quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Governo foi empossado? O próximo é já, já a seguir...

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FOTO:AAS

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Na margem, completamente a leste

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Podia ser tal como no poema de Garcia Lorca: «a las cinco en punto de la tarde», mas não foi. Fui ver o mar. Este fim de manhã. Há não sei quantos dias eu carregava comigo duas obsessões: ver o mar e estar junto do meu filho. A obsessão maior, ainda não realizada, é puder estar perto do Guilherme (está para muito breve). Mas vi o mar. Foi melhor que nada, foi imenso!

No mar, pensei em coisas que magoa descrever. Pensei também em sonhos, esperanças, histórias com final feliz. Enfim, fiz o que pude para justificar o privilégio que tive de estar a ver o mar. Sozinho. Senti também um cheiro inebriante a verde que me sugou, o calor que sufoca, a humidade que cola à pele, o ruído dos carros, canoas com gente a pescar ao largo, mulheres à procura de caranguejo, crianças chafurdando na lama cinzenta, a ponte que nem sequer oscila.

Eu continuo na margem. Sentado naquilo que já foi uma canoa. Mão direita a suportar o queixo, olhando coisa nenhuma, vendo o infinito. Mas mesmo daqui, pesem todas as adversidades, mantenho o deslumbramento. Quem viu o mar, nem que seja um pedaço de mar, não esquece mais.

No estado em que me encontro tudo isto me parece fantástico. Entretanto tremo de frio quando penso que do outro lado do extenso Atlântico, alguém sofre por eu não estar presente. E, nos entretantos, procuro entender os segredos da vida. E no meu espírito desorganizado duas imagens de alguma forma me animam. Ela, e ele – o meu filho.

Dormia agora - com a vossa licença - o sono mais profundo da minha vida. N’kansa.

AAS

Silêncio, aqui sofre-se

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Toda a limitação implica sofrimento: neste caso sofre a criança (o meu filho) que vê limitado o seu tempo de diversão ou de sono; os pais sofrem porque sabem que a sua saúde do seu filho está limitada.

Tenho sofrido em silêncio, todos estes dias, porque o sofrimento é quase inseparável da existência terrena do homem. O medo do meu sofrimento, é o não ter feito a paz com a dor. Nunca se poderá perceber o quanto uma pessoa sofre, física e espiritualmente, sobretudo nas fases complicadas da vida. Toda a dor traz solidão e o sofrimento humano, além do físico. Ele é também psíquico e espiritual. Se eu não tenho uma experiência pessoal da doença e da morte, naturalmente não conseguirei perceber todo o alcance do sofrimento que o meu filho está a passar.

E o sofrimento acaba por ser algo mais amplo e mais complexo que a própria doença. É estar sob um peso, suportá-lo. O existir é essencialmente um bem. O Homem sofre por causa do mal que é uma certa falta, limitação ou distorção de um bem. O homem sofre por causa de um bem do qual não participa.

Eu sei que sofro e pergunto-me porquê. Vejo ao meu redor pessoas que sofrem sem culpa e vejo igualmente pessoas culpadas sem a pena correspondente. Tenho renunciado, sem muita dificuldade, a uma lauta refeição em benefício(!) do próprio coração combalido.

Vê-se que há um sofrimento transitório para se livrar de um outro definitivo.

Sempre detestei hospitais. Ali, com exceção da maternidade, tudo é sofrimento. Sofrem os doentes e sofrem os que acompanham os doentes. A mãe, que goza de saúde, e fica no hospital ao lado de seu filho doente. Faz isso por solidariedade ao filho, desejando que ele recupere a sua saúde. Os hospitais são pobres. Há calor, são mal ventilados, são apertados. E há ainda o cheiro dos remédios. Há os gemidos dos que sofrem. E a mãe do Guilherme sofre ao ver o seu (nosso) filho sofrer. Mas ela sofre em solidariedade ao filho na esperança de que ele se recupere e volte para casa.

Como seria bom pudermos colocar a dor num envelope e devolvê-la ao remetente...

Gosto de ti, filho. AAS

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Verdade inconveniente

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Foto: AAS