quinta-feira, 22 de março de 2012
CASO ZAMORA INDUTA: Ex-CEMGFA continua nas instalações da UE. Ministro do Interior prometeu enviar forças para cercar as instalações, mas ainda não se viu polícia nenhum. Os três embaixadores da UE (Espanha, França e Portugal) estão de acordo quanto à saída de Zamora, sendo que Portugal é a hipótese mais provável. Discute-se agora se Zamora deve embarcar sozinho, ou se acompanhado de algum embaixador da UE acreditado em Bissau. O problema é que foi retirado a Zamora Induta o passaporte. AAS
EPA 2012: As cinco candidaturas (Koumba Yalá, Henrique Rosa, Serifo Nhamadjo, Serifo Baldé e Afonso Té) que se opuseram aos resultados eleitorais, mandaram retirar os seus respresentantes junto da CNE, e hoje nenhum deles apareceu. Quanto aos seus mandatários, junto do Supremo Tribunal de Justiça, ainda nem uma orientação por parte dessas mesmas candidaturas... AAS
quarta-feira, 21 de março de 2012
EPA 2012-TOTAL NACIONAL
Cralos Gomes Jr - 154.797 - 48,97
Koumba Yalá - 76.842 - 23,36%
Serifo Nhamadjo - 49.767 - 15,65%
Henrique Rosa - 17.070 - 5,40%
Baciro Djá - 10.298 - 3,26%
Afonso Té - 4.396 - 1,38
Vicente Fernandes - 3.300 - 1,04%
Serifo Baldé - 1.463 - 0,46%
Luís Nancassa - 1.174 - 0,37%
Total votos expressos > 319.107
Koumba Yalá - 76.842 - 23,36%
Serifo Nhamadjo - 49.767 - 15,65%
Henrique Rosa - 17.070 - 5,40%
Baciro Djá - 10.298 - 3,26%
Afonso Té - 4.396 - 1,38
Vicente Fernandes - 3.300 - 1,04%
Serifo Baldé - 1.463 - 0,46%
Luís Nancassa - 1.174 - 0,37%
Total votos expressos > 319.107
EPA 2012-RESULTADOS PROVISÓRIOS (CNE)
Carlos Gomes Jr total votos: 154.797 = 48,97%
SAB 51.424
Bafata 19.636
Gabu 21.336
Oio 20.556
Koumba Yalá total votos: 76.842 = 23,36%
SAB 19.621
Bafata 4.593
Gabu 3.252
Oio 18.813
Serifo Nhamadjo
SAB 13.175
Bafata 7.529
Gabu 12.107
Oio 5.235
Henrique Rosa
SAB 6.291
Bafata 1.619
Gabu 1.675
Oio 1.176
SAB 51.424
Bafata 19.636
Gabu 21.336
Oio 20.556
Koumba Yalá total votos: 76.842 = 23,36%
SAB 19.621
Bafata 4.593
Gabu 3.252
Oio 18.813
Serifo Nhamadjo
SAB 13.175
Bafata 7.529
Gabu 12.107
Oio 5.235
Henrique Rosa
SAB 6.291
Bafata 1.619
Gabu 1.675
Oio 1.176
terça-feira, 20 de março de 2012
EXCLUSIVO DITADURA DO CONSENSO / RESULTADOS PROVISÓRIOS / ELEIÇÃO PRESIDENCIAL ANTECIPADA 2012: Koumba Yalá (com 23%) obriga Carlos Gomes Júnior (49%) a uma 2a volta nas eleições presidenciais. Serifo Nhamadjo ficou em terceiro lugar com cerca de 17%, e por fim Henrique Rosa, com quase 8% na preferência do eleitorado. A CNE apresenta, amanhã, às 13 horas...estes mesmos resultados. AAS
PRID - Comunicado de Imprensa
PARTIDO REPUBLICANO DA INDEPENDENCIA PARA O DESENVOLVIMENTO (PRID)
COMUNICADO À IMPRENSA
Sob a presidência do Dr. Aristides Gomes, Presidente do Partido Republicano da Independência para o desenvolvimento PRID, teve lugar hoje em Bissau uma reunião conjunta do Secretariado Nacional e de representantes dos diferentes Círculos Eleitorais, do país.
A referida reunião tinha na sua agenda os seguintes pontos:
-Analise da situação do partido;
- a utilização indevida da sede do Partido, assim como dos símbolos, e particularmente da bandeira do Partido, pelo candidato independente Coronel António Afonso Té no decurso da sua actual campanha presidencial;
-a posição a adoptar pelo Partido face aos diferentes candidatos às actuais eleições presidenciais.
Após a uma análise exaustiva dos pontos acima indicados, o Partido Republicano decide:
1- Denunciar publicamente e condenar a ocupação pela força, da Sede Nacional do partido, através de uma confiscação forçada das chaves assim como ameaça de morte proferidas pelo Coronel Afonso Té contra o Secretario Nacional do Partido.
2- Denunciar publicamente e condenar a utilização indevida dos símbolos, particularmente da bandeira do PRID pelo candidato independente Coronel António Afonso Té.
a) Reservar-se o direito de recorrer-se às instâncias competentes para por termo a utilização indevida dos referidos símbolos do Partido;
3- Reconhecer com agrado, o engajamento da maioria dos militantes e dirigentes do Partido desde os primeiros momentos em favor do candidato independente as eleições Presidenciais antecipadas, Sr. Manuel Serifo Nhamadjo;
4- Apelar aos militantes do PRID a evitarem eventuais implicações em actos susceptíveis de concorrer para degradação do ambiente normal e favorável ao desenrolar pacífico do processo eleitoral em curso.
Feito em Bissau aos vinte dias do mês de Março de dois mil e doze.
A Presidência do PRID
COMUNICADO À IMPRENSA
Sob a presidência do Dr. Aristides Gomes, Presidente do Partido Republicano da Independência para o desenvolvimento PRID, teve lugar hoje em Bissau uma reunião conjunta do Secretariado Nacional e de representantes dos diferentes Círculos Eleitorais, do país.
A referida reunião tinha na sua agenda os seguintes pontos:
-Analise da situação do partido;
- a utilização indevida da sede do Partido, assim como dos símbolos, e particularmente da bandeira do Partido, pelo candidato independente Coronel António Afonso Té no decurso da sua actual campanha presidencial;
-a posição a adoptar pelo Partido face aos diferentes candidatos às actuais eleições presidenciais.
Após a uma análise exaustiva dos pontos acima indicados, o Partido Republicano decide:
1- Denunciar publicamente e condenar a ocupação pela força, da Sede Nacional do partido, através de uma confiscação forçada das chaves assim como ameaça de morte proferidas pelo Coronel Afonso Té contra o Secretario Nacional do Partido.
2- Denunciar publicamente e condenar a utilização indevida dos símbolos, particularmente da bandeira do PRID pelo candidato independente Coronel António Afonso Té.
a) Reservar-se o direito de recorrer-se às instâncias competentes para por termo a utilização indevida dos referidos símbolos do Partido;
3- Reconhecer com agrado, o engajamento da maioria dos militantes e dirigentes do Partido desde os primeiros momentos em favor do candidato independente as eleições Presidenciais antecipadas, Sr. Manuel Serifo Nhamadjo;
4- Apelar aos militantes do PRID a evitarem eventuais implicações em actos susceptíveis de concorrer para degradação do ambiente normal e favorável ao desenrolar pacífico do processo eleitoral em curso.
Feito em Bissau aos vinte dias do mês de Março de dois mil e doze.
A Presidência do PRID
EPA 2012: Hoje, em conferência de imprensa, cinco candidatos exigiram a "nulidade" do processo eleitoral
Cinco dos principais candidatos às eleições presidenciais na Guiné-Bissau, realizadas no domingo, exigiram hoje a «nulidade» da votação e um novo recenseamento eleitoral «credível».
O candidato Kumba Ialá leu hoje em Bissau a declaração, também em nome de Henrique Rosa, Serifo Nhamadjo, Serifo Baldé e Afonso Té, que resultou de uma reunião decorrida entre estes políticos num hotel da capital guineense - o hotel Lisboa-Bissau. «Existem graves irregularidades e fortes indícios de corrupção generalizada que desacreditam a consulta de dia 18», refere a declaração lida por Kumba Ialá. Lusa
O candidato Kumba Ialá leu hoje em Bissau a declaração, também em nome de Henrique Rosa, Serifo Nhamadjo, Serifo Baldé e Afonso Té, que resultou de uma reunião decorrida entre estes políticos num hotel da capital guineense - o hotel Lisboa-Bissau. «Existem graves irregularidades e fortes indícios de corrupção generalizada que desacreditam a consulta de dia 18», refere a declaração lida por Kumba Ialá. Lusa
EPA 2012: Portugal reage atravês do seu Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas
Resultados das eleições na Guiné-Bissau devem ser respeitados
"Aquilo que nos é dado saber, neste momento, é que no essencial as eleições na Guiné-Bissau decorreram de acordo com as regras e as normas e que os seus resultados devem ser respeitados"
"As eleições na Guiné-Bissau aconteceram numa circunstância inesperada que foi a morte do Presidente da República. Portugal deu apoio técnico à realização das eleições porque nós apoiamos sempre aquilo quer permita à Guiné-Bissau estabilizar a sua democracia, porque isso é essencial para que o país seja governável para que as instituições funcionem e para que a economia recupere"
Paulo Portas
"Aquilo que nos é dado saber, neste momento, é que no essencial as eleições na Guiné-Bissau decorreram de acordo com as regras e as normas e que os seus resultados devem ser respeitados"
"As eleições na Guiné-Bissau aconteceram numa circunstância inesperada que foi a morte do Presidente da República. Portugal deu apoio técnico à realização das eleições porque nós apoiamos sempre aquilo quer permita à Guiné-Bissau estabilizar a sua democracia, porque isso é essencial para que o país seja governável para que as instituições funcionem e para que a economia recupere"
Paulo Portas
segunda-feira, 19 de março de 2012
Ontem
Uma fonte informou-me do assassinato de Samba Djaló. Larguei tudo o que estava a fazer, peguei o meu carro e fui ao local do crime. Sabia onde era. Tinha telefonado a um amigo de uma grande organização internacional a dar-lhe conta do que me tinham dito. Assim que cheguei, reparei em algo estranho. Não havia uma lâmpada acesa, desde a rotunda (Pilum di Riba), até ao 'Sabura'.
Não podendo continuar a marcha, por a tropa ter barrado a estrada com os seus carros, estacionei. Parei o motor, subi os vidros. Ao sair, agarrei na máquina fotográfica. Dei a volta para confirmar se as portas estavam trancadas - e estavam, quando vejo o meu amigo chegar. E logo a seguir aparece um militar de AK-47, a gesticular e a dizer coisas que não consegui perceber. Pelos seus gestos, das duas uma: ou pensava que o condutor ir seguir em frente (o que seria impensável, para além de impossível), ou queria confrontá-lo. Eu meti-me. "Desculpe, amigo, amigo, é fulano de tal...".
"Ah, ok, ok". O meu amigo faz a manobra em marcha-a-ré e estaciona. Assim que chega o militar, cumprimentamo-nos. "O que se passa aqui?" - pergunta o meu amigo. Acreditem que voltei a não perceber nada do que disse o miitar? Mas foi mesmo. "Quem está ali?", o meu amigo voltava à carga. E...nada! Então eu disse-lhe "ouvi dizer que é o Samba Djaló, que foi o chefe da contra-inteligência militar".
- "Não sabemos, porque o corpo está coberto por um pano", disse, e dessa vez foi claro. Percebemos todos. Então, lá foram, ele e o oficial meu amigo. Assim como eu, uns cinco metros atrás, com pézinhos de lã. Queria, para além de tudo, ver o cenário. Todo o cenário. Vi o bastante para uma retirada estratégica. Vi tensão nalguns rostos, noutros vi indiferença total. Depois, ouvi a comunicação com a 'base', e, finalmente, a ordem para se descobrir o mistério: quem seria? Fiz uma chamada. E esperei. Pouco depois retribuem-me a chamada.
Ganho coragem, tirada talvez dos intestinos fraquejantes, e arranco em direcção às armas. Convém aqui dizer que para além de militares e polícias, devidamente identificáveis pelo fardamento, havia pessoas sem uniforme e com Kalahsnikov's (de assalto). Continuei a andar e vejo uma carrinha com os faróis acesos, a focar para uma pequena vala, entalada entre uma 'taberna di Nar' e uma construção paupérrima feita com chapas de zinco enferrujadas.
Assim que levantam o lençol púdico, reparei logo: era ele. "I Samba', diz o oficial que descobriu o cadáver. Estava deitado de barriga para baixo com a cabeça apoiada num braço (terá sido morto pelas costas? É que essa vala leva a um beco que, se me não falha a memória, leva também à casa do malogrado - Samba vivia mesmo por trás, ao lado do famoso - e saudoso, 'Mansa flema'. Vi o suficiente para contar o que acabaram de ler. Mas podiam nem ter lido isto. Por isto.
Assim que vi que era o Samba e me voltei para bater em retirada, fui desoberto por alguém, creio, da segurança ou da polícia Judiciária. Não estava fardado, mas estava armado. "Este aqui é jornalista, conheço-o bem...não o deixem tirar fotografias", gritou e todos voltaram o olhar na minha direcção. E continuou a dizer coisas. Eu disse "não vou tirar fotorafia, estou aqui só para constatar quem foi morto". Ainda antes de acabar o que tinha para dizer...já tinha, não uma, nem duas...mas três pessoas de AK em riste, com ameaças tipo "ainda estás a falar?", ou "desaparece daqui e nem olhes para trás". Fui andando, tentando adivinhar, pelo som das suas botas, se tinham abrandado a marcha ou, se, pelo contrário, ganharam 'asas'.
Felizmente, depois de uns dez metros, pararam de me seguir e limitaram-se a acompanhar-me com a vista. Assim que cheguei ao meu carro e meti a chave na porta, lancei um olhar de soslaio só para me certificar que estava sozinho. E estava. Fiz a inversão de marcha, e zarpei. Nos trinta minutos em que estive nesse lugar, reparei na tensão que alguns deixavam transparecer.
Nesse local, falei com gente que assistiu a tudo e com outros que chegaram logo a seguir. Estou a trabalhar, a colher mais informações. Uma coisa parece certa: este assassinato nada terá que ver com as eleições presidenciais, ontem realizadas.
António Aly Silva
Não podendo continuar a marcha, por a tropa ter barrado a estrada com os seus carros, estacionei. Parei o motor, subi os vidros. Ao sair, agarrei na máquina fotográfica. Dei a volta para confirmar se as portas estavam trancadas - e estavam, quando vejo o meu amigo chegar. E logo a seguir aparece um militar de AK-47, a gesticular e a dizer coisas que não consegui perceber. Pelos seus gestos, das duas uma: ou pensava que o condutor ir seguir em frente (o que seria impensável, para além de impossível), ou queria confrontá-lo. Eu meti-me. "Desculpe, amigo, amigo, é fulano de tal...".
"Ah, ok, ok". O meu amigo faz a manobra em marcha-a-ré e estaciona. Assim que chega o militar, cumprimentamo-nos. "O que se passa aqui?" - pergunta o meu amigo. Acreditem que voltei a não perceber nada do que disse o miitar? Mas foi mesmo. "Quem está ali?", o meu amigo voltava à carga. E...nada! Então eu disse-lhe "ouvi dizer que é o Samba Djaló, que foi o chefe da contra-inteligência militar".
- "Não sabemos, porque o corpo está coberto por um pano", disse, e dessa vez foi claro. Percebemos todos. Então, lá foram, ele e o oficial meu amigo. Assim como eu, uns cinco metros atrás, com pézinhos de lã. Queria, para além de tudo, ver o cenário. Todo o cenário. Vi o bastante para uma retirada estratégica. Vi tensão nalguns rostos, noutros vi indiferença total. Depois, ouvi a comunicação com a 'base', e, finalmente, a ordem para se descobrir o mistério: quem seria? Fiz uma chamada. E esperei. Pouco depois retribuem-me a chamada.
Ganho coragem, tirada talvez dos intestinos fraquejantes, e arranco em direcção às armas. Convém aqui dizer que para além de militares e polícias, devidamente identificáveis pelo fardamento, havia pessoas sem uniforme e com Kalahsnikov's (de assalto). Continuei a andar e vejo uma carrinha com os faróis acesos, a focar para uma pequena vala, entalada entre uma 'taberna di Nar' e uma construção paupérrima feita com chapas de zinco enferrujadas.
Assim que levantam o lençol púdico, reparei logo: era ele. "I Samba', diz o oficial que descobriu o cadáver. Estava deitado de barriga para baixo com a cabeça apoiada num braço (terá sido morto pelas costas? É que essa vala leva a um beco que, se me não falha a memória, leva também à casa do malogrado - Samba vivia mesmo por trás, ao lado do famoso - e saudoso, 'Mansa flema'. Vi o suficiente para contar o que acabaram de ler. Mas podiam nem ter lido isto. Por isto.
Assim que vi que era o Samba e me voltei para bater em retirada, fui desoberto por alguém, creio, da segurança ou da polícia Judiciária. Não estava fardado, mas estava armado. "Este aqui é jornalista, conheço-o bem...não o deixem tirar fotografias", gritou e todos voltaram o olhar na minha direcção. E continuou a dizer coisas. Eu disse "não vou tirar fotorafia, estou aqui só para constatar quem foi morto". Ainda antes de acabar o que tinha para dizer...já tinha, não uma, nem duas...mas três pessoas de AK em riste, com ameaças tipo "ainda estás a falar?", ou "desaparece daqui e nem olhes para trás". Fui andando, tentando adivinhar, pelo som das suas botas, se tinham abrandado a marcha ou, se, pelo contrário, ganharam 'asas'.
Felizmente, depois de uns dez metros, pararam de me seguir e limitaram-se a acompanhar-me com a vista. Assim que cheguei ao meu carro e meti a chave na porta, lancei um olhar de soslaio só para me certificar que estava sozinho. E estava. Fiz a inversão de marcha, e zarpei. Nos trinta minutos em que estive nesse lugar, reparei na tensão que alguns deixavam transparecer.
Nesse local, falei com gente que assistiu a tudo e com outros que chegaram logo a seguir. Estou a trabalhar, a colher mais informações. Uma coisa parece certa: este assassinato nada terá que ver com as eleições presidenciais, ontem realizadas.
António Aly Silva
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