terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
A CEDEAO e a dimensão regional na resolução da crise maliana
Este 'apanhado' faz parte de uma conferência do general de duas estrelas, François Loeuillet, em Saint-Cyrien, na Sciences Po Aix, no dia 26 de janeiro. Este general que fez o essencial da sua carreira no seio das tropas da marinha do ultra-mar e no estrangeiro, participou em numerosas operações de paz (OPEX), nomeadamente no Libano, Tchad Kosovo etc e ocupou postos de cooperação ou de conselheiro muito importantes, caso do Burundi. Ele foi igualmente de 2010 a 2012 Conselheiro Militar junto do Comissario dos Assuntos Politicos, da Paz e da Segurança da CEDEAO em Abudja (Nigéria). Hoje, ele é um especialista de renome no dominio da segurança, nomeadamente nas questões do continente africano.
Dessa conferência do general François Loeuillet, ao falar da Africa Ocidental e, pela relação que tem para com a Guiné-Bissau. Importa, assim, transcrever as passagens seguintes:
«Elementos de desestabilização mais estruturais são igualmente de se tomar em conta, a começar pela grande importancia que a corrupção que marca os estados da zona ocidental de Africa. Parece que este fenomeno marca particularmente a Nigéria. Ha também a dimensão da rota internacional dos traficos com os Estados Narcotraficantes, que a olhos de todos, é a Guiné-Bissau. Um dos desafios da estabilização é igualmente a segurança maritima. Existe uma verdadeira economia de pirataria maritima (sequestro por troca de resgate) no Golfo da Guiné que influencia a economia dos estados dessa zona...»
...«A estabilidade politica esta em progressão regular. Não existem conflitos entre Estados significantes na região depois de muitas dezenas de anos. A parte a Guiné-Bissau, as forças armadas, são na sua globalidade legalistas e republicanas o que permite a ocorrência de processos democraticos pacificos e sem turbulências, como foi o caso do Senegal, por exemplo, onde o candidato Abdoulaye Wade aceitou a derrota nas urnas. O caso particular da Guiné-Bissau explica a mobilização de esforços da CEDEAO e a elaboração de um Plano de Ajuda de 60 milhões de dolares, nomeadamente para assegurar o afastamento progressivo das altas personalidades associados ao trafico de droga em ligação com os carteis sul-americanos»
Para concluir, o general Loueillet fez questão de insitir sobre os progressos conseguidos na Africa do Oeste no quadro de assossiações regionais em termos de governação. Ele fez igualmente questão de chamar a atenção que se trata de uma frente que não deve ser negligenciado pela Europa tendo em conta os desafios de desenvolvimento (questões ligadas aos fluxos migratorios) e de segurança (luta contra o trafico de droga com destinação a Europa e questões do djihadismo islamico).
CPLP vai propor à CEDEAO uma saída para a crise
Os países africanos de língua oficial portuguesa vão propor à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) uma saída para a crise na Guiné-Bissau, disse hoje à Lusa, a ministra são-tomense dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades. Natália Umbelina, que regressou na quinta-feira da Etiópia onde participou na vigésima conferência da União Africana, disse que os representantes de Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe reuniram-se à margem deste encontro para “concertar posições” sobre a Guiné-Bissau. “Tivemos uma reunião entre os PALOP para juntos refletirmos um pouco mais, concertarmos as nossas posições, para numa próxima reunião da CPLP podermos também levar o nosso apoio, o apoio dos cinco países de língua oficial portuguesa em África para que rapidamente a Guiné-Bissau possa conhecer novas esperanças”, explicou Natália Umbelina.
A governante são-tomense reconhece que se trata de “uma aproximação” que os PALOP estão a fazer em relação a um dos seus membros mas rejeita a ideia de que essa posição seja uma legitimação do governo interino instalado depois do golpe de Estado de 12 de abril de 2012. A chefe da diplomacia são-tomense defende que “a Guiné-Bissau sozinha tem dificuldades em conseguir a saída da crise, precisa de ajuda e essa ajuda está a vir de todos os cantos: da CPLP, da CEDEAO, está a vir da União Africana, da União Europeia e do próprio Banco Mundial”. LUSA
O estado do 'presidente'
Pouco me importa sobre quem já deu, ou quem deu mais um golpe de Estado. Ou ainda sobre quem vem a seguir... Não têm esse direito. Com que cara é que alguém se apresenta ao seu povo - e ao mundo! O 'presidente da CEDEAO' vem agora armar-se em virgem ofendida, e, pasmem, indo até ao ponto de questionar a razão de os Governos eleitos, desde 1995, "nunca terminarem as suas legislaturas". Pois, Serifo, acabaste de dar um tiro no teu próprio pé: fizeste exactamente o mesmo. Participaste num golpe de Estado, que interrompeu um processo democrático na qual o POVO da Guiné-Bissau era único detentor da Justiça.
"A equipa de transição na Guiné-Bissau é legal, emanada pela Constituição da República guineense. Este regime não é um regime militar", Serifo dixit. Que coisa! Não sabia que os golpes de Estado estavam escritos na nossa Constituição!!! Nha mãe! O 'governo de transição' é, isso sim, uma grande mamada!
Depois, num descaramento nunca antes visto, olha pelas golas do casaco e autoconsidera-se, e aos restantes biltres, como «bombeiros». "O que cada guineense fez para que o país não chegasse a este ponto?" - perguntou. Eis a minha resposta: Um milhão e seiscentos mil guineenses nunca pegaram em armas para dar um golpe de Estado! Tenham vergonha, digam que não podem e afastem-se. Deixem a Guiné-Bissau respirar!
Em relação ao caso dos assassinatos do Presidente da República e do Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas, nomeadamente João Bernardo Vieira e Tagme Na Waié, Serifo Nhamadjo lembrou que, nesta data, a comunidade internacional havia exigido a tomada de posse do Presidente interino antes das cerimónias fúnebres: «Grande parte da comunidade internacional esqueceu estes factos», recordou. Serifo: Kennedy foi assassinado e o seu sucessor tomou posse dentro do Air Force One, com o corpo do defunto a bordo!!! O poder não pode cair na rua!
E talvez para descomprimir, lembrou-se de Olesegun Obasanjo e fez a revelação do ano: «Obasanjo não tem muitos cabelos brancos»... No comments. Nhamadjo falou também sobre as Forças Armadas, mas, claro, não se lhe ouviu nenhum programa ou solução para meter a tropa de sentido. E lá veio uma frase feita: "Saíram de uma revolução e até à data o seu futuro tranquilo continua a ser adiando".
Para terminar - ainda que fosse melhor nem ter começado - o 'presidente de transição e da CEDEAO' falou da famosa reforma nos sectores de Defesa e Segurança, da não menos famosa na função pública, assim como na da Justiça e da reorganização geral do aparelho do Estado. Mas não disse nada. António Aly Silva
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