceiros internacionais, repudiando as maliciosas intenções, dos identificados e crónicos prevaricadores. É nisso, e mais outros tantos factores de relevo, que os actuais dirigentes do PAIGGC, envolvidos nessas desnecessárias negociações, para a formação de um eventual governo de inclusão, devem apoiar com total firmeza, para se reabilitarem como políticos credíveis, ao mesmo tempo que poderão salvar o país, desse autêntico envenenamento em curso, denominado período de transição.
Como guineense, e com relativo conhecimento da nossa castigada realidade, compreendo que seja quase impossível, a esses referidos políticos, homens e mulheres do PAIGC, aguentarem na incerteza dos longos dias, à constante ausência da satisfação de certas necessidades, que as suas pesadas reputações inventaram, para uma adequada sobrevivência dependente. Mas deverão impor condições favoráveis aos avanços da democracia, mesmo sabendo que isso os vai custando algumas restrições, aceitando com coragem política, e física, caso seja inevitável, esses sacrifícios dignificantes, num inteligente aproveitamento desse momento crucial, que sem dúvidas maiores, revelará, verdadeiramente impulsionador, para a viragem qualitativa, na nossa gloriosa caminhada.
Devem saber os actuais dirigentes do PAIGC, protagonistas nessas negociações, que, nas circunstâncias em que o país se encontra, ao integrarem… Adriano Gomes Ferreira, mais conhecido por Atchutchi, na sua mais que conceituada andança; líder carismático, com uma visão dos mundos, para além de todos os amanhãs; um monumento vivo da nossa cultura, que com as suas virtudes e os seus defeitos, vai contribuindo para a grandeza de toda uma alma nacional… Sabe, existem raras personalidades na nossa sociedade, com elevadíssimos valores espirituais, ao ponto de poderem um dia merecer, incontáveis multiplicações, assim que os poderosos autorizarem a clonagem humana. Ups! Desculpe. É que está a passar aqui em áudio, enquanto escrevo o presente texto, uma das relíquias musicais do célebre Super Mama Djombo, um dos eternos prazeres, que acabou por desviar o sentido da minha reflexão.
Estava eu a falar dos aspectos a ter em pertinente consideração, pelos protagonistas do PAIGC, durante o percurso desses armadilhados corredores das negociações. E dizia o seguinte: ao integrarem um tal governo de transição inclusivo, sendo eles, elementos do partido maioritário na Assembleia Nacional Popular, o órgão da soberania, que apesar de debilitado, ainda está ao serviço da democracia, estarão a comprometer todos os nossos parceiros, a aceitarem esse período de excepção, como viável, e desbloquearem os canais diplomáticos e de financiamentos, o que servirá para os usurpadores profissionais, começarem a esfregar as mãos. Portanto, não deverá existir um acordo facilitado, só para garantia de lugares oficiais, despidos de conteúdo válido, na tomada das mais importantes decisões governativas.
Não se deverá aceitar sequer, condições para um acordo político, sem que haja uma garantia formal e exequível, da parte em posição de domínio, inclusive, todos os responsáveis do contingente da CEDAO no nosso território, de que será assegurado, um inteiro exercício de direitos à qualquer tipo de manifestações popular, para a reivindicação de prerrogativas, expressas nos diferentes preceitos constitucionais, desde que sejam devidamente organizadas.
Não se deverá aceitar sequer, condições para um acordo político, sem que haja uma garantia formal e exequível, da parte em posição de domínio, inclusive, todos responsáveis do contingente da CEDAO no nosso território, de que será assegurado, o regresso de todos os guineenses, sejam eles actores políticos ou simples eleitores, a viverem afastados, num asilo injustificado, independentemente das funções que tenham desempenhado no passado, e das suspeições sobre eles pendentes, para que o poder judicial, de maneira autónoma, venha a actuar em relação à qualquer dos casos, se assim entender, no restrito âmbito das suas atribuições constitucionais.
Até porque, constará como questão de honra, lembrarem durante todas as diligências negociais, que entre os muitos compatriotas nossos, submetidos ao asilo forçado ou voluntário, estão neste momento, o presidente e um dos mais destacado membros do próprio partido. Se por ter escrito uma carta destinada ao então Secretário-Geral das Nações Unidas, entre outros falatórios mais, carecidos de fundados esclarecimentos, Carlos Gomes Júnior, mereceu ser afastado abusivamente do poder, e remetido ao asilo, o que fez Raimundo Pereira de tão grave, para merecer alguma vida longe da pátria, com tudo o que isso implica, nos planos de um homem feito?
Os entendimentos diplomáticos mais favoráveis, aos ventos de uma mudança positiva, colocaram o timorense, José Ramos Horta, como representante do Secretário-Geral das Nações Unidas, no nosso território. Uma figura política decente, com devido reconhecimento internacional; laureado com um Prémio Nobel de Paz; e que chegou a experimentar durante uns anos, a amargura de um asilo político forçado. Por isso, espero que essa memória sirva ao seu melhor empenhamento na avaliação, e um competente auxílio, ao nosso complexo processo de reconciliação.
Com mais esta, a nossa sociedade enfrenta sim, sérias adversidades, e de uma transversalidade bem vincada, que nem está a deixar de fora, a parte dela na diáspora. Mas também, estamos perante uma oportunidade singular, e com potentes hipóteses, de finalmente, mudarmos para melhor, o rumo das nossas vidas.
Ser, Conhecer, Compreender e Partilhar
Flaviano Mindela dos Santos
quinta-feira, 14 de março de 2013
Serifo Nhamadjo ameaça demitir-se
Esta quinta-feira, o Presidente de transição Serifo Nhamadjo ameaçou abandonar a cadeira da presidência caso persista o clima de divergência entre os partidos sobre a formação de um novo Governo e de um roteiro para os meses que faltam para a conclusão da transição. Estas declarações, pronunciadas na abertura de um encontro promovido pelo Movimento da Sociedade Civil com os militares sobre a busca de diálogo nacional, surgem no momento em que o Representante do Secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, acaba de reiterar que os parceiros do país poderiam voltar à Guiné-Bissau se as autoridades de transição definissem um calendário eleitoral e se formassem um governo inclusivo.
Neste contexto em que a comunidade internacional incita o executivo de transição Guineense a definir uma estratégia, Serifo Nhamadjo teceu as suas advertências declarando estar cansado das divergências entre os políticos "motivados por interesses egoístas." Liliana Henriques/RFI
Lá vai Timor...
Timor-Leste em alta no índice de desenvolvimento, Guiné-Bissau aproxima-se dos últimos. Timor-Leste, que foi protectorado da ONU, ganhou cinco posições, desde 2007, no índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, enquanto a Guiné-Bissau se aproximou dos últimos lugares, em que continua Moçambique, segundo dados hoje divulgados.
Sob o lema "A Escalada do Sul: Progresso Humano num Mundo Diverso", o relatório de 2013 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), hoje divulgado, mostra uma tendência de estagnação da posição dos países lusófonos, sendo a evolução de Timor-Leste a excepção positiva. Entre os países do Leste da Ásia e o Pacífico, Timor-Leste registou o maior crescimento médio anual no índice, entre 2000 e 2012, figurando este ano na 134.ª posição, nos países com IDH médio. LUSA
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