segunda-feira, 10 de novembro de 2014

DISCO: Karyna Gomes lança disco em Lisboa


Guiné-Bissau tem uma nova voz: Karyna Gomes. Vem juntar-se a um lote de músicos que têm vindo a mostrar-se ao mundo, como Manecas Costa, Justino Delgado ou Eneida Marta. O seu disco de estreia, Mindjer, mistura com leveza e gosto a música urbana da Guiné com influências de outras sonoridades, do soul à música latina. O disco será apresentado ao vivo dia 27, no B. Leza, em Lisboa.

Karyna nasceu em Bissau, a 13 de Fevereiro de 1976, dois anos após a independência. "Sou daquela leva de bebés que nasceu dos filhos dos ex-combatentes". E foi em Bissau que fez os estudos, primários e secundários. Isto até 1994. "Depois trabalhei um ano, enquanto esperava uma oportunidade para prosseguir os estudos, porque não havia universidade em Bissau. Até que, em 1996, fui contemplada com uma bolsa do governo brasileiro, do Itamarati, para fazer um curso de jornalismo na Universidade Católica de São Paulo." E foi para o Brasil.

Nesse período, o seu país tremeu. "Houve a tal guerra de 98, que devastou a minha cidade e afectou a minha família, porque perdemos a nossa casa no conflito." Isso levou-a a ficar mais um ano no Brasil do que o previsto, para lá dos quatro anos que durara o curso. E isso abriu-lhe as portas à música. "Comecei a cantar num coro gospel, numa igreja evangélica de São Paulo, e fui convidada depois para ser solista. Foi aí que comecei a cantar. E não parei, até hoje."

Mas entretanto voltou para a Guiné, logo que pôde. "Lembro-me de ter recebido o diploma do curso e querer coltar logo. Eu sabia que havia muitas lacunas no sector da comunicação e queria ajudar. E acho que consegui dar algum contributo." Quando voltou, em 2001, foi para a delegação da RTP-África até o então presidente Kumba Ialá ter decidido fechá-la. Depois foi para a rádio e apanhou, é ela que o diz, "o bichinho da rádio". Antes, trabalhara como correspondente da Associated Press e colaborou com o jornal A Semana, de Cabo Verde. Na rádio atraiu-a a comunicação para o desenvolvimento. "Tinha uma abordagem específica que passava por ir ao terreno e criar uma forma de trabalhar em parceria com os comunicadores radiofónicos locais, porque há uma forma própria, específica, de fazer rádio em África."

Em termos de experiências paralelas à música, não iria parar por aí. Depois da rádio, onde esteve até 2008, ainda fez assessoria de imprensa na Unicef, mas sempre em Bissau. "Foi um trabalho interessante, aprendi muita coisa. Mas não fiquei mais porque senti que isso me iria tirar da música." Onde ela já estava, aliás, desde o seu regresso. "Houve um reencontro, meu, com a música urbana da Guiné. Dentro do contexto religioso, porque a igreja que eu passei a frequentar na Guiné já não tinha um coro gospel, no formato negro-americano, mas música sacra em crioulo e outras línguas da Guiné. E achei que isso tinha mais a ver comigo."

Primeiro começou a cantar num restaurante, em 2005, impulsionada por uma prima, depois foi convidada a integrar o grupo Super Mama Djombo. Mas não quis gravar logo. Achou que devia começar primeiro um processo de investigação na música. "Fui para a rádio nacional consultar as pessoas, o Super Mama Djombo foi decisivo porque é um grupo histórico da Guiné-Bissau. Aprendi muito com todos eles, sobretudo com a primeira geração do grupo."

Vozes do mundo

Mas é a sua ida para Lisboa, "cansada da rotina da comunicação" e desejosa de fazer um mestrado, que lhe abre o caminho para gravar o primeiro disco. Conheceu a Get!Records, hoje a sua editora, e apresentou-lhe uma "maquetezinha caseira". "Eles gostaram a acharam que tinham ali material para trabalhar." Por isso avançou com o disco e só depois completará a tese. "O tema que eu escolhi tem a ver com música, porque a música teve um papel fundamental na mobilização da juventude urbana para as grandes causas nacionais, a começar pela independência."

O disco de Karyna Gomes reflecte isso, em termos sonoros. "Quando medito no meu trabalho, vejo que este primeiro disco é essencialmente uma genealogia da música urbana guineense. Porque eu canto em crioulo e mesmo a música mais tradicional que eu fiz no disco, que é o Nha cunhada, é uma música da cidade, embora ainda não tenha nenhum instrumento ocidental. O único instrumento ocidental que entra na música urbana da Guiné é o acordeão, que está muito ressente no disco."

Por isso, ela insiste nesta ideia: "Aqui não vejo nada de étnico, mas sim da música urbana. Quando pego num tema que o Zé Manuel Fortes fez em 1978, ponho um pianoforte e faço uns improvidos de gospel, tenho um coro. E isso já tem a ver com os processos de identificação da minha parte. Porque eu nasci na Guiné-Bissau mas a minha mãe é cabo-verdiana, o meu pai é guineense, os meus tios-avós tinham uma estante cheia de discos cubanos e brasileiros, de bossa nova. Ora por causa dessas influências já lá de casa (o meu pai sempre ouviu muita música do mundo todo, cubana, brasileira, americana), em pequena ouvi muito Michael Jackson, Whitney Houston, Toni Braxton e esses nomes da música pop americana, mas também do soul, do jazz e do rhythm’n’blues e isso acabou por influenciar a minha musicalidade. Em Bissau, as pessoas da minha geração estão contentes, porque ainda não tinham encontrado ninguém que tivesse a ousadia de gravar um disco que trouxesse aquilo que nós ouvíamos: o funk, o soul, o groove americano, isso misturado com às outras coisas de base da nossa música." Público

SALÁRIOS DOS DEPUTADOS: E esta, hein?


"Sr. António Aly Silva,

É com prazer que o acompanho na sua luta diária, constante, de anos, que trava contra os desmandos no seu País. Eu sou um cidadão estrangeiro de um País que há anos se encontra empenhado em ajudar a Guiné-Bissa atravês de várias agências. Agora, olhamo-nos e questionamos: "Será que é de aumento de salário dos deputados que a Guiné-Bissau precisa neste momento?"

E os médicos, os enfermeiros, os professores, os engenheiros agrônomos - será que não merecem ver o seu salário aumentado? No meio de tudo isto, como se sentirão os próprios deputados? E o presidente da assembleia? Convenhamos que no seu País, que conheço de várias missões do FMI e do Banco Mundial, alguém, um servidor público ganhar quase 3 mil euros...é um escândalo!

Espero não ter excedido na linguagem.

Abraço fraterno,

C. S."

"Olá, muitos parabéns pela CORAGEM. Esta qualidade rara, normalmente só consta nos dicionários. Infelizmente nem toda a gente lê a folha em que está descrita. A."


Obrigado. AAS

<<<<<<<< SALÁRIOS DOS DEPUTADOS: Vote na nova SONDAGEM DC e diga de sua justiça

TIMOR LESTE: Tudo grandes corruptos


Os ladrões de Timor Leste, segundo a Transparência Internacional. Agora, percebemos melhor porque expulsaram os magistrados:

domingo, 9 de novembro de 2014

EuroAtlantic: Voo é ja na sexta-feira


sábado, 8 de novembro de 2014

NOTÍCIA DC/ENERGIA: Até ao próximo mês de dezembro, Bissau contará com mais 10 megawatts para distribuição de energia eléctrica na capital. De momento, a EAGB pode contar com apenas 7 megawatts. Para o efeito, o ministro guineense da Energia, Florentino Mendes Pereira, viaja amanhã para Dakar para tratar deste assunto com a sua homóloga senegalesa. AAS

Crispação pode levar a uma crise política desnecessária


Perante a crispação entre o Governo e a ANP, cujo Presidente decidiu unilateralmente aumentar mais de 100% os salários dos deputados; numa altura em que o salários dos membros do Governo foram cortados a meio e da função pública congelados, cabe ao partido PAIGC assumir a sua responsabilidade em manter a confiança política ou não ao seu mais alto representante nesta instituição.

Pois, de acordo com a Constituição da República da Guiné-Bissau, nada impede o partido, neste caso o PAIGC, em caso de perda da confiança, de proceder conforme o regulamento da ANP - ou seja, retirar a confiança política ao Presidente deste órgão, Cipriano Cassama, e indicar um novo representante para a maioria no parlamento. AAS

Isto, só visto: Árbitro pára jogada de golo para o arriar da bandeira na Guiné-Bissau


Aconteceu num quartel...:

Um árbitro de futebol mandou parar uma jogada de golo iminente num campeonato entre bairros na capital guineense, alegando que tinha soado o apito do arriar da bandeira num quartel militar onde se encontra o estádio.

O insólito aconteceu quando o avançado da equipa do bairro de Cuntum estava isolado depois de ultrapassar o guarda-redes do bairro de Sintra Nema, preparando-se para fazer o golo, altura em que o árbitro apitou para a paragem do jogo. Todos no estádio das Transmissões, no quartel do exército em Bissau, ficaram incrédulos com a decisão do árbitro, até os seus assistentes, que não compreenderam a decisão do chefe da equipa.

De facto, naquele momento, tinha acabado de soar o apito a avisar que a bandeira da república ia ser arriada, pelo que a lei guineense obriga que todos os que se encontrarem nas imediações do quartel devem ficar em sentido. Abordado pelos jornalistas no final da partida, disse que apenas fez respeitar a lei e os regulamentos do campeonato, que mandam parar o jogo quando for o arriar ou hastear da bandeira. Um comentador desportivo afirmou que o insólito aconteceu porque o desafio se realizava num campo militar.
LUSA

NOTA: É que, com a tropa, nunca se sabe como as coisas podem acabar...AAS


PRS na reunião da IDC/África


O partido cabo-verdiano Movimento para a Democracia (MpD) foi anfitrião de uma reunião do Comité Executivo da Internacional Democrata do Centro em África (IDC/África), em que o CDS/PP português foi um dos convidados.

Num comunicado, o MpD, o principal partido da oposição em Cabo Verde, refere que a reunião junta na Cidade da Praia uma dezena de partidos políticos africanos, três deles de língua oficial portuguesa: União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Ação Democrática Independente (ADI), vencedora das recentes eleições legislativas em São Tomé e Príncipe e o Partido da Renovação Social (PRS) da Guiné-Bissau está representado pela deputada Martina Moniz e pelo seu secretário geral e ministro da Energia, Florentino Mendes Pereira. O CDS-PP está representado pelo deputado Luís Queiró.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ÉBOLA: Portugal oferece medicamentos


Portugal entregou à Guiné-Bissau medicamentos de prevenção ao vírus Ébola, avaliados em cerca de oito mil euros, disse uma fonte do Ministério da Saúde guineense. Os medicamentos solicitados pelo primeiro-ministro guineense em julho passado chegaram agora a Bissau e foram entregues pelo chefe da secção consular da embaixada de Portugal, João Neves, ao ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Baciro Djá.

Na sua intervenção, o cônsul de Portugal na Guiné-Bissau, salientou que a ajuda representa um esforço do seu Governo e entidades da área da Saúde em ajudar a colmatar “algumas falhas e carências” que o setor enfrenta no país africano.

Para Baciro Djá, a ajuda de Portugal “é uma resposta” ao programa de emergência do Governo de Bissau que prevê, entre outros, a prevenção ao vírus Ébola que afeta a Guiné-Conacri, país que faz fronteira com a Guiné-Bissau. “O gesto de Portugal chegou num momento crucial para nós. É um dos vários gestos de um país com o qual a Guiné-Bissau mantém uma relação de quase de sangue, de família, a partir de uma base cultural secular entre os nossos dois povos”, observou Baciro Djá.

O governante guineense disse que Bissau espera poder continuar a merecer o apoio de Portugal, sobretudo para ajudar na mudança da imagem negativa do país junto da comunidade internacional com base na estratégia elaborada pelo Governo. “Pensamos que nessa estratégia Portugal poderia ser o representante da Guiné-Bissau para vender uma nova imagem do país junto da comunidade internacional”, afirmou Djá, salientando que Portugal “em nenhum momento abandonou” a Guiné-Bissau.

O último balanço da Organização Mundial de Saúde, de 31 de outubro, indica que a atual epidemia da febre hemorrágica Ébola afetou 13.567 pessoas e causou 4.951 mortos desde o início do ano. Os países mais afetados são a Libéria, a Serra Leoa e a Guiné-Conacri. Observador

Agora...


No jornal EXPRESSO DAS ILHAS

ADEUS, CABO VERDE: Hora di bai


CABO VERDE, para mim, está a chegar ao fim. A gota de água? Não tanto o roubo em si, pois estamos sujeitos a ser roubados em qualquer lugar do mundo, mas, e é isso que ainda me dói e que não entendo e nem vou entender nunca, a completa indiferença, apatia, desleixo, omissão das autoridades (neste caso, da Polícia Judiciária).

A minha residência foi assaltada no dia 19 de agosto de 2014. Nesse mesmo dia, participei o roubo nas instalações da PJ, que enviou dois agentes para as diligências. Desloquei-me três vezes à PJ, deixei fotografias dos bens roubados. Consegui os dados de alguém que estava a usar o aparelho Nokia Lumia:


O nome (ADILSON PEREIRA NUNES)
A morada (CALHETA, SÃO MIGUEL)
O número de telefone (9262120)


Voltei à PJ, entreguei esses dados. Nada. Na PJ, foram ao computador e - eu vi - apareceu esse nome, com a morada e tudo. Só não tinha foto. E o agente até comentou "ou é comprador, ou trata-se de em ladrão novo, de quem não temos ficha.". Fiz lóbi, falei com pessoas que conheciam outras pessoas, deixa-te estar...falei com muita gente. "Aly, desiste, tu não és de cá, ninguém te ajudará." - Sabem que mais? Hoje acredito PIAMENTE que por não ser daqui nada farão para recuperar as minhas coisas. Que mal que vos fica!

Durante estes quase três meses, notei apenas uma coisa: indiferença total da parte de todos eles! Arrumaram comigo por Knock-Out. Muito bem.

Quando os dois polícias cabo-verdianos foram presos em Bissau, eu pus o meu pescoço na corda pela sua libertação - e foram libertados. A pressão que exerci sobre aquele governo de ladrões da transição deixou-os assustados. Hoje, aliás desde 19 de agosto, sou eu que preciso da polícia de Cabo Verde e viram-me as costas. Vivendo e aprendendo, como diz o outro.

Agora, cansei. E decidi partir. Não sei para onde vou, aliás, isso nem interessa aqui para nada. Desde que fui obrigado a fugir do meu País já vivi em Dakar, em Lisboa e estou há 14 meses am Cabo Verde. Passei um ano na Cidade da Praia a escrever o meu livro durante oito/nove horas por dia. Escrevi, escrevi, escrevi. Quando acabei, justamente quando acabei, a minha casa foi assaltada em plena luz do dia e ninguém viu nada. A câmara de vigilância que serve a entrada do prédio e que já contribuiu para apanhar dois assaltantes...de repente já não gravava nada!

Colegas jornalistas cabo-verdianos alertaram-me "cuidado que pode ser roubo encomendado, acontece muito por cá." Um advogado cabo-verdiano disse-me mesmo "tinham que te roubar, pois não és de cá...".

Custava muito à PJ ir ter com o ADILSON PEREIRA NUNES e perguntar educadamente: "Este telemóvel tem dono, temos o IMEI para o provar, queremos apenas saber porque é que está a usá-lo, como o conseguiu?". Nada, se o fizeram eu não fui informado. Se calhar a PJ quer que seja eu a ir falar com ele. NÃO VOU, e muito bom dia. Estou sem:

- Computador portátil ACER preto
- 4 telemóveis (2 BlackBerry, dois Nokia)
- Máquina de filmar JVC ULTRA HD
- Gravador de voz SAMSUNG
- 2 relógios (marcas Police e Tommy Hilfigger)
- Mochila-trolley 'Berg'


Até hoje. E é isso que me dói, e é por isso mesmo que decidi ir embora. Tenho problemas cardíacos e, para ser franco, não quero morrer aqui. Numa palavra: estou proibido, não posso cair em depressão.

Agradeço às pessoas que conheci e com quem que valeu a pena manter um diálogo.

António Aly Silva